The Better For You

24 Capítulo Vinte e Três.


Notas iniciais
eu estou chateada com vocês, sério.Preciso de motivação e não as encontro... Eu odeio pedir que vocês deixem reviews, mas sério, eu estou precisando deles para continuar postando, então... Não se esqueçam, nem se for pra falar que tá uma merda. Tô precisando desses conselhos assim.

Terminei meu banho e respirei fundo me olhando no espelho.

Era isso mesmo que eu queria? Eu estava pronto para enfrentá-la e olhá-la, apreciá-la e dar um soco na cara do seu futuro ex-namorado?

Meu rosto não estava como eu o via frequentemente, um sorriso grande, olhos risonhos e covinhas. Meus olhos verdes estavam em um tipo de nostalgia, enquanto minha boca se mantinha em uma linha reta sem dar sinal às covinhas freqüentes, eu deveria estar mais pálido que o normal, quero dizer, mesmo pegando sol, praticamente todo dia, eu não conseguia deixar de ser branco como um papel.

Mordi o lábio inferior, e rodei a toalha em minha cintura.

Vesti a roupa que Silena havia me obrigado a comprar.

Depois que conversei com Silena, Beckendorf havia aparecido com seu jeito todo extrovertido, e daí conversamos um pouco, e eles começaram a se pegar e era a hora de Jackson sair correndo.

E foi o que eu fiz, uns minutos depois Silena me ligou e disse exatamente o que eu teria que vestir, não perguntou se eu havia levado ou não, só mandou. Suspirei, era um jeito fácil de me domar: me ligar, dizer o que tenho que fazer e desligar antes que eu pudesse abrir a boca. Eu nunca tinha saída mesmo.

Olhei-me no espelho pela centésima vez.

Jeans novo, mas com a aparência de velhos. Ok. Blusa preta com gola V e um pouco sensual. Sou sensual até vestido de mendigo, mas ok. Tênis normais. Ok. Jaqueta de couro estilo motoqueiro, mas com um ar de californiano. Ok.

Claro que eu não ia do jeito que minha prima pediu, lógico. Jogada no canto da minha mala havia a corrente, a velha corrente que havia encontrado no quarto dela. Não estava enferrujada, muito menos com a aparência de velha. Estava, exatamente, do jeito que havia encontrado há alguns anos atrás, e eu esperava que ela me trouxesse a maior sorte do mundo. O formato de chave arranhava na ponta, passei os dedos sobre a palavra “true love” e dei um sorriso.

Mexi no meu cabelo por cinco minutos. De um lado para o outro, de um jeito bagunçado e sexy. Do tipo: “hey, estava dormindo, balancei no cabelo e ficou assim, estou gato, não é?”. Dei de ombros e pisquei para o meu reflexo.

Lembrei-me que havia alugado uma moto. Ir de moto ou ir a pé?

Era apenas um quarteirão do meu hotel, seria bem melhor ir a pé, se eu quisesse voltar, daria tempo. Se eu tivesse coragem de voltar.

O hall estava parcialmente cheio. Uma música ambiente ecoava de um canto, onde eu só poderia ouvir abafado, alguns adolescentes caminhavam sem rumo pelo o hotel enquanto outros adultos já vinham bêbados. Pensei novamente em pegar minha moto, seria mais rápido e prático. É, moto, não estou com paciência para pensar.

Acenei para a recepcionista que me lançava um sorriso discreto e simpático, e deslizei sobre a moto, pronto para enfrentar qualquer coisa que qualquer pessoa – isso apenas envolve Annabeth Chase – me fizesse passar.

Bom, a primeira impressão que eu tive do restaurante italiana foi: muito barulhento. Era totalmente diferente dos restaurantes que eu estava acostumado a freqüentar, com pessoas educadas e garçons fardados sem puxar conversa.

Ou eu errei de lugar, ou simplesmente esse lugar não era muito bom para falar sobre negócios.

