The Better For You
27 Capítulo Vinte e Seis.
Notas iniciais
Por fim, Annabeth deu mais uma mexida no cabelo enquanto eu suspirava impaciente.
Eu estava com fome e meu estômago dava várias reviravoltas, roncos e parecia que eu não poderia agüentar, nem que eu comesse apenas um muffin... Revirei os olhos e joguei-me para trás. Fechei os olhos.
Mesmo que ela demorasse tanto, valia à pena esperar cada pedacinho que ficaria ou não exposto. Eu já havia visto tudo, e pretendia ver mais vezes.
E Silena merecia todos os obrigados possíveis.
Annabeth vestia um jeans normal, porém apertado ressaltando suas lindas curvas. Uma blusa rosa com um decote comportado e uma jaqueta preta feminina, a bolsa era de couro e grande. Annie – eu ainda me estava acostumando a chamá-la assim, era tão mais... romântico? Fofo? Eu tinha que parar de usar esse palavreado — enfiou seu celular na bolsa e deixou os fones de ouvido a mostra.
- Pronto, vamos? – perguntou
- Aleluia. – resmunguei
- Já começou?
- Eu não fiz nada.
Ela rolou os olhos. Abri a porta e fui para o lado dando espaço para ela passar – e ver sua bunda se mover enquanto rebolava. Lambi os lábios antes que ela virasse.
- O que foi? – perguntou com a face ligeiramente confusa, depois corou
Sorri.
- Nada.
- Sério? Não querem que tirem foto de mim com algo sujo.
Ri alto.
- Não está nada sujo, sua boba. – brinquei
Fechei a porta e puxei seu braço para mim. Envolvi sua mão na minha, ela sorriu, discreta, ainda.
Ela não fez esforço de retirar a mão da minha. Quase deixei escapar um suspiro de alivio quando descemos o elevador. Meu polegar formigava e, por fim, tive coragem suficiente para acariciar a palma de sua mão, sem falar nada.
Sério e concentrado em ver os números da telinha pequena descer lentamente. Eu quase – quase – a sentir arrepiar-se.
- Onde vamos tomar café? – respondi quando saímos do hotel
Estava frio, um pouco mais úmido que o dia anterior e o céu nublado ameaçava uma chuva forte. Fechei o zíper até a metade do meu casaco cinza e coloquei a corrente para fora.
- Você ainda usa isso? – ela perguntou olhando, distraída, para a corrente
- Eu peguei no seu quarto.
- Eu sei.
- Pensei que não sabia.
Annabeth suspirou.
- Mas, eu sei. E por que usa?
- Minhas fãs dizem que é um objeto de pureza. Se não o uso é porque... Bom, não sei porquê.
- Porque encontrou alguém especial. Tem true love. Alguém que realmente despertou o amor verdadeiro.
Pensei sobre isso enquanto atravessávamos a rua. Passamos pela praça que eu via na sacada, alguns estudantes caminhando e rindo de qualquer coisa, casais se pegando nos bancos de madeira. Arqueei uma sobrancelha ao ver um cappuccino parcialmente cheio, algumas cadeiras e mesas fora com uma decoração rústica, jarros com uma rosa dentro e pessoas se espremendo por um café na manhã fria da Inglaterra.
- Pode ser. Então, eu não deveria usá-la, não é?
- Não quero conversar sobre isso, Percy.
- Um dia, você terá que enfrentar.
- E espero que não seja hoje. – ela resmungou
Passamos direto pelo cappuccino.
O cheiro de cafeína fez subir uma vontade inusitada de bebê-lo com umas torradas quentinhas ou waffles com chocolate. Seria perfeito. Lambi os beiços ao lembrar-me das rabanadas e panquecas de minha mãe.
- Onde é? – perguntei quando caminhamos um quarteirão
- É perto do meu trabalho, tomamos café e eu corro para lá.
- Uhm. – murmurei – E eu?
- O que tem você?
- O que eu faço?
Ela riu.
- E eu sei lá, Percy. Sai aí correndo, fazendo entrevistas e explicando porque eu dormi em seu hotel e sai de mãos dadas com você.
