Reginald caminhava pelas ruas do centro de BellHills sem preocupações. Andava observando aquele céu estrelado. Muito mais estrelado do que o de costume. O aniversário da cidade trazia lembranças de quando era mais novo, com seu pai.

Seu pai costumava trabalhar muito. Quase nunca estava presente em sua vida. Até mesmo no meio de nevascas do inverno, ele saia para trabalhar. Porém no dia do aniversário da cidade, eles finalmente ficavam juntos.

Primeiramente ele acordava o Reginald bem cedo e o presenteava com algum brinquedo que fazia sucesso na época. Depois iam juntos ao parque, onde passava boa parte do tempo empurrando-o no balanço. Finalmente quando a noite chegava, eles iam ao Turn Place, e observavam os fogos, a cidade e as estrelas dali.

O aniversário da cidade era tão importante para Reginald, que queria que todos o aproveitassem ao máximo. Mesmo que por um pouco. Ainda que lhe custasse o emprego ou até mesmo a vida, ele não se arrependeria.

Ele chegou a um ponto isolado da cidade, onde esperava que os Red Falcons aparecessem para pegá-lo. Não se passou um minuto, toda aquela escuridão foi cercada de motoqueiros daquele grupo. Todos desceram de suas motos, e aos poucos iam saindo da escuridão.

Um dos homens vinha pelo meio. Ele aparentava ser o líder. Aproximava-se calmamente. Entortava o pescoço para o lado, dando um olhar de superioridade.

“Boa noite. Tudo be...”, começou Reginald, que foi interrompido por um soco no estômago, pelo suposto líder. O mesmo sacou a arma em sua cabeça, destravou e colocou seu dedo no gatilho.

“Como um lixo como você ousa bater em um dos nossos?”, disse o homem com um tom bem mala.

“Cuidado com esse brinqued...” tentou falar novamente, mas como da outra vez foi impedido por um soco no estômago.

“Qual é? Quem deixou você falar? Fica quietinho ai! Falou?” ordenou o homem.

“... Se usar esse brinquedo não vai ter volta”, retrucou Reginald.

“Você está me irritando”, respondeu o cara segurando a arma com mais força ainda. “Ah, quer saber? Morra!”

Naquele momento um tiro ecoou no ár. A dois quilômetros dali, ainda era possível ouvi-lo – é claro, se a cidade não estivesse em festa.

O homem que segurava a arma ia lentamente caindo sobre o chão. Todos se perguntavam o que havia acontecido. Teria Reginald poderes sobrenaturais? A resposta veio logo em seguida. Em meio a escuridão saiu um homem alto, muito musculoso e usando uma farda da polícia daquela cidade.

“Que demora!” esbravejou Reginald. “Pensei que eu fosse morrer dessa vez, Knox seu lerdo”, confessou.

“KNOX!?” exclamou uma voz entre eles. “Knox Dilan, você quer dizer? O famoso Vigilante Noturno!”

“Sim, sou eu” respondeu o homem todo orgulhoso de si.

Essas palavras foram o bastante pra fazer com que todos corressem dali. Sem hesitar, sem olhar para trás. Afinal de contas, o único cara daquela cidade que tinha coragem para enfrentar os Red Falcons era ele. O comandante da polícia federal daquela cidade. Destemido, forte, ágil, inteligente e também o melhor amigo de Reginald, desde que eram crianças.

“Não acredito que você arrumou briga com esses caras de novo!” esbravejou Knox.

“Eu não podia deixar aquele cara acabar com a festa do pessoal” respondeu Reginald.

Knox deu um pequeno sorriso de lado: “Você nunca se coloca em primeiro lugar né?”

Ele admirava tanto Reginald exatamente por isso. Desde criança o mesmo sempre entrava em confusões para ajudar os outros. Nunca pensava em si mesmo. Sua fama ficou tão ruim por conta disso, que mesmo depois de terminar os estudos na escola nenhuma faculdade o aceitava. Porém ele não demostrava nenhum arrependimento. O mesmo sempre dizia “Não podemos mudar o passado, então não há motivo para se arrepender. Vamos nos esforçar pra fazer o melhor futuro.”

Era impressionante isso vindo de Reginald que teve um passado tanto que triste. Mesmo assim ele ainda conseguia olhar pra frente, e nunca mudava seu jeito de ser, independente da situação.

“Ele só precisa de alguém que veja além de suas ações”, pensava Knox consigo mesmo sobre o futuro de Reginald. Bom, talvez esse pensamento não estivesse tão longe acontecer.

Depois disso, os dois passaram horas conversando. O Red Falcon desmaiado ainda estava caído no chão. A explicação de Knox é que suas balas tem o efeito sonífero. O tempo de sono depende do organismo de cada pessoa. Poderia durar até 15 horas.

Reginald sem pensar duas vezes resolveu levar o garoto pra casa, pois era perigoso até mesmo para alguém como ele passar a noite ali.

“Tem certeza?” questionou Knox, “Ele vai saber seu endereço e isso pode ser um problema.”

“Está tudo certo. Eu tenho certeza que ele não fará isso.”

Com essas palavras Reginald colocou o garoto nos ombros e foi para casa. Knox pegou sua moto e voltou a patrulhar.