The Assassin Mirror
10 My Curiosity
Notas iniciais
O que será que vai acontecer agora?
Bode Verde.
Béééééééé.
O prédio não havia mudado nem um pouco. Havia o mesmo segurança na entrada, só a recepcionista era diferente. Como a mãe do Hugo fora presa por porte de drogas eles colocaram uma outra. Ela era bem nova, provavelmente tinha em torno dos 20 e era bem bonita.
Julia me encontrou lá em baixo no saguão com Marcelo. Eu os vi e acenei, ele acenaram de volta. Julia chegou perto.
–Vamos?
–Vamos.
Caminhamos conversando ate o elevador. Entramos e Julia apertou o botão do andar 15.
Saímos no 15º andar e entramos no apartamento.
–3159 – falei em voz alta.
–É, eu nunca entendi o esquema de numeração dessa espelunca – disse Julia.
–Não, 3159 — Julia olhou para mim assustada – Era o apartamento do meu irmão. Aliás nem sei o que ele fez com esse lugar.
–Que irônico não é? Ele deve ter vendido. Vamos, entre.
O lugar não havia mudado muito, só a cor. Antes era vermelho vinho, e estava amarelo ouro. No fundo havia um homem forte e alto, seu cabelo loiro estava mal peteado e a barba um pouco grande, vestia uma camisa regata branca e uma bermuda bege.
–Mikael, esse é meu pai, Tiago.
Tiago olhou para trás e eu acenei.
–Oi garotos. Gostariam de almoçar?
–Já almocei – disse Marcelo.
–Eu também – falei.
–Tudo bem então. Filha, tenho que ir pro hospital agora. Mais tarde eu volto.
–Tudo bem, pai.
Tiago beijou a testa de Julia, cumprimentou a mim e ao Marcelo e saiu.
–O computador fica ali na sala, vamos lá – disse Julia.
A few hours later.
Tive um dos melhores dias da minha vida. Fizemos pipoca, conversamos, mexemos no computador e até jogamos no Xbox, só não fizemos o trabalho.
Fomos copiando alguns textos e imprimindo umas fotos bem lentamente. Eu fiquei com a parte mais difícil, que era retirar textos de alguns autores de um livro velho com 562 páginas. Não foi fácil, mas eu nem reclamei.
Quando fui mexer na internet achei o ícone do Hawk Man, perguntei a Julia o que era e ela respondeu numa boa, só disse que era um jogo que gostava. Pensei em pedir pra ela me passar mas acabei esquecendo. Achei até melhor, ela podia acabar suspeitando.
Quando terminamos eu fui para casa, o trabalho ficou com a Julia e o Marcelo ficou lá por mais um tempo. Quando estava saindo encontrei o pai da Julia voltando. Me despedi dele e fui embora.
Fiquei pensando: “Sério, como eu pude achar que eles eram psicopatas loucos por sangue? São as pessoas mais inofensivas que eu já conheci”.
Olhei para o relógio eram 18:14, ainda dava tempo de ir a casa do Rafa.
As 19:03 eu estava na casa dele. Ele me esperava em pé com as mãos apoiadas na cadeira e uma cara realmente séria.
–Senta – disse ele, sem eu nem mesmo ter dito 'oi'.
Obedeci e sentei na cadeira, ele virou a cadeira com as mãos para a direção do seu computador. Não havia nada aberto, nem mesmo minimizado.
–O que foi? — perguntei.
–Abre o navegador.
Cliquei no ícone do Google Chrome e ele abriu com o Google.
Rafael foi me dizendo coisas meio loucas para pesquisar. Entrei em sites de notícias como sempre fazia e ele me mostrou o caso do delegado Marcos.
–Eu sei disso – falei.
–A quanto tempo? — perguntou ele.
–A alguns dias.
–Então acho que você já sabe da tatuagem na nuca.
–Sei sim.
–Então. Clica aqui.
Rafael me mostrou outro site que estava nos favoritos. Cliquei e ele logo abriu.
Em baixo de várias notícias o caso do delegado estava escondido.
–Entre todos os sites em que eu pesquisei, esse foi o que tem mais detalhes, e essa notícia e da Cátia são as principais.
–E daí?
–Desce a página.
No meio de várias fotos que já tínhamos visto em outros sites, havia uma em especial, que ainda não tínhamos visto. A única que revelava a tatuagem na nuca do delegado e da Cátia: as duas estavam tatuadas iguais em letras corsivas e negras. E abaixo da foto, uma legenda dizia que investigações da autopsia indicaram que a tatuagem fora feita antes da morte dos dois e tinha pelo menos 3 anos.
–Não entendi. Eles tinham a tatuagem antes de morrer?
–É. Isso é que me intriga. Só que tem mais, um detalhe bem surpreendente. Continua lendo.
–Espera...
–O que?
–Você aprendeu a falar “intriga”.
Rafael me socou no ombro. Continuei lendo.
Abaixo de tudo, o autor do site continuou falando sobre 3159.
O código foi investigado pelos policiais, o que os levou a um caso antigo, até hoje, não encerrado. A anos atrás, em 1993, houveram três mortes que envolvia este código. Na época, grandes detetives pesquisaram e investigaram a origem do código, o que os levou a uma resposta. As três mortes aconteceram do mesmo jeito: as três vítimas foram asfixiadas e jogadas dentro de uma lixeira, levando a polícia a investigar o local. Foram encontradas impressões digitais que correspondiam a dois irmãos: Maurício e Jonathan Levi. Oficiais invadiram a casa dos irmãos no mesmo dia e eles haviam desaparecido. Desde então, nunca foram encontrados e o caso foi abandonado. Mas os suspeitos deixaram uma sequela. A casa foi investigada durante meses e a polícia descobriu que antes do desaparecimento dos irmãos, ela servia como uma sede, a sede de uma máfia.
Daí parei de ler.
–Então é isso, 3159 não é uma pessoa, nem uma lista. Mas sim uma ceita.
Notas finais
Bode Green
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