That's Dorcas Meadowes
7 How could a kiss change everything?
Notas iniciais
O baile estava lindo, os formandos daquele ano haviam preparado a decoração e delimitações do tema. Dorcas já estava a horas no Salão Principal, mas ainda assim conseguia encontrar detalhes que não havia reparado antes.
Do banco acolchoado em que estava, um pouco longe da bagunça da mesa de bebidas e do centro onde vários alunos dançavam, ela analisava minuciosamente o novo tecido que havia sido usado para as cortinas. Ela não era muito conhecida, então quase não reparavam na cacheada, e quem a visse poderia dizer que ela estava escondida, fugindo do par que não foi uma boa escolha. Mas seu par foi Lily, uma escolha excelente, já que a ruiva insistiu em negar os convites de James e Amus Diggory. "Francamente, eles parecem estar competindo, eu não sou nenhum prêmio.", foi o que ela disse.
Falando em apostas, Marlene perdeu uma em um jogo de sinuca para o Sirius, e foi assim que chocaram a todos quando chegaram juntos, obviamente deslumbrantes. Frank finalmente havia convidado Alice e Mary estava acompanhada de Edgar Bones. Em pouco tempo Ed se tornou um grande amigo de Dorcas e ele parecia muito animado quando contou a ela que havia chamado Mcdonald para ser seu par. James, depois de ter seus cinco pedidos negados pro Lily, acabou acompanhado por Pandora Olivander. E Peter estava muito animado conversando com Caradoc sobre seus times de quadribol.
Lily não a abandonou, é claro. Mas Severus havia se aproximado delas e eles engataram em um assunto muito empolgado sobre um novo filme trouxa que estrearia -mais um das Estrelas em Guerras ou qualquer coisa do tipo. Doe sentia que o rapaz não ficava muito a vontade perto dela, ou de qualquer outra pessoa, além de Lily, assim, achou melhor deixa-los por um momento e ir buscar uma bebida, que ainda estava em suas mãos enquanto ela matutava se as cortinas eram de camurça ou veludo.
Dorcas esperava ver Remus. Estavam juntos quando viram o anúncio no quadro de avisos do Comunal sobre o baile. Em uma conversa animada, ele pediu para que a amiga guardasse uma dança para ele. E ela esperou, mas por algum motivo, ele sequer apareceu na festa. Não tinha coragem de atrapalhar os meninos para perguntar, então apenas aceitou que ele havia desisto.
Ela sente espaço no banco ao seu lado afundar e se vira, vendo o jovem de cabelos pretos, assim como o restante da roupa. Não precisava de muito para reconhecer Black, seus olhos cinzas corriam pelo Salão um pouco impacientes.
— Oi.
Ela diz, rodando o copo entre os dedos e observando Regulus curiosamente. O garoto se sobressalta, realmente levando um susto, não havia notado a menina sentada ali. Havia acabado de discutir com Avery e só gostaria de um pouco de silêncio, longe das risadas dos outros garotos mais velhos.
Em um cumprimento silencioso ele balança a cabeça pra ela, voltando a olhar pra frente. Ele não tinha certeza do nome dela, mas já havia visto várias vezes com Sirius e os outros esquisitos. E com Evans, quase sempre que via Snape indo até a ruiva ela estava junto. Depois de suspirar e relaxar um pouco mais no encosto, ele vira novamente pra garota que ainda o encarava:
— O que está fazendo?
Dorcas sente ficar um pouco travada e franze o cenho, antes de conseguir responder:
— Hum, sendo....educada e te cumprimentando?
A súbita tensão da cacheada fez Regulus rir pelo nariz, negando com a cabeça antes de voltar a falar, se atentando para usar um tom mais sutil.
— Eu quis dizer aqui, sozinha no meio de uma festa.
Doe pode se sentir soltar a respiração que nem tinha percebido que prendeu, sorrindo com os lábios fechados em seguida.
— Severus roubou meu par momentaneamente.-ela diz olhando pro salão, onde se encontrava uma cabeleira vermelha e Regulus a acompanha, encontrando Snape ao seu lado. Depois de uns segundos em silêncio ela completa- E, huh, esperei por alguém que não veio.
— Ele esperou a semana toda para esse momento -ele comenta sobre o colega de casa dando de ombros, voltando a atenção para a cacheada- Sinto muito.
— Tudo bem, faz parte. Mas e você? Por que está sozinho falando comigo, no meio de uma festa?
—Se está reclamando, eu posso ir embora. -ele diz com um tom divertido, mesmo que tivesse entendido o que ela queria dizer.
