The Better For You
34 Capítulo Trinta e Três.
Notas iniciais
Espreguicei-me e bocejei alto, tateando a cama ao meu redor. Vazia, como já era de se esperar. Eu deveria colocar em minha cabeça que eu não iria acordar novamente com Annabeth deitada do meu lado, com as mãos espalmadas em meu peito.
Era difícil de acreditar, mas infelizmente era a única verdade que eu tinha que aturar.
Sentei-me, com um grande esforço contra minha preguiça, e alcancei um travesseiro arremessando em Nico.
Ele resmungou dois ou três palavrões antes de levantar-se, raivoso.
- O que quer?
- Acho que está na hora de voltar pra sua casa. Você já passou uma semana aqui, cara. – reclamei
- Tá me expulsando? Vou dizer para a tia Sally. – falou, sonolento e infantil
- Blábláblá, até o Beckendorf já foi pro hotel com a Silena.
- Eu só... Só não quero voltar, ta legal? – Nico, finalmente, ficou de pé e esticou os braços
Recolheu seu colchão, dobrando de qualquer jeito e jogando-o na varanda, estalou os dedos e as costas, bagunçou os cabelos, antes de se abaixar-se de novo e arrumar os travesseiros, chutou alguns edredons pra debaixo da cama e procurou a toalha em meio à bagunça.
- Que tal fazer uma visita para o Olimpo hoje? – fiz uma careta – Você pode ver sua ex futura sogra.
- Rárá, você é tão engraçado, Nico. – rolei os olhos e joguei-me, novamente na cama
- Ok, você decide. Eu vou falar com a Thalia e...
- Ah, não esqueça que amanhã é o grande dia, priminho. – aumentei seu nervosismo, percebi
- E não saia daqui, voltarei antes do meio-dia pra almoçarmos juntos.
- Na boa, eu tenho um encontro pra fazer. Tem uma gostosa por aí, sabe, uma repórter muito linda e pretendia almoçar com ela.
- Um dia gay para nós, vai, Percy. – Nico se jogou em cima de mim
- Se você não quer se casar, não precisa virar homossexual comigo porque eu tenho total certeza que eu sou hétero, viado.
- Enfim, estou indo. Tchau, baby.
Levantei meu dedo do meio para ele, enquanto ele abria a porta e descia as escadas. Suspirei, amanhã meu primo iria se casar com a minha prima. Era tão estranho. E eu ainda nem tinha falado com ela... Maldito orgulho.
Nico havia ficado uma semana aqui. Ele não conseguia voltar para casa por causa das coisas que disse de Luke, mesmo que não admitisse, ele estava com medo de voltar e talvez, saber que Luke havia conquistado, em tão pouco tempo, Thalia. O que eu duvidava, claro. Ela já teria ligado para nós se Luke tentasse alguma coisa, não? E Annabeth, como ela estava? Era difícil tirá-la da minha cabeça, tirar seu sorriso discreto ou seu corpo nu ao meu lado. Mordi os lábios e arrastei-me até o banheiro, liguei o chuveiro morno e enterrei-me sobre a água.
Sua imagem no escritório voltou à tona, os movimentos da sua boca e seu olhar fixo em mim. Tive que mudar a temperatura da água para manter-me coerente. Respirei fundo antes de voltar para o quarto e colocar uma bermuda e uma blusa leve de botões.
- Pensou de novo? Quer ir ao Olimpo, comigo? – Nico perguntou
- Não, só vou passear um pouco. Tomar café no Mc Donald’s ou qualquer coisa do tipo. Dar um passeio pelas ruas... Te pego no Olimpo antes do meio-dia.
- Estou confiando em você. – Nico me assegurou, pondo o paletó cinza, por fim, deu um suspiro
- Deve ser muito cansativo andar assim.
Ele deu de ombros.
- Mas é bem gratificante.
Tossi, envergonhado.
- Como vai a tia Maria? – consegui perguntar, depois de semanas.
- Vai bem... Você sabe como é, a morte do meu pai não foi tão fácil assim pra ela. – Nico deu um sorriso triste antes de continuar – Mas, tia Sally tá dando muita força pra ela e isso é o que importa, na verdade.
- Ok, então vai lá. Vou tomar qualquer café gorduroso e depois te pego por aí, cara.
