The Better For You
33 Capítulo Trinta e Dois.
Notas iniciais
Acho que os dias passam rápidos.
Aqui estava eu novamente em um aeroporto, esperando o meu embarque para Los Angeles. Velha e nova Los Angeles. Duas semanas antes do casamento e minha agenda já estava cheia.
Fazer a despedida de solteiro de Nico, seria minha obrigação e como padrinho do casamento e amigo do noivo, deveria ser inesquecível antes dele passar por essa etapa de sua vida, mesmo que eu ainda não estivesse falando com Thalia, e isso era um pouco ruim para mim, eu sabia que ela queria me matar por causa disso. E seria a melhor despedida de solteiro que toda Los Angeles já viu.
Não senti a viagem passando, na verdade, dormi todas as horas que se passaram. Espreguicei-me, peguei o táxi e cheguei à casa da minha mãe.
Elegantemente descuidada, como sempre. Acho que era o charme da rua. Depois de ver todas as casas elegantes da Rua de Annabeth em Londres, eu achava estranho ver todas essas casas não-tradicionais, descuidadas e velhas para mim.
Suspirei e tratei de arrastar minhas malas para dentro de casa. Procurei as chaves no meu bolso, no final, caiu tudo no chão e eu tive que pegar.
A porta se abriu na minha frente, e vi Thalia com uma calça de couro justa, uma blusa preta coberta por um sobretudo, os cabelos – mais longos do que vi da última vez –soltos pelos os ombros. Tentei não ficar impressionado, ela havia mudado tempo.
Levantei-me, com a expressão séria e segurei minhas malas.
- Boa tarde, Srta. Grace. – disse, monótono
- Boa tarde, Jackson.
Ela passou por mim, sem nem olhar nos meus olhos, tipo nos meus olhos mesmo. Recompus-me e sorri para minha mãe que estava sentada vendo tevê.
- Mamãe! – fechei a porta, e deixei as malas de qualquer jeito indo abraçá-la
- Quanto tempo. – ela sussurrou em meu ouvido – E, como o meu pequeno está? Bem? Cansado? Quer que eu prepare rabanadas?
Ri. Lar doce lar.
- Não precisa de nada, mãe. – sorri e lhe abracei, mais uma vez – Estava com muitas, muitas saudades tuas.
- Own, meu bebê, eu também estava com muitas saudades suas.
- Como vai tudo por aqui? – perguntei, sentando-me ao seu lado
- Está tudo bem. Você sabe, o Olimpo anda tão estressante quanto sempre, e Thalia veio aqui dizer que quer que eu participe de cada passo do casamento dela.
- Hm... Por isso que ela veio?
- E pra dizer que Nico vai dormir aqui hoje.
- Ahn? Por quê? Eles não estão morando juntos?
Minha mãe riu.
- Sim, isso mesmo. Mas, parece que todas as meninas chegam hoje, a Silena, e a Annabeth, e vão fazer uma festa, só pra elas.
- E o Nico foi dispensado. – minha mãe assentiu – Ok, mãe, eu vou tomar um banho, estou muito cansado e coisa e tal. E depois, eu volto.
- Tudo bem, querido. Vou fazer algo pra você.
Subi as escadas e encaminhei-me para o meu quarto, jogando-me na cama fofa. O ar da praia entrou pela varanda, a poltrona rodou levemente e os tons rosados e alaranjados começaram a pintar o céu. Dei um bocejo grande e arrastei-me até o banheiro.
***
- Então, quer dizer, que elas contrataram aqueles caras semi-nus pra dançarem pra elas? – perguntei, surpreso
- É, cara! E elas não paravam de comentar sobre isso. – Beckendorf confirmou
- E a Thalia estava super animada com isso, e ficava falando sobre isso o tempo todo. Sabe de uma coisa? Eu vou voltar lá.
Eu e Beckendorf gritamos juntos para ele voltar e gargalhamos, enquanto ele ficava emburrado com as bochechas vermelhas.
- Também não estou feliz que a minha Si esteja lá, Nico.
- A sua Si, blábláblá. – Nico reclamou tentando imitar a voz de Beckendorf – Não é você que vai se casar próxima semana, seu babaca.
- Dá pra se acalmar, idiota? – rodei na minha cadeira na varanda, sentindo o vento passar sobre mim
Estava eu, Nico e Beckendorf no meu quarto, mas exatamente na varanda. Nico chegou totalmente revoltado querendo quebrar tudo, por isso que um de seus olhos estava começando a inchar, sabe, socos de Percy e tal... Por isso, ele estava com uma compressa de gelo na cara, reclamando sem parar.
- E um dia desses, vocês eram primos, hein? – bati em seu pé e ele deu um riso envergonhado
- Deveríamos fazer uma despedida de solteiro pro Nico também, não é, Percy?
- Não, caras, na boa, não estou com pique pra nada disso.
