The Better For You
44 Capítulo Quarenta e Três.
Notas iniciais
Annabeth estava deitada em seu sofá entre minhas pernas, um documentário sobre as tartarugas ameaçadas de extinção passava enquanto eu acariciava seus cachos bagunçados sobre meu peito.
– Eu não gosto de documentários. – enrolei um cacho em meu dedo
– Ok.
– Você está me ouvindo, Annie?
– Uhum. – respondeu desinteressada
– Está vendo? Eu sempre sou bonzinho com você, e você é sempre a má.
– Treine um pouco mais e estarei em prantos.
Eu ri e abracei sua cintura, protetoramente.
– Que tal assistir uma luta de Anderson Silva? É melhor do que isso, sabe... Não sei em que isso pode mudar minha vida.
– Quando todos os animais ficarem em extinção, você vai se arrepender de ter dito isso.
– Enquanto eles não estão... – sussurrei contra seus cabelos –, vamos conversar.
– Pode começar.
– Você não está interessada em falar comigo, não é? – murmurei – Eu estou morando com você há duas semanas. Vou ser pai de seu filho e você me trata assim.
– O que você quer que eu fale? – ela bocejou, enfiando a mão no pacote de batatas que comprara
– Eu te amo, meu amor. – dei um sorriso bagunçando seus cabelos – Ou sei lá.
– Isso é tão clichê, Percy.
– Desculpa, mas você me fez ficar assim.
Nós rimos juntos.
– E você sempre se faz de difícil.
– Ah, vai começar tudo de novo, não é?
– Você sabia que me amava, eu já tinha dito isso umas trocentas vezes e... Eu não consigo entender, por que você nunca disse nada?
Annabeth suspirou e sentou-se de frente para mim do outro lado do sofá pequeno. Seus ombros de mexeram suavemente e seu rosto estava medroso e confuso, entretanto ela esticou os pés e os colocou em cima do meu colo.
– Isso já passou, não foi? Agora... Estamos aqui.
– Depois de trocentos anos. – disse em um tom tedioso
– Seu bobo. – resmungou
– Mas estou falando sério. Por que demorou tanto?
– Você quer que eu te explique por detalhes? – perguntou arqueando uma sobrancelha loira
– Se você não precisar comer mais, sim.
– Por que não posso comer mais? Você quer que seu filho nasça desnutrido? Magrelo? Sem graça?
– Mesmo se você não comesse, ele ia nascer gostoso e perfeito, porque... Olha de quem vai ser o pai, Annabeth.
Ela rolou os olhos e cruzou as pernas uma em cima da outra.
– Quando... Quando você veio pela primeira vez, eu pensei que ia dar tudo certo... Aqui estava o meu amor de infância, de adolescência... Tudo estava certo. Então, você ficou com Rachel...
– Eu não fiquei com ela, você sabe que ela que me... – interrompi
– Eu sei. Se você ficar me interrompendo, eu vou comer mais e vou te ignorar.
– Ok, desculpa. – fiz beicinho e a olhei com os olhos pidões
– Eu fiquei com tanta raiva que pensei que nunca mais fosse olhar na sua cara. Mas... Quando você saiu da festa do casamento de Thalia, eu não consegui me controlar. Você parecia estar tão mal, eu estava com medo de que algo acontecesse... E...
– Você engravidou.
– É. – ela deu um sorrisinho – Depois, Rachel quase quis me matar, contudo... Aqui estou eu, presa por causa de uma gravidez. Nunca pensei que tudo fosse acabar deste jeito.
– Está dizendo que está presa comigo por causa de uma gravidez, é isso? – perguntei
Ela negou com a cabeça, fazendo o tufo de fios loiros balançarem irregulares. Inclinei-me sobre o espaço vazio entre nós e beijei seus lábios rosados, suas mãos pequeninas espalmaram-se no meu rosto enquanto eu segurava sua cintura e a deitava lentamente no sofá.
– Eu sei que você não está comigo por causa da gravidez.
Annabeth mordeu meu lábio inferior quando eu apertei sua coxa rudemente, ela fechou os olhos e inclinou o pescoço quando meus lábios atingiram seu colo.
