That's the way
4 Opala Diplomata
O rosto de Helena estava abatido, parecia que não dormia há dias. Os olhos negros percorriam novamente outro livro – e sim, ela pegou da minha estante – e os cabelos oleosos estavam espalhados por toda a cama. Só parei de prestar atenção na beleza que ela exalava quando um som, muito alto, ecoou pelo quarto. Era o som de uma buzina.
Helena imediatamente arregalou os olhos assustada, largou o livro de qualquer jeito em um dos travesseiros levantando-se rapidamente e calçando os sapatos. A buzina não parava, era bem insistente.
— É contigo? – perguntei, mas já sabia a resposta.
Ela balançou a cabeça positivamente. Logo se levantou, sequer me olhou no rosto. Então fui atrás, enchendo-a de perguntas. Isso não poderia ser bom.
— Quem é? – ela não respondeu. – Está tremendo? O que houve?
Faltava pouco pra ela me mandar à merda.
— Desde quando isso te interessa? – ela perguntou, parando subitamente na escada, me encarando feroz. – Obrigada por responder minha pergunta.
E então era continuou correndo pela escada sem olhar para trás. Nesse dia não tinha ninguém em casa, então não tinha como minha mãe impedi-la de alguma forma.
Da porta consegui ver um Opala Diplomata, preto. Famoso na época. Dentro tinha um cara carrancudo, talvez uns dois ou três anos mais velho que eu. Parecia estar puto com Helena.
— Você acha que é quem? – ele gritou para Helena, que fechou os punhos. – Entra nessa merda de carro, vai. – a voz mostrava ainda mais irritação.
Ela entrou no carro e naquela hora eu entendi porquê ela não me contou dos hematomas. Fiquei paralisado e percebi, também, que eu teria que ajudá-la de algum jeito.
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