Revirei os olhos.
- Que gay. Ah, posso dar uma sugestão? Luke está te consumindo.
- Luke? – Beckendorf perguntou, surpreso
- É isso mesmo, longa história. – murmurei
- Ele está tão... Estranho. Como se esperasse que eu o expulsasse a qualquer momento de lá.
- Coisa que você deveria ter feito há tempos. — interrompi
Nico deu de ombros.
- Thalia se preocupa com ele. Ela fica meio feliz quando vamos tomar café e ele está lá conversando com ela, tirando dúvidas das pessoas com ela, falando sobre os CD’s que ela queria comprar, os livros que eles leriam juntos... – citou
- E você? – argumentei
- O que quer que eu faça? “Ei, ela é minha mulher, saia da minha casa e nunca mais entre aqui”. – informou, arregalei os olhos e abanei as mãos, como se essa fosse a obrigação dele e ele já devia ter feito isso a muito tempo – Não, Thalia tem muito carinho por ele. – Nico abaixou a compressa e suspirou
- Às vezes, eu penso se na minha família só tem viado e frouxa. Por que a coisa ta demais aqui, ta?
- Você chamou ele de gay. – Beckendorf refletiu – Qual é a diferença de viado e gay?
- Na boa, Percy, você deveria ficar calado. Sua situação com Annabeth não é uma das melhores. – Nico não respondeu à ele
- Então, Beckendorf, gay é aquele que só pega homem, como Nico. – tossi casualmente, vendo meu primo revirar os olhos – E viado é... Bom, Nico. – disse como se fosse óbvio – Voltando ao assunto de Annabeth, eu tinha um plano.
- E qual era? Agarrá-la no meio da festa? – Nico perguntou, irônico
- Claro! – ri
- Ótimo plano. – Beckendorf resmungou
Ficamos em silêncio por algum momento, só ouvindo os gemidos estrangulados de Nico quando colocava a compressa no olho e me xingando de palavrões que nunca tinha ouvido na vida.
- Esse caralho, véi. Não consigo ficar aqui parado olhando pra cara de dois otários enquanto minha futura esposa pode estar transando com caras que nem conheço.
- E você queria conhecer, é? – comecei a rir
- Percy, você não está ajudando em nada. – Nico reclamou
- Mas, ele está sendo engraçado para o seu bem, cara. – Beckendorf falou, otimista
- Aliás, você deveria temer Luke, sozinho lá com elas. Não, os caras. – alertei
- Por que você anda tão assim com Luke? Por que não dá uma chance pra ele? – Beckendorf argumentou, debruçando-se sobre a pequena mesa da área.
- Concordo com o Beckendorf.
- Por um único motivo. Você, Nico, gostaria de ver a Thalia e o Luke juntos, e sozinhos? – ele continuou me encarando, sem entender – Desculpa dizer isso, mas você sabe que a Thalia sempre teve uma queda pelo o Luke.
- Ah, e eu vou me casar com ela.
- Só quero que você seja mais inteligente, né.
- Não vamos falar de mim. Fale-nos de você e como foi sua viagem a Londres. Quero dizer, como foi o fora desta vez.
Suspirei e lhes contei tudo. Do dia que fomos ao restaurante, e a mulher havia dado em cima de mim, do dia em que briguei com o namorado dela e parei em praticamente todas as revistas, do dia em que fui ao seu escritório e o que aconteceu lá e do dia em que encontrei Rachel na boate. E ela me deu o “fora”.
Por fim, continuei a olhá-los sem expressão nenhuma.
- Isso não é bom. – apontou Nico
- Que nada, deve ser por isso que estou pulando de felicidade. – rolei os olhos
Ele deu-me um sorriso triste antes de se levantar.
- Ainda estou com medo. – ele sussurrou – Sabe, de me casar.
- Você já mora junto com a Thalia há anos.
- Morar junto é diferente. Não preciso dar satisfação da minha vida, ou o que devo fazer, nem sei lá dessas coisas de marido e mulher.
- Você é um covarde, na boa. – Beckendorf revirou os olhos – É a mesma coisa, você só está sentindo muita adrenalina, é isso.
- Bom, espero que sim.
- E a despedida de solteiro? Sei que você quer muitas gatas antes de ficar só com uma. Imagina umas moreninhas lindas... – fiz um beicinho, rindo depois
- Percy, chega! – Nico resmungou – Quero me casar puro ainda.
- Uh, a mocinha quer chegar pura na igreja... Quer comprar lingerie também?
Nico levantou-me o dedo do meio e virou, jogando-se na minha cama.
- Sei que quer dar uma, tá! – gritei de volta, mas ele disse coisas feias demais para vocês poderem ler.
Então, eles puxaram todos os colchões que tinham direito e vimos um filme qualquer enquanto esperávamos o sono chegar.
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