The Better For You
31 Capítulo Trinta.
Notas iniciais
Faltavam quatro dias para a minha viagem de volta. Duas semanas sem falar com Annabeth. Tudo bem, que eu era muito culpado por isso por não ter procurado por ela, mas eu simplesmente não conseguia. Sempre que procurava seu número e estava pronto para ligar, eu nunca conseguia, eu ficava com medo de sua reação.
Mas, então, aqui estou eu em frente a sua sala pronto para bater sua porta, ergui a mão e bati, levemente. A mesa à frente em que Rachel ocupara agora estava vazia, pensei que ela pudesse ser despedida, mas ignorei tudo isso.
Bati mais uma vez.
- Quem é? – ela perguntou, com a voz baixa
Mantive-me calado, e franzi os lábios.
A porta grande abriu-se revelando Annabeth. Com uma blusa de botões formais, uma calça jeans básica e uma bota de cano curto, ela se enroscou na soleira da porta e me olhou ameaçadora, fria e calculista.
- Eu queria muito falar com você. Eu necessito.
Ela olhou o relógio e mordeu o lábio inferior.
- Tenho vinte minutos. Pode usar dez.
Suspirei, alegre.
- Daqui a quatro dias, eu vou embora. – comecei – Quero te pedir desculpas sobre...
- Não me venha com desculpas, Percy. – cuspiu – Não quero desculpas, não quero suas coisas bestas, não quero nada que venha de você. Absolutamente, nada. Acho que foi um erro você ter voado para cá. Se não tivesse vindo, tudo ficaria melhor. Eu aposto. – ela puxou a porta até a metade
- Eu nem ao menos falei. – murmurei
- Você não tem o que falar. Espero que volte bem. Vemos-nos no casamento de Thalia e Nick.
Por fim, ela fechou a porta e eu bati com força contra ela.
- Você vai sentir minha falta, Annie! – gritei contra a porta de madeira – Eu te amo, droga... – sussurrei e sai da empresa
***
Enfiei a última peça de roupa na mala e fechei o zíper do meu casaco... Era uma pena ter que sair de Londres depois de um mês, cheio de surpresas, foi um tempo legal que eu passei aqui... Uma pena deixar Silena sozinha novamente.
Mesmo que eu não gostasse de coisas frias e da temporada fria que era o outono aqui, eu aprendi a gostar, com as folhas amarronzadas caindo em frente ao meu hotel, e os jardins bem cuidados cobertos de neve, o movimento calmo, agitado e organizado que era o centro, as pessoas bem vestidas e agasalhada ridiculamente sorridentes e calmas.
Suspirei, mesmo que as coisas que planejara não tivessem ocorrido do jeito que eu queria, eu aproveitei um pouco das minhas férias. Olhei pela sacada do meu quarto, deveria ser mais algo da minha cabeça, mas vi seu carro prateado e reluzente dando um ar de graça em frente a praça pequena.
Por que ela não me escutava? Percebi que era muita idiotice minha ter vindo atrás dela... Que tipo de amor era esse? Obsessivo? Louco? Ela me dava um pé na bunda e eu ainda gostava dela, eu era algum tipo de masoquista?
Respirei mais uma vez o ar frio do outono, já podia sentir o ar quente com cheiro salgado da Carolina do Norte, o som das ondas quebrando na areia e as espumas brancas fazendo aquelas almofadas elegantes e voltando para o mar.
Sorri, mesmo triste, só de pensar no prazer de poder nadar novamente nas ondas calmas e refrescantes da minha amada Carolina.
Era mais uma chance de conseguir esquecê-la, lá as garotas eram loucas por surf, ou seja, eu poderia ter todas, dei um sorriso pequeno... Não que eu quisesse todas, eu só queria a maldita e idiota Chase. Tirei a mala da cama e cheguei mais uma vez para ver se faltava alguma coisa, meu telefone tocou Turn Up The Music, quase tive vontade de jogá-lo na parede e ver se ele quebraria, ou simplesmente ia formar parte da minha ilusão com Annabeth e se transformar nela. Tentei não rir da minha própria idiotice.