– Está comigo por causa do sexo.
Ela bufou e me empurrou.
– Percy, seu ego é muito broxante. – resmungou saindo do sofá
– Qual é, só estou falando a verdade.
– Enquanto você fala a verdade, eu como biscoitos e chocolate quente. – ela parou no corredor e encostou-se à parede – Ou você quer fazer para mim? Sabe... Eu estou preferencial.
– Chantagem. Golpe baixo, Annie.
Seus lábios se abriram em um sorriso quando eu passei por ela e fui para a cozinha, soube que ela tinha se jogado no sofá e voltado a assistir documentários sem graça.
Acordar com meu rosto afundado nos cachos com cheiro de morango era uma das mais fabulosas fantasias que eu já pudera ter na minha vida. Envolvendo dormir em um dia frio de domingo, abraçando as costas de Annabeth era mais do que eu já tinha sonhado em toda minha vida.
Sua respiração era baixinha e calma, a televisão estava desligada – e eu fiquei surpreso por isso já que descobri que ela tinha mania de sempre dormir com a tevê ligada — e o vento frio corria pela janela. Meu corpo se espremia no minúsculo sofá enquanto meu braço abraçava seu quadril, firmando minha mão entre suas coxas torneadas e quentes, o nariz acariciando seu ombro, sua mão acariciava toda extensão do meu braço.
Até pensei que ela estava sonhando porque sempre dava suspiros leves e apertava os olhos com força, ou apertava meus dedos nos seus como se eu não estivesse ali.
– Annie?
– Hum?
– Você está bem?
– Estava dormindo...
– Certeza? Você parece um pouco, hm... Agitada.
Seu corpo pequeno virou-se contra o meu fazendo minha mão sair e apenas abraçar suas costas, minha mão acariciou suas costas enquanto ela levantava os olhos.
– Minha barriga. Não sei o que é. É como se mil borboletas estivessem correndo de um lado para o outro.
– Borboletas não correm. Elas voam.
– Não importa. É que...
Annabeth fez uma careta e se levantou do sofá, desaparecendo no corredor.
– Annabeth? – chamei preocupado e a acompanhei em sua procura – Annie?
Ouvi um ruído diferente dentro da suíte e abri a porta do banheiro. Ela estava sentada ao lado do vaso sanitário, respirando fundo tentando controlar a mesma, seus olhos estavam cansados e ela bocejou em seguida.
Conseguiu se levantar com certa dificuldade, as pernas pareciam estar tremendo.
– Ei, calma aí, vem cá. – sussurrei carinhosamente indo a sua direção
– Estou fedendo, deixa eu escovar os dentes.
– Não... Depois você faz isso.
– Que horas são?
– É finalzinho da tarde e é domingo e você não precisa trabalhar amanhã se não quiser. Vem, vamos dormir porque alguém aí não quer ficar quieto.
Annabeth conseguiu sorrir e eu a acompanhei, era lindo ver as bochechas aumentarem de acordo com seu sorriso. Ela se deitou encolhida debaixo das cobertas enquanto eu deitava atrás dela e beijava sua nuca, em poucos minutos, sua respiração estava regularizada.
Naquele momento, Annabeth não parecia mais aquela mulher raivosa que tinha o desejo de me ignorar, e me fazer sofrer. Annabeth era apenas... Annabeth. Estava parecendo mais com aquela adolescente forte por fora e os olhos nublosos eram frágeis, o corpo pequeno se encaixava de um jeito estranho no meu, e de novo pensei o que seria amor. Eu sabia que sentia isso por ela, mas nunca pensei que era tão forte. De qualquer jeito, eu sentia que agora, o amor não seria aquela coisa devastadora que me faria correr atrás dela, sofrer e chorar. O amor a partir de agora seria como eu via nos filmes, apenas rosas e violetas.
O rosto sereno, os cantos dos lábios curvados e as bochechas coradas devido ao frio comum. Deslizei as pontas dos meus dedos desenhando seu rosto e beijei seu ombro, deixando meus olhos se fecharem lentamente e pensando o quanto naquele domingo nós parecíamos um casal recém-casado aproveitando o tempo de gravidez.
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