Thalico - Roar
6 "Ele é um Pirata!" "Foda-se!"
Notas iniciais
*No último capítulo*
Enquanto ele falava, Thalia desmaiou por falta de ar. O único problema foi que ela estava na borda de um precipício. E caiu do alto da torre em direção às rochas pontiagudas dentro daquele mar fundo, mas traiçoeiro.
– Estou um pouco nervoso também... – Luke olhou para Thalia novamente enquanto falava. Thalia?
Ele olhou para trás como se esperasse que a garota tivesse saído de lá e o tivesse deixado falando sozinho, mas então olhou para baixo. Uma mancha de espuma se formava aonde Thalia acabara de bater na água.
– THALIA! – gritou Luke retirando o casaco, pronto para pular atrás dela.
Os oficiais da torre se aproximaram correndo.
– As pedras! – gritou um dos oficiais percebendo o problema e segurando o mais novo comodoro de pular. – Foi um milagre ela não ter batido nelas!
Enquanto eles desciam a torre e reuniam os outros oficiais para uma missão de resgate, Thalia afundava, apenas tendo flashes e vislumbres de consciência. A boa coisa é que não era só o comodoro que a observava. Nicolas observava-a de longe, dentro de um navio. O navio da frota de Zeus. Ele enrolava os dois guardas e ia entrando no barco, lentamente se apossando dele. Ao perceber Thalia caindo, perguntou aos oficiais:
– Então não vai salvá-la? – na verdade, Nicolas estava morrendo de vontade de pular e a salvar ele mesmo, mas os oficiais não podiam saber disso.
– Eu não sei nadar – disse o mais gordo.
Nicolas olhou para o magrelo, que deu de ombros. Ótimo. Nenhum deles sabia.
– Orgulho da marinha real – disse Nicolas com desprezo tirando o chapéu e o jogando no oficial. – Segurem isso aqui para mim e não percam – ele lhes jogou o cinto com a espada e sua bússola estranha, juntamente com o sobretudo e pulou na água, como havia feito milhares de vezes antes, embora não para salvar uma garota.
Thalia ainda afundava e seu colar saiu do busto do vestido. Assim que encontrou a água salgada, emitiu uma vibração tão forte, que fez vários círculos gigantes à seu redor e então retrocedeu, puxando as águas para ela. Na superfície, o vento ficou forte na direção que apontava para o lugar onde ela se afogava. Obviamente o colar era mágico.
Nicolas finalmente a alcançou, e puxou-a para a superfície. O vestido pesado, agora encharcado, o impedia de subir mais que seu queixo na superfície. Deixou-os afundar e pegou uma faca retrátil de dentro da bota. Em segundos tinha rasgado o vestido e deixado-a apenas com o espartilho e suas roupas íntimas. Agora ele podia carregá-la para o porto. Nadou rapidamente com ela sobre o ombro e subiu no cais. Os oficiais o ajudaram a tirá-la da água.
– Não respira – disse o oficial gordo, mas Nicolas revirou os olhos com raiva.
– Saí – disse ele empurrando o guarda e pegando novamente sua faca, cortando o espartilho. No exato segundo que Nicolas arrancou o espartilho da garota e o jogou em cima do oficial magrelo, Thalia tossiu e cuspiu água, abrindo os olhos em choque.
– Eu nunca teria imaginado – disse o oficial gordo em choque.
– É porque nunca esteve em Singapura – disse Nicolas. Logo em seguida notou o colar no pescoço da menina. – Olha só, você realmente usou o colar que eu te dei – ele disse com descrença.
Ela não teve tempo de responder, pois todos ouviram várias espadas serem desembainhadas e apontadas diretamente para o rosto de Nicolas.
– Fique de pé – disse Luke apontando a espada.
– Mas o que é isso? – disse Zeus em um tom indignado abrindo caminho por entre os oficiais. – Thalia – ele puxou ela para cima, lhe vestindo com seu casaco. – Está bem?
– Sim, estou... bem – disse ela meio trêmula.
– Oh – disse Zeus com alívio abraçando a filha e logo em seguida olhou para os três homens parados na mira das espadas. O oficial magrelo segurava o espartilho rasgado da garota. O rei o olhou com fúria.
