The Best Part Of Me.
2 My Favorite Place.
Notas iniciais
Angeles Saramego.
Depois que recebi a infame notícia que teria de voltar até Buenos Aires e já estava de voo marcado, peguei meu carro quase explodindo de ódio resolvendo dar um passeio pela cidade numa tentativa de esquecer minha raiva, observei como Grenoble era simplesmente majestosa com toda aquela friagem, mesmo com o sol se expondo fortemente no meio de uma tarde. Mas meu passeio com intuito de esfriar a cabeça não demorou muito, pois logo eu voltei a realidade de que tinha uma filha para cuidar e ela possivelmente já teria voltado da aula, dirigi tentando manter a calma na volta para casa e assim que cheguei no apartamento dei de cara com Leonardo usando uma coroa junto com um par de asas rosas enquanto brincava de “chá das princesas” com Alice, que estava devidamente vestida como uma princesa.
Ao olhar a cena, eu não me contive e acabei rindo um tanto alto chamando a atenção deles para mim, por um instante eu me esqueci da minha irritação.
— Mami!! — Alice me cumprimentou animada, se jogando nos meus braços.
A peguei no colo lhe rodopiando enquanto ela ria gostosamente, me contagiando.
— Oi princesa! Como foi na escola? — Me interessei a olhando. Não queria ter que dar agora a notícia de que ela só teria mais alguns dias na escola nova.
— Foi legal, serviram chocolate de presente. — Alice me contou parecendo confusa, ri apertando sua bochecha levemente corada. – E depois, o tio Leo passou pra me buscar.
Olhei para Leo que nos observava com um pequeno sorriso, lhe lancei uma piscadela agradecida sendo retribuída por ele. Além de namorados, somos cúmplices. Desci Alice do meu colo, me sentindo cansada, antes que eu pudesse falar algo a campainha toca.
— Olá, me chamo Ania. — Uma menininha ruiva segurando um ursinho falou. – A Alice está? Eu vim brincar com ela.
Sorri com sua sinceridade.
— Está sim, pode entrar. — Dei espaço para que Ania entrasse.
Assim que viu Alice, ambas se abraçaram entre risadas e saíram correndo para o quarto da minha filha.
— O que houve amor? Pensei que você chegaria mais tarde. — Leo disse se aproximando, olhando minha cara de insatisfação.
— É, era pra mim chegar mais tarde. Mas acabei de saber que fui promovida! — Ironizei, os olhos do meu namorado brilharam e ele sorriu. – Vou ter que voltar a Buenos Aires.
— Angie, isso é incrível! Eu tenho uma empresa por lá, e só tenho que me organizar… — Leo murmurava animadamente.
— Não Leo, você não está entendendo. É de Buenos Aires que estamos falando, eu não vou voltar. — Birrei irritada.
Era mais que óbvio que eu tinha medo de reencontrar meu passado, o lugar onde eu fui mais feliz e sofri na mesma proporção, o medo de reencontrar German me tomava, assim como o medo de ele saber sobre Alice e querer tomá-la de mim. Definitivamente, eu não poderia voltar.
— Não entendo Angie, do que você tem medo? — Leonardo perguntou parecendo irritado. Bufei, ele me conhecia há quase seis anos, era óbvio que ele sabia do que eu tinha medo.
Baixei meu olhar sentindo aquela conversa me torturar aos poucos, percebia que minha garganta ardia com o choro que eu havia contido desde a notícia.
— Nada vai acontecer com você e com a Alice, vocês são minhas e eu não vou deixar nada machucar as duas. — Leonardo falava sério envolvendo minha cintura nos seus braços fortes. – Uma hora isso ia acabar acontecendo, mas não se preocupe com nada porque eu vou está aqui. — Ele disse com um sorriso lindo, era visível a animação em seu olhar, mordi meu lábio inferior prendendo um sorriso.
— Você tem razão, eu não posso fugir. O que eu faria sem você? — O olhei sorrindo.
— Isso é algo que eu espero que você não descubra tão cedo… — Brincou. – Te amo.
