Thalico - Serial Killer
6 Sermos Pessoas Civilizadas? Pff. Claro Que Sim. Só Que Não.
Notas iniciais
Tentar conviver com o Nico por pelo menos uns dias? Pfff. Fácil.
Só que não.
A conclusão de Nico sobre tentarmos ser pessoas civilizadas por uns dias era boa na teoria. Mas na prática, eu e ele discutíamos o tempo inteiro. A discussão inicial começou dois minutos depois da "brilhante" conclusão dele. E era sobre quem iria cozinhar o jantar agora.
– Eu não vou cozinhar – eu disse por pura teimosia, na verdade eu estava morrendo de fome, mas nunca, JAMAIS, JAMÉ, NEVER, iria cozinhar para o di Angelo. Aquele garotinho metido a badboy que se vire.
– GRACE – disse ele frustrado.
– DI ANGELO – retruquei.
Enfim, essa foi a pior semana da minha vida. O resto da semana inteira foi esse padrão: levanta -> compra alguma coisa no caminho da faculdade (não sei se mencionei, mas faço faculdade de música. Por azar (ou sorte, ou destino, ou sina, sei lá), o di Angelo também) -> vai pra faculdade -> vai pra casa -> pede pizza -> toma banho -> dorme -> levanta -> etc, etc... tudo com o di Angelo me seguindo e fazendo piadinhas idiotas. Ele deve ter um ego enorme, ainda maior do que eu imaginei, já que ignorava o gelo que eu estava lhe dando e continuava tentando me irritar ao máximo. Isso sem falar naquele maldito cigarro que, assim que ele notou que ele fumando me irritava, ele acendia toda vez que eu estava por perto. O que era quase sempre, já que ele havia virado meu stalker particular.
Não comentamos nada sobre o que aconteceu antes do Nico dar uma surra no Luke e aquilo estava me corroendo por dentro. Ninguém além de Jason sabia e não seria eu que levantaria o assunto.
Teimosa.
Cale a boca, consciência.
Por sorte, Percy e Annabeth voltavam da lua de mel amanhã. Não me julguem, é claro que eu estava feliz pelos dois, mas eu sentia muita falta deles. É difícil não ter ninguém com quem conversar, exceto um idiota com um cigarro na boca que me segue fazendo piadinhas idiotas na esperança de me irritar, e, devo admitir, ele estava conseguindo. Toda vez que eu dava uma má resposta, ele sorria vitorioso. Idiota.
– Ei, Thalia! – gritou Travis Stoll. Ou talvez seja o Connor. Era difícil distinguir os dois.
– Eu? – falei com preguiça.
– Não, a minha avó – disse ele brincando. – Escuta, festa lá em casa hoje, topa?
– Claro – eu disse mais animada. Nada melhor do que um lugar cheio de gente e bebida pra esquecer essa bagunça que virou essa semana. E as festas dos Stoll eram o máximo.
– Começa às oito – disse ele. – E leve a BGC.
– Vou chamá-las – respondi rindo.
Vocês não devem estar entendendo nada, né? Bem, o BGC é uma bandinha de garagem, que eu e as garotas montamos quando entramos na 6° série. Eram eu, a Annabeth, a Silena, a Clarisse e a Piper. O nome da banda quer dizer "Bad Girls Club", o Clube das Garotas Más. Os meninos resolveram montar uma bandinha para fazer paródia das nossas músicas. Ficou muito engraçado, e uma das músicas deles se chamava "Bad Girls Club", que eles fizeram para nós, e acabamos batizando a banda com esse nome. Enfim, na Bad Girls Club, a gente acabou cantando a música junto com eles. Hoje em dia, a gente não ensaiava muito, mas de vez em quando, quando uma de nós escrevia alguma música, a gente acabava se juntando novamente e erguendo o BGC.
– Ok – disse já começando a andar em direção à minha moto. E olhe só quem está encostado nela? Quem disse Nico di Angelo, acertou! Mas aquilo não era surpresa. Ele fazia aquilo todo dia. O que acabou tirando minha alegria momentânea com a festa e as lembranças do BGC.
– Até quando você vai continuar me ignorando, Lia? – perguntou quando eu o empurrei da minha moto.
– Até você sair do meu pé – respondi curta e grossa enquanto subia na moto.
Ele agora tinha um sorriso convencido no rosto.
– Eu não vou sair do seu pé até você me dizer o porquê de você estar me ignorando – ele deu uma tragada no cigarro que estava em sua boca. Ouvi algumas líderes de torcida suspirarem enquanto passavam. Idiotas.