As mesas eram próximas demais, a maioria deveria ser turista, percebi ao deixar a moto no estacionamento privado, os garçons gritavam no balcão que dava para cozinha, e as pessoas falavam e cantavam músicas italianas tão alto que eu poderia tapar os ouvidos e sair correndo.

Não liguei. Apenas adentrei o local, e o que eu mais gostei foi a personalidade e a energia que passava, era alegre, extrovertido e o cheiro de massa flutuava no ar. Tinha cores brancas, vermelhas e verdes, ouvi alguém falando em alemão, eu acho, mas não liguei, procurei uma mesa vaga, me esgueirando entre uma e outra, recebendo olhares nem um pouco disfarçados, até finalmente, achar uma mesa no canto direito do restaurante, deveria ser o lugar mais silencioso, mesmo assim não deixava de ter aquele barulho forçando meus tímpanos, talvez um cheiro velho de mofo nas paredes, e um cheiro ralhado na mesa, como se a sua madeira tivesse sido acabada de cortar, o que não fez minha tensão melhorar muito. Apenas... Me sentir mais em casa? Não sei, eu pude me sentir bem.

Em uma mesa ao lado, uma família de quatro pessoas se encontravam, um homem lendo o cardápio e acariciando a mão de sua esposa, e um casal de crianças jogando guardanapo amassado um no outro. Sorri.

- Em que posso lhe ajudar, senhor? – uma mulher perguntou-me

Tinha os cabelos postos em um rabo de cavalo alto, um sorriso simpático e ao mesmo tempo sedutor, o decote aberto fazendo seus seios praticamente voarem em meu rosto, o avental vermelho sujo nos bolsos, como sinal que trabalhou muito, o rosto era cansado e marcado por rugas ao redor dos olhos. Retirando tudo isso, ela era atraente. Mandei-lhe um sorriso educado.

- Hm... Só estou esperando uns amigos.

- Bom, quando eles chegarem pode me chamar, sou Lori.

- Tudo bem, Lori. Sou Percy.

Ela me mandou mais um sorriso antes de virar as costas e se encaminhar para a mesa ao meu lado onde se encontrava um grupo de adolescentes – homens, com hormônios a flor da pele querendo transar com a primeira que visse – festejando algo. Ela foi curta, simpática e se acomodou como uma verdadeira funcionária ao atendê-los.

Peguei meu telefone e disquei o número de Silena.

- Bella Donna? – perguntei baixinho no telefone – Isso é um lugar de negócios? – rosnei

- Calma aí, garotão, Bella Donna é o melhor restaurante italiano de Londres, mesmo sendo barulhento e bastante turístico e familiar. Ele é um bom lugar para negócios, dependendo de onde estiver.

- Não estou na ala VIP, darling. – resmunguei

- E já está assim? – ela bufou – Escute bem, eu não marquei uma reserva porque... Ah, me diz o porquê. – ignorou minha resposta – Me espera e começamos a conversar.

E desligou. Que mania horrível! Eu irei conversar com Afrodite sobre isso, deve ser apavorante estar falando com sua filha e ela simplesmente desligar em sua cara porque... Sei lá o porquê, deve ser porque é mandona igual às melhores e idiotas amigas.

Bufei e comecei a brincar com o cardápio bem posto em cima da mesa.

Laura Pausine começou a tocar, uma música em italiano que pelo o ritmo, pude considerar ser La Soledad em espanhol.

Levantei a mão e Lori sorri, pedi um Bellini e ela me trouxe quase que imediatamente.

Louros. Um emaranhado de cabelos louros passou a minha frente e pensei ser ela, mas não era. A mulher virou-se com um sorriso grande e envolveu o braço de seu acompanhante.

Lembrava-me do nosso último beijo. Mesmo sendo, praticamente, um selinho, eu sentia a falta de ar em meus pulmões, sentia os espasmos de saudade liberados pelo meu corpo, ainda sentia a dor de quando ela olhou para trás e abriu a porta.

Era difícil esquecer quando meu espaço foi limitado por um bom tempo até, finalmente, eu deixar de lado e me dar conta que fora um amor... Passado.