— Ah não! Só...fiquei curiosa. -Dorcas se apressa em dizer, deixando o copo de um lado do banco e se sentando de lado, virada para Regulus.
Ele a avalia por um momento e como um estalo se lembra do sobrenome dela. Meadowes. A mãe dela havia sido morta no início do ano por comensais, foi o que ouviu.
— Tive um desentendimento com Avery, sabe quem é, não? Ele é do seu ano.
Dorcas faz uma careta e assente com a cabeça.
— Ah sei, ele é horrível -diz automaticamente e depois percebe que apesar da briga, era amigo dele então logo volta o olhar pro menino e encolhe os ombros- Desculpa.
— Não, ele realmente é. E você ainda foi legal, eu usaria "desprezível".
Regulus não sabia o porquê estava falando com ela sobre isso, mas não se importou. Provavelmente não se falariam depois mesmo, não tinha receio de ser sincero. Dorcas da uma risada e assente.
— Por que anda com ele, então? Eu não suportaria conviver com alguém tão ruim.
Na sua mente vem imagens dela com braços dados ao Potter, andando pelo Salão até a mesa da Grifinória para o almoço. Não falaria nada ou aquela conversa estaria encerrada, então preferiu fazer um estalo com a lingua.
— Porque é assim que funciona para nós. Pelo menos se eu não quiser te-los me atormentando.
A menina o encarava com curiosidade mas nesse momento, Regulus vê algo diferente: compreensão. Ele não achava que ela entendia de fato o que ele quis dizer, mas mesmo assim ficou um pouco grato. Ainda analisando seu rosto, ele levou o olhar aos lábios dela, eram cheios e tinham um brilho que provavelmente era alguma maquiagem. Ele percebeu que ela era bonita.
— Bom, eu acho que podemos fazer algo para valer esse baile que nos prometeu tanto. -diz se aproximando dela no banco, tocando sua mão que estava no assento.
Ela crispa os lábios e franze o cenho em confusão, não havia muita certeza de quando estavam flertando com ela, mas dessa vez Doe achava que ele tinha se feito bem claro. O que era muito confuso.
— Isso não tem graça, Regulus -ela diz na defensiva, encarando a mão dele sobre a sua. Sua pele era estranhamente fria.
— Não é para ser engraçado.
Logo após dizer isso, ele levou a mão livre ao rosto de Dorcas e a fez encara-lo, colocando os lábios juntos. Por um instante, Black teve certeza que ela o empurraria, mas depois de alguns segundos ele pode senti-la relaxar e mover os lábios contra os dele.
—________/________
Ela desceu de pijama para o Comunal naquela manhã de sábado, encontrando seus três amigos jogados pelos sofás. Eles faziam isso depois de todo evento porque uma vez Dorcas reclamou que estava sempre por fora dos assuntos, e queria poder participar das conversas.
— Bom dia, flor do dia!! -James diz animado, recebendo um gemido meio sôfrego de Sirius que estava deitado no sofá a frente dele.
— Não grita assim, Prongs.
A menina ri e puxa a cabeça de Balck para o colo ao se sentar, fazendo um carinho singelo em sua testa. Remus estava sentado de frente para si, ao lado de James. Por algum motivo, olhar pra ele fez Dorcas se sentir muito constrangida. Não fazia sentido, é claro, ela podia beijar qualquer pessoa do castelo, eles não tinham nada. Porém, mesmo que repetisse isso seu rosto ficava quente quando ele direcionava um sorriso a ela.
— Bom, vou começar com meus updates: Pandora beija bem mas é grudenta, derrubei "sem querer" um pouco de Gin no Seboso -ele diz fazendo aspas com os dedos, com um sorriso malandro- e dancei com o professor Flitwick.
Dorcas ri e nega com a cabeça, ele era muito bobo. Bem, como todo garoto com seus recém completos dezesseis anos. Ela olha para Remus que negava com a cabeça e dava uma risada contida, antes de responder:
— Os meus são: terminei dois livros ontem. E fui firme na missão de não morrer.
Okay, nem todos os garotos. Remus estava muito mal disposto, aparentemente até um pouco febril, por isso não foi ao baile. Doe ficou sabendo por Sirius, quando teve coragem de perguntar ao fim da festa, ao encontra-lo indo com Marlene assaltar a cozinha.
— Agora sei porque a encontrei te xingando e Snape havia sumido, faz todo sentido, Jay.
— É, e você também, hein? Por que os deixou sozinhos? Achei que pudesse contar com você.... -ele diz com um tom de decepção, que todos já sabiam identificar.
Nesse momento Sirius se senta e espreme os olhos em direção a menina, franzindo o rosto ao começar a falar, como se estivesse fazendo esforço para lembrar.
