The Better For You
35 Capítulo Trinta e Quatro
Notas iniciais
Então, finalmente chegara o dia, não? É. Suspirei e ajeitei a gravata azul marinho no meu terno preto. Pela milésima vez, tentei arrumar meus cabelos que não ficavam no lugar certo, tentei pentear com as mãos, com gel, pente e escova... Mas, nada dera certo, finalmente, deixei pra lá e estiquei meus braços, nervoso. Até parecia que seria eu que iria casar.
Ri, ainda nervoso. Eu estava na casa de Thalia. Enorme, claro. O quarto de hóspede era dois do meu na casa da minha mãe, uma cama de dossel branco e os edredons azuis claros, o teto era alto e as paredes cor bege decoradas com quadros casuais e elegantes. As poltronas azuis eram colocadas em pontos estratégicos, como em frente a televisão de plasma perto da grande janela, duas na varanda pequena que dava uma visão bonita para a praia e mais uma perto da porta, que dava para a escada.
Luke ainda estava aqui. Na verdade, somente eu, Thalia e Luke estávamos aqui. Nico havia ido para o casamento, recepcionar os convidados, as meninas foram com ele e Luke, praticamente, implorou para ficar dando a desculpa que seria a intercalação entre mim e Thalia porque ainda estávamos brigados.
Virei-me no espelho, uma ou duas voltas tentando achar algum defeito. Mas, só encontrei uma profunda tristeza e medo nos meus olhos, como se tivesse faltando algo. Respirei fundo e dei três pulos, estiquei os dedos dos pés dentro do sapato apertado e os das mãos, me sentia um pingüim preso em uma jaula, onde você poderia sair se quisesse, mas era obrigado a ficar. Mordi os lábios com força e desci as escadas, pronto.
A sala era ainda mais elegante e impotente, com uma pitada clássica e assustadora, claro. O teto era mais baixo do que meu quarto, mas ainda assim deixava uma impressão inalcançável, o sofá branco era tão limpo e grande que deixava qualquer sala no chinelo. Ainda tinha poltronas de várias cores, e celulares estavam espalhados pela sala, algumas portas levavam para o jardim de inverno, e para o jardim da frente, cheio de flores coloridas e ervas que Thalia gostava de cultivar. A tevê estava ligada passando um programa de fofocas. Acho que LA tinha mais disso do que qualquer outro lugar, uma mulher andava sorrindo de um lado para o outro enquanto citava nomes e mexia no cabelo, casualmente. Ela não era tão bonita, parecia ter uns quarenta anos e sorria exageradamente, ela andou até uma tela touch screen e clicou em uma foto. De Thalia. Encostei-me à soleira da porta entre a escada e a sala, começando a assistir. Ela comentou sobre o casamento e de que ninguém sabia quem entraria com ela na Igreja, as pessoas estavam curiosas além de nem ao menos saber onde seria o casamento. Pensei que, na verdade, Thalia fosse muito boa em se esconder das pessoas.
Ok, Percy, pensei, você vai entrar com ela na Igreja, mas na verdade, ninguém sabe, então você tem que fazer as pazes com ela, agora. Super fácil, colocando em conta que Thalia é a garota mais cabeça dura do mundo.
Andei até seu quarto no térreo e dei algumas batidas. Nada.
- Thals? – sussurrei e bati novamente – Thals? Thalia? – chamei
Nenhum ruído. Isso aconteceu por alguns segundos até eu ouvir um grito, alto, agudo e atrevido.
- Thalia? – gritei, voltando a subir as escadas do centro da segunda sala – Thalia, onde está?
Mas, nenhum som, apenas gemidos estrangulados. Oh, meu Deus, o que é isso?
Tentei seguir o grito, mas a cada passo que eu dava, parecia que ficava mais longe. Eu tive que parar e recuperar o fôlego. Ok, o que estava acontecendo? Onde estava Luke? Onde estava minha prima? Oh, céus, que não dê nada errado, por favor.
Eu tinha que ir pela lógica, certo? Ligar pra policia? Não, nunca dá certo. Eu tenho que seguir meus instintos. Segurei-me com força no corrimão de madeira da escada e tentei ouvir o ruído mais uma vez.
O escritório! Claro, ficava no final do corredor e eu estava indo em direção aos quartos, voltei a correr em direção contrária e bati na porta com força.
- Thalia?! – gritei, tentando abrir a porta, a maçaneta estava trancada, eu ouvia sussurros de homem e os “não’s” consecutivos de Thalia. – Abra a droga desta porta, se não eu vou arrombar! Estão me ouvindo? Estão me ouvindo, porra?
