The Beauty And The Beast
5 Rejection.
- Ah, você está aí! Pensei que tinha me abandonado e inventado aquilo para se ver longe de mim. — Tess exclamou, fazendo um biquinho ao acabar de falar.
- Me desculpe pela demora, aconteceu um imprevisto. Bom... Vamos!? — Perguntei, esboçando um pequeno sorriso no canto de meus lábios.
- Sim! Minha nossa, o que houve com o seu braço!? — Perguntou ela, com uma expressão apavorada tomando conta de sua face.
- Isso!? Ahn... Na verdade, eu caí! Na sala dos armários, estava lotado lá, eram tantos alunos e acho que quando me levantei, devo ter esbarrado nas unhas de alguma garota que estava arrumando os cabelos em frente ao espelho. — Dei de ombros, tentando parecer o mais convincente possível embora soubesse que a mentira era péssima, mas era o melhor que pude obter no momento.
- Poxa, vida! É por isso que eu odeio unhas grandes, sabe!? Elas sempre acabam roçando inapropriadamente em nós ou nos machucando, tsc tsc. Você teve muita sorte de não ter sido nada feio... — Ela tagarelava, enquanto andávamos, e ia falando sobre unhas e depois sobre quantas vezes havia se machucado e ido parar na enfermaria e como as mulheres que trabalhavam lá eram antipáticas.
- Sabe que essa é a maior escola que eu já estudei!? Me sinto tão bem aqui, parece um daqueles castelos que a gente vê naqueles filmes... Como é o nome mesmo!? Daquele vampiro super famoso que falam nas histórias e nos filmes? — Perguntou ela, piscando os grandes e curiosos olhos verdes.
- Drácula? — Perguntei, arqueando uma sobrancelha.
- Isso! Esse mesmo! Parece muito com um que vi em um filme dele uma vez! Óh, isso é tão divertido, me sinto como uma dark princess. — Ela disse, dando alguns pulinhos de felicidade e parou após alguns minutos, olhando em volta e vendo que estávamos fora do colégio, e bem longe da quadra. — Ei, aonde estamos indo!? — Perguntou ela.
- Bom... Você disse que queria ir aonde eu fosse, certo!? — Respondi, tentando não encará-la devido ao nervosismo.
- Estamos matando aula! Que feio! Você mentiu para mim. — Acusou ela, cruzando os braços e batendo o pé de forma infantil.
- Nossa mas que demora!! Já estava achando que você tinha dado para trás! Ei, quem é essa? — Danna perguntou, enquanto jogava os cabelos para trás, em uma careta.
- "Essa" se chama Tess, na verdade, é Theresa para você! E sou amiga da Christie. — Tess respondeu, fuzilando Danna com o olhar.
- Pff! Você!? Amiga da Christie!? Ok. E vocês se conhecem há quanto tempo mesmo? — Perguntou Danna, encarando-a com desdém.
- Bom... Eu a conheci ainda há pouco, mas fique sabendo que seremos grandes amigas! — Respondeu Tess, fitando o chão e cruzando os braços para trás das costas, timidamente.
Danna riu, revirando os olhos e voltou a jogar os cabelos, enquanto Tess bufava, derrotada.
- Claro, como eu não advinhei isso!? — Disse Danna, irônicamente. — Pelo visto não vamos poder conversar como queríamos graças a essa criatura adorável que você trouxe consigo, Christine.
- Metade, a Tess só conhece a mim por aqui. Ela é tímida e enfim... Ela pediu para ajudá-la a se enturmar. — Dei de ombros.
- E você virou centro de caridade por acaso!? Porque ela não cria vergonha na cara e faz amigos por si mesma!?
- Olha, vamos dar uma chance a ela, vocês duas começaram com o pé esquerdo! Não tem porque disso, certo!? — Olhei para Theresa e depois para Danna, depois para Theresa novamente. — Tess, essa é minha melhor amiga, o nome dela é Danna. — Disse, dando um pequeno passo para trás. Theresa soltou um suspiro pesado, então estendeu a mão minúscula em direção à Danna, que olhou de soslaio.
- Me desculpe por isso. — Murmurou, Tess. — Acho que talvez possamos ser amigas, não!? A Christie parece gostar de você, então não vejo problemas quanto a isso. Ah... E pode me chamar de Tess, sim. Ignore o que eu havia dito, eu...
- Que parte do "Danna é minha melhor amiga" você não entendeu!? Quer que eu desenhe ou o que!? E eu chamo você como quiser, você não controla minha língua, afinal... — Retrucou Danna, que ignorava a "mão estendida de Tess".