— AH! Isso me lembra de algo muito sério, dona Meadowes. Vi uma coisa ontem que mal pude acreditar, Marlene quem teve que me garantir que aquilo realmente estava acontecendo. -diz com um tom acusador, mas sorrindo de lado, de forma sacana.
No exato instante, Dorcas sente o coração disparar e o corpo ficar quente, sem graça. Ela rapidamente leva a mão para a boca do moreno, ficando de joelhos no sofá, fazendo "shiu" enquanto o maroto dava risada e tentava se desvencilhar.
— Ah não, na-na-não. Esse momento aqui é para justamente sabermos essas coisas, deixa ele falar, Doe. -James diz entre risadas, mas pelo seu tom dava para sentir a curiosidade.
— Qual é, Doe? Vai nos deixar de fora? Não pode ter sido tão ruim. Lembra que o Padfoot já ficou bêbado e fez striptease aqui no comunal. — Remus diz, erguendo as sobrancelhas em direção a ela.
— De ruim parece que não teve nada, huh? -Sirius diz quando prende as mãos da morena e ri mexendo as sobrancelhas sugestivamente em sua direção- Sempre achei que eu fosse seu Black preferido, me senti um pouco traído.
— NÃO! O BLACK JÚNIOR! DORCAS VOCÊ BEIJOU O BLACK JUNIOR! -Potter diz escandalosamente, com os olhos arregalados, soltando uma risada alta depois.
Remus franze o nariz de leve, bem surpreso pela informação. Desde quando eles sequer se falavam? Ele volta o olhar pra menina que o encarava com o que parecia ser...medo? Ele não sabia muito bem como se sentia a respeito disso mas sorriu de lado e sacudiu as mãos, indicando para que ela falasse mais.
— E como isso foi acontecer?
— Estávamos conversando e então, ele me beijou. Despois foi embora, não foi nada que tenha muito o que dizer . -Dorcas responde enrolando os dedos na ponta da almofada que estava no colo, depois de Sirius te-la soltado e estar virado pra ela.
— E desde quando vocês conversam? O que conversaram? -Remus agradece quando Sirius pergunta o que não fazia sentido pra ele também.
— Desde ontem, foi só ontem. Eu estava sozinha, pensando na decoração, ele chegou um pouco nervoso, tinha brigado com alguém e então, nós nos conversamos sobre a noite. Em algum momento aconteceu.
—Estou chocado com essa informação, preciso de alguns dias para digeri-la -James sentencia exageradamente, se encostando de novo no sofá antes de Sirius começar a contar de sua noite.
—_____/______
Durante a semana, Dorcas teve que explicar sobre a mesma coisa para as meninas. Lily já sabia, mas se divertiu com a amiga, tão tímida, tendo que falar sobre algo tão simples, mas que a deixava enrolada. Além disso, ela se recusava a levantar o olhar em direção a mesa da Sonserina nas refeições, morria de vergonha só de pensar que Regulus pudesse estar olhando de volta. Mas ele não estava, para ele, aquele beijo foi simplesmente um beijo no canto escuro do baile.
Ela não teve a pretensão de pensar que se tornariam amantes, nem mesmo amigos, mas foi tudo tão inesperado que ainda a constrangia. É claro que ela já havia beijado alguns rapazes antes, mas tinham sido em jogos de festas no Comunal, nenhum deles havia acontecido porque eles queriam de verdade. Para Dorcas, se sentir desejada foi uma novidade.
Remus estava se sentindo muito estranho desde que soubera disso, interpretou todo o constrangimento da amiga de uma maneira diferente da real. Ele demorava a dormir pensando que talvez Dorcas tivesse ficado tão afetada, porque na verdade gostava do Black. E não entendia o porquê esse pensamento o deixava tão inquieto.
A amiga nunca havia dito nada sobre garotos, mesmo que tenham passado grande parte do tempo desde o segundo ano juntos, então essa novidade soava muito esquisita para seu jovem cérebro processar. A ideia de que ela, não James ou Sirius, que estavam sempre falando de beijos, encontros e amassos em salas vazias, mas Dorcas, a sua tímida Dorcas, também poderia ser relacionada a essas coisas. E o pensamento mais bizarro de todos, o que ele ignorava com mais força, era que o problema todo é que não seria com ele.
_______/________
Na sexta seguinte o tal beijo já não era mais motivos de risada entre os meninos, nem algo que atrapalhava Dorcas de passar entre sonserinos nos Jardins. Toda a atenção deles estava focada na ida à Hogsmeade na manhã seguinte, Peter anotava todos os doces que eles precisavam comprar na Dedos de Mel enquanto estavam sentados perto do Lago.
