The Assassin Mirror

9 What's this in your face?


Notas iniciais
Fod'zz man. Agora Mariana está no hospital, o que sera que aconteceu Man? Deu bão naum.

Naquele momento tudo fez sentido pra mim. Era Talita

Ela atirou na Mariana porquê eu a beijei. Era isso que ela estava tentando esconder de mim o dia inteiro. Ela tentou matar a Mariana. Mas será que TENTOU mesmo?

–Ela foi achada num bairro lá perto do centro. Os moradores a encontraram sem forças e sangrando no chão e a levaram pro hospital, estavam tentando encontrar a família a noite toda.

–Ela não falou nada a noite toda?

–Não. Ela estava inconsciente.

–E agora, ela está bem?

–A gente não sabe. Ela acordou por uns minutos mas depois ficou inconsciente de novo.

–Mãe, tenho que sair.

Peguei minha mochila e caminhei em direção a porta.

–Aonde você vai?

Saí sem respondê-la.


No caminho liguei para Rafael e contei tudo a ele. Tudo mesmo, até sobre Talita.

–Eu não acredito que... A Talita... Quer dizer, ela parece ser tão santinha.

–Eu estou indo pra casa dela agora. Ele deve estar lá. Tenho que ir, tchau.

–Tchau.


Bati a porta e a mãe de Talita atendeu.

–Oi.

–Oi, Mikael – ela disse, meio transtornada.

–A Talita está?

–É... — A mãe de Talita hesitou.

–Eu sei que ela mandou dizer pra não me deixar entrar caso eu chegasse. Mas eu preciso conversar com ela.

–Olha... Tudo bem. Só fala com a Talita que você entrou escondido e eu não vi, senão ele vai brigar comigo.

–E se ela quiser que me tire do quarto.

–Ela não vai querer.

Não entendi o que ela quis dizer, mas assenti.

Fui caminhando até o quarto e, a medida que me aproximava, ouvia o choro lamentoso de Talita se intensificar.

A porta estava semiaberta. Me aproximei, a empurrei e olhei para dentro do quarto. Talita estava com a mesma roupa encolhida no chão. Ainda chorando.

Quando me viu tentou se recompor.

–Mika... O que você tá fazendo aqui? — disse ela, tentando parecer parecer durona – Minha mãe te deixou entrar?

–Entrei escondido.

Talita tentou gritar, mas desistiu assim que abriu a boca.

–Fala logo! O quê que você quer? — se levantou e deitou na cama, se tornando frágil e chorona novamente.

–Eu vou ser simples e direto. Talita, eu preciso saber. Ontem eu te encontrei com uma arma na mão, e hoje eu fiquei sabendo que ela levou um tiro, perto do lugar onde você estava. Me fala Talita, foi você?

Talita hesitou, sua face ficou bem mais avermelhada e suas lágrimas aumentaram.

–Foi você, Talita?

Talita assentiu com a cabeça.

–Agora que você já sabe, vai embora.

Eu comecei a chorar como um bebê.

–Eu não consigo acreditar nisso. Eu larguei ela por você. Eu amei você durante todos esses meses e você sabe disso – falei, mantendo a calma para não começar a berrar — Só por causa de uma decadência que aconteceu sem nenhuma explicação, você dá um tiro nela.

Talita me olhou com uma expressão confusa.

–Pensei que vocês fossem amigas.

–Do que você tá falando? Eu, amiga dela? Largou ela por mim? — ela perguntou, ainda confusa. — Você está louco?

–Você que é louca. Você é louca igual ao seu primo.

–Eu não entendo, não pensei que você ia ficar tão bravo quando descobrisse. Não quer nem saber o motivo?

–Eu já sei o motivo.

Talita ficou ainda mais confusa.

–Deixa, pra lá. Agora eu vou visitá-la no hospital.

–Hospital? Eu a vi na...

–Quando você trouxer minha Talita de volta a gente conversa.

Dei as costas e andei para fora do quarto, me despedi da mãe da Talita, chorando, e saí.


Cheguei ao hospital e Rafael estava lá. Quando me viu acenou, e eu me aproximei.

–O que os médicos disseram?

–Ela está inconsciente desde bem cedo. Ah, e eu tenho uma coisa importante para te contar.

–Fala.

–O médico...

–Mikael? — o interrompeu Dona Carmen.

–Outra hora – eu falei a Rafael.

A mãe de Mariana levantou da cadeira em que estava e foi nos cumprimentar.

–Sua mãe já te contou? — perguntou ela.

–Já sim. Eu soube que ela está inconsciente.

–É. Mas não precisa ficar preocupado. Os médicos disseram que ela vai ficar bem.

–Que bom.

–Você quer entrar para vê-la? Eu e o Rafael já fomos.

–Tá bem. Eu vou.

–Vem cá – disse Dona Carmen.

Eu a segui. Ela pediu autorização aos médicos para eu entrar, eles deixaram.

Dona Carmen me mostrou o quarto. Eu entrei.

Mariana estava deitada de barriga para cima com uma aparelho de respiração. Haviam alguns cortes no rosto. Como assim cortes? Ela levou um tiro, Estranho ninguém ter percebido isso antes.

Fiquei procurando o tiro mas não achei. Ela estava com roupas do hospital, provavelmente o tiro estava coberto.

Eu cheguei perto e fiquei olhando para ela. Minha melhor amiga estava num hospital por causa da minha namorada.

–Minha amiga – falei, passando as costas do dedo indicador em seu rosto. — Eu te adoro tanto. Me desculpa, isso tudo é culpa minha.

Fiquei olhando para ela durante alguns minutos até começar a chorar. Me lembrei como eramos antes de eu conhecer aquela menina que me fez desabar como uma torre de cartas num pé de vento. Eramos felizes, alegres, unidos. E de repente tudo se tornou muito tenso pra ser como era antes.

Me recompus e saí do quarto. Passei por Rafael.

–Cara, amanhã você me fala o que tinha pra falar. Eu vou pra casa.

Ele reparou meu abalo e assentiu.


Passei o dia lembrando da cena de minha amiga na cama do hospital, e também pensando como, de repente, minha namorada se tornou uma psicopata.


No dia seguinte eu consegui um bilhete com a minha mãe para desculpar minha falta.

Quando cheguei, nem precisou. Todos já sabiam o que tinha acontecido com Mariana e foram me dar seus lamentos desnecessários.

Cassei Rafael durante um bom tempo mas ele não foi a aula. Depois eu iria à casa dele para saber o que ele tinha pra falar.

Na sala estavam só eu e Júlia. Durante uma das aulas ela me lembrou do trabalho de literatura que tinha que fazer na casa dela que eu quase havia esquecido. Eu teria de fazê-lo com ela e o Marcelo. Olhei para ele, do outro lado da sala. Ele tinha minha idade, magro, olhos castanhos escuros, cabelo preto meio estilo “Justin Bieber antigo” e era bem quieto.

O trabalho iria atrasar minha visita ao Rafael mas era bem importante.


Na saída avisei à Julia que teria de ir em casa para almoçar. Ele me deu um papel com endereço. Eu li em voz baixa. Quando ela estava indo embora eu a segurei no braço.

–Espera... — falei. — Você mora no Kariakaa?


Notas finais
Essa Julia (Elfo Azul) Ela tá que tá cara.
Bode Verde. Bééééééé.