Mesmo assim, eu não conseguia esquecê-la. Foi o que me moveu até outro continente, apenas para ver seus olhos mais uma vez e querer mais uma chance com ela. O que não deveria ser fácil, ela retomou a vida. Eu também, com pequenos casos que nem passavam mais de uma noite. Algumas modelos gostosas que só queriam um pouco de fama para ir até Paris, algumas jornalistas gatas que se emaranhavam nos meus lençóis de seda em cada país que eu ia.

Eu vivia uma vida boa, não era? Tinha meus desejos cumpridos, sorrisos satisfeitos cheios de prazer, viajando sempre, conhecendo as melhores praias, o que eu sempre quis fazer, eu nunca cansaria disso, não é? Foi o que eu sempre pedi.

Não tinha problemas financeiros e não me preocupava se meu agente encontrou um talento para lançar no youtube e ser o próximo Justin Bieber. Eu só vivia uma vida legal de surfista.

Então, o que você veio fazer em Londres? Era a única pergunta sem resposta, que eu pretendia responder hoje.

Bocejei. Era meio difícil o fuso-horário me atingir, já que eu viajava apenas no mesmo continente e dificilmente ia para o Havaí ou para algumas ilhas na América do Sul, porém desta vez, sentia meu corpo cansado, como das primeiras vezes. Bocejei mais uma vez e dei um gole satisfatório no meu Bellini lembrando-me de dormir umas onze horas assim que eu chegasse à cama confortável do hotel.

Desta vez, eu estava atento. E eu sabia que estava certo.

Primeiro Silena na frente com Beckendorf segurando sua mão e olhando por cima do ombro.

Silena deu uma olhada geral antes de me ver, bebendo, no canto. Quase pude ver o pavor nos seus olhos, mas havia anos que eu não bebia, por que não agora? Só uma vez? Ninguém morreria.

Ela deu um sorriso trêmulo e avançou em minha direção.

Silena estava mais discreta possível. Um vestido comportado, um pouco acima dos joelhos, um salto que a deixava quase do tamanho de Beckendorf, e os cachos loiros postos para trás por uma tiara branca sem detalhes.

Seu futuro marido vinha com uma blusa branca de botões e um jeans, básico e do jeito certo.

Já ela usava um vestido preto. Com alças curtas e um decote quadrado, o vestido tinha um corte pequeno no final da coxa, ela acenou para o que eu reconheci ser o gerente. Silena sentou-se em uma das cadeiras do lado oposto enquanto Beckendorf se sentava ao meu lado.

Obriguei-me a avaliá-la mais uma vez, os cabelos pálidos bem cuidados escondendo-se no vale entre os seios, o sorriso desapareceu assim que me encarou. Os olhos em um misto de confusão e surpresa, como se o seu muro de frieza estivesse caindo, mas o susto e a minha felicidade foi tão repentina quanto seus olhos cinza duros se dirigindo até mim.

- Ele é o cliente? – Annabeth perguntou, quase com desdém e quase pude ouvir o pequeno toque de irritação em seu tom de voz, mas não deixava de ser tentadora e atraente

Assim que acabou de falar, tive a visão de seu rosto com uma raiva devastadora que quase, quase ri.

Os lábios com um tom de rosa pressionado, fazendo um beicinho quase invisível – quase como se negasse a fazer isso em público -, as sobrancelhas cerradas, e o nariz empinado, séria.

Pensei se Mike percebia essas expressões fascinantes dela.

- Sim, bom, acho que você já o conhece, não é, Annie?

- Oh, não. – ela rolou os olhos, irônica

- Percy Jackson. – ergui minha mão em um cumprimento

Ela ignorou, e maneou a cabeça com irritação, mas mesmo assim, pude ver um sorriso gratificante quando ela o tentou esconder procurando o cardápio.

- Hey, Percy. – Beckendorf bateu em minhas costas – Não liga pra ela, teve um dia cheio.

Dei de ombros com indiferença.