— Vocês podem me lembrar de passar na Floreios e Borrões também? Preciso de algumas coisas para minhas poções.
Doe comenta enquanto olhava distraidamente os dedos dos próprios pés cobertos por meias balançaram. Ela estava aproveitando os resquícios de Sol, sentada sobre a capa de Sirius, com as pernas esticadas e os braços sustentado o peso do corpo. Todos soltam um "aham" coletivo, antes de iniciar uma conversa sobre artigos de quadribol que também precisavam comprar. Menos Remus, ele encarava como aquele par de meias com pequenos sapos desenhados pareceriam bobos em qualquer ser humano, mas combinavam com a morena. Ele não entendia o porquê de sequer estar pensando nisso, mas nos últimos dias tudo a respeito de Dorcas tinha se tornado relevante.
— Ei, você vai com a gente amanhã, não é? -ele pergunta baixo, quando a cacheada vira o rosto pra ele. Não era o que ele queria saber, nem perguntar, mas foi o que conseguiu.
— Claro. -ela diz rindo, levando uma das mãos para coçar a ponte do nariz e voltando a se apoiar nos braços em seguida. Remus ficou bobo de como seu nariz era....bonitinho?
— Hum, é claro -ele concordo e desvia a atenção para a água. Dorcas achava que o menino estava tão esquisito nos últimos dias, as vezes parecia querer falar algo mas sempre acabava desistindo.
— Ei, Rems, você está chateado comigo?
Ela prezava muito a amizade dele e apesar de toda paixinite que nutria em segredo, eram sempre muito sinceros um com o outro. Ela sempre se sentia a vontade para conversar com o menino, sobre qualquer assunto. O garoto também a adorava, assim como sua amizade, talvez por isso estivesse tão incomodado.
Antes que pudesse responder James e Sirius falavam alto enquanto estavam de pé, apontando para o que achavam ser a Lula Gigante, Peter estava fazendo uma careta falando como seus tentáculos pareciam nojentos. Depois disso, o loiro olha ao redor, percebendo o movimento dos alunos que estavam por lá entrando para o Castelo, provavelmente já estava na hora do jantar.
— Eu PRECISO perguntar ao Professor de Tratos o que esse bicho come, vamos tentar encontra-lo antes do jantar -James diz como se fosse algo imprescindível para sua existência, já rumando para dentro, com Sirius implicando com Peter ao dizer que apostava que era carnívora, ao seu enlaço.
Quando Remus volta a atenção para Dorcas, a menina terminava de enfiar os cadarços de um dos tenis pra dentro, por preguiça de amarra-los. Ele ri pelo nariz e toma os pedaços se barbantes das mãos dela e dá um laço com dois nós.
— É por isso que tropeçou essa manhã nas escadas -ele comenta, usando um tom divertido, não era uma bronca nem nada.
A morena o observava com o cenho franzido enquanto ele começava a amarrar o outro cadarço. As vezes ele era muito difícil, Remus tinha seus momentos introspectivos, dias em que sumia, dias em que estava irritadiço demais entao ficava recluso, ela sempre respeitou todos eles. Mas sempre com um desejo de que pudesse ler o menino com mais facilidade.
— Eu fiquei com ciúmes do Regulus -a voz dele desperta a cacheada de suas divagações em um susto, que puxa as pernas para posição de chinês, procurando os olhos de Remus em confusão.
— O que? Por que? -ela questiona como se fosse um absurdo, mas ao encara-lo ela via apenas honestidade, e um pouco de algo que não conseguiu decifrar.
— Não estou chateado com você, só foi difícil perceber que nós não seremos mais os únicos caras da sua vida.
Doe solta uma risada baixa e se inclina, beijando a bochecha do maroto. Por um momento ela pensou que ouviria algo diferente, algo que esperava a alguns anos, mas mesmo tento ficado um pouco decepcionada, não pôde evitar sorrir com a bobagem daquela afirmação.
— Vocês sempre serão os meus meninos, isso não precisa te preocupar.
Remus sabia que devia falar o resto, tudo o que estava entalado querendo sair. Mas não conseguiu, gostava muito dela para arriscar perde-la. E ao se lembrar da noite do Baile, véspera da Lua Cheia, fez uma observação mental de que não era só sua amizade que poderia estar em risco, mas Dorcas, de modo geral. Ele não seria egoísta a esse ponto.
Por fim, depois da menina colocar a capa sobre os ombros ele a abraça de lado, caminhando para dentro. E apesar das coisas não ditas que se acumulavam entre eles, estarem juntos era o bastante para os dois.
Fale com o autor