Notas iniciais
Boa leitura! ^^

Caroline observava-me com uma expressão confusa estampada em seu rosto, o que obviamente denunciava que ela não havia entendido se quer meia palavra do que eu disse. O salão estava completamente lotado, quase todos os alunos da escola estavam por ali sentados e assustadoramente comportados. Cada qual em sua cadeira, olhando para frente daquele grande salão onde havia um homem de cabelos loiros e barba não feita acompanhado de um pequeno senhor de semblante cansado.

Caroline beliscou minha mão assim que percebeu o fato de que eu não iria comentar nada, não ali e não naquele momento. Minha atenção focava naquele senhor de pé que parecia, de certo modo, triste.

– Caros alunos, estamos reunidos aqui em uma cerimônia de despedida para nosso querido jardineiro Sr. Fonks, servente de nossa escola a mais de 20 anos. – O homem loiro faz um breve discurso, logo levantando sua taça de vinho, acompanhado pelos alunos e seus sucos para um brinde. Levantei meu copo, vazio, e apenas completei o ato junto aos demais, enquanto meus olhos acompanhavam o senhor que logo saia do grande salão, seguindo para uma sala de jantar reservada para os funcionários do colégio. Mudei meu olhar de direção, agora o direcionando para Caroline que não parava de me cutucar.

– O que quer, criatura? – Sussurrei um tanto irritada. Ela nunca sabe quando parar de insistir, e isso que para muitos é uma virtude, para mim é um defeito catastrófico.

– O que quis dizer com: “Acho que vi... Seu incrível jardineiro”? Quer me matar de curiosidade ou algo do gênero? É querida, saiba que está conseguindo! – Ela retruca com o mesmo tom de irritação. Certamente, devo reconhecer que foi rude de minha parte deixá-la no escuro assim, mas é uma coisa tão boba que não me sinto mal por isso.

– Acho que vi, o maldito novo jardineiro! Só isso! – Os olhos dela se arregalaram e brilharam cintilantes.

– O que quer dizer com isso? Como assim o viu? Como ele é? – Fui bombardeada de diversas perguntas, uma mais absurda que a outra enquanto colocava um pouco de suco no copo tentando ignorar toda aquela euforia desnecessária. – Não quer me contar não é mesmo? Quer ficar com ele só para você, não é? Safadinha. – Dizia ela a frase mais absurda que ouvira durante o dia todo, eu mal conhecia o cara!

– Mas que diabos? Caroline vá dormir.

– Há-há! Engraçada. Agora conte-me tudo. Sei que está me escondendo algo tipo...

– Tipo: Eu só vi as costas dele e passei a maior parte do tempo admirando a flor que segurava? Tudo bem, agora sabe.

– Uau, As! É incrível como seu nível de chatice sobe ao anoitecer. Cara, isso é um fenômeno que deveria ser estudado. – Ela concluiu a conversa tomando o ultimo gole de seu suco e retirando-se do local em direção ao quarto, provavelmente. Terminei minha refeição rapidamente e a segui alias, eu também havia sido estúpida.

– Carol? Carol? – Chamei em um tom baixo que infelizmente não impediu o eco pelos corredores silenciosos, frios e sombrios. A lua podia ser vista por inteira pelas grandes janelas do corredor, aproximei de uma delas sem desviar minha atenção daquela bela lua que iluminava a noite, até que o barulho de um galho no jardim, fez com que eu levasse meus olhos em direção ao mesmo avistando aqueles cabelos ruivos que eu conhecia bem. Caroline.

Desci as escadas com pressa, tentando pensar em que enrascada ela me colocaria dessa vez, logo chegando ao lado externo da escola sorrateiramente para que ninguém descobrisse que estávamos quebrando as regras do colégio. Segui um pouco mais adiante enquanto o vento soprava violentamente os galhos e folhas ao redor fazendo com que eu abraçasse meu próprio corpo como proteção ao ar gélido que vinha de encontro a minha pele desprovida de um bom casaco. Ao continuar mais um pouco, me deparei com Caroline que parecia petrificada, apenas seus cabelos se mexiam como se estivessem dançando ao vento enquanto seu corpo encontrava-se rígido.

– Carol? – Abordei uma aproximação em passos lentos, pousando levemente minha mão sobre o ombro dela, sem resposta. – Caroline? – Chamei novamente, sem virar a mesma para que me encarasse. – Mas que diabos está acontecendo, Caroline? – A virei em um movimento brusco, deparando-me com a cena que gostaria de jamais ter visto em minha vida. Caroline estava com os olhos revirados, o rosto pálido e a boca entreaberta... Como em um estado de morte mental. Gritei desesperadamente enquanto livrava minhas mãos, afastando-me alguns passos para trás enquanto chorava descontroladamente, clamando por ajuda.

Corri, corri o mais rápido que pude para voltar a escola. Não tive a menor noção do quanto havia me afastado da mesma, parecia estar longe, galhos enganchavam insistentemente em minhas roupas que por sua vez eram rasgadas e manchadas de sujeira enquanto eu passava a soluçar e forçar meu corpo a correr além do limite... Até que um braço enlaça minha cintura, fazendo com que eu me debatesse para que, quem quer que fosse me deixasse ir. Ao abrir os olhos lentamente, deparei-me com um peitoral forte e um belo e jovem rosto, um rapaz alto e bonito de cabelos negros e olhos azuis segurava-me pela cintura enquanto eu estava prestes a desabar por ali mesmo em um desmaio.

– Acalme-se senhorita, por favor. – Pedia ele em um tom tranqüilizante, sua voz invadia meus ouvidos proporcionando-me certa calma e segurança. – Está tudo bem, está tudo bem. – Dizia ele, percebendo as lagrimas que escorriam por meu rosto, a expressão de medo e o possível cabelo amedrontador que eu apresentava. – Vamos voltar para a escola.

Fui conduzida por aquele homem misterioso por todo o trajeto, entrando pelos fundos da escola e indo direto para o dormitório feminino deserto, pois já era tarde, muito tarde, o que comprovava que não havia perdido apenas a noção de direção, mas também a do tempo naquele lugar assustador. Ele fez questão de entrar comigo em meu quarto e esperava de pé ao lado de minha cama enquanto eu tomava meu tão merecido banho, saindo do dele já trocada e sonolenta, tirando o fato de que estava mais do que assustada.

– Pode contar-me o que viu? Talvez eu possa ajudar a senhorita...

– Moore. Sou Asriel Moore.

– Lady Asriel, poderia contar-me o ocorrido? – Sua voz era baixa e tranqüilizante, sua linguagem antiga, elegante e... Espere! Cabelos negros, alto, olhos azuis e pele bronzeada... Aimeudeus!

– Senhor... Alexander Black? – Perguntei assustada. O que aquele homem fazia, naquele lugar? Naquela hora?

Notas finais
Gostou? Espero que sim!
Caso queira saber sobre a atualização da história leia o perfil.
Obrigado e até o próximo. :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.