The Better For You

28 Capítulo Vinte e Sete.


Notas iniciais
esse cap é super chato mas prometo que na sexta tem outro bem melhor

Passei as mãos, frustrado, pelos meus cabelos e encostei minha testa na parede fria, descascada do prédio velho e abandonado da esquina, tentei respirar fundo e não perder o controle. Aliás, eu não vim apenas por causa dela.

Então, dei meia volta e tentei me lembrar qual era o caminho do cappuccino lotado que havia visto antes de vir para cá.

Continuava com o mesmo cheiro de café forte, aqueles sem açúcar, sem leite ou chocolate. Tinha cheiro de biscoito saindo do forno, também, e flores, rosas. Era gostoso.

Dei uma olhada por cima e percebi que todos estavam ocupados demais para se dar conta de que eu existia, então entrei no cappuccino e me esgueirei entre dois homens grandões comentando sobre o jogo ou trabalho, e passei por um grupo de adolescente até chegar ao balcão.

Uma mulher – com cara de adolescente – mascava chiclete enquanto pegava os pedidos e corria para a máquina de café, vez ou outra, buscava por seu chá ao seu lado, talvez frio, mas eu ainda poderia ver a fumaça subindo lentamente, e tirando de perto dela, o frio que Londres insistia em fazer.

Pedi uma xícara grande de café com duas colheres de açúcar, ela me entregou com um sorriso e perguntou se eu queria algum biscoito, assenti e pedi por uma cesta. Foi barato, peguei minha carteira no bolso traseiro e deixei ao seu lado. Procurei uma mesa vaga (o que demorou uns dez minutos), porém deixei-me desabar em uma mesa ao canto com as cadeiras encardidas, enferrujadas e precisando de um cuidado maior.

Comecei a beber o café e a mordiscar os biscoitos de chocolate.

Eu busquei nas minhas antigas memórias se já havia visto Annabeth chorar, mas se vi, foi uma coisa tão rápida e quase imperceptível que eu nem, ao menos, havia prestado atenção... Claro, tirando do dia que ficamos presos naquele galpão com Nakamura, aposto que ela chorou, óbvio. Mas hoje ela me pareceu tão frágil e tão longe, era quase como... Como se eu não soubesse se deveria aninhá-la, ou perguntar o que estava acontecendo, ou simplesmente ficar em estado de choque.

Eu não sabia o que fazer quando vi seus olhos cheios de lágrima. E só de imaginá-la abraçando um travesseiro e chorando, eu me sentia mal.

Terminei de beber meu café, e passei, novamente, pelas pessoas que se espremiam por um café, enfiei as mãos nos bolsos e, por fim, subi todo o zíper do casaco e comecei a andar sem rumo por Londres.

Com o propósito que o dia passasse mais rápido.

Até parecia que era a primeira vez que eu ficava sem vê-la. Eu queria rir, entretanto. Por ontem, e por eu estar quase chorando sem vê-la, só queria que as pessoas não se dessem conta de que estou tão mal. Tão terrível e quebradiço, por dentro.

Andei até perceber que estava com fome de novo, e procurei me informar que horas eram.

Uma hora. Suspirei, procurando algum lugar para comer. Encontrei um restaurante no centro, era pequeno e confortável. Pedi uma comida qualquer, sem realmente saber o que era, só comi.

Meu telefone tocou e o atendi sem saber quem era.

– Oi. – cumprimentei

– E ai? Quando pensa em voltar?

– Oliver? Não cansa de mim?

– Só estou fazendo meu trabalho.

– Não, não quero voltar. Ainda.

– Então, tudo bem. Lembre-se que você tem apenas quatro semanas.

– Eu sei.

– E hoje, três semanas e cinco dias.

– Oliver...

– Tenha bom proveito. – e desligou

Bufei e terminei de comer meu almoço. Paguei, enfiei as mãos no bolso e comecei a andar, novamente, sem caminho definido.

Pela primeira vez em anos, eu estava precisando de um cigarro, percebi que eu havia ido para o centro. As pessoas calmas, com uma pressa natural, outras andando como se tivessem o dia todo, empresários atropelando as palavras enquanto falavam no telefone, meninas fazendo compras, garotos tagarelando sobre o novo jogo de futebol, adolescentes com bolsas grandes, como se tivessem saindo da escola.