- Tudo bem. Escolhe um lugar legal pra gente almoçar.
- Claro que sim. – afirmei
Saímos de casa, com sorrisos no rosto. Entrei no meu carro, e dirigi sem destino fixo, liguei o rádio e ouvi o cara falando que a próxima música seria More Than This de uma banda nova, mais que havia estourado o mundo com seu talento e blábláblá... Finalmente, escolhi entrar drive thru do Mc Donald’s, escolhi um suco grande de laranja, uma maçã e uma panqueca qualquer. O cara empacotou tudo e entregou-me, paguei e tirei meu carro daquela fila cheia, dirigi até o centro de Los Angeles e parei. O desliguei ainda ouvindo e prestando atenção na música lenta.
Pensei em Annabeth, claro. Não havia muitas pessoas em que pensar.
Comecei a comer a panqueca bebendo o suco de laranja e olhando as pessoas que passeavam neste dia ensolarado.
Então, eu vi Annabeth. Poderia ser brincadeiras da minha mente, mas... Infelizmente, não era. Os cabelos voando por causa do vento, com um vestido curto e branco de verão, voando contra seu corpo, e uma jaqueta jeans e abatida desenhando seu busto, mas quem estava ao seu lado não era a melhor coisa do mundo. Luke. Só ele. Os cabelos loiros estavam maiores do que eu me lembrava, mas ainda assim misturados e desgovernados, como sempre, o sorriso brilhante e ridículo na cara, os olhos azuis brilhando contra a luz radiante do sol, usava uma camisa xadrez azul com preto e uma blusa branca por dentro com uma calça jeans. Quem ele achava que era para passar o braço por cima dos ombros de Annabeth? Só eu poderia fazer isso, não? Era o meu jeito de mostrar que ela era minha.
Quem ele achava que era? E por que ela deixava? Por que ela não se dava conta de que ele era um idiota e estava fazendo muito mal para... Para quem? Suspirei e afundei no banco, apenas observando seus passos.
Eles estavam conversando, alegres, então, ela se ergueu e deu um beijo estalado em sua bochecha, ele deu um riso e cheirou seus cachos esvoaçantes. O que ela sentia com isso? Será que ela se arrepiava ou qualquer coisa do tipo?
Eu estava morrendo por dentro.
Eu queria sumir ou mostrar pra ela que ele não era o garoto certo.
E se eu fosse até ela? Se eu a arrancasse dos braços dele, ela me notaria? Se eu gritasse, ela viraria para mim? Ela me abraçaria e me salvaria desta tortura que é vê-la nos braços de outro cara? O que ela via nele, na verdade?
Tentei acalmar-me, eles eram primos, não é? Nico e Thalia também. Eu me sentia quebrado, e cego de raiva, de ciúmes. Eu me sentia tão fraco, só de vê-la assim: rindo, feliz, com outro cara. E não, comigo. Era tão errado ficar bêbado, agora? Era tão errado, me drogar até ter uma overdose? Era tão errado pedir para ela ficar comigo?
Eles, dois, eram os errados.
Então, eu comecei a fazer uma coisa inusitada, eu deixei o suco de lado junto com a panqueca pela metade, juntei as mãos e comecei a rezar.
Nunca fui o tipo, religioso que rezava toda noite pedindo o bem dos outros. Mas, se existia alguém lá em cima, e esse alguém amasse todos os seus filhos, como todo mundo falava, ele iria me ouvir, ele iria me ajudar. Eu pedi que ela ficasse comigo, que ela olhasse pra mim, que ela sorrisse pra mim, que ela olhasse pro céu e visse as estrelas brilhando, contentes, para ela, que ela se lembrasse do nosso primeiro beijo e de tudo... E que ela escolhesse a pessoa certa, a pessoa que a deixaria feliz.
Agora, eu pensei em correr até ela e tirá-la dos braços dele, mas o que eu diria? Eu perdia as palavras, eu nem sabia o que dizer quando estava só nós dois, sozinhos, imagina com Luke perto dela.
Eles, agora, estavam parados, de lado para mim conversando sobre alguma coisa qualquer e apontando para uma vitrine alguns metros do meu carro.
