The Better For You

30 Capítulo Vinte e Nove.


Notas iniciais
oi oi oi

Era de noite, e Annabeth havia passado em meu hotel, juro que quase soltei fogos de artifícios ao vê-la adentrando meu quarto. Simplesmente deslumbrante, com o sorriso fabuloso e os cabelos espetaculares, a voz estava cansada, percebi assim que se deitou na minha cama.

- É bom te ter aqui. – dei um selinho em seu queixo, subindo até seus lábios

- Hm.

Dei um sorriso de canto e comecei a passear minhas mãos nas laterais de seu corpo bem feito, tirei a jaqueta que ela usava e comecei a levar minhas mãos para dentro de sua blusa, tocando sua pele macia.

- Você ainda vai ter que me passar na minha casa. E me pegar lá.

- É, eu sei. Mas, você poderia facilitar as coisas, não acha?

- Não. Tenho que me arrumar lá, então faz o favor de demorar ao se arrumar.

- Sem problemas, chefa. – brinquei – Sério, vou tomar um banho, daqui a pouco eu volto.

- À vontade, soldado.

Sorri, entrando no banheiro.

A água quentinha tocava minha pele e descia calmamente até chegar a seu destino, que não importava onde fosse. Mesmo assim, uma rajada de vento entrava pela pequena janela do banheiro, fazendo-me tremer quando tocava em mim.

Alguns minutos depois, ouvi o som alto do meu telefone tocando.

- Annie! – gritei – Atende aí.

E mais do que nunca, senti que éramos um casal. Eu, tomando banho, despreocupado com a vida, e ensaboando-me, enquanto ela estaria assistindo um programa qualquer, com as pernas para cima, mexendo em seu celular, e depois se esticando preguiçosamente para atender o meu. Deixei um sorriso alegre escapar.

Puxei a toalha e envolvi na minha cintura, bocejei cansado, pensando novamente se deveria esquecer esta festa e passar minha noite dormindo, mas neguei mentalmente, Annabeth estava contando comigo lá, eu acho.

- Claro, minha querida. – Annabeth resmungou com um sorriso falso – Quem está falando? – ela perguntou me escorei na soleira da porta e a observei andando de um lado para o outro, irritada – É a namorada dele, ta? – ela, por fim, gritou, tirando de mim um enorme e feliz sorriso – E espero que não se esqueça disso tão fácil, querida jornalista.

E jogou o meu telefone em cima da cama, fazendo-o quicar umas três vezes. Tentei não rir de sua irritação.

- Quem era querida namorada? – perguntei quase irônico

- Ah, uma jornalista de LA falando que queria se encontrar com você. – deu de ombros, cerrando os punhos

- Ciúmes, darling?

- Preciso ter?

Fingi pensar e dei um passo em sua direção.

- Um pouquinho faz bem.

- Ótimo. – ela resmungou, e veio em minha direção com os punhos cerrados

Seu soco foi certeiro em meu estômago. Senti o ar faltar em meus pulmões e eu deixar meu tronco cair, respirando com dificuldade. Gemi e me joguei no chão.

- Não era isso que eu esperava de uma namorada. – resmunguei um xingamento

- Eu não sou sua namorada.

Ergui a cabeça, ela estava impotente com um sorriso no rosto.

- Se eu rebater, você vai me espancar de novo?

- É melhor ficar calado. E puxa essa toalha, por favor.

Dei um sorriso malicioso.

- Ok.

Ela virou as costas, e trancou a porta antes de sair.

Balancei meus cabelos, mais uma vez. Eles simplesmente não conseguiam ficar no lugar, isso era revoltante. Eu vestia um casaco azul grosso, e rocei minhas mãos no bolso já que elas pareciam extremamente geladas. A chuva caía, calma, sem se importar quando terminaria. Mas, eu me importava. Eu já não conseguia morar mais aqui. Só por um motivo e uma única razão. E valia por tudo.

Vesti um sobretudo cinza antes de descer todos aqueles andares, atravessei o hall silencioso e pouco movimentado, estranhando as crianças correndo e os adolescentes fuxicando ou até mesmo os empresários ocupados andando de um lado para o outro.