Eram três horas da tarde, e mesmo que minha mente estivesse tendo o esforço de esquecê-la e prestar atenção nas pessoas londrinas com seu jeito calmo, frio e indiferente de ser, seu nome ainda martelava em minha cabeça e eu pensava: por que eu não voltava para Carolina do Norte?

Não que lá tenha sido o lugar onde eu cresci, e não que lá fosse o lugar que eu deveria estar agora, mas parecia ser que eu só poderia ir para lar e trabalhar, malhar, surfar e dar entrevistas. Pelo menos, eu achava que esse era meu lugar, e eu saberia que não teria como fugir.

Perguntas ainda flutuavam em minha mente e eu procurava dar-lhes respostas cabíveis, respostas que, futuramente, eu não ligaria se fossem erradas.

O que eu estava fazendo aqui? Era a primeira pergunta, em vez de ser a mais simples de responder, começou a tornar-se a mais difícil de responder com as suas entrelinhas e diferentes caminhos que me poderia levar. Na verdade, entre todas essas entrelinhas, caminhos tortos e diferentes, ela era sempre o motivo de enfrentar tudo. Annabeth. Beleza, isso eu já sabia e até mesmo um idiota sabia disso, afinal. Entretanto, eu conseguiria largar toda a minha carreira por ela? Por um beijo? Por uma noite de luxúria? Ao mesmo tempo em que parte de minha mente gritava dizendo que sim, a parte mais inteligente e que prezava meu futuro, dizia que minha carreira me ajudou quando ela me virou as costas, mas mesmo assim... Era como se eu precisasse dela, de qualquer jeito, de qualquer maneira. Mesmo que eu virasse um pobre onde não tivesse onde cair morto.

Dei um suspiro quando percebi que já estava entrando no hall luxuoso do meu hotel, duas meninas pequenas brincavam de um lado para o outro e quando estava correndo, uma delas se bateu comigo.

– Está bem? – perguntei, pegando-a no colo

– T-to bem, sim. – gaguejou

Dei um sorriso e a levei até o chão.

– Precisa tomar mais cuidado, garotinha, ou então poderá se machucar.

Ela assentiu, um pouco medrosa e depois saiu ao encalço da outra menina. Pensei nos cabelos castanhos dela, na pele branca e os olhos assustados enquanto eu a pegava. Como os pais dela poderiam estar preocupados com isso.

E me dei conta de quanto eu queria ser pai. O quanto eu queria ver uma garotinha de cabelos louros pálidos e dourados quando em contato com o sol, os olhos verdes cintilantes, o sorriso discreto e tímido, e a pele branca com as bochechas coradas de Annabeth. O quanto eu queria que ela fosse a mãe.

Eu percebi o quanto eu queria que fôssemos um casal.

Eram cinco horas da manhã e caia uma neve fraca do lado de fora, o aquecedor estava ligado e trazendo um ar totalmente favorável para dormir, mesmo assim ainda podia ouvir o vento batendo contra a minha porta, subi minha calça de moletom e dei uma olhada pela porta da sacada. A praça estava vazia e começava a formar uma camada branca por cima da calçada limpa, dos bancos coloridos de concreto, e das árvores que as folhas amarronzadas já começavam a cair.

Deitei-me na minha cama. E obriguei-me a fazer um trato comigo mesmo. Amanhã, eu não deixaria Annabeth me escapar, eu iria atrás, mesmo que todas aquelas pessoas estivessem em cima da gente, eu iria até o final.

Afinal, eu tinha três semanas e quatro dias. E pretendia aproveitar cada hora, cada minuto e segundo.

E não deixar acontecer, como hoje, onde os minutos se transformaram em hora e a hora em eternidade.

Fechei os olhos e puxei o edredom até o queixo, abracei uma almofada e olhei para o teto. A escuridão tomava conta do quarto, e aos poucos, meus olhos foram se fechando e deixei minha mente vagar e sonhar com Annabeth sorrindo para mim em uma clareira ensolarada e verde.


Notas finais
esse é um capitulo bem "let it be" mas ele passa rápido, sabe como é né