The Better For You
32 Capítulo Trinta e Um.
Notas iniciais
Segurei a respiração, nadei arrastando a prancha e voltei para a superfície com um sorriso.
Como era perfeito estar em Carolina, com o sol forte, a água extremamente salgada e quente roçando na sua pele, as mulheres lindas falando com você e de como você surfa super bem e suas fãs malucas tirando fotos suas a todo o momento.
Carolina do Norte era o paraíso, definitivamente.
Todas as músicas agitadas que eu mais gostava, como Lovesick, Great times, Yeah 3x gritavam na minha cabeça. Era como se eu estivesse em uma balada eterna e eu estava completamente feliz com isso.
Quando eu estava no mar, eu esquecia tudo. Só sabia que eu tinha que sair dele vivo, que eu devia flutuar sobre as águas e que a prancha era minha melhor amiga.
Corri até a areia e me sentei, sentindo o sol quente queimar minhas costas, estiquei as pernas e andei até onde Oliver estava, no telefone, como sempre.
- Boa, rapaz. – e me ofereceu uma garrafa de água
Sentei-me e tentei relaxar o máximo que podia antes de voltar para os treinos.
Como Oliver havia citado, os “garotões”, como gostávamos de chamar, já invadiam as praias da Carolina. Se você viesse o ano passado, veria que não havia ninguém treinando aqui, todos preferiam treinar na Califórnia, ou Flórida, mas Oliver disse que Carolina era um lugar calmo e que ninguém iria achar que estávamos querendo roubar as manobras de ninguém, e ele estava certo, porque não tinha ninguém treinando, apenas algumas pessoas surfando por hobby mesmo, o que achei legal, porque eu pude ter mais experiências e trocar de idéias. Olhando para as praias agora, cheia de garotos novos surfando e me olhando atentamente, soube que, sim, eles queriam roubar minhas manobras.
Finalmente, Oliver desligou o telefone.
- Bom, consegui que eles retirassem esses idiotas daqui e levassem para outro lugar bem longe de você.
Ri.
- Isso é bom. – dei um gole na água – Wow, — sussurrei – não me lembro de Jess ser tão linda assim.
Ela vinha com os cabelos castanhos claros com aquelas mechas discretas e naturais louras, um braço carregava a prancha e ela havia tirado a parte superior da roupa de surf, dando o ar da graça do corpo perfeito e bronzeado dela. Ela jogou-se na cadeira ao meu lado e bocejou.
- Que sono, Oliver! – gritou – Preciso de uma cama gostosa em um trailer, sabe... E ah, quero também muita água e que tal um colchão inflável para passear no mar?
- Haha, Jess, se conforme com uma garrafa de água sem gás. – ele jogou em direção a ela e saiu, sorrindo
- Hey, Percy, é bom te ter por aqui novamente. – disse, entre goles
- Bom te ver, Jessy. – dei um sorriso para ela
- Hm, você está bem diferente. Talvez, branco demais. Acho que o sol não gosta de você, não é? Ele meio que te ignora, você nunca fica tão bronzeado quanto eu.
- Verdade. – continuei sorrindo
- Que sorriso falso. – resmungou – Ok, fiquei sabendo que está com uma garota... Loura, sempre achei que preferisse as ruivas, ou eu, claro.
- Ah, Jess, sabe que você é a única, não é?
Ela riu.
- Claro que sim, bebê. – sorriu – Mas, diga-me, o que aconteceu para você ficar um mês na fria, sem mares legais e sem sol da Inglaterra.
- Bom... Alguns problemas.
- Oliver me disse que esses problemas têm um nome, que eu não sei, mas sei que é loira.
Dei de ombros, gesticulando quase irritação, mas Jess ignorou.
E você ainda não sabe quem é Jessy. Ok, ela é uma surfista perfeita, seu empresário é Oliver, e assim que eu cheguei neste ramo, ela já estava há uns três anos atrás, ela tem minha idade, é linda, como citei antes, mas nós nunca ficamos, e isso é legal. Todos de LA a conhecem, e a adoram. Isso é um bom resumo.
- Acho que vou conhecê-la no casamento de Thalia. – continuou
- Você não cansa?
- De ser irritante? – completou, e negou – Não mesmo, é super legal. Ainda estou esperando uma resposta.
- Ela só me ignora, sempre.
- Já tentou ligar para ela.
- Caixa postal.
Jess fez uma careta.
- Ih, o problema está sério, garotão.
- Muito sério. – reclamei
- Quer saber de uma coisa? Surfa! – disse, feliz – Não, vai fazer alguma coisa da tua vida, porque ano passado você só ganhou por causa desta depressão terrível e blábláblá. Cadê o Percy safadão das festas? As garotas sentem faltas de você.
- É, né...
- Aliás, não está sentindo falta de ver seu nome nas capas das revistas... Sabe como você está sendo conhecido?
- Não, como?
- Percy Jackson, o surfista mais sem graça do mundo. – pegou mais uma garrafa de água – E você quer isso? – neguei – Então, vamos festejar, Percy.
- Você não presta, Jess.
- Hey, não é isso que meus amigos falsos falam, ta?
- Ok, que tal uma festa hoje?
- Festas? Estão loucos? – Oliver gritou – Vocês precisam treinar e se eu ver vocês saindo, a partir de hoje, ganham suspensão.
- Ah, não, Oliver, na boa... Somos jovens, temos que curtir a vida.
- Você curte no facebook e não comigo, Jess.
- Beleza, sem graça. – resmungou
- Oliver, veja por esse lado. Vamos voltar com mais energia.
- E bêbados. Não, podem esquecer.
- Quando não tivermos mais nenhuma fã, não fique reclamando.
- Dê um tempo, Jess, coloca a sua roupa e volta pro mar, quero ver vocês treinando. Daqui a pouco, o nutricionista e o médico chegam, daí vocês se consultam e voltam para o hotel.
- Vamos procurar outro manager, ok? – disse
- Claro. – Jess rolou os olhos
- Eu ainda estou aqui, e vão logo! – ordenou
- Ok, já estou indo. – sussurrei
- Percy! – Jess gritou, repreensiva – Sabe de uma coisa, vocês dois? Vocês, malditos homens sem graça, só servem para uma única coisa: reproduzir. – disse lentamente – E eu não preciso de reprodução, eu sou rica, livre e linda, eu posso fazer o que eu quiser.
Ah, não, sussurrei na minha cabeça, suspirando trezentas vezes quando Oliver sorriu.
- Ou você treina. Ou você treina. Ou eu te jogo em uma banheira cheia de lagostas para arrancarem sua pele.
- Tá vendo? – Jess apontou para Oliver e deu de ombros – Não me importo, pode me jogar.
- Ah, qual é, Jess. Vamos treinar, vem cá, garota. – chamei
- Eu. Não. Quero.
- Ui, ta ficando mimada. – resmunguei
- Seu idiota! – me deu língua
- E infantil. – Oliver completou – Ok, crianças, sem brincadeiras, vão, vão. – nos expulsou de onde estávamos enquanto Jess me acompanhava reclamando e citando palavrões
Fomos, lentamente, até o mar e voltamos a treinar feitos loucos.
Fale com o autor