- Danna! — Disse, boquiaberta!
Ela revirou os olhos, soltando um suspiro pesado, então, apertou rapidamente a mão de Tess, voltando a cruzar os braços.
- Seja bem-vinda ao Glorian. — Respondeu rispidamente.
- Obrigada, eu acho... — Theresa disse, um pouco chocada pelas reações descontroladas de Danna.
- Estarei de olho em você. — Terminou, Danna. — Lembre-se disso.
- Ok. — Murmurou Tess.
Começamos a caminhar por entre a floresta, conversando, cantando e rindo uma da outra. Quer dizer... Eu e Danna, pois Tess pouco participou das conversas e a maior parte do tempo, ficava olhando para trás e para os lados, como se estivesse procurando por algo. Provavelmente, estava com medo de sermos descobertas, assim como eu também estava no início. Pobre, Tess, ela me parecia tão perdida às vezes e pouco falava sobre si mesma. Em certos momentos, ela me parecia triste, apesar de ter demonstrado ser uma garota bastante enérgica. O que será que havia acontecido à aquela menina?
Danna, obviamente, não me contou o que tinha planejado me dizer sobre Erick, afinal, ela ainda não se sentia à vontade na presença de Theresa, mas eu sabia que uma hora ou outra, ela iria me contar. Talvez me ligasse à noite para falar sobre isso...
- Bom, acho melhor irmos andando, sim!? Já está ficando tarde e, Riley deve estar me esperando — Disse, dando uma olhada rápida em meu celular.
- Tudo bem, então... Você quer uma carona até a sua casa!? — Danna perguntou à Tess, um pouco sem jeito.
- Ah! Não! Sério! Não precisa, a minha casa não fica longe, estamos perto até! Mas obrigada. Haha. — Theresa respondeu rapidamente, dando de ombros.
- Bom... Se você diz. — Danna disse e me lançou um olhar mais parecido com o que dizia "essa garota é estranha."
- Vou indo, adorei conhecer vocês! Até amanhã, garotas. — Disse Tess, saltitando para o lado contrário da floresta.
- Ai finalmente estamos sozinhas! Escuta, a Riley deve te convidar, mas eu vou te chamar antes para prevenir que você recuse, enfim... A "MIYC" vai tocar hoje à noite no Rock Bar, você quer ir comigo!? Não aceito não como resposta, você está me devendo isso por hoje! — Disse Danna, olhando-me com cara de cachorrinho abandonado e não pude negar. Eu realmente estava devendo ela por hoje e além disso, era sempre bom passar algum tempo com minha amiga.
- Claro, vamos sim! — Respondi, sorrindo levemente.
- Ótimo, vou passar na sua casa por volta de 19:30, vamos no meu carro, porque ninguém merece essa sua lata velha, né!? — Ela começou a gargalhar pela piadinha de mal gosto que havia feito.
- Rá-rá. Meu carro é show, ok!? — Respondi, fingindo indignação.
- Ô! Super. Ei, lerdinha, que tal apostarmos uma corrida até o colégio!? — Danna sorriu, maliciosamente.
- Tá de brincadeira, não vai me fazer correr depois de tudo que andamos, vai!? — Perguntei, boquiaberta.
Então, ela saiu em disparada. É, eu devo ter feito tiro ao alvo com a cruz, só pode.
Não demorei muito a me arrumar, graças à ajuda de Riley, afinal, ela era expert nisso! Bom, na verdade, ela praticamente me obrigou a me trocar e mudar de roupa, alegando que eu não estava vestida apropriadamente e blablabla. E uma discusão com Riley nunca era uma discusão, afinal, ela sempre ganhava. A única adversária à altura de minha irmã seria Danna, claro. Isso era algo que eu ainda queria viver para presenciar.
- Agora sim você está decente! — Riley exclamou, dando alguns pulinhos de felicidade, enquanto arrastava minha cadeira para frente do grande armário espelhado de seu quarto. — Olhe só!
Fitei o espelho, completamente boquiaberta ao ver a pessoa irreconhecível em que havia me transformado. O rosto parecia completamente impecável, como daquelas bonecas lindas e caras de porcelana chinesas. As bochechas haviam recebido uma cor corada e muito delicada assim como os lábios, que entravam em contraste com os olhos bem marcados. Meus cabelos foram gentilmente arrumados em uma larga trança embutida para o lado, que mantinha minha franja livre da mesma, caindo em fios delicados ao redor do rosto e da testa.
- Rill, ficou perfeito! Nossa... Obrigada, sério! — Exclamei indo até a mesma para abraçá-la mas ela me impediu.