- Oi. – avisei
- Olá, Percy. – era a voz alegre de Oliver
- Hm, como está? – perguntei
- Estou esperando sua chegada! – continuou alegre – Finalmente, suas férias ridículas acabaram, não é? E ai, como foi o final perfeito? Sabe, estou muito confiante, já estou vendo você chegando com seu sorriso alegre, com uma loira super linda do seu lado, e v...
- Não teve nada. – suspirei pegando minha mala e fechando a porta do quarto de hotel – Nós ficamos algumas vezes e só, satisfeito, Oliver?
Controlei-me. Ele não tinha culpa. Só estava preocupado comigo pelas decisões que eu havia tomado em cima da hora. Houve um silêncio perturbador do seu lado e depois, ele continuou a falar.
- Bom, sabe que vai se focar só nos treinos agora, não é? Temos muitas coisas pra fazer, rapaz.
- É, eu sei. Estou indo pegar o primeiro vôo para Carolina.
- Você vai adorar Carolina, está com aquele clima que você adora e os camarões estão enormes! Jess está sentindo sua falta e ela já comeu algumas lagostas enormes.
Consegui soltar um sorriso pequeno.
- É, aposto que sim, Oliver.
- Ótimo, rapaz, quero você ativo. Já tem alguns garotões aqui se achando, acredita? Quando eles te verem junto com suas fãs, todos vão morrer de inveja. Aliás, já posso avisar que você vai vir ou você quer chegar calmamente?
Chegar a um tumulto sendo acompanhando por policiais ou chegar na boa e no hotel?
- Tente não falar pra Jess.
- Tudo bem. Estamos no hotel de sempre.
- Tchau, Oliver.
- Te vejo em breve, rapaz.
Desliguei a chamada e entrei no táxi para o aeroporto.
Ignorei a nostalgia que percorreu meu corpo.
Era pouco tempo do meu hotel para o aeroporto. Comecei a mexer no meu celular, não tinha nada o que fazer. O cara estava falando sozinho sobre futebol e como os adolescentes de hoje não tem tanta cultura, como na época dele e como as coisas estão ficando, realmente, sem graça em Londres e que as pessoas não davam valor a nada e blábláblá.
Cheguei ao aeroporto e agradeci por ter saído daquele táxi. Fui comprar minha passagem e a mulher disse que daqui a duas horas sairia o primeiro vôo. Tentei não me irritar, e procurei o Starbucks dentro do aeroporto.
Pedi um chá qualquer e sentei-me, esperando que as horas passassem mais depressa.
Novamente, comecei a pensar nela. Não era a melhor escolha que eu tinha, claro, eu precisava distrair-me, então decidi avisar a minha mãe.
Demorou um pouco até ela se dar conta de que o telefone estava tocando.
- Hey, mãe, estou saindo de Londres. – disse, com um sorriso
- Hm, mas o que houve aí? Pensei que não ia passar muito tempo, e não tinha me ligado...
Pensei que ela não sabia o que falar, ou não sabia o que argumentar diante disso.
- Então, é... Tenho compromissos, mamãe, não posso ficar quanto tempo eu quero em Londres.
- Mas, eu acho que você nem precisa treinar, Percy. Você é ótimo e Oliver sabe disso. – determinou
- Acho que ele não sabe, não, mamãe. – ri
- Ah, já estava com saudade de seu riso, mas você nem ao menos parece estar bem. Sabe, estou fazendo panquecas com chocolate.
Tentei não rir, todo meu corpo agora queria ir correndo pra Los Angeles e dormir com a minha mãe, conversando e falando merda o dia todo. Porém, meu cérebro inútil argumentou, você tem compromissos.
- Eu adoraria estar ai, mãe. Infelizmente, eu não posso. Mas, logo estarei contigo. Te amo, mamãe.
- Também te amo, Percy.
- Acho que tenho que desligar. – ri, mais uma vez.
Deveria ter-me esquecido de como é delicioso rir de besteiras. Minha mãe também riu, depois nos despedimos e a ligação foi desligada.
Ainda faltava uma hora e quarenta minutos.