– Foi ele – ele apontou para Nicolas.
– Mate-o – disse o rei.
– Pai... – começou Thalia.
– O que? – perguntou Zeus.
– ... comodoro – continuou ela. – Vai realmente matar meu salvador?
Luke olhou em dúvida para o rei, pedindo permissão para abaixar as armas. Zeus assentiu. O comodoro abaixou sua espada e todos os oficiais fizeram o mesmo. Nicolas olhou agradecidamente para Thalia.
– Creio que um "obrigado" bastará – disse Luke estendendo a mão e falando como se estivesse tendo que engolir um sapo.
Nicolas olhou para Luke com desconfiança e hesitou ao apertar a mão do comodoro, mas o fez mesmo assim. Péssimo movimento, como ele supunha. Assim que Luke segurou a mão de Nicolas, ele puxou a manga de sua camisa para cima, revelando o "PR9" que ele tinha marcado à ferro no braço.
– Encontrou a Companhia de Comércio das Índias Orientais, não foi, pirata?
Nicolas estreitou os olhos e os abriu no mesmo instante, como se dissesse "Então né... fudeu. Que merda".
– Enforquem – disse Zeus satisfeito.
Nicolas o olhou levemente surpreso.
– Apontem as armas – disse Luke. – Gilete, traga os ferros. – ele ainda olhava a marca de Nicolas. – Reino 9, hã? E pela sua cara você parece ser Nicolas, o filhotinho do "rei" ele disse com desdém.
– Capitão Nicolas, por favor – disse ele sem se alterar.
– Pois eu não estou vendo seu navio, capitão – Luke debochou olhando para os lados.
– Eu estou em busca de um. No momento – disse Nicolas ainda sorrindo como se tivesse controle de tudo e todos.
– Ele disse que veio apoderar-se de um – disse o oficial magrelo.
– Isto é dele, senhor – disse o oficial mais gordo levantando os pertences de Nicolas.
Luke bufou com desdém e observou as coisas.
– Sem balas adicionais, ou pólvora – disse Luke convencido olhando a pistola. Logo em seguida abriu o painel da bússola. – Uma bússola que não aponta para o norte – ele riu, acompanhado dos oficiais, e olhou para o último item, desembainhando uma parte pequena da espada. – Quase cheguei a achar que sua espada não fosse de ferro, mas sim de madeira – ele embainhou a espada de Nicolas com tamanha força que o oficial foi levemente para trás. – Você é sem dúvida o pior pirata de quem já ouvi falar.
Nicolas ergueu os dois indicadores na frente do rosto com as mãos presas e as abaixou, como se mostrasse à Luke um detalhe.
– Mas ouviu falar de mim – ele disse convencido.
Luke o olhou com raiva e o pegou pelo braço, arrastando-o pelo píer.
– Comodoro eu realmente devo protestar – Thalia finalmente interferiu, se livrando do abraço de seu pai e indo atrás de Luke, o qual parou no final do píer enquanto o Tenente colocava as correntes nas algemas de Nicolas. – Pirata ou não, esse homem salvou a minha vida – mais de uma vez, Thalia acrescentou mentalmente.
– Só que uma boa ação não basta para redimir um homem com uma vida de maldades – disse Luke.
– Mas parece bastar para condená-lo – disse Nicolas convencido.
Thalia olhou rapidamente para Nicolas, vendo um plano se formar na mente dele. Pirata ou não, ela já estava apaixonada por ele. Iria ajudá-lo com o que quer que fosse. E a única coisa que podia impedir Nicolas de ir para a forca era fugir. Mas ele precisava de uma refém para que não atirassem nele. Naquele encontro de olhares que durou só um segundo, Thalia soube o que fazer.
Thalia se virou, se tornando uma presa fácil de ser pega. Ela não sabia como entendera aquele olhar, mas, de algum modo, entendera. Teria que ajudá-lo a fugir, fingindo ser a vítima apavorada.
– Concordo – disse Luke respondendo com raiva à afirmação de Nicolas.
– Finalmente – disse Nicolas e nesse exato instante o Tenente terminou com as correntes. Nicolas não hesitou um segundo em se virar rapidamente para Thalia e segurá-la pelo pescoço com a corrente. Mesmo estando preparada, Thalia se assustou, dando mais realidade à seu arquejo.
