The Amazing Assistant
2 Um homem assustador!
Era sábado à noite. Toda a cidade de Bellhills estava bem movimentada, com o feriado que comemorava o aniversário da cidade. Todos os estabelecimentos, por lei, eram obrigados a dar um bom desconto para todos – até mesmo as companhias de água, energia, telefone e afins, eram incluídas. Esse evento também comemorava a primavera, pois nessa cidade o inverno era exageradamente frio, mais que em qualquer outra.
“Hei, Reginald! Leve o rum na mesa 7!”, ordenava, um homem gordo e velho usando uma roupa de pirata e um tapa olho.
“Sim Senhor, capitão!”, respondia um rapaz vestido de garçom, totalmente de branco. Com seu cabelo amarrado, que ia até a nuca e com seus olhos concentrados como um de um falcão, ele ia levando o pedido do cliente.
Ali se encontrava um restaurante temático. Cada semana era um tema diferente, o que chamava muitos clientes. Essa semana o tema era piratas. Quando o tema mudava, além das roupas, o cardápio, a decoração, o modo de falar, as músicas e as apresentações também mudavam. O ambiente ficava muito alegre com isso tudo.
Reginald estava trabalhando como funcionário temporário. Ele não tinha emprego fixo, pois não se formara na faculdade. Estava cheio de contas, já que vivia sozinho. Com o salário de seus empregos temporários, ele pagava suas contas e gastava o resto em bebidas.
Porém ele não ficava temporariamente, todas às vezes, porque queria ou porque estava no contrato. Na realidade seus chefes não gostavam de seu comportamento. Por isso sua fama de mau funcionário já havia se espalhado por toda a cidade. Mas ele parecia não se importar tanto com isso. A ideia de mudar seus comportamentos sequer passava por sua cabeça.
Ele estava se dando bem no novo emprego. Dessa vez ele sentia que poderia trabalhar ali para sempre. Mas como de costume, seus sentimentos o enganavam.
Em frente a porta de vidro do restaurante parava um adolescente com uma bandana que escondia do rosto para baixa. Ele usava uma jaqueta e uma calça de couro, pretos e um coturno de cano até o meio da canela, também preto. Além disso, ele segurava uma barra de ferro.
As conversas pararam, as músicas pararam, todos pararam para olhar aquela pessoa lá fora. O silêncio reinava sobre aquele lugar.
Com um único golpe com sua barra de ferro, a porta foi destruída em pedaços. Silenciosamente o garoto entrava. Todos sequer se mexiam por medo. E o que eles mais temiam aconteceu quando o rapaz virou-se para mostrar a estampa da sua jaqueta. Ali estava o desenho de um falcão vermelho!
Tal símbolo era um tabu na cidade. Significava que aquele rapaz fazia parte do grupo mais perigoso e violento da cidade, os Red Falcons. Eles não tinham o objetivo de roubar. Tudo o que queriam era trazer a desordem, através da violência principalmente.
Era um grupo fantasma. Quando apareciam tocavam o terror, e logo depois sumiam sem deixar vestígio. Havia rumores que esse grupo tinha em torno de 300 membros. Entre eles lideres do crime organizado. Qualquer um que ousasse resistir a um ataque deles era torturado e depois pregado sob o Turn Place, que era o principal prédio da cidade.
O rapaz estava totalmente ciente de que todos estavam paralisados diante dele. Por isso nem se preocupava em olhar ao seu redor. Virando-se calmamente, enquanto pensava em que tipo de destruição, ele faria àquele lugar. Mas ele não esperava por aquilo...
Reginald com toda a sua valentia, sem ao menos hesitar, deu um soco direto no rosto do rapaz. E sem hesitar novamente, continuou o golpeando até que ele caiu. Contudo, o ambiente ficou mais tenso ainda. O medo das pessoas pareciam ter crescido mais. Elas tinham certeza que outros membros do grupo iriam aparecer.
O homem se levantou um pouco tonto. Apontando seu dedo indicador para Reginald falou “Você está marcado de morte! Seu merda!”. Em seguida virou de costas e foi embora.
A multidão no restaurante conseguiu respirar fundo por alguns segundos. Mesmo assim estavam todos muito apavorados. O capitão, que era o gerente do restaurante, tomou a decisão mais óbvia:
“Reginald, você está despedido!”
Já esperando por tal reação, Reginald caminhou até a porta. Acenou de costas falando: “Amanhã devolvo a roupa de pirata. Foi muito divertido trabalhar com todos aqui”, então continuou caminhando.
Depois de vários passos da porta veio um grito, “Hei você!”. Reginald automaticamente virou-se e avistou um homem de terno. Ele possuía boa aparência, cabelo curto e passava um ar de realeza. Reginald respondeu com um expressão de dúvida.
“Porque você bateu nele?” perguntou o homem.
“Não é óbvio? Ele era uma criança que precisava ser educada!” respondeu Reginald.
“Não é isso! Aquele era um membro do maior grupo de vândalos da cidade, ou até mesmo do estado...”, retrucou o homem.
Reginald devolveu-lhe um olhar de quem não havia gostado do que ouviu. “Aquilo não era um vândalo! Vândalos não perturbam a ordem social. Eles são apenas moleques mimados pelos pais”, respondeu. Virou-se novamente e voltou a caminhar.
“Hei...”
“Além disso,” parou e continuou falando de costas, “se ele ficasse ali iria causar desordem e ninguém iria conseguir comemorar mais hoje. Agora todos podem ficar tranquilos, eu sou o único alvo.” Terminou e voltou a caminhar.
O homem engoliu fundo e voltou a dizer “Hei, você quer dizer que arriscou seu emprego e agora é um alvo por aquelas pessoas? Só para que todos possam comemorar? Hei...”
Dessa vez Reginald não parou, não olhou para trás e não respondeu. Simplesmente caminhou.
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