- Posso dizer que você é minha namorada?
- Não. – disse seca
- Por quê?
- Só porque transamos não quer dizer que somos namorados. – falou fria
Boa resposta. Não me dei o trabalho de continuar uma conversa produtiva. Caminhamos mais meia quadra e finalmente chegamos.
Era chique, percebi. Tinha uma fachada feita de vidro, tinta branca e detalhes dourados em cima, e com o nome escrito: Uh la la. Era estranho para um cappuccino de Londres, mas não liguei. Era amplo e arejado, as mesas separadas e não tão espremidas como o outro, as cadeiras eram acolchoadas e os pés das cadeiras eram feitos de metal enquanto o encosto era feito de algo do tipo como trançado. O teto era alto e uma vitrine com pães, bolos coloridos e mais discretos estavam expostos e mais ao lado, talvez uns quatro passos, havia um lugar onde você escolhia seus pães fresquinhos.
- Bom lugar. – elogiei
- Ótimo, o que quer?
- Hm? – arqueei a sobrancelha – Não entendi.
- O que quer comer? – ela soltou a mão da minha, claro, isso teria que acontecer uma hora ou outra
- Pode ser torradas com um cappuccino. – murmurei a seguindo
- Pode sentar, eu levo.
- Não, eu te ajudo.
- Eu levo. – insistiu
Continuei a segui-la.
- Você não pode fazer tudo sozinha. – lhe disse
- Claro que posso. – ela pegou uma cestinha e ficou na fila de espera
- Não, não pode. Pega esse. – apontei para as torradas com manteiga em um recipiente grande e limpo
- Tudo bem, e sim, eu posso.
- Não se faz sexo, sozinha. – sussurrei no pé de seu ouvido, ela se arrepiou e bufou
- Isso é algo pessoal, Percy.
- E intimo. – completei
- Brancos ou mais torrados?
- Mais torrados. – afirmei, ela colocou mais alguns pães na cestinha e me entregou – Aliás, eu ainda não sei o que vou fazer hoje da minha vida.
- Bom saber. – disse com pouco interesse
Ela pegou duas canecas grandes. Uma preta, e uma azul. Foi na máquina de café e as encheu, quase a borda. Depois adicionou leite às duas e um pouco chocolate na preta.
Apontou para uma mesa perto da entrada, e se sentou a minha frente. Deixei as cestinhas de pães a nossa frente e começamos a comer, ela empurrou levemente a caneca azul para mim.
- Prefere que eu mude?
- Não, está bom.
Provei. Realmente estava bom. Ficamos em silêncio enquanto a torrada crocante se quebrava entre meus dentes e deslizava na minha boca como se estivesse estourando. Estava uma delicia.
- E como nós ficamos? – perguntei, do nada
Sem pensar. Bom, conversar com Annabeth sem pensar não era uma boa atitude a fazer, e eu havia aprendido isso do pior jeito possível.
- Hm? – ela ergueu a cabeça, atrás da caneca preta formal
E pude perceber novamente, como ela era linda. Com os olhos nublados e ingênuos, pegos de surpresa, a jaqueta caindo de vez em quando sobre os ombros finos, a blusa decotada e as pernas cruzadas, e isso faziam com que nossos joelhos se tocassem levemente. Ela hesitou, e afastou o joelho, mas continuei do mesmo jeito. Ela amoleceu e deixou o joelho bater sobre o meu.
Mais choques. Era excitante.
Antes que ela pudesse responder, um puxão em seu braço fez com que nós dois nos sobressaltássemos. Os cabelos estavam escondidos por um boné dos Yankees, e eu pude ver os olhos raivosos.
- O que você está fazendo com ele? Você é minha namorada. – decretou em um tom de voz grosseiro, eu estava confuso e assustado, não sabia o que fazer – Como pode me humilhar, Chase?
- Ahn?... Quem...? – os cabelos, agora, estavam bagunçados
- Solta ela. Hey... – comecei puxando Annabeth para mim
Ela agarrou meu braço com força. Os cílios piscando fortemente, os olhos assustados e os lábios tremendo. Ela ia chorar?, me perguntei. Eu já vi Annabeth chorar?