A chuva fraca entrou em contato com minha bochecha e senti minha pele se arrepiar com o contato diferente e frio. Montei na moto e me forcei a esquecer todos aqueles pontinhos gelados caindo contra minhas roupas, e perto do meu nariz.

Foi uma boa tentativa já que eu cheguei mais rápido a casa de Annabeth do que esperado. Silena e Beckendorf passavam pelo jardim com sorrisos nos rostos. Estacionei minha moto e desci.

- Olá, família feliz. – cumprimentei, encostando-me na moto

- Oi, Percy. – Silena acenou – Onde está indo? – perguntou

- Estou esperando minha garota. – dei um sorriso grande – Vamos sair.

Silena riu, e desceu as pequenas escadas acompanhada de seu namorado, noivo, ou seja lá o que eles sejam.

- Preserve-se! – acenei, gargalhando enquanto eles saiam no carro

Encostei-me novamente na moto, com os braços cruzados, a chuva começava a cessar lentamente. Annabeth saiu de casa, tão deslumbrante quanto sempre foi. O cabelo preso em um rabo de cavalo elegante, um vestido branco com as mangas caídas e um sobretudo vinha no seu braço. Ela o vestiu e veio sorrindo até mim.

- Sabe aqueles filmes em que o galã está encostado na moto? – ela perguntou

- Sei que sou ele. – pisquei o olho

Ela bateu em meu ombro e ficou de costas para a casa, com as duas mãos na moto.

- Não se sinta, garanhão.

Sorri e lhe dei um beijo em sua bochecha.

- Não mesmo.

Em resumo, a festa foi a maior chatice do mundo, literalmente.

Eu, praticamente, nem falei muito com Annabeth e cheguei a pensar que teria sido melhor ficar no hotel, o que no final, realmente teria sido melhor já que de qualquer maneira, nós brigamos.

E não foi uma daquelas brigas calmas, sabe.

Eu estava no bar, pegando uma bebida qualquer já que Annabeth não poderia me dar atenção agora, decidi tentar me afastar dela. Então, pedi um copo de whisky e me virei para ver as pessoas andando pra lá e pra cá.

Uma garota, de aparentemente, vinte anos sentou-se ao meu lado e pediu qualquer coisa. Não me importei, tentando achar Annabeth com os olhos. Nenhum sinal de sua cabeleira loura, ou do seu vestido branco em meio as pessoas formais. Tentei me conformar com isso, mas não foi tão bom quanto eu imaginava.

- Oi. Você é o Percy, não é?

Olhei a garota de esguelha. Ela era bem reconhecível, ou familiar. Tinha um sorriso discreto no rosto e vestia um vestido curto, preto e brilhante. O cabelo ruivo estava preso em um coque alto bem feito e elegante. O corpo era bonito, as pernas torneadas e cobertas por uma meia-calça.

Assenti e beberiquei meu whisky, ainda procurando Annabeth.

- Ela está resolvendo algo com um executivo sobre o novo prédio dele. Acho que não vai encontrá-la tão facilmente.

Arqueei a sobrancelha e a olhei.

- Quem é você? E como sabe disso? – perguntei na defensiva

- Sou Rachel Elizabeth Dare, Percy. – ela bebericou sua bebida colorida

Quase entrei em choque. Ok, primeiramente: eu nunca deveria ter vindo pra essa festa, segundo: eu estou totalmente, malucamente fudido, e terceiro: eu tenho que sair correndo daqui.

Me engasguei, quase sufocado, bati no peito e me esforcei a manter uma pose “não to nem aí”.

- Oi? – disse, confuso

Sabe aquela minha pose “não to nem aí”, então, esquece ela, ok?

- Sua ex-namorada! – ela disse, alegre – Nos conhecemos de novo, em um bar... Aliás, eu sou a secretária de sua nova namorada.

