Thalico - Serial Killer
22 Smooth Criminal
Notas iniciais
Percy Jackson não sabia lidar com mulheres. Essa era a triste verdade. Porém havia se casado. E não se arrependia, pois amava a loira que repousava ao seu lado. O moreno afastou uma mecha teimosa dos cabelos loiros de Annabeth e suspirou antes de tragar novamente o cigarro e levantar-se.
O apartamento de Annabeth na ilha de Manhattan era confortável, mas ele sentia falta da casa dos dois em Long Island. Lá ele poderia ver a casa de Leo no final da rua. Ali teria que atravessar alguns quilômetros para encontrar os amigos. O mais próximo era Jason, mas nos últimos tempos Jason se tornara tão insuportavelmente depressivo que Percy preferia manter-se longe.
Realmente, ele refletiu olhando pela vidraça do quarto, fumar é um hábito horrível... Mas foda-se meus pulmões.
Com esse pensamento infeliz ele dirigiu-se para a cozinha da casa. Essa era outra coisa que não gostava no lugar. Tudo parecia assustador demais. Que os deuses os protegessem até a antiga casa estar reformada para o casal Jackson. Percy colocou um dose em seu copo logo começando a beberica-la sem muita vontade, em seguida o moreno apenas atirou-se no sofá olhando pela janela da sala do apartamento.
Já no quarto Annabeth era acordada violentamente. Assim que ele entrou pela janela ouviu-se um estrondo. Não auto o suficiente para preencher o apartamento. Mas auto o suficiente para acorda-la. Ele entrou no apartamento dela.
A loira não tinha muito o que pensar, não conseguia gritar, a garganta estava seca demais para emitir algum ruído. O que faria? Correria daquela sombra até que Percy regressa-se ao quarto para salva-la. Annabeth levantou-se deixando a cama entre ambos, assim talvez o distraísse, talvez assim ela teria chance de correr pela porta. O marido estaria em algum lugar ali fora, com uma faca talvez?
Foi assim que ela viu que o homem a sua frente tinha uma faca, viu que ele deixou a mancha de sangue no tapete. Sangue de quem? O coração da garota pulsava fortemente mas ela não permitiria-se entrar em pânico.
– O que você quer? – ela tentou murmurar apesar de terem saído ruídos extremamente baixos e inaudíveis ela esperou uma resposta.
Uma resposta que não veio já que o homem avançou fazendo com que ela pulasse a cama trocando de posição com o bandido. Mas este não deu trégua voltando a atirar-se sobre a loira que correu para debaixo da mesa no exato instante que a faca cravava-se na madeira.
Com o tempo ganho ela correu para a porta e saiu pelo corredor porém o homem atirou-a na parede batendo a cabeça dela contra a parede. Aquilo, ele podia ver havia deixado-a incapacitada. Ele prendeu o pescoço da garota contra a parede fria impedindo-a de respirar por alguns instantes. Como uma última vontade de viver ela atirou-se seu joelho contra os países inalcançáveis afastando-o por breves instantes.
O corredor era longo, Percy provavelmente estaria na cozinha ao final dele. Não havia tempo então ela correu para dentro do quarto que estava antes tentando trancar a porta. Porém o criminoso foi mais rápido, embora com uma visível dor ele conseguiu atirar-se contra a porta atirando a garota para o outro lado do quarto fazendo com que ela batesse a cabeça contra a parede.
Ela foi golpeada, era o seu destino. Era a única coisa que conseguia pensar. Até mesmo em momentos difíceis Annabeth tinha a mania de escrever uma história. Sempre fora assim.
– Annie você está bem? – ela ouviu a voz no corredor.
– Então, Annie você está bem? – o homem retirou o capuz trancando a porta.
Você está bem? Sua mente martelava. Não, não mesmo!
– Annie você está bem? – Percy perguntou do outro lado e a loira pode ver a maçaneta girar – está trancada.
– Então, Annie você está bem? – o homem riu chegando mais perto.
– Você está bem? – Percy perguntou – Annie você está bem?
Mas ela não conseguia responder. Então, Annie você está bem? Você está bem, Annie? Annie você está bem? Então, Annie você está bem, você está bem Annie? A voz do homem, de Percy, de sua mente se embaralhavam enquanto a visão ia escurecendo. Ela tinha que fugir mais não conseguia ser mexer.
Como um último sopro de seu corpo ela gritou: – Percy, socorro!
Enquanto Annabeth caía desacordada no carpete do quarto, Percy atirava-se contra a porta numa tentativa alha de abri-la. Não tinha mais motivos pra gritar "Annie você está bem? Você dirá para nós se você está bem?" o grito apavorado de Annabeth deixava claro que não, ela não estava bem.
O moreno correu em direção a cozinha em busca das chaves da casa murmurando incontrolavelmente palavras que nem mesmo ele conseguiria entender. Por um segundo ele ouviu um estrondo, fazendo com que ele olhasse pela janela.
E lá estava. Um criminoso ardiloso com um corpo desacordado sobre as costas. Reconheceria os cabelos loiros de Annabeth em qualquer lugar. Percy correu mais rápido em direção ao quarto abrindo a porta e se deparando com a mancha de sangue no carpete. Ela havia sido golpeada, qual como mandava o destino.
Sem pensar muito Percy jogou-se pela janela caindo na sacada do andar abaixo, pulou a cerca que o levava a saída de emergência do prédio. Ele não conseguia mais ver onde estava o criminoso quando chegou na calçada. Ótimo, justo naquele dia, nenhuma alma viva estava na rua!
Annie você está bem? Então, Annie você está bem? Você está bem?