- Shh, você vai estragar minha obra prima. Nada de amassar essa roupa ainda. — Respondeu ela, dando uma risadinha.
- Boba! Você também está linda, todas as garotas da festa vão ficar com inveja, como sempre!! — Disse a ela que revirou os olhos em uma cara de "diga-me alguma coisa que eu não saiba!"
Riley tinha a maior parte do cabelo solto, caindo em cascata com leves cachos por seus ombros e até o início das costas, com apenas uma parte presa do meio da cabeça até o topo. A maquiagem era mais delicada, em todas as partes, diferente da minha, que marcava bem os olhos.
Ouvimos o barulho de um carro buzinando do lado de fora e nem me dei ao trabalho de ir a janela para checar quem era. Desci as escadas em disparada e me despedi rapidamente de Riley, que esperava por Jared.
Danna estava parada em frente ao conversível vermelho que combinava perfeitamente com a cor de seus cabelos e seu batom. Diferente de nós duas, ela usava os cabelos soltos — recém cortados — mas também volumosos, de uma forma sensual. A maquiagem também era exatamente propícia para a ocasião e deliniava bastante seus traços finos, destacando seus olhos azuis.
- Minha nossa! Desse jeito não vai sobrar espaço para mim com vocês duas por perto! — Reclamei, teatricalmente.
- Pare de ser reclamona, você está uma gata, sério. Óh céus, será que é agora que ela desencalha!? — Zombou Danna, se acabando de rir da própria piada e não tive como não rir junto com ela.
- Deixe de papo, vamos logo. — Disse, abrindo a porta do conversível.
O lugar certamente estava mais cheio do que nas poucas vezes em que havíamos estado lá. Danna e eu segurávamos uma na mão da outra, enquanto ela ia me guiando em meio ao cáos da multidão e da música alta. Essa era a última banda a tocar antes da MIYC e estavam todos muito ansiosos para que a mesma subisse no palco. Eles eram idolatrados pela cidade e eu realmente acreditava que se eles investissem nisso, poderiam até ter um futuro na música. Danna e eu ficamos no meio da platéia, apenas um pouco longe do palco.
- Falta muito para eles subirem!? — Eu gritei, devido a música alta.
- Não! a música já está no fim! — Ela berrou de volta.
Então a música parou e os integrantes da banda fizeram os agradecimentos finais antes de se retirarem. Minutos depois, ouve um alvoroço do público ao ver Matt, Jared, Henry e a única integrante feminina da MIYC, Lauren, subirem ao palco. Jared deu um passo à frente, pegando o microfone, enquanto o resto da banda se arrumava com os instrumentos no palco.
- E aí, manés! Como vocês estão!? Bom, não interessa... Vim aqui dar um recado a vocês, temos uma surpresa essa noite. A partir de hoje a MIYC ganhou um novo integrante, galera! E quem é esse cara!? Vocês vão conhecê-lo agora! Dêem às boas vindas a Brandon Carruthers! — Disse ele, enquanto todos aplaudiam e gritavam. Pude ouvir algumas garotas que estavam por perto, assobiando e rindo, enquanto comentavam o quanto ele era lindo! Revirei os olhos, se elas soubessem o quanto esse cara era patético e metido.
- Tá me zuando. — Murmurei.
- O quê!??? — Berrou Danna.
- Nada! Eu disse, "que demais não é!?" Haha.
Brandon estava todo de preto, mas diferente do resto da banda, ele usava blusa branca de gola "V" por dentro da jaqueta. Jared passou o microfone para ele, quanto Brandon arrumava sua guitarra. Diferente do que eu pensava, ele não fez nenhum cumprimento à platéia. Apenas sorriu e piscou para uma garota da platéia que não parava de gritar por ele. Ao ver aquilo, imaginei que seria aquela loira que vivia colada nele, mas logo me dei conta de que estava errada. "Cachorro", pensei comigo mesma.
Então, começou a cantar, a letra melancólica de My Secret Friend — IAMX começou a ecoar através da voz impecável. Eu tinha que admitir que apesar de tudo, ele era bom nisso e o público havia aceitado-no facilmente. Ele era sem dúvidas, bem melhor que Richard, o antigo vocalista desaparecido. A multidão ia à loucura, cantando e dançando junto com a melodia e a banda se deliciava com isso.
Por um breve instante, pensei tê-lo visto olhando em minha direção, mas aquilo seria impossível, tendo em vista o lugar lotado e a posição em que estávamos, afinal, ele nem mesmo sabia que eu estava presente.