- Não tenho namorada. – disse, nervoso, olhei para os dois lados, rezando para que não tivesse nenhum jornalista fofoqueiro por perto

- Ok. – ela levantou as mãos em forma de rendição – E ai, está bem? Faz tempo que não temos contato. E você nem me reconheceu quando foi vê-la e ter uma rapidinha! – ela riu enquanto bebia a coisa colorida

- Ahn?! – disse, exasperado – Não, não. Você entendeu tudo errado! Você está bêbada? O que aconteceu? Olha, cala a sua boca, ta? Por favor. – implorei, levantando-me do banco do bar

- Calma, calma, Percyzinho. – sussurrou, pendurando-se no meu ombro

- Você já está bêbada? Rachel? Rachel? – segurei sua cintura, e a puxei para cima – Rachel?

- Percy... Você está mais gostoso do que eu me lembrava. – murmurou, sonolenta

- Rachel, fica bem, olha... Sai, senta. – a empurrei para o banco, mas já era tarde demais

Se eu pudesse entrar em uma rede social em que diz status, eu deveria escrever algo do tipo DESESPERADO MODE ON PRA SEMPRE.

Ela estava agarrada a mim e começava a beijar meu pescoço, o hálito de álcool já começava a me afetar agora, fiz uma careta quando seus lábios sujos chegaram aos meus. Mas, tive tempo de empurrá-la de volta para o banco.

A festa ainda continuava a mesma. Puxei meu celular e liguei para Annabeth.

- Onde está? Onde? – exclamei, assim que ela o atendeu

- Eu vi! Se era essa a intenção, eu vi, seu cretino! Você mentiu. – gritou

Pude ouvir o soluço. Corri em direção as portas de entrada e cheguei ao frio da noite de Londres, a brisa cortou minha bochecha quando eu comecei a correr em direção ao sobretudo cinza. Meu Iphone apitava avisando que a ligação havia acabado. Comecei a rezar para que não chovesse, porque sempre que acontecia algo do tipo... Como, chover. Mas, minhas preces nunca eram ouvidas mesmo e eu já comecei a sentir as gotas de chuva no meu cabelo e na minha jaqueta, creio que isso era um dos motivos para esconder minhas lágrimas, ou não. Não sei.

- Annie! – a chamei antes que ela acenasse para o taxi que passou direto

- Não toque em mim! – ela levantou as mãos, exasperada, se afastando de mim

- Annabeth, pelo o amor de Deus, me ouça, por favor! – gritei

As gotas vinham com mais força agora e pareciam cortar minha bochecha com força. Segurei seu braço, com mais força do que necessário, seu corpo bateu contra o meu, mas ela se afastou tão rapidamente que pude ver seu corpo cambalear.

- Annabeth, me escuta, por favor. – tentei manter a voz firme, mas ela deu um sorriso triste

- Ah, é? O quê? – ela tossiu, agarrando-se a seu sobretudo – Peguei sua secretária, Annabeth, e ai, o que acha dela comigo para esconder nosso namoro falso?

- Namoro falso?

A chuva virou tempestade, continuei segurando seu braço enquanto ela acenava freneticamente para o taxi que parou ao nosso lado.

- Me solta, Percy!

- Por favor, deixa eu te explicar. – gaguejei

Ela bateu em meu braço e entrou no táxi. Bati em qualquer coisa que vi na frente e quase tive vontade de arrancar meus cabelos enquanto ia para minha moto.

- Droga! – gritei puxando minha jaqueta, toda molhada – Puta da Rachel, puta.

Montei na minha moto, e corri. Corri, queria fugir e voltar para meu lugar.

Eu nunca deveria ter vindo. Mas, tudo parecia tão certo, tão justo. Tão perfeito. Eu só queria que tudo voltasse a ser como antes. Que ela fosse minha garota, e eu fosse seu. Joguei-me na cama, ainda todo molhado e me encolhi, soluçando e olhando para o teto alto pensando em quanto tempo eu poderia me jogar da varando e atingir o chão. Se seria minutos ou segundos.

Notas finais
>>>>>>>>>>>>>>>"i'm sorryyyy for breaking all the promisses that I wasn't around to keep"