Thanos: a Origem
5 As Duas Crianças
Notas iniciais
Taneleer Tivan estava meditando em meio à sua Coleção. Estava imerso em seus pensamentos quando ouviu o primeiro estrondo. Deve ser um rochedo, pensou, menosprezando o som que tornou a se repetir mais vezes. Bufou e se levantou, percebendo que teria que abrir a porta. Não deve ser nada, mas é melhor prevenir do que remediar, pensou. Foi até a enorme escotilha circular de metal que servia como única entrada e saída da nave e a abriu.
O ser praticamente explodiu em cima do Colecionador. Era roxo e usava uma armadura dourada por cima da roupa azul. Taneleer caiu no chão e se arrastou para longe, até sentir Thanos o puxar pela gola da roupa e o jogar contra a parede. Depois de ouvir tantas histórias sobre Thanos, Taneleer sabia o que vinha a seguir.
A criatura pressionou Taneleer contra a parede e tirou o Orbe do bolso, parecendo contente com aquilo. O Colecionador temeu que aquele fosse o fim... mas tentou distrair Thanos com palavras.
– Então é só isso, Titã Louco? É assim que acaba?
– Titã Louco? É como venho sendo chamado? Saiba que, da primeira vez que me chamaram assim, não me pareceu um elogio.
Era oficial. Taneleer tinha tido uma vida promissora... Que agora chegava ao fim. Thanos começou a abrir o Orbe, revelando a Joia da Realidade adormecida... quando uma ideia ocorreu para o Colecionador.
– Espere! Não faça nada precipitado, Thanos. Tenho exatamente o que você precisa.
O lugar para onde Drax fora levado se chamava Prisão 42. Pertencia à Tropa Nova, e se tratava de uma enorme construção flutuante no meio do espaço. Não tinha companheiro de cela, o que talvez fosse ruim. Ou talvez bom. Pensando no humor atual de Drax, era melhor que ele ficasse sozinho. Antes de deixar a cela, Rhomann Dey se voltou para Drax.
– Seus crimes foram leves, portanto venho soltá-lo na próxima semana.
Drax não respondeu, temendo perder o controle. Em vez disso, se deitou na cama dura, feita de pedra, e permaneceu fitando sua sombra, entediado. Foi quando a voz de Kronos surgiu novamente. Ele não sabia o nome de Kronos, nem se lembrava dele, mas pensou estar falando com um deus ou entidade.
– Drax, o Destruidor! Sua missão permanece incompleta! Thanos ainda está vivo, espalhando o caos e a morte por todo lugar que passa! Poderia te destruir agora mesmo... Mas você ainda é necessário. Escute com atenção! Esta noite haverá uma falha no sistema da prisão, a qual você á de aproveitar para recuperar seus bonsais e escapar daqui. Esta será sua última chance de encerrar sua tarefa.
Tarefa? Do que ele está falando?, pensou Drax, confuso. Não teve chance de protestar, porém. Tinha que se preparar para fugir daquele lugar.
– Então esta é sua coleção?
Thanos estava em meio à sala principal, onde, em tubos de vidro, os "itens" permaneciam expostos.
– Qual seu objetivo com isto, Colecionador?
– Não é óbvio? Thanos, um grande perigo está para surgir no nosso Universo. Meus itens serão os sobreviventes, necessários para recolonizar o Universo.
– Pelo que vejo, os sobreviventes são um grupo que inclui patos humanoides e cães astronautas.
– Sim, um grupo bem variado.
– O que queria me mostrar?
– Ah, sim. Thanos, sei do que você precisa. Alguém para amar que o ame de volta.
– E você acredita que um de seus itens possa o fazer?
– Sim. Por via das dúvidas, te darei dois. Duas, para ser mais específico.
O Colecionador guiou Thanos para um corredor estreito, onde todos os itens eram crianças.
– Pode escolher se quiser, mais pensei em duas que fazem mais o seu tipo.
Intrigado, Thanos olhou para ele.
– O meu... tipo?
– Exato.
– Mostre-me.
Taneleer mostrou duas jovens, talvez com dezesseis anos? Thanos não sabia, mas anos haviam passado enquanto estava com a Morte. No momento, ele contava 30 anos terráqueos. Sendo assim, em anos terráqueos, Thanos passara 13 anos morto.
