Thanos: a Origem
6 As Viagens de Thanos
Foram necessários anos para que Gamora e Nebulosa aprendessem a conviver com o pai. Até então, o único lugar onde elas aceitavam conviver com Thanos era na sala de treinamento. Mas, misteriosamente, Gamora e Nebulosa resolveram aparecer na enorme sala onde Thanos permanecia sentado em seu trono, fitando o espaço através do vidro.
–Pai? – elas chamaram, em uníssono.
– Podem falar.
Thanos nem sequer se moveu.
– Eu e Nebulosa tivemos uma ideia – Gamora tomou a palavra. – Estamos nos Sistema Pama, onde domina o Império Kree. Aqui por perto fica o planeta-sede do Império, Hala. Pensamos que você gostaria de... sair conosco, passear um pouco.
– É, pai. Vamos lá!
–Não. O mundo é muito perigoso, queridas.
– Pai, somos treinadas! Você nos treinou!
– Sim, eu sei. Mas eu quase morri, uma vez, e sempre fui treinado.
– Sabemos para que fomos treinadas, pai. Para sermos assassinas. Por isso o rejeitamos durante muito tempo. Mas acho que fomos criadas para sermos assassinas. E sei que Gamora concorda.
Thanos ia falar algo, mas se calou. Em seguida, se colocou de pé e pegou o Orbe.
– Eu irei, mas o Orbe virá comigo.
– Está bem.
Os três recolheram algumas coisas suas e deixaram Santuário I em uma cápsula de fuga, aterrissando em Hala. Pediram informações para alguns moradores locais e seguiram para uma enorme construção: a sede da Tropa Kree dos Acusadores Públicos. Lá dentro, todos os corredores levavam para a mesma sala: o Salão do Supremo Acusador.
Seguindo por um longo corredor, Thanos, Nebulosa e Gamora finalmente chegaram ao salão. Lá havia um trono, onde o Supremo Acusador Kree jazia sentado. Ele usava uma capa e um capuz verdes e uma máscara branca que cobria metade do rosto.
– Supremo Acusador, prazer. Me chamo Thanos, o Titã.
– Thanos? Sou Ronan, o Acusador – Thanos podia jurar que Ronan estava com medo. – Aguarde lá fora, já irei ao seu encontro.
Depois de aguardar Ronan do lado de fora, Thanos ficou impaciente. Pelo menos arrumou algo para fazer. Alguém agarrou Gamora por trás, tapando a boca dela e tentando arrastá-la. Quando Thanos tirou o homem de cima dela, o reconheceu. Korath.
– Korath?
– Thanos?! Pelo Celestial Líder, deixe-me em paz!
– Você tentou levar a minha filha e ainda implora por misericórdia?! Você merece morrer!
– Espere!
Quem gritou foi Ronan, agora com roupas pretas, saindo de dentro do prédio.
– Thanos, vejo que conheceu Korath, o Perseguidor. Ele é um problema recorrente aqui em Hala, mas não se preocupe. Eu mesmo cuidarei dele – um brilho branco passou pelos olhos de Ronan. – Korath, o Perseguidor! Eu o acuso de roubo, homicídio e sequestro de inocentes! Declaro-te culpado e te ofereço a escolha entre duas penas: a morte ou a vida ao serviço de Thanos, o Titã Lou... o Titã!
– Prefiro morrer a servi-lo! Depois do que ele fez com Yondu...
– Pode matá-lo, Thanos.
– Gamora, quer ter a honra?
A garota relutou, mas desembainhou a espada e se aproximou de Korath, que estava curvado. Levantou a espada para o alto, cerrou os olhos e... embainhou a espada novamente.
– Não consigo.
– Está bem, Gamora. Nebulosa!
Diferentemente da irmã, Nebulosa não demonstrou relutância ao apontar sua arma para cabeça de Korath. Só não o matou pois algo o fez mudar de ideia.
– Espere! Eu aceito, servirei Thanos e só Thanos.
–Está bem, Korath. Aceito sua servidão. Sua primeira tarefa será levar Gamora e Nebulosa para Santuário I. Gamora, Nebulosa... Se ele desobedecer, matem-no.
Depois que Korath saiu com as duas garotas, Ronan e Thanos começaram a caminhar pelas ruas de Hala.
– Diga-me, Ronan. Seu povo é religioso?
– Não muito. Não somos nenhuma Igreja Universal da Verdade, se é que me entende. Cultuamos o Celestial Líder, como todos.
– Aquele Que Está Acima De Todos.
– Isso mesmo. Também temos um mosteiro para a Madona Celestial e uma Igreja da Igreja Universal da Verdade, como todo planeta. E você? É religioso?
– Muito pouco. – E depois de um tempo: – Acho que venero a Morte.
Ronan ficou hesitante depois daquela declaração, mas logo voltou a falar.
– Sabe, Thanos? Acho que podemos ser aliados. Qualquer coisa que precisar, é só pedir.
Thanos fizera um aliado. Isso era ótimo. Quando retornou para Santuário I, passou para Korath a tarefa de instalar uma tela para comunicações e se preparou para mais uma viagem. Desta vez, porém, foi para Skrullos, planeta-sede do Império Skrull, sem Gamora nem Nebulosa.
Chegando lá, ignorou os guardas e foi direto para o imperador Dorrek IV, que estava sentado ao lado da Rainha Veranke.