Mais ou menos nos versos finais da canção, Danna me puxou pelo braço para berrar algo em meu ouvido.
- Acho que vou pegar uma bebida, você quer alguma coisa!? — Gritou ela.
- O quê!? Não! Não me deixe aqui sozinha! E se nos perdermos!? — Perguntei apavorada.
- Shh, pare de drama. Eu já volto. — Gritou ela, já se afastando.
Contei os minutos, até que se passou um bom tempo. A música acabou e banda se retirou do palco e nada... Danna havia sumido. Comecei a entrar em pânico. Olhei para os lados e não via ninguém, apenas pessoas e mais pessoas. Parecia até que estava ainda mais lotado do que antes. Uma linha tênue de desespero começou a percorrer meu corpo e me lembrei o quanto me sentia desconfortável em multidões. Respirei fundo, tentando me acalmar. As pessoas dançavam com a próxima banda que havia entrado e esbarravam em mim, quase derrubando-me no chão. Minha visão começou a ficar embaçada e minha cabeça parecia estar girando como uma roleta. Fechei minhas mãos em punho para tentar me acalmar mas fora em vão. Eu definitivamente precisava sair dali, antes que as coisas piorassem e eu acabasse totalmente surtada. Comecei a me movimentar, espreitando-me entre a multidão, então colidi com algo que quase me fez ir ao chão. Respirei fundo, aquilo já estava ficando ridículo.
- Olha só quem está aqui! — Ouvi a voz debochada de Brandon, que agarrava meu braço, impedindo-me de cair. — Olá, Rydell.
- Olá. — Respondi rispidamente, puxando meu braço de volta.
- Está procurando por alguém? — Perguntou ele, provavelmente, ao ver o estado deplorável em que me encontrava.
- Sim, minha amiga, Danna. Ela é ruiva e bonita e está... — Expliquei, mas logo fui interrompida.
- Está com aquele cara alí? — Apontou ele para logo alguém menos que, Matt! Os dois riam e sussuravam coisas nos ouvidos um do outro. Argh. Não acredito nisso, Danna traidora. — É, acho que você está sobrando por aqui, Rydell. — Brandon continuou, rindo após seu comentário.
- Que ótimo. — Reclamei, enquanto continuava andando para fora da multidão.
- Aonde você vai!? — Gritou ele, com uma expressão confusa.
- Sair daqui! Agora. — Respondi.
- Vem comigo. — Ele disse, estendendo a mão em minha direção. Os olhos azuis encaravam-me, pela primeira vez, em uma expressão séria e me pareceu quase impossível dizer não.
- Ok. — Murmurei, levando minha mão até a dele, que começou a me guiar por entre a multidão, até uma escada quase imperceptível que ficava perto do placo. Subimos alguns lances e demos de "cara" com um portão de ferro, enorme. Ele soltou minha mão e começou a procurar algo de dentro do bolso, então encontrou uma chave.
O lugar se parecia com um terraço que teria sido abandonado há algum tempo, mas que ainda assim, preservava bem o seu estado. Haviam apenas alguns banquinhos de pedra e poças de àgua espalhadas pelo chão, devido a chuva dos dias anteriores. Me sentei em um dos bancos de pedra e achei que ele faria o mesmo, mas ao invés disso, apenas ficou parado, apoiou-se no peitoril da cerca de cimento, que demarcava o terraço e ficou olhando na direção da lua por alguns vários minutos.
- Como está o seu braço? — Perguntou ele, após algum tempo de silêncio.
- Melhor, mas ainda dói um pouco. — Respondi, tocando o ferimento por cima do cardigan preto.
- Deveria olhar mais por onde anda, não acha!? — Ele comentou, ainda sem me encarar.
- Como se você se importasse. — Retruquei, me arrependendo de tê-lo feito no mesmo instante. Eu não queria dar alguma impressão errada de que talvez, pudesse precisar da opinião dele, afinal, eu nem o conhecia, lembrei a mim mesma.
- Não me importo, só estava tentando parecer educado. — Respondeu ele, sorrindo para o nada. Revirei os olhos com isso, como pode alguém ser tão bipolar!?
Voltamos a ficar calados por mais tempo do que antes, até que eu comecei a me sentir incomodada com aquilo e foi a minha vez de amenizar as coisas.
- Gostei da escolha da música de hoje... Estava bom. — Murmurei, fitando minhas mãos.
- É!? — Ele sorriu, discretamente.
- Sim. — Concordei.