Liguei para Silena e a contei da minha saída de Londres. Eu nem tinha me dado conta que não havia avisado para ela, embora eu não devesse ter feito isso porque ela gritou muito e disse coisas horríveis, como ”você está louco, você é um vagabundo, Percy” e etc, coisas que não precisam ser citadas aqui, com certeza.
Por fim, eu liguei para Thalia. Era legal conversar com ela depois de um mês. Eu nunca havia ficado tanto tempo sem falar com ela. Sua voz estava cansada, como eu deveria imaginar, mas ela continuava me dando conselhos e falando que eu estava fazendo a coisa certa e que esperava que dessa vez eu ficasse feliz por um infinito período de tempo e não só duas ou três semanas. Ela também me disse que o Olimpo estava indo muito bem, achando tantos talentos, abrindo vários programas de tevê, algumas novelas básicas e coisas que vinham dando muito lucro.
- E como está Nico? – perguntei, alegre com a conversa
- Bom, ele está ótimo. – eu já imaginara com um coque alto na cabeça, os olhos azuis elétricos concentrados em qualquer coisa que estivera digitando no computador e um sorriso largo
- Ele está aí?
- Não, ele fez uma viagem às pressas. – sua voz, agora, havia ficado tensa e enigmática, se bem que eu conhecia minha prima
- Para onde? Vocês sempre costumam planejar essas coisas. É tão importante assim?
- Acho que para você, sim.
Tentei não rir do que ela estava falando. Eu nem sabia o que acontecia no Olimpo, imagina uma viagem urgente por minha causa, ou por qualquer coisa que me afetasse.
- Ok, Thals, o que é? Deixa de coisa.
- É o Luke.
É, então... Esqueçam a parte da minha causa, e que me afetasse.
Tossi, sentindo o liquido quente de o chá ir e voltar, ir e voltar e não saber o que faria na minha boca. Por fim, engoli e me recompus.
- Como assim? O Luke? E por que você não foi?
- Ah, pergunta pro seu primo querido, Percy e não pra mim. – ela disse, nervosa e irritada... Velha Thalia de sempre.
- Tudo bem, tudo bem... O que você sabe sobre isso?
- A única coisa que eu sei é que ele está preso. O Nico foi tentar soltá-lo porque... De qualquer maneira, ou de qualquer merda que ele tenha feito, ele é nosso amigo e não podemos deixá-lo na mão. Tantas vezes mais.
- Deixá-lo na mão? Na mão, Thalia? Não foi ele que foi esmurrado e ficado dois dias sem beber nem comer nada, Thalia! Eu nunca o deixei na mão e por causa dele, estou na merda da Inglaterra, por causa de uma garota que eu amo e nem ao menos quer notar minha puta existência, satisfeita? É por isso que nunca o deixamos na mão. – estourei, rezei para não ter gritado, mas algumas pessoas olhavam torto para mim
- Dá pra se acalmar? – murmurou, quase com medo
- Não. – suspirei
- Se você se acalmar, eu direi o porquê. – respirei fundo, e confirmei que estava calmo – Enfim, ele nos ligou... Disse que estava precisando de nossa ajuda porque os pais dele já nem sabia que eles existiam depois que adotaram os gêmeos.
É, e se vocês não sabem. Hermes e May adotaram gêmeos para, hm, eu acho que esquecer o filho mal que os largara. E eu deveria ter feito a mesma coisa.
- E...?
- Ele falou que queria mudar, mas sempre que tentava algo o atrapalhava, certos momentos, era dinheiro, outros, força de vontade.
- E ele fez um enorme discurso dizendo de como precisava da ajuda de vocês. – falei, entediado, eu conhecia Luke
- Percy. – repreendeu-me
- Estou falando a verdade. Mas, o que vocês vão fazer?
- Vamos falar com ele. Tentar colocá-lo em uma clinica de reabilitação e tentar trazê-lo para o nosso casamento.
- Como? Na boa, Thalia, você é muito idiota, ou você ama, de verdade, o Luke? Você tem o Nico contigo, o Nico é tudo, cara! E você se preocupa com o Luke? Tudo bem, beleza. A vida é tua.
- Não é tão simples assim, Percy...