– É um prazer, imperador. Me chamo Thanos, o Titã, e estava de passagem pelo seu Sistema Estelar, portanto resolvi visitar seu Império.
– Prazer, Thanos. Sou Dorrek IV e esta é a Rainha Veranke.
Dorrek desceu de seu trono e guiou Thanos para sua sala de troféus.
– Me diga, já passou por Pama?
– Sim. Visitei Hala, planeta dos Krees.
– Visitou os Krees? E ainda me fala isso? Acho que desconhece a rixa entre Skrulls e Krees.
– Desconheço, mas imaginei que existisse.
– Sim, pois você é esperto. A rixa existe há séculos, e já guerreamos diversas vezes. Ninguém nunca venceu, mas acho que nós, Skrulls, temos certa vantagem.
– Por algum motivo em especial?
– Sim. Podemos nos transformar em quem quisermos. Veja.
Dorrek IV começou a mudar, até que ficou igual a Thanos.
– Interessante. Diga-me, Dorrek IV... Estaria interessado em uma aliança?
O Imperador Skrull sorriu.
– Claro.
Após aquilo, Thanos retornou novamente para Santuário I. Viajou para muitos outros planetas, e até dimensões, em alguns fazendo aliados, em outros não. Houve um em especial que foi marcante. Ninguém sabia o nome daquele planeta, que aparentemente era desabitado. Mas foi aí que ele se enganou.
Como sempre, deixou Gamora e Nebulosa com Korath e saiu em uma cápsula de fuga. Caminhou pelos campos rochosos sem rumo, procurando por algum ser vivo. De repente, ouviu o som de uma nave aterrissando. Agarrou o Orbe em seu bolso e rastejou por trás das pedras até chegar em um esconderijo com visão para a recém-chegada nave.
Homens de diferentes cores entravam e saíam. Thanos percebeu que eles estavam seguindo as ordens de um homem azul com moicano vermelho. Olhando atentamente para ele, Thanos o reconheceu: Yondu Udonta. Não pôde evitar sorrir ao ver, quando Yondu se virou, a enorme cicatriz oculta pelo moicano. Aquela marca deveria lembrar Yondu, dia após dia, de que havia alguém por aí capaz de derrotá-lo.
Um chiado ecoou pelo vale vazio onde estavam. Em seguida, gritos. Alguns homens de Yondu desceram apressados pelas paredes curvas do vale, que faziam dele uma garganta. Eles entravam em uma velocidade surpreendente na nave enquanto gritavam "Monstros!". Thanos olhou para cima e viu: em bigas, criaturas de armadura desciam rumo à nave.
– Afastem-se, Chitauris! – gritou Yondu.
Como as criaturas não obedeceram, Yondu abriu sua sacola e retirou de dentro uma flecha dourada. Jogou-a na direção de uma biga e assobiou. Conforme Yondu assobiava, a flecha mudava de direção e acertava outro Chitauri. Ainda assim, as bigas estavam cada vez mais próximas. Sem querer, Thanos se mexeu, chamando a atenção não só de Yondu. À sua frente, uma biga Chitauri se preparava para disparar.
Thanos não hesitou. Tirou o Orbe do bolso e o abriu, liberando o brilho nos Chitauris. Cerrou os olhos e desejou que os Chitauris sumissem. Em seguida, fechou o Orbe e abriu os olhos. Não havia mais ninguém à sua frente. Olhou em volta e percebeu que havia sumido com as pedras também.
– Thanos?! –Era Yondu. – Fique longe de mim!
Yondu correu para dentro da nave, sendo seguido pela flecha dourada. Então fechou a porta, e Thanos observou a nave decolar. Quando olhou para as bigas dos Chitauris, viu que elas haviam aberto caminho para um Chitauri de roupas (capa e capuz) azuis.
–Quem é você, forasteiro, e o que quer com os meus Chitauris?
– Sou Thanos, o Titã.
A menção ao próprio nome fez os Chitauris chiarem.
– O que o Titã Louco quer conosco?
– Uma aliança. Vi como desesperaram Yondu e seus homens.
– Os Chitauris não fazem alianças, Titã Louco. Não temos um líder. O nosso governante sumiu, e levou consigo nossos nomes. Desde então, sou apenas o Outro. Meu cargo de conselheiro deixou de existir.
Thanos se levantou e seguiu pelo caminho onde estava o Outro. Ao final, chegou a um trono de pedra que pairava acima do chão.
– Aqui um dia se sentou nosso líder – contou o Outro. –Por muito tempo, fomos um povo pacífico. Mas ele nos abandonou, e com isso nossos nomes e até o nome do planeta se perderam. Thanos, me diga... Aceitaria ser o nosso novo líder?
A oferta parecia interessante.
– Aceito.
O Outro sorriu.
– Ajoelhem-se perante Thanos, líder dos Chitauris!
Um por um, os Chitauris começaram a se curvar.
– Outro, envie unidades para minha nave, Santuário I. Quero que construam aqui mesmo um santuário, com estátuas e um altar.
– Para quem, meu senhor?
– Para a Morte! Por ela matarei um terço da população do Universo, como prova de meu amor!
Apesar de relutar, o Outro pediu para que alguns Chitauris o fizessem. Enquanto isso, algumas bigas voavam na direção de Santuário I.
– Agora me vou, Outro. Tenho planetas para devastar.
Aquele objetivo assustou o Outro, que permaneceu calado. Por um momento, pensou ter se precipitado ao eleger Thanos para ser o novo líder dos Chitauris.
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