A música, agora, tocava em um áudio maior, com a voz de um cara rouca mostrando, tudo que eu queria sentir agora. O refrão era tão... Tudo.
Novamente, fiz uma coisa que eu nunca esperei ter feito. Gravei o refrão, na segunda vez que fora repetido, e procurei meu celular em meio à bagunça que era meu carro. Digitei o número de telefone tão conhecido da minha garota, observei-a de longe e a vi procurando o celular no bolso da jaqueta, ela levantou o dedo para Luke e se afastou alguns centímetros dele. Era o suficiente, ele não ouviria. Ela, sim. Ela ouviria tudo que eu queria que ela ouvisse.
- Lembra-se de quando ficamos pela primeira vez? – eu só ouvia sua respiração rasa, curta e rápida – Quando você me pediu para eu não te fazer sofrer? Eu quebrei a promessa. – suspirei, observei-a novamente, ela abriu a boca, pronta para falar algo – Eu sinto tanto, Annie. Tanto. Eu te amo muito, só queria que você estivesse comigo, agora. Eu não queria te fazer sofrer. Você é minha garota. E quero você comigo.
- Percy... O que você está fazendo? Sabe...
- Só me escuta.
- Eu não quero te escutar, quando você vai entender isso?
Mas, ela não tinha desligado, então quer dizer, que sim, ela queria me ouvir. Ela ainda estava com a mão erguida para Luke, impedindo-o que interferisse em alguma coisa, sendo que ele estava com uma expressão confusa e atordoante.
- When he opens his arms and holds you close tonight, it Just won’t feel right, ‘cause I can love you more than this, yeah, when he lays you down, I might just die inside, it Just won’t feel right, ‘cause I can love you more than this...*
E ela começou a fazer algo, também inusitada. Cantarolando, baixinho, com aquela voz de vários anjos cantando ao mesmo tempo.
- I never had the words to say, but now I’m asking you to stay, for a little while inside my arms, and as you close your eyes tonight, I pray that will see the light, that’s shining from the stars above.*
Eu não sabia o que falar. Simplesmente, era música flutuando da sua boca, ela deixou sua boca aberta, cobrindo com os dedos finos pintando de uma cor clara, Luke tentava falar com ela, mas ela ainda se mantinha surpresa.
- O que você está fazendo? Por que...? – tentou formular uma pergunta, mas eu só conseguia sorrir.
- Porque eu posso te amar mais que qualquer pessoa. Posso te amar mais que a mim mesmo. Eu só... Te amo, pequena.
Dessa vez, eu desliguei o celular e vi sua reação, afastando-o de sua orelha e olhando a tela já desligada, eu acho. Luke segurou suas mãos e balançou na frente dos seus olhos, ela só gesticulou, indiferente, e como se estivesse vendo-me, ela conseguiu dar um sorriso fraco, mas depois sua face voltou ao normal. Voltou à vermelhidão nas bochechas e ela puxou a mão de Luke para continuar andando.
Mesmo com ciúmes e tudo que eu sentia, eu fechei os olhos. Ainda conseguia ouvir sua voz melodiosa, de vários anjos novinhos, cantando em meu ouvido, sussurrante, sexy, como sempre. Essa garota me deixava louco com sua voz.
Uma última vez, dei uma olhada para a jaqueta esvoaçando atrás de si e seus cachos parecendo fazer redemoinhos. Ela estava com o braço no quadril de Luke quando olhou para trás, como se alguém a tivesse seguindo. Acho que ela não entendia ainda o significado de “eu te amo”, mas quando eu dizia aquilo, não era da boca pra fora, claro que não. E, ela deveria saber, que eu sou muito, mas muito ciumento e protetor com aquilo que eu amo. Se ela ainda não sabia, dei um sorriso, ela saberia a partir de agora.
*Quando ele abre os braços dele e te segura perto dele de noite, isso não parece ser certo, porque eu posso te amar mais que isso, yeah, quando ele te deixa, eu só poderia estar morrendo por dentro, isso não parece certo, porque eu posso te amar mais que isso.
* Eu nunca tive as palavras para dizer, mas agora eu estou te pedindo para ficar por pouco tempo em meus braços, e quando você fechar seus olhos hoje à noite, eu rezarei para você ver a luz que estará brilhando pelas estrelas, acima.
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