The Ari

1 Parte I O Amanhecer de um novo dia (prologo)


O inferno, O eclipse.

O fogo se espalhando em meio à carne de mortos, as labaredas vermelhas e seu reflexo no chão ensanguentado. E aos poucos o majestoso sol –não mais majestoso, ele estava fraco, estava inútil- se escondia naquele grande astro. E não saía dali, como se o tempo estive-se congelado.

A atmosfera apresentava uma característica vermelha, não por que as chamas simularam aquilo. Mas havia sangue, não pouco sangue, mas muito, em uma quantidade absurda, espalhados em cada canto, em cada fresta. Nenhum corpo, no momento, podia ser visto, como se aquele sangue fosse do cenário.

De fato aquele era o Inferno.

Agudos passos, frenéticos, se misturaram aos gritos de horror e dor. Gritos que mais eram demoníacos do que humanos, que soaram a cada lugar que as luzes das chamas não alcançavam. Mas o que — ironicamente- estranhava eram aqueles passos, não fazia sentido. De longe, podia ver-se um anão- ou talvez uma criança- correndo.

Correndo e correndo, passando através do fogo, passando através de ruas e corpos queimados. Coisa que agora era vista, mas corpos não novos, mas de uma aparência antiga, a carne ainda estava lá, como se os vermos nunca as comessem. Os olhos não apodreceram, e o cabelo que os corpos, jogados naquele chão vermelho, conseguiriam transformar qualquer destemido, em um ser relutante, covarde.

O motivo de ser encontrados corpos no chão era um sinal de que o ser minúsculo entrara em um novo local, pois o próprio ar, que antes era denso, mas de alguma forma humano, se transformara em um cheiro confuso, um cheiro que arrepiava cada pelo do garoto. Uma atmosfera maligna, como se a própria composição do ar daquele local, estivesse com a mais pura essência da mal. O cheiro de carne humana era intenso, e aos poucos a visão do minúsculo ser foi ficando fraca, seus olhos o fizera lacrimejar. E continuou a correr, seu corpo já estava ficando vermelho, o suor ia se espalhando pelo corpo, ele estava sendo queimado vivo, além disso, ele estava indo para a fogueira no centro daquele banquete de carne humana.

O ser pequeno, após tanto correr tropeça em uma pedra- ou talvez um elmo carbonizado, que estranhamente tinha corpo- e sua cara caiu sobre o chão quente queimando-a. Seus olhos, semicerrados olham para cima, o céu estava vermelho, e ao olhar por todo o lado, ele não via nada que relembrara sua casa, montanhas estavam pegando fogo, ou era o que ele achava. O chão estava quente, mas além de tudo isso, ele olha para o horizonte, e rasteja.

Sua mão era colocada no chão, a fumaça saía e queimava seus olhos, sua carne cozinhava. Mas mesmo assim, ele continuara. Seu rosto, já preto de partículas carbonizadas mostrou-se muito além do que se podia imaginar.

Era uma criança caminhando em meio ao Inferno.

Após tanto rastejar-se, ele olha para cima. Duas silhuetas estavam queimadas, uma era uma mulher, seu olho direito não existia, cada pedaço de seu corpo estava totalmente queimado, mas do isso, um corte na barriga mostrara que as tripas não existiam, o pé direito estava sem três dedos. Mas a outra estava pior, estava pela metade, arrancada por mordidas, garras, ou coisa parecida, sem seu braço esquerdo, sem seu nariz, que de uma vaga lembrança da criança, se mostrara longo, o cabelo daquele corpo estava caído, não pela idade, mas pelas brasas, que ainda consumiam em pouco o corpo, mas o que se podia notar-se que era um homem, nu, seu membro fora arrancado a dentadas. A criança, pelo asco, por tudo que passara até ali, vomitou uma substancia densa, sem quase algum liquido e verde, caiu pelo chão, e assim aquele liquido estomacal cozinhou.

Um grito saiu em meio a grande imensidão do Inferno, um grito de dor, tanto física quanto mental. E mais um saiu, e mais outro. Era um choro, não de uma criança qualquer, mas de um humano que provara a pior das dores, uma dor que caotizava qualquer mente. Aqueles gritos trouxeram silhuetas não humanas, eles cercaram aquele fraco menino, parecia não ser deste mundo, não serem daqui, aquelas lendas contadas há muito tempo pelos pais da criança eram verdadeiras Eram realmente demônios. Quando eles abram espaços para umas duas figuras humanas, apenas silhuetas. Aquelas figuras chegam perto, que a frieza da respiração, contagiou o ar. Então risos são ouvidos pelas duas criaturas, rindo daquele choro, rindo daquela fraqueza, daquela humilhação.

O mais estranho aconteceu, os corpos crucificados e cozinhados soltaram um grito, um grito além da vida e da morte. Aquele grito foi contagiado pelo ar, como se o próprio ar estivesse gritando, pelo chão que parou de cozinhar os braços e pernas queimados e cozidos do menino, o céu se transformou de vermelho ao negro, além disso. Uma luz branca cegou o menino, e ensurdeceu o grito do próprio universo que estava vibrando. Uma luz tão branca quanto o sol, tão brilhante quanto o sol, tão viva quanto o sol, mas não vinha do astro majestoso.

Notas finais
Este é o prologo da historia, talvez, ainda hoje, poste o capitulo 1 e 2. Mas não creiam nisso.