- Não? Você só precisa falar: toma o dinheiro e se vira!
- Percy, ele era seu melhor amigo.
- Não me lembre disso. Não me lembre, Thalia, por favor. – fechei os olhos com força – Você nunca vai ser feliz carregando esse peso.
- Eu sei o que eu quero fazer, Percy! – gritou – Sei o que faço e não abandono as pessoas que amo. E sim, eu amo o Luke, ok?! Ele era meu amigo e não é porquê as drogas o levaram para o fundo do poço que vou deixá-lo sozinho. Não desisto das pessoas, como você, Percy. Não jogo tudo pro alto por uma pessoa, eu sei o que estou fazendo, diferente de você.
- Está indo longe demais... – a alertei
- Já não me importa! E foda-se o que pensa, eu nunca precisei de você para nada.
Só consegui ouvir o toque irritante.
Vinte minutos para o embarque.
Segurei minha mala, enfiei o celular no bolso e sentei em uma daquelas cadeiras em que você consegue ver a pista. Há poucos minutos, a aeromoça iria me chamar e eu só conseguia pensar que estava muito arrependido pelo que fiz com Thalia. Ela estava certa, ela sempre estava certa. Mas, eu não ia ligar para ela, não agora. E será que eu poderia aparecer no casamento dela depois disso? Quero dizer, claro, se não fosse por ela, seria por Nico, ele é meu primo, duh.
Mas, a idéia de Luke estar lá me atormentava, me deixava apavorado. Qual seria a reação de Annabeth? Ela me ignoraria mais do que ignorava, tinha certeza. Luke só atrapalharia mais minha vida, e eu só queria que ele explodisse. Eu não queria ver a cara inútil de Luke, não queria ver nada que vinha dele e não queria que ninguém que eu amasse estivesse perto dele, e eu sabia, que se ele ainda estivesse na cabeça que deveria ficar com Thalia, ele faria de tudo para isso acontecer. Respirei fundo, e deixei uma nota mental na minha cabeça: chegar duas semanas antes do casamento.
Agora, eu queria desabafar, queria gritar, e ter alguém para conversar sobre essas minhas idéias doidas.
Oliver. De jeito e maneira nenhuma, ele ia começar a falar de treinos e de como eu iria esquecer isso facilmente se eu me jogasse nos treinos, e não era legal ouvir isso praticamente todo dia.
Silena. Pouco provável, ela iria gritar comigo e dizer que eu sempre penso maldade das pessoas e que, provavelmente, Luke só quer voltar a pessoa que era antes. Ela não iria ficar ao meu lado, Luke era o xodó dela.
Nico. Não, ele era o ponto principal e ele deveria estar conversando com Luke uma hora dessas.
Beckendorf, não, não tinha tanta intimidade com ele, como antes.
Annabeth... Muito impossível, mas... Não custaria nada tentar.
Disquei seu número, tão conhecido, e esperei cinco toques até ouvir a caixa postal. Era a primeira vez que ela não me atendia, quase me senti surpreso ao ouvir sua voz.
Oi, sou Annabeth, espero que não seja tão importante, não posso atender agora. Espero que entenda, deixe sua mensagem. Tchau.
- Hey, sou eu, o Percy. Sei que ainda deve estar com raiva de mim e querendo me matar ou me esquartejar e vender os órgãos. – dei um riso sem graça – Só queria estar com você e desabafar sobre algumas coisas que me disseram agora. Aliás, queria estar em qualquer lugar que você estivesse agora, mas já estou no aeroporto e acho que não dá pra voltar mais... E eu nem sei por que você não quer que eu esteja onde você está, — ri novamente – sei que é confuso. Mas, eu preciso muito de você. Muito mesmo.
Do nada, me arrependi de ter ligado para ela. Só mostrava que eu era um covarde e idiota que não passava por meus problemas, sozinho. E dependia dela para tudo, ela deve ter pensado: “Ainda bem que me livrei de um covarde”. E ela estava absolutamente certa.
- Ok, esquece isso. Nunca te liguei, ta?
Desliguei o telefone e ouvi a voz monótona da aeromoça nos indicando que o vôo estava pronto.
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