The Assassin Shadow
1 A Sucking Christmas
Notas iniciais
Sou Mikael, tenho 16. Moro com meus pais e meu irmão. E, a algum tempo, presenciei algo horrível. Algo que pode acabar com a minha família, e comigo.
Era noite da véspera de Natal.
Todas as casas brilhavam com luzes hipnotizantes. A maioria das pessoas na rua usava vermelho. Vários carregavam grandes sacos recheados de embrulhos muito bem feitos, porém, enganadores.
Cheguei na casa de minha tia as 8 horas da noite, era lá onde passávamos o natal, todo ano. Ficava pertinho da minha casa.
Desta vez, toda a minha família estava lá: primos, tios, avós, sobrinhos, irmãos e até a médica da família, a Doutora Márcia. Ela era muito íntima.
Ao chegar, cumprimentei todos timidamente e me sentei no sofá. Fiquei lá durante horas jogando The Sims no video-game portátil que eu ganhara no aniversário.
Enquanto jogava, prestava atenção no resto da casa: Minha mãe e Dr. Márcia estavam dançando loucamente no meio da sala de estar. De vinte e vinte minutos me chamavam para dançar e eu negava no mesmo instante. Meu pai estava sentado ao meu lado bebendo cidra e conversando com meu tio Alex. Meus primos caçulas estavam brincando de pique pega, entrando pela porta dos fundos e saindo pela porta da frente, sem parar. Meus outros primos, todos da minha idade, estavam na varanda sentados, conversando e dando gargalhadas frenéticas. Meu avós e meus outros tios estavam na cozinha falando de não sei o quê. Meu irmão estava na varanda a olhar atentamente para a piscina e para o jardim dos fundos. Além de mim, era o único normal naquela bagunça toda.
Me levantei, deixando meu video-game portátil no sofá. Me desviei para a varanda e passei pelos meu primos sem dizer uma palavra. Chegando perto do Léo, observei que ele não tirava o olho do jardim.
-Caçando vaga-lumes? — perguntei.
-Alguns, quem sabe. — respondeu Léo, num tom de ironia — Quer suco?
-Não, obrigado.
Depois de 5 minutos com os olhos fixados no jardim, ele se desviou a mim e disse:
-Sabe, Mika? As vezes a vida não é muito justa.
-Do que você tá falando ? — perguntei, meio confuso.
-As vezes alguma coisa pode acontecer sem a gente perceber e pronto, acabou nossa vida.
-Mas você está vivo, não é ? — perguntei, ironicamente.
-Não por muito tempo.
-Como assim, não por muito tempo?
-Nada, deixa pra lá.
-Nada, deixa pra lá — repeti Não vou deixar pra lá. Você está estranho ultimamente. Não sai mais de casa como se estivesse com medo do lado de fora. Não ri mais, nem conta as suas piadas meio obscenas.
-Não, eu estou bem. — suspirou É só que, algumas vezes eu sinto raiva das pessoas, muita raiva disparou Léo, colocando seu copo vazio em uma mesinha da varanda.
-Raiva?
É, olha... esquece. Tudo bem?
-Tá bem. Mas vê se melhora essa cara.
-Mika — chamou ele antes que eu pudesse dar as costas Se alguma coisa acontecer, não se importa tá bom ? Só... Esquece.
Balancei a cabeça concordando e entrei.
Aquelas palavras nunca mais sairiam da minha memória. O que será que ele quis dizer com a vida não é justa? Não estar vivo por muito tempo? Raiva das pessoas? Se alguma coisa acontecer?
Tudo isso ficava embaralhado. Será que ele está bêbado? Do que será que ele estava falando? Achei melhor não perguntar. Talvez, o que ele dissesse podia piorar tudo.
"Feeeliiz Nataaal", gritou minha mãe. Era meia-noite.
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