The Amazing Assistant
4 Conquistando respeito
Já era de manhã. Reginald estava sentado no chão jogando videogame – um jogo de luta – e no sofá atrás dele estava o perigosíssimo Red Falcon ainda desmaiado. Reginald ainda não demostrava nenhuma preocupação. Ele estava soltando uma série de xingamentos para com o jogo. Esbravejava muito. Definitivamente não gostava de perder.
Em um instante o rapaz deu um salto do sofá.
“Então você acordou.” Falou Reginald, sem ao menos olhar pra trás. Sem sequer tirar os olhos do jogo. Sua concentração era digna de reconhecimento.
Naquele instante o rapaz percebeu o que havia acontecido. Ele tomou um tiro, por isso seu braço estava roxo. Mas não era um tiro de uma arma de fogo, e sim um tipo de bala de borracha. Ele desmaiou por várias horas. Mas o que ele não sabia era o que estava fazendo na casa do homem o qual ele queria.
“Eu estou te sequestrando,” começou Reginald, “você deve estar pensando, né?” Adivinhou Reginald. Virando a cabeça e dando um olhar de ‘tudo bem’.
O rapaz pensou bem, e viu que um sequestro não faria sentido nas condições que ele estava. Imediatamente ele pensou em outra explicação: “Idiota. Acha mesmo que me salvando nós vamos parar de persegui-lo?” questionou.
Mas para surpresa do mesmo, Reginald deu uma resposta improvável – que parecia até ser um blefe – “Eu não me importo com isso. Podem vir quantas vezes quiserem. Só não queria que você morresse naquele lugar.”
O rapaz engoliu seco. Respirou fundo e, “Você está dizendo que salvou o cara que estava prestes a meter um tiro na sua cabeça. Quer que eu acredite nisso?”
E mais uma vez Reginald foi firme em sua resposta: “Você que é o idiota aqui! Porque é tão difícil acreditar? Você me atirou? Não. Portanto eu não tenho nada contra você”.
O rapaz não sabia o que fazer. Então ele simplesmente se apresentou: “E-eu sou Mike, o líder do grupo de ação 7 dos Red Falcons.”
No final das contas ele é só uma criança, pensava Reginald após ver a reação de Mike. Após um barulho estrondoso sair do estômago do garoto, imediatamente foram pra cozinha comer o café da manhã. Passaram o período inteiro comendo em silêncio.
Reginald ainda não tinha pegado seu salário no restaurante, portanto não tinha uma grande variedade de comida. Porém Mike parecia se identificar em um ambiente humilde.
Depois de comer, Mike decidiu partir. Primeiramente falou que mesmo depois de tudo isso ele não devia nada para Reginald e que voltariam ali para pegá-lo. Ele não falou isso de maneira convincente, claramente estava mentido. Então foi embora.
Durante sua caminhada até o metrô da cidade, enquanto via centenas pessoas ir e vir do centro, Mike pensava nos acontecimentos. Ele realmente não conseguia entender Reginald.
Desde pequeno ele era constantemente enganado pelas pessoas, de maneira cruel. Uma vez ele foi chamado por um amiguinho para ir até sua casa brincar, porém lá juntou uma galera e o espancou. Outra vez ele foi a um clube junto com novos amigos, os mesmo bateram nele e o prendeu em um armário, fazendo com que ele passasse uma noite inteira no clube.
Quando se tornou um adolescente ele já não confiava em mais ninguém, até que finalmente chegou o líder dos Red Falcon e estendeu sua mão para ele. Tornando-se um cara frio, violento, alcoólatra, sem educação, covarde e sentia prazer em trair as pessoas.
Ele pensava que esse era o jeito certo de viver. Que ninguém poderia se dar bem vivendo de outra maneira. Mas isso ficou totalmente confuso ao ver como aquele homem age. Ao ver como Reginald age. Como uma pessoa podia ser tão boa, e mesmo se ferrando o tempo todo? Como poderia ser tão amigo com uma pessoa que apontara uma arma em sua cabeça? E mesmo assim ele parecia feliz. Ele não fazia por obrigação e sim porque gostava de ajudar.
Andando continuamente do lado esquerdo da rua, visualizava dezenas de pessoas que passavam correndo do outro lado. Que evitavam olhar para o que estava. Pois se negavam a ajudar.
Estava um casal de velhinhos. Ambos aparentavam ter uns 90 anos. E velho estava tentando ajudar sua esposa subir a escada da clínica que ali estava que não tinha um único elevador e nem uma rampa. E de todas as pessoas, ninguém parava para ajuda-los.
Sem pensar duas vezes, em um piscar de olhos Mike chegou do outro lado da rua, e colou a velha em seus ombros. Quando se deu conta disso, começou a ficar com vergonha e olhar para o lado da parede. Mesmo assim ele levou a velha até no final da escada, e virou-se para ir embora.
“Espere”, falou o velho. “Por favor, espere!”
Mike virou para trás, ele já esperava que o velho fosse reclamar que não tinha pedido ajuda, que eles se viravam sozinhos. Porém não foi isso que ele ouviu. O som das palavras do velho ia lentamente passando por seu ouvido. Um som que ele jamais ouvira em sua vida: “Obrigado. De verdade, obrigado!”
Mike tentou se segurar, mas não resistiu. Algumas lágrimas de felicidade saíram de seus olhos. Ao mesmo tempo em que sentia envergonhado também se sentia libertado.
Porém ele sabia que o Mike da noite passada jamais faria aquilo. Como poderia ter acontecido aquilo? No fundo ele sabia. Ele tinha certeza que aqueles momentos de convivência com Reginald teria mostrado a ele que não tem só pessoas ruins no mundo. E no momento que percebeu isso, no fundo do seu coração ele começou a respeitar Reginald.
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