Obviamente, estavam. Porque eles não são surdos.
Afastei-me e empurrei-me contra a porta. Nada. Chutei, algumas dez vezes até finalmente a porta ceder pelos lados, a tranca finalmente havia rachado de alguma maneira, e meu ombro estava quase caindo. Abri a porta com força e pude ver a cena mais repugnante da minha vida.
Eu pensei assim: “ah, eu devo tirar foto e mandar agorinha mesmo pro Nico, só pra ele saber que eu sempre estou certo”. Mas, achei que seria muita maldade com meu primo que iria se casar.
Thalia estava debruçada de costas sobre a mesa de carvalho, estava com uma expressão assustada, os olhos azuis cintilantes arregalados clamando por ajuda, Luke estava sobre ela segurando seu vestido branco com tênues fios azuis escuros na calda.
Ela estava realmente linda. Depois, de esquecer seu cabelo picotado e cortado com sua tesoura do Bob Esponja no banheiro, ela adotou o cabelo longo, até a altura do ombro com um corte inovado. Seu cabelo estava preso em um coque, cheio de cachinhos soltos e sua franja lisa de lado. Uma tiara de prateada pendia entre sua franja e o coque, e em cima uma pequena pedra de safira. Linda, como eu disse antes. Minha prima estava simplesmente linda, imaginava o infarto que Nico poderia ter.
Mas, a cena não foi uma das melhores. Luke me olhou, assustado, como se eu chegar ali não estivesse nos seus planos. O batom vermelho de Thalia estava todo borrado pela sua boca, e os olhos estavam vermelhos, segurando as lágrimas para não estragar a maquiagem.
- O que está fazendo aqui? – disse Luke, com a voz trêmula
- O que eu estou fazendo aqui? Sério, isso? Solta a Thalia. – gesticulei, entediado, mas ele não me obedeceu – Não ouviu o que eu disse? – aproximei-me e segurei seu colarinho branco, jogando-o de lado – Não ouviu?
- Me solta, seu idiota!
- Olha aqui, seu... – respirei fundo, aproximando meu punho para seu rosto – Tem muitas pessoas naquela Igreja, e nenhuma daquelas espera te ver com um olho roxo, então vai esperar-nos na limousine antes que você morra.
- Ah, é? E quem vai fazer isso? – joguei-o no chão e segurei meu punho rente ao seu queixo
- Só não é seu pinto frouxo, né? – falei, sarcástico
Levantei-me e apontei para a porta, Luke lançou um olhar carinhoso pra Thalia.
- Meu bem, você sabe que tudo que sinto por você...
Mas, ele não conseguiu terminar a frase porque antes de minha prima dar um grito, eu dei um soco de leve no queixo dele. Então, sua única saída era sair caminhando pela porta de madeira.
Massageei meu ombro, depois minha mão. Thalia fungou e se olhou no espelho, ajeitando a saia de tule.
- Tá tudo bem? – perguntei
- Obrigado por... Você sabe.
- Sem problemas. – dei de ombros, Thalia piscou os olhos, algumas lágrimas desceram e depois, ela se virou para mim, abrindo os braços discretamente
Caminhei e passei meus braços por cima de seus ombros, apertando-a em um grande abraço.
- Eu sempre vou te proteger. Você é como uma irmã pra mim.
- Você não pode me fazer chorar de novo, Percy... – ela fungou, mas soltou uma risadinha – Sabe, que eu nem me lembro porque a gente brigou.
- Pode esquecer. Hey... – segurei seu rosto entre minhas mãos e dei um beijo em sua testa – Vamos lá, Thals. Nico vai ter um infarto se não chegarmos em dez minutos.
Ela riu.
- É, você está certo.
Ela fungou novamente e segurou minha mão.
- Eu sempre pensei que isso das noivas chorarem antes do casamento era só drama.
Ri, olhando seus olhos carinhosos, mas ainda amedrontados.
- Hm, bem, eu acho que não.
Ela ajeitou os fios soltos ao redor do rosto, alisou a saia branca e passou a mão pelo corselet branco. Trocamos sorrisos, nervosos, antes de começarmos descer as escadas, como se nada tivesse acontecido. Mas, não resisti ao falar:
- Mas, lembra que eu avisei, não é?
- Continua andando, Percy.
Rolei os olhos, até chegarmos à limousine branca com um Luke emburrado ao lado do motorista. Entramos, e olhamos para as ruas pouco movimentados de Los Angeles. Mesmo pensando em como estaria Annabeth, eu estava rezando para que ninguém destruísse esse lindo dia dos meus primos. E isso me incluía, definitivamente.
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