- Annabeth, mesmo que não goste do Percy, ele é um dos nossos clientes, ou seja, tem que tratá-lo como um. – Silena ralhou, com um olhar perverso

Ela olhou de canto para Silena, como se perguntasse se deveria ou não seguir a ordem, por fim, suspirou e abaixou o cardápio de Bella Donna.

- Olá, Sr. Jackson. – quase bufou

- Não precisa disso tudo, pode me chamar como Percy mesmo.

- Bom...

Silena e Beckendorf engataram em uma conversa doméstica, algo que eu e ela ficamos gratos de ser excluídos. Annabeth olhou para meu Bellini e arqueou a sobrancelha, deu um sorriso defensivo. Percebi, que atrás dos olhos ingênuos e assustados, ela queria ficar por cima, como se precisasse me provar que estava bem. E eu não queria reviver os momentos em que ela era fria, e não ligava para mim, por isso, me deixei levar e lhe mandei um olhar encorajador, quase que pedindo para que ela falasse o que tinha que falar.

- E como vai o seu vício?

Mesmo que eu quisesse me preparar, estava mais difícil do que eu esperava, seu sorriso – quase – maldoso – mas, nem tanto porque ela parecia ressentida de alguma maneira – me parecia uma arma com um gatilho pronta para ser apertada.

- Foi bem reduzido. – murmurei olhando de esguelha para o casal ao meu lado, ainda em uma conversa interativa e diferente

- Reduzido? – perguntou, quase assustada

Ela estava tão diferente, tão confusa e enigmática. Não que ela nunca fosse, porém eu não estava mais acostumado a isso, parecia difícil, entediante e chato agora.

- Você deve saber que sou surfista e as drogas afetam no desempenho. Ou eu sigo meu sonho, ou eu morreria.

- Boa escolha. – ela apoiou os cotovelos na mesa junto com as mãos pendendo o queixo nelas, quebrando as regras de etiqueta, mas dando uma olhada ao redor, ninguém ligava para aquilo, muitos estavam bêbados, cantando alegres sem se importar.

- E com quantos anos você está? Agora? – argumentou

- Tem dez anos que não nos vemos. – respondi

- Vinte e sete? – sorriu, como uma criança como se estivesse pegando um novo desafio nas mãos

E isso não parecia mais uma coisa chata, eu queria mais... Eu queria ir além desse sorriso... E os pensamentos poluídos preencheram minha mente, me mexi desconfortável na cadeira, e tratei de deixá-los de lado na minha mente insana, safada e louca por sexo.

- Não é como se estivéssemos nos conhecendo de novo. – rebati

Ela pigarreou, e voltou à postura reta, como se eu a tivesse machucado ou ferido-a de algum jeito, me amaldiçoei por ter falado algo tão inútil e insignificante.

- Onde será sua nova casa?

Dei mais uma olhada em Silena e Beckendorf, não parecia nem um pouco interessados em nossa conversa, nem ao menos balançavam a cabeça para nós, em um sinal, de que estavam falando da gente.

- Não tenho uma nova casa. – sorri extrovertido, ela arqueou a sobrancelha, como se me pegasse na mentira – Quero dizer, vai ser em L.A mesmo. – dei de ombros, quase querendo suspirar por ter me salvado tão rápido.

Ela abaixou a cabeça e murmurou algo.

- Quando você mente, fica corado. – comentou com um sorriso nos cantos dos lábios

- Isso é bom? – perguntei brincando com minhas mãos e dando um sorriso grande

- Bom, não sei. – ela deu de ombros e esticou a mão com as unhas em um tom pastel e a deixou cair na metade da mesa, ergueu o olhar – Por que veio?

Sorri procurando sua mão em cima da mesa. Nossos dedos se tocaram, senti-me arrepiar quando uma corrente elétrica atravessou meu braço, e passou pela minha espinha, uma coisa estranha começou a se remexer na boca do meu estômago, e pensei que fosse nervosismo.

Eu poderia explicá-la desde o começo, que tive uma idéia de vê-la mais uma vez. Matar a saudade dela, ver como ela trabalhava, saber mais sobre ela, saber se estava bem, e se finalmente atingiu o que queria. Onde estava trabalhando – e eu soube que era na filial do Olimpo -, se precisava de alguém... Minha vinda tem como motivo principal: ter você de volta, como resumo. Levar você até Los Angeles, e colocar em sua cabeça dura que eu queria reconquistá-la.