- Você não tem nada a ver, seu... Imbecil.
Ri, falso.
- Imbecil? Olha com quem fala, otário. – cerrei os punhos
- Percy, saia daqui. Você não pode simplesmente brigar com ele... – empurrei, o mais carinhosamente possível, Annabeth para trás e levantei as mangas do meu casaco
- É isso que você quer? Sair na briga? – perguntei com um sorriso desafiador – Pode vir, machão. Ou melhor, pinto pequeno. – brinquei com um sorriso
- Do que você me chamou?
- Pinto pequeno. – dei de ombros, sem ligar
- Ah, você quer briga?
- Você vai deixar Annabeth em paz? – perguntei, cruzando os braços, exibindo o máximo dos meus músculos do antebraço
- Percy... – Annabeth sussurrou atrás de mim
- Dá para ficar calada? – murmurei de volta – Então, vem cá... – ameacei
Ele riu.
- Quer manchar sua fama de quietinho?
- Quem disse que eu sou certinho? Estou protegendo uma garota.
- Corrigindo, uma puta. – ele cuspiu as palavras
E depois, só me vi levantando meu punho de encontro ao seu queixo, ele caindo no chão, em seguida eu dando mais alguns socos em seu estômago, ouvi um grito fino de Annabeth e um pedido de ajuda, e mais um soco em seu peito. Ele tossiu e pude ver um pouco de sangue, ele tentou se defender, mas quase ri ao perceber que ele não sabia de nada.
Levantei-me enquanto ele se arrastava para se sentar.
- Quando ela for puta... – cuspi as palavras em seu rosto – você estará morto, e eu terei o prazer de fazer isso.
Ele riu, engasgado.
- Você vai empobrecer, vai ser um podre! – gritou
- Prefiro ser um podre que um pobre coitado que não sabe valorizar uma mulher, como ela. – rebati
- Então, me explica! Vai, o que você estava fazendo com ela? Por que todos estão falando que vocês estão juntos?
- Porque, a partir, de agora não importa se estamos ou não juntos. – disse – Mas, para o seu prazer.
Annabeth ainda estava chocada e assustada. Pude ver em seus olhos ao me encarar, mas fingi que não vi e puxei seu braço contra mim juntando nossos corpos. Lancei um pedido de desculpas – mentiroso, claro, porque eu queria beijá-la na frente dele desde que eu o vi – e encostei nossos lábios. De primeira, pensei que ela iria se afastar, mas ela continuou então, levei minha mão até sua nuca e provei dela mais uma vez. Nossas línguas em uma briga frustrante e excitante, colei mais nossos corpos até ela se afastar aos poucos.
- Você é louco.
Sorri.
- Agora, rala peito daqui, seu... Pinto pequeno. – dei um sorriso ingênuo pegando a mão de Annabeth, mas ela soltou casualmente
- Você me paga, Jackson! Me paga.
- Aham, não sei o número de sua conta, então vai ter que esperar meu empresário falar com você. Bom dia. – dei um aceno
E mais flashes. Duas ou três fotos.
- Você fez isso maior do que deveria. – ela murmurou ao virarmos as costas para os fotógrafos
- Ele te chamou de puta, o que queria que eu fizesse?
Ela ficou em silêncio ao cruzar a esquina e parar de repente, respirando fundo.
- Pode me dar um tempo hoje? – perguntou de olhos fechados
- Você quer isso? – argumentei, sem olhá-la
- Seria uma boa. Ainda estou confusa com isso tudo, e, aliás, tenho muitos trabalhos.
Dei de ombros e virei às costas.
- Será uma boa. – murmurei, tentando captar a mensagem – Para mim ou para você?
- Terá tempo de conversar com as pessoas e falar o que realmente aconteceu. Confio em você. – disse simples.
Fixou a bolsa de couro no ombro e virou as costas para mim.
Muito boa, Percy, você dá uma de herói... E se fode do mesmo jeito depois.
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