That's the way
5 Como se nada tivesse acontecido
Aquela foi a última vez que Helena veio em casa, e eu simplesmente não sabia qual era o motivo. Não conseguiria descobrir o que havia acontecido com ela porque além de não saber onde ela mora, ela não é da mesma escola que eu, nem do mesmo bairro, nem de nada. Eu tinha seu telefone, tentei ligar, mas quem atendia era sua mãe.
— Ela não está — disse Dona Ivonete, em uma das vezes que eu tinha ligado para lá. Mas em quase todas as vezes que eu ligava, eu conseguia ouvir a voz de Helena no fundo, e Dona Ivonete gaguejava quando mentia. — Quando ela voltar eu peço pra ela te ligar, querido.
Dona Ivonete era uma mulher muito legal, eu não poderia descrever sua aparência, pois nunca a vi. Helena tinha o costume de esconder sobre sua vida em tudo, não só onde morava como também onde trabalhava e afins. Não sei se cheguei a citar que Helena é mais velha que eu e já saiu do colégio havia dois anos.
Ela me disse que trabalhava numa loja de roupas do outro lado da cidade, e reclamava tanto do patrão que era como se eu já o conhecesse e também não gostasse dele. Eram poucas as coisas que eu sabia sobre Helena e acho que isso nunca atrapalhou meu envolvimento com ela. Talvez tivesse só aumentado. A cada dia que passo com ela eu a conheço mais e sei que ela não é uma pessoa má, só é uma pessoa que gosta do meu quarto e dos meus livros de romance e de ficção científica.
Depois daquele dia que o cara do Opala Diplomata apareceu na porta de casa, Helena tentou conversar comigo como se nada tivesse acontecido. Fiquei meio mal por ela. E mais uma vez ela pegou um livro da minha estante, deitou na minha cama e começou a ler e comentar sobre o tal livro.
Como se nada tivesse acontecido.
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