Mas, eu não disse. Percebi, dentro de mim, algo me avisando... Que não precisava falar tudo isso.

- Eu pensei, por que não ter férias do clima quente?

Annabeth suspirou, mas continuou rindo, como se me obrigasse a falar a verdade.

- Ou – supus – reconquistar uma garota. Uma garota qualquer. – avisei com um sorriso grande

- Gente... – Silena chamou – vão pedir a comida agora? Estou morrendo de fome. – murmurou

- Por mim, tudo bem. – disse

- Alguém já te atendeu? – Beckendorf perguntou

- Aham, uma... Dori... Não, Lori. Sim. – disse

- Bom... – Silena mordeu o lábio inferior – Vou chamá-la.

Minha prima levantou a mão, e deu um aceno rápido, mais um e Lori retribui com um sorriso educado. Dois minutos depois, ela estava ao nosso lado, puxando um bloquinho pequeno e muito usado no bolso direito do avental.

- Então, o que vocês vão querer? – ela perguntou mexendo na caneta

- Eu quero mais uma dose de Bellini. – pedi

- Uma taça de Rufino Chianti, — Annabeth, ao menos, levantou o olhar para Lori, com uma nova expressão dura, puxou o cardápio para si e brincou com as páginas – e uma salada completa, como entrada.

- Sim, senhorita. – Lori disse, lenta, anotando os pedidos mais rápido que podia

Eu tive pena dela. Parecia batalhadora e sempre querendo algo mais com os olhos alegres, e os sorrisos educados, a voz atraente e o decote.

- Um refrigerante para nós dois. – Silena mordeu os lábios ao passar mais uma página do cardápio – A salada Bella Donna para mim, e você, querido? – ela perguntou, deixando a mão cair sobre a de Beckendorf

- Frango a passarinho. – respondeu, com um sorriso grande enquanto ela revirava os olhos

- E eu quero um Carpaccio, Lori. – dei um sorriso pra ela – Muito obrigada. – agradeci quando ela guardou a caneta junto com o bloquinho

- Sem problemas, Percy, senhores. – deu um aceno e virou as costas, em direção ao balcão que dividia a cozinha

- Você a conhece? – Silena perguntou, assustada

- Não, só quando eu cheguei e trocamos poucas palavras.

- Fala com ela, como se a conhecesse. – Annabeth comentou mexendo nas folhas do cardápio

- Mas, não conheço. – disse simples

As duas não ligaram muito, percebi. Meu Bellini, o vinho e os refrigerantes chegaram a menos de dez minutos.

Annabeth mexeu o conteúdo rapidamente como se o tivesse analisando, e deu um gole. Os lábios ficaram em um tom arroxeado tão fofo, e ao mesmo tempo, atraente quando ela lambeu os lábios superiores, e sorriu como se aprovasse o vinho.

- Boa idéia. – ela murmurou me olhando, novamente, arqueei a sobrancelha, confuso – Essa garota deve estar muito necessitada de alguém ao seu lado, suponho. Mudar de continente por alguém, não deve ser tão fácil.

- Espero que sim. – revirei o conteúdo do meu Bellini

- É. – sussurrou dando mais um gole no vinho

Foram vinte e três minutos – sim, eu contei, estava nervoso — de um silêncio desconfortável, só ouvia a conversa do casal ao nosso lado, depois da mesa a nossa direita, depois de algumas pessoas cantando alto qualquer música lenta de Laura Pausine, percebi, em italiano, claro.

Alguns minutos depois, Annabeth começou a acompanhar a música, em um tom baixo enquanto remexia as mãos em cima da mesa, murmurava baixinho como se ninguém pudesse ouvi-la, mas eu conseguia, e eu me lembrava muito bem de sua voz.