– Deixe-me ver, são tantos os motivos – eu disse respondendo sarcástica à sua pergunta. – Vejamos, você é convencido, chato, egocêntrico, cafajeste, filho da puta, canalha e por mais que você seja gostoso, eu nunca mais vou...
– Então você me acha gostoso? – ele disse sorrindo mais ampla e convencidamente, tirando aquela porra daquele cigarro da boca.
Maldita língua frouxa!
– Eu não disse isso – tentei desconversar.
– Finge que eu acredito, Lia – disse ele dando outra tragada.
– Deuses, pare de me chamar de Lia – resmunguei.
– Me obrigue, Liazinha – disse ele sorrindo convencido e soprando fumaça na minha cara.
– Me obrigue a te obrigar – resmunguei ligando a moto.
– Com todo prazer – eu já conhecia esse filme. Aconteceu no dia em que nos conhecemos. Só que dessa vez eu estava preparada. Ele se inclinou e segurou meu rosto. Quando seus lábios estavam quase encostando nos meus, eu dei partida na moto, deixando-o para trás com uma expressão que era um misto de raiva e choque. Acho que ele não era rejeitado muitas vezes.
Dirigi sorrindo satisfeita até o meu prédio. Cumprimentei o porteiro com um olá animado e ele me olhou como se eu tivesse vindo de outro planeta. Qual é? Não é possível que eu não tenha cumprimentado o porteiro com um sorriso antes. Ou era?
Enquanto abria a porta do meu apartamento, ouvi a voz de Vic Fuentes sair do meu celular cantando King For a Day. Meu toque para chamadas.
"Dare me to jump off of this jersey bridge
(Me desafie a pular dessa ponte de Jersey)
I bet you never had a friday night like this
(Eu duvido que você já tenha tido uma sexta feira como essa)
Keep it up keep it up lets raise our hands
(Continue assim, continue assim, vamos levantar nossas mãos)
I take a look up in the sky and I see red
(Eu dou uma olhada para o céu e só vejo vermelho)
Red for the cancer, red for the wealthy
(Vermelho para o câncer, vermelho para os ricos)
Red for the drink that's mixed with suicide
(Vermelho para a bebida misturada com suicídio)
Everything red
(Tudo vermelho)"
Olhei o número pelo visor. Silena Beauregard. A única patricinha legal em todo o mundo. Ela era irmã da Clarisse La Rue, a menina mais durona que existia (e uma das mais fodas também. Lutadora de Muay-thay, boxe, judô e karatê); da Piper McLean, namorada do Jason, e da Drew Kingdom, uma filha da puta que vive tentando roubar o Jason da Piper. Tirando a última indivídua (isso existe? O.o), todas as três faziam parte do BGC. Pois é.
Enfim, você deve estar se perguntando: Se elas são irmãs, por quê os sobrenomes diferentes?
A família da Silena é meio complicada. A mãe da Silena, Afrodite, teve a Silena e a Piper fora do casamento com Hefesto, que também tinha outros dois filhos fora do casamento, Leo Valdez e Charles Beckendorf (que por acaso é o atual namorado da Silena) e teve a Drew com Hefesto. Então os dois se separaram e Afrodite se casou com Ares, tendo Clarisse logo em seguida.
Enfim, se Silena estava me ligando, aquilo significaria somente uma coisa: Problemas.
Cogitei não atender, mas aí eu tenho certeza de que ela viria até aqui, então me resolvi.
– Fala – eu disse.
– Oi pra você também – ela disse sarcástica.
– O que você quer, Silena? – perguntei cansada.
– Nossa, que mau humor, hein? – respondeu ela. – Quero que venha até a minha casa.
– Por que? – perguntei.
– Todas as meninas concordaram que já que você terminou com o Luke, você precisa estar perfeita na festa dos Stoll pra você pegar outro gato.
– Silena, eu não acho que essa seja uma boa... – comecei.
– Sem mas – cortou ela. – Ou você vem aqui nesse exato instante ou eu vou aí te buscar – e ela desligou o telefone.
Eu não duvidava que ela viesse. Suspirei derrotada e fui para a casa dela.
– Pelo menos não atrasou – disse ela abrindo o portão e me puxando para dentro. Me empurrou até seu quarto rosa com branco.
Assim que pisei lá dentro, percebi que estava encrencada.
Porque, em cima da cama, estavam todas as meninas. Junto com o que parecia ser um salão de cabelereiro inteiro.
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