- Eu pretendia cantar Every Breath You Take — The Police, mas Jared insistiu que fosse essa música. Ele disse que iria causar uma boa primeira impressão logo de cara. — Brandon deu de ombros. — Ele estava certo, afinal.
- Every Breath You Take também é linda, é uma das minhas favoritas. — Eu respondi, surpresa por estarmos tendo uma conversa descente pela primeira vez, desde que nos vimos.
Então ele se virou, andando em minha direção e me perguntei o que ele faria agora, algo que era impossível de se estipular, já que ele sempre tão imprevisível. Então parou ao meu lado, sentando-se junto a mim e retirou algo do bolso, um Ipod. Começou a mexer no aparelho por alguns minutos e então parou, estendendo-o em minha direção. Era a lista de suas músicas favoritas e estava lá, em uma das primeiras, Every Breath You Take, seguidas por Civillian — Wye Oak, We Are Young — Fun, Broken — Marcus Foster, Naive — The Kooks, Wonderwall — Oasis, I Don't Want To Miss A Thing — Aerosmith e entre outras.
- Eu gosto de todas essas. — Respondi, sorrindo levemente e ele riu, mas dessa vez foi difente... Não foi um riso debochado, foi... Doce. Sincero, ao meu ver.
- Esse é meu estilo musical. Eu gosto de músicas com letras, do tipo que façam com que você fique refletindo por bastante tempo sobre aquilo. É bem por aí. — Ele deu de ombros. Eu o fitei boquiaberta ao ver meu próprio discurso sendo dito por ele. Riley e eu tinhamos gostos completamente diferentes e nós sempre acabávamos discutindo por conta disso e agora, justamente a pessoa que eu mais havia julgado nos últimos dias, havia me mostrado que não era lá tão diferente de mim. Estranho mundo esse, não?
- É, você até que não é tão ruim quanto eu pensava. — Comentei, descontraídamente.
- E o que você pensava!? — Respondeu ele, voltando a me encarar da mesma forma estranha de antes.
- Ah sabe... Que você era um debochado, um promíscuo, medíocre e só mais um rostinho bonito por aí. — Eu dei de ombros, rindo. — Não conseguia entender o que as garotas viam em você. — Terminei, arqueando uma sobrancelha.
- Então você me considera bonito? — Ele continuo no mesmo tom sério de antes, a diferença é que agora, seu rosto estava à centímetros do meu.
- Bom... — Mordi o lábio inferior devido ao nervosismo. A intensidade de seus olhos era tamanha que quase me deixava cega e passei a fitar o chão. — Talvez... — Murmurei por fim.
- Olhe para mim... — Ele segurou meu queixo delicadamente, impedindo-me de não encará-lo. — Talvez não é resposta. — Sussurou.
Quase não consegui escutar o que dizia no final, pois o som acelerado de meus batimentos cardíacos me deixava quase surda. Tinha certeza de que meu rosto estava fervendo e a aproximidade entre nossos rostos era tanta que conseguia sentir sua respiração e seu hálito doce soprando contra meu rosto. Foi como se todo meu corpo tivesse entrado em algum tipo de estado de inconsciência, porém, antes de se desligarem totalmente, meu cérebro resolveu ignorar às razões e até mesmo minha própria vontade, se é que eu tinha alguma. Então, a resposta escapou por meus lábios.
- Sim. — Murmurei.
Meus olhos estavam quase se fechando por vontade própria ao vê-lo se aproximar ainda mais, porém, para meu desespero e talvez... Salvação. Ele parou. E riu. Começou a gargalhar sem parar, jogando a cabeça para trás. Eu o fitei, estupefata, sem acreditar que aquilo estava acontecendo comigo.
- Obrigada pela informação, sabe!? Acho que vou começar a fazer uma pesquisa sobre isso, quem sabe não posso ficar famoso pela minha beleza, não!? — Comentou ele, por entre suas risadas e então se levantou.
- O quê!? Você... Não! Não acredito nisso! Como!? Como me deixei levar por um idiota como você!? Eu te odeio! Nunca mais toque em mim e muito menos me dirija a palavra! Eu tenho nojo de você! NOJO, entendeu!? — Berrei, praticamente avançando em cima delem dando-lhe um empurrão para trás, mas ele nem se moveu. Apenas continuou rindo e fazendo seu papel de idiota.
Lutei contra às lágrimas que se esforçavam para sair e não fui capaz de controlar.
- Ah, está chorando!? Que pena. Quer um abraço!? — Ele comentou, debochado.
- Morra!!- Gritei, e corri em disparada, escada à baixo, desejando nunca mais ver Brandon Carruthers à minha frente.
Nunca mais.
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