– Como elas se chamam?
Tentando disfarçar, Taneleer olhou a pequena etiqueta na parede.
– Gamora é a verde. A azul se chama... Nebulosa.
– Me diga, elas lutam?
– Creio que sim. Nebulosa possui algumas... próteses mecânicas, que a fazem muito... resistente. E Gamora... ela veio com uma espada. A origem de ambas é desconhecida por mim, mas creio que sejam ótimas guerreiras.
–Vou leva-las.
– E poupará minha vida?
– Creio que sim. Por hoje, pelo menos. Se voltarmos a nos encontrar, porém, não vou poupá-lo.
Em seguida, Taneleer mostrou para ele como fazer para soltar Nebulosa e Gamora das cápsulas. Quando Thanos foi embora, Taneleer se perdeu olhando para um retrato de sua falecida esposa.
–Oh, querida... O mal com o qual sonhei após a sua morte está vivo.
Naquela noite, em Santuário I, Thanos se preparou para remover as cápsulas. Com cuidado, Thanos colocou Gamora e Nebulosa nas camas um dia ocupadas por Thanos e Eros. Quando acordaram, se assustaram com o rosto de Thanos.
– Não se preocupem, queridas. Meu nome é Thanos. Salvei vocês do Colecionador, e agora lhes ofereço uma chance de viver comigo. Sou seu novo pai.
Também naquela noite, Drax percebeu a porta aberta durante a falha no sistema. Tratou logo de fugir e ir para o arsenal de armas confiscadas. Pegou seus bonsais, mas então ouviu vozes e se escondeu.
– Vamos, Groot. É nossa chance de fugir.
– Eu sou Groot...
– Sim, garotão. É nossa chance.
– Eu sou Groot!
Drax espiou para ver quem falava e se surpreendeu: não eram soldados, mas sim um guaxinim e uma árvore. Voltou a se esconder e bufou, sem querer chamando a atenção. Quando tornou a espiar, eles não estavam ali. Assim que olhou para o lado, viu um canhão de mísseis apontado para seu rosto.
– Como ousa nos espionar?! Olha que eu sei lutar, e o Groot também!
– Eu sou Groot!
– Minhas humildes desculpas, cavalheiros. Me chamo Drax, o Destruidor. Admito que foi errado espioná-los, contudo temi que fossem soldados. Vocês por acaso possuiriam uma nave?
– Sim, eu tenho uma nave. Mas você não vem conosco!
– Senhores, não tenho transporte. Se pudessem fazer a gentileza...
– Gentileza? Um cara forte como você roubaria uma nave da Tropa Nova com muita facilidade, cara!
– Ainda assim...
– Já disse que não!
Cansado de ser gentil, Drax pegou o guaxinim pelo pescoço e o colocou contra a parede.
– Preste atenção, guaxinim. Se você não me deixar ir com vocês, mato você agora mesmo e roubo sua nave.
– Ei, ei, está bem! Você é o Drax, né? Eu sou Rocky Racum e ele é o Groot, mas isso você já percebeu.
– Eu sou Groot?
– Ele só sabe falar isso?
– Acho que sim... Desde que o conheci, pelo menos, foi só isso que ele falou.
– Onde está sua nave, Racum?
– Me chame de Rocky.
Como Drax ficou quieto, Rocky resolveu levá-lo para a nave.
– É esta – ele indicou pelo vidro, mostrando uma espaçonave vermelha e pequena, cercada por guardas. – Precisamos de um plano e...
Drax já havia ido para perto dos guardas. Rocky viu, através do vidro, Drax jogando guardas em pleno espaço sideral. Xingando em voz alta, Rocky chamou Groot e se juntou a Drax, que já havia derrotado todos os guardas. rocky tentou reclamar, mas o alarme tocou e Drax jogou-o dentro da nave com pressa, puxando Groot.
– Ligue a nave, rápido!
– Ei, está bem!
Mal-humorado, Rocky ligou a nave e deixou a Prisão 42, bem a tempo de ver o Centurião Nova entrando no hangar.
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