- Olá de novo, desculpem-me pela demora. – Lori veio com duas bandejas de ferro em um dos braços e outro, com apenas uma

Ela deixou meu carpaccio em minha frente, com as tiras de carne crua bem saborosa, e o molho de mostarda por cima dando um ar elegante a comida, ao redor o alface estava posto, bem feito, coisa que eu deixei de lado já que eu não suportava alface ou qualquer outro tipo de folhas, me fazia parecer um cavalo – como se eu estivesse pastando — por cima da mostarda, parmesão ralado. Dei um sorriso acompanhado de uma garfada, Silena pediu mais refrigerante, Annabeth pediu mais vinho – o que me fez ficar confuso sobre isso – e eu pedi mais uma taça de Bellini, ela deu mais um daqueles seus sorrisos antes de virar as costas e retornar depois.

- Querem pedir o prato principal agora?

- Seria muito bom. – Silena murmurou, pegou o guardanapo no colo e limpou ao redor da boca – Capelete em Brodo, por favor.

- Canelone de Ricota com molho rose, mas pode colocar funghi, eu simplesmente adoro um daqueles. – Beckendorf pediu, com um sorriso grande e satisfatório

- Hm... – Annabeth fechou os olhos enquanto saboreava sua salada e procurava o vinagrete em meio aos molhos – Fusilli com Bracciola e pode adicionar, só um pouco de rabiata. Eu também amo os molhos, Beckendorf. – Annabeth concordou com ele

- E você, Percy? – Lori perguntou me lançando mais sorrisos

Eu quase a comparei com Oliver. Eles não paravam de sorrir. Devia ser um motivo das rugas ao redor dos olhos.

- Lasanha ao sugo, vocês tem aqui? – argumentei, ela assentiu – Bom, eu só vou querer mais um pouco de pimenta, o ideal, sabe?

- Claro que sim. – piscou um dos olhos e estalou a língua – Só precisam acenar quando quiser comer o próximo.

Assenti, vendo-a mexer o quadril – em um tipo de dança em que ela rebolava – para ir de volta ao balcão.

Continuamos a comer. Annabeth comia de um jeito calmo e sorria quando Silena lançava algum comentário, bebia e continuava a acompanhar, calmamente, a música de Laura Pausine, ela pediu mais uma taça e começou a conversar alto e a falar com alguns adolescentes que passavam por nós. Alguns assobiavam e outros gritavam: vem cá, gostosa. E não é muito óbvio que eu queria dar um soco em cada um deles.

Eu supus que mais duas taças, ela estaria bêbada.

- Acho que está na hora de irmos. – Silena comentou levantando-se

- Marquei de ir à casa de um amigo para vermos uma coisa lá. – Beckendorf explicou

- Pode levá-la para casa, Percy? – Silena piscou os olhos, irresistível

Annabeth deu mais um grito.

- Aham. – massageei minhas têmporas e suspirei

- Bom, aqui está dinheiro para pagar a conta. Espero que dê tudo certo. Nos vemos amanhã, pequenino. – Silena me deu um beijo no rosto, e recebi um cumprimento de mãos com Beckendorf – Annabeth, — ela chamou enquanto descia o rosto na mesma altura – comporte-se.

- Uhm. – Annabeth murmurou e continuou cantando, meteu-se em uma conversa da mesa ao lado e chamei Lori

- Ela está bem? – Lori perguntou quando ela se levantou, cambaleante e sentou-se na mesa vizinha com alguns adolescentes que gritavam

- Espero que sim. – murmurei – Obrigada pelo o atendimento.

- Sem problemas, espero que volte.

- Farei o possível.

- Quer ajuda com ela? – argumentou apontando com o polegar para Annabeth

Dei mais uma olhada nela, um sorriso grande diminuindo o tamanho dos olhos azuis acinzentados, as mãos se mexendo no ar enquanto contava uma história, os cabelos se movendo suavemente de um lado para o outro, e o decote comportado dando um sinal do vale entre os seios.

- Não. Eu dou conta dela.

Notas finais
Espero que me façam sorrir. Ok? Bom, espero que tenham gostado do capítulo.