– Pra esquerda! – uma garota gritou do quinto andar – alô, policia?
Percy apenas correu para a direção que a garota lhe disse. Não havia tempo para pensar em mais nada apenas correu. Quando enfim voltou a ver a sombra ela virava uma esquina para a esquerda. O moreno não parou de correr, mas quando chegou onde tinha visto a sombra, não viu pessoa alguma.
Annie você está bem? Então, Annie você está bem? Você está bem?
– Não – ele murmurou paralisado. Haviam levado Annabeth. Que tipo de monstro faria aquilo com sua mulher?
Percy virou-se apenas quando viu as brilhantes luzes azuis e vermelhas chegarem a rua em que ele estava. Naquele momento ainda não se tinha dado conta das lágrimas em seu rosto e foi nota-las apenas quando uma policial lhe entregou um lenço e uma camiseta.
Annie você está bem? Então, Annie você está bem? Você está bem?
Claro que não está... Você foi atingida por... Você foi atingida por um criminoso ardiloso!
Percy se viu descrevendo o fato e viu um repórter dando a versão ao púbico. Com o som alto das sirenes ele reconheceu apenas alguns trechos do que este realmente falava:
"– Então eles entraram pela saída... Era domingo — que dia negro... Respiração boca a boca... Checando as pulsações — intimidações."
– Tudo bem, Eu quero todo mundo limpando esta área agora! – ele ouviu algum dos policiais gritar.
Não podia perder as esperanças, mas depois de alguns horas os policiais não encontraram Annabeth, ele não podia se ao luxo de ficar parado. Não enquanto lembrava dos vestígios de sangue nos cabelos loiros da esposa. Não, ele não ficaria parado enquanto não matasse aquele criminoso ardiloso.
*
Tudo que Annabeth menos esperava era acordar ao som de Michael Jackson. Ela esperava tudo, que a noite passada fosse apenas uma ilusão. Que fosse acordar amordaçada em uma sala escura sem água ou comida... Que não acordasse. Eram todas opções. Menos estar deitada confortavelmente enquanto Smooth Criminal tocava baixinho a seu lado.
O quarto ainda era escuro. Mas não parecia ameaçador, além do aparelho de som a loira via uma comoda, uma estante de livros, duas portas e a sua direita uma pequena mesa com uma jarra e um copo.
Ela tinha sede, pouco importava a origem daquele líquido, não tinha nada mais a perder. Na noite anterior chorara a perda da criança em seu ventre e fora dormir sem água suficiente no corpo. Quando acordara fora perseguida, não fora lhe dado tempo para beber algo. Então a loira virou o líquido no copo e bebeu. Aquela água no momento lhe pareceu a melhor bebida do mundo. Tanto que virou o resto da jarra antes de enfim parar e poder suspirar.
Annabeth atirou as cobertas para o lado e desceu da cama andando até uma das portas e girando a maçaneta. Trancada. Então se dirigiu a outra que curiosamente estava aberta. Mas quando entrou viu-se apenas num banheiro, em sua visão, muito iluminado, devido sua pouca iluminação do quarto.
A loira olhou o estado em que se encontrava no espelho pouco acreditando que era si mesma. O rosto mais pálido que o comum com vários rastros de sangue seco, marcas arroxeadas em volta do pescoço, grandes bolsas roxas em baixo dos olhos e arranhões por toda a pele.
– Que merda está acontecendo? – ela perguntou para sua terrível imagem.
A garota bufou de frustração. Odiava não ter respostas. Ela tirou a camisola e a roupa intima antes de abrir o chuveiro. Incrivelmente a água estava morna, mas logo descobriu que o calor machucava seus ferimentos então logo deixou-a gelada e começou a se lavar.
Minutos depois Annabeth saia do banheiro enrolada em uma toalha branca torcendo os cabelos molhados. Se surpreendeu ao encontrar um conjunto de roupas pretas e uma pomada, provavelmente para os ferimentos, sobre a cama. Aquele "sequestro" esta realmente estranho. Como se o sequestrador quisesse trata-la bem. Mas por quê? Obviamente lhe pediria algo horrível, ou uma quantia alta em dinheiro para sua família.
Annabeth vestiu-se e passou a pomada sobre os ferimentos, ardia, o que significava que teria um efeito positivo. Logo achou sobre a comoda uma escova vermelha de cabelos e pôs-se a escovar os fios loiros. Com as horas passando a garota descobriu que conseguia abrir uma fresta da janela, mas tudo que conseguira enxergar eram árvores, árvores e mais árvores. Arrumou a cama, leu um dos livros da estante, mas somente quando a luz do sol começava a sumir de sua janela ela ouviu a porta sendo aberta.
Com urgência ela se levantou. Um homem que ela não reconhecia entrava pela porta com uma bandeja, ela sequer tinha notado que estava com fome até o cheiro do prato atingir-lhe, o homem lhe entregou a bandeja e Annabeth só teve olhos para sua comida. Deuses, ela estava com tanta fome.
Ela sequer notou quando outro homem entrou no quarto substituindo o outro. Muito menos notara que conhecia aquele rosto. Não notara, mas apenas até ouvir sua voz.
– Como está, Annabeth?
Com os olhos arregalados Annabeth analisou o moreno a sua frente. Não, não podia ser, aquilo em momento algum poderia ser real. Pior ainda foi quando a mulher entrou no quarto balançando os cabelos negros e lhe dando um sorriso. Não, aquilo não era real.
– Sentiu minha falta? – ela piscou o olho azul ainda com aquele sorriso.
Aquilo não podia ser real. Não, não e não.
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