Nos beijamos calmamente, um beijo gostoso onde nossas línguas brincavam pelo domínio, a falta de ar veio nos fazendo terminar o beijo com alguns selinhos manhosos. Leonardo desceu os beijos para meu pescoço enquanto eu fechava os olhos prendendo alguns gemidos de puro prazer, minhas mãos estavam em seus ombros tentando manter uma distância decente entre nós.
— Leo. — O chamei baixo, com os olhos fechados tentando pensar em algo coerente. Mas ele não parava de beijar meu pescoço, me deixando arrepiada.
— Huh? — Murmurou com a cabeça enterrada no meu pescoço, dando algumas mordiscadas.
— A Alice está acordada. — Resmunguei tentando o afastar. – Melhor deixarmos pra mais tarde.
Ele se separou de mim com um sorrisinho rendido.
— Tá bem, mas só por que hoje eu vou dormir aqui. – Nós dois rimos, e nos sentamos no sofá. – E então, o que decidiu?
— Decidi que nós vamos para Buenos Aires. — Nos entreolhamos. Leonardo sorriu assentindo aprovando minha decisão, enquanto segurava na minha mão me apoiando.
Violetta Castillo.
Madrid – Espanha.
O ensaio de dança para meu novo clipe havia acabado de terminar, meu corpo estava exausto pedindo algum descanso além de está banhado por uma fina camada de suor, resolvi me sentar perto da parede aproveitando para beber água gelada e enxugar meu rosto. Era incrível como tudo na minha vida havia mudado radicalmente desde que minha tia foi embora, depois que acabei meu último ano no Studio decidi seguir os passos de Angie e ser professora naquele lugar repleto de lembranças, Marotti – empresário do YouMix – decidiu me patrocinar e eu comecei a cantar pelo mundo como Violetta mas fui carinhosamente apelidada pelos meus fãs como Tini e hoje esse é o nome artístico que eu uso.
No último ano, Leon e eu decidimos ser apenas amigos pois funcionávamos melhor dessa forma e como consequência dessa decisão pouco nos víamos já que ele vai pouco ao Studio para dar algumas aulas de teoria musical e fecha contrato para gravadoras famosas, mas apesar disso, a distância entre a gente me deixou com o coração magoado. Eu pensei que depois que parássemos de nos ver tudo ia voltar a ser como antes e que eu enfim poderia esquecê-lo, mas percebi que estava completamente enganada, a saudade só aumenta me corroendo por dentro em algo sem fim. Eu jamais poderia ou conseguiria esquecê-lo, eu o amava demais para isso.
E quanto ao meu pai, bom, eu nunca o havia visto tão triste desde que minha tia se foi. Ele era rude com as outras pessoas e havia mergulhado completamente no trabalho para tentar esquecê-la a todo custo principalmente depois que eu descobri toda a verdade sobre o roubo do dinheiro, entretanto no fundo eu sabia que ele ainda a amava.
— Tini? — Ouvi uma voz grave me tirar de meus pensamentos absortos.
Olhei para o lado e sorri ao ver Sebastian Yatra ao meu lado, me observando.
— Me desculpe, você estava me procurando? — Perguntei ainda um pouco aérea.
Sebastian riu.
Sebastian e eu acabamos nos tornando muito próximos depois de termos que gravar juntos, eu particularmente o adorava e ele era sem dúvidas o meu melhor amigo que estava sempre pronto para me ouvir e vice-versa, contudo além dessa amizade maravilhosa nós dois resolvemos estendê-la de forma que beneficiasse os dois a colorindo, se é que me entendem.
— Sim. Você ficou muito pensativa depois do ensaio, aconteceu algo?
— Na verdade, eu acabei me deixando levar pelos pensamentos. Tô com saudades do meu pai, faz quase um mês que não nos falamos. — Murmurei baixando meu olhar.
— Não fique triste, eu sei que é difícil ficar longe da família mas você é uma artista agora. Tem que saber lidar com isso! — Sebastian se levantou e eu me levantei junto.
Suas palavras haviam sido duras, mas eu sabia que ele tinha razão.
— Você está certo! — Tentei parecer mais animada. Ele riu abraçando minha cintura. – Obrigada por está sempre aqui…
Nossos rostos já se encontravam bem próximos, e por sorte a sala de dança havia ficado vazia há algum tempo.
— Você sabe que não precisa me agradecer, eu te adoro besfren. — Sorri com aquele apelido carinhoso, envolvendo meus braços no pelo seu pescoço.
Aproximei meu rosto do seu, selando a distância que nos separava com um beijo. Um beijo deliciosamente proibido e cheio de desejo por parte de ambos, aquilo era tão bom… Mas infelizmente tivemos que nos separar pelo ar ter ficado escasso.
— O que você acha de irmos para meu apartamento? Eu faço um almoço, você descansa e quem sabe teremos uma sobremesa. — Sebastian disse com um ar malicioso. Eu não era boba e já tinha entendido o que ele queria me dizer, sorri passando minhas unhas pela sua nuca.
— Ótima ideia, só vou me trocar e nós vamos.
…
Sebastian beijou meu pescoço carinhosamente e caiu ofegantemente exausto ao meu lado, sorri o observando terna enquanto pensava em como o adorava tanto, mas ainda sim não era amor. Puxei um edredom marrom para cobrir meu corpo numa tentativa falha de acalmar minha respiração, percebi seu olhar acompanhando cada movimento meu, me deixando um tanto ruborizada.
— Você é linda sabia? — Sebastian acariciou minha bochecha sem deixar de me olhar.
Sorri.
— Obrigada. — Nós trocamos um rápido selinho.
— O que você tem? Parece pensativa… — Eu já trabalhava com Bash – apelidado carinhosamente por mim – há uns anos, era de se esperar que ele conhecesse até meus pensamentos.
— Não é nada. — Menti tentando sorrir fraco.
O que eu tinha era muito simples. Tinha saudade de Buenos Aires e estava preocupada com meu pai, queria ver como ele está e fazê-lo companhia nem que seja por uma semana.
— Você sabe que nunca vai conseguir mentir para mim, né? — Ironizou sorrindo. Sebastian tomou meu rosto entre suas mãos roçando a pontinha dos nossos narizes.
Suspirei um pouco triste.
— Eu vou tirar umas férias, tô muito cansada. — Revelei o observando.
Em partes eu não estiva mentindo, ser uma artista jovem com vários clipes para gravar e vários shows para fazer, jogo de marketing, mídia entre outras coisas necessárias era uma extrema responsabilidade, mas eram férias merecidas vendo que eu não parei de gravar e compor desde que cheguei em Madrid. Sentia falta de Buenos Aires, de dar aulas no Studio, do clima aconchegante, da casa do meu pai, não sei… apenas sentia um vazio, como se apesar de tudo ainda estivesse faltando algo.
Pude ouvir um suspiro da parte do meu amigo/amante.
— Vai para Buenos Aires né? — Perguntou sério. Sorri com um pouco de culpa, concordando com a cabeça.
— Sim, estou com muita saudade de lá. Preciso ir lá para me sentir feliz, nem que seja só por uma semana! — Respondi animadamente, ele riu da minha euforia. – Aliás os clipes estão quase todos gravados, então de certa forma estou livre Sr. Yatra…
— Tudo bem, se você ficar feliz eu te apoio Tinitinha. — Nós dois rimos alto.
Aproximamos nossos rostos e nos beijamos com uma calma necessária. Sebastian me fazia muito bem, era sempre bom está com quem te apoia e te deixa feliz. E ele era certamente uma pessoa que eu não queria perder nunca.
Eu estava um pouco ansiosa para voltar, algo me dizia que eu ia ter muitas surpresas quando chegasse. Essa era uma sensação que eu não conseguia tirar.
Quero ir mais fundo.
Leva-me mais perto.
Onde eu te encontro.
No meu lugar secreto.
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