– Não! Thalia! – disse Zeus avançando um passo e fazendo Nicolas recuar outro. – Não! Não atirem!
– Eu sabia que me ajudaria – murmurou Nicolas no ouvido de Thalia, a fazendo arrepiar. Logo em seguida aumentou o volume da voz. – Comodoro Luke, meus pertences, por favor, e meu chapéu ele – disse ainda fingindo apertar o pescoço de Thalia com as correntes.
Todos estavam estáticos.
– Comodoro – incitou Nicolas, fingindo estar perdendo a paciência.
Luke se virou de mau grado e pegou os pertences de Nicolas.
– Thalia, se tiver a gentileza – disse Nicolas. Era mais do que óbvio que ele estava provocando Luke. Ela fingiu um olhar indignado e ele retrucou: – Vamos, amor, eu não tenho o dia todo – o modo como ele disse "amor" foi frio e tedioso, mas ainda fez Thalia flutuar. Ela teve que lutar para não sorrir.
Luke, por outro lado, fechou ainda mais a cara e entregou as coisas a Thalia. Assim que as coisas encontraram os dedos dela, ele pegou a pistola, girou Thalia em sua direção e destravou o gatilho, apontando a arma para a cabeça dela. Aquilo a assustou, mas algo no sorriso dele lhe dizia que ele não iria atirar.
Ela, agora virada de costas para as tropas, sorria alegremente enquanto colocava o cinto com a espada e o coldre da pistola, logo em seguida o chapéu, fazendo com que ela tivesse que abraçar seu pescoço e tocar os lindos fios negros para poder colocá-lo. Nicolas olhou convencidamente para Luke.
– Agora a situação é a seguinte, amor – murmurou Nicolas no ouvido de Thalia enquanto ela colocava a bússola no cinto. – Eu salvei a sua vida, você está salvando a minha e estamos quites. Me espere em sua janela hoje à noite – ele simplesmente disse e a virou de modo que ela olhasse para as tropas e suas costas estivessem encostadas em seu peito definido, agora que estava com uma parte da camisa branca aberta. Ele ainda apontava a arma para a cabeça dela. – Cavalheiros – anunciou. – Mi lady. Sempre se lembrarão deste dia como "O Dia Em Que Quase Capturaram o Capitão Nicolas di Angelo"! – dizendo seu nome, ele passou as algemas por cima da cabeça de Thalia e a empurrou em direção às tropas, se virando e agarrando uma corda de um apoio para o canhão de um das torres. Chutou a alavanca que fazia subir o canhão e então subiu como um foguete em direção ao topo. Pisou no alto e pulou no mastro, se agarrando em outra corda e girando mortalmente no ar.
– Agora podem atirar nele! – disse Zeus.
– ABRAM FOGO! – gritou/berrou Luke.
– Fogo! – a ordem foi espalhada por entre as tropas e os tiros começaram.
Nicolas conseguiu se balançar na corda até uma madeira onde havia uma corda que parecia resistente o suficiente para aguentar seu peso. Quase caiu quando pisou na madeira que a prendia e então se equilibrou. Por um milagre não foi atingido por nenhuma das balas que os oficiais atiravam.
– Não o percam de vista! – gritou Luke.
– Sim, senhor! – os oficiais responderam em conjunto.
Nicolas segurou a corrente que prendia seus pulsos dos dois lados e a usou como uma garrafa naqueles brinquedos de pular de alturas sem estar amarrado, como uma tiroleza de 20 metros de altura mortal.
Por sorte, chegou vivo ao chão. A chuva de tiros ainda não parara, mas a corda o fizera atravessar a ponte do reino em questão de segundos. Continuou correndo enquanto tentava ao máximo se esconder atrás de coisas como caixas e muros. Então desapareceu da vista dos oficiais.
Thalia olhava aquilo surpresa, morrendo de vontade de rir, mas sem poder nem sorrir.
– Pai – ela disse fingindo estar cansada. – Eu quero ir pra casa.
– Oh, sim, claro, claro – disse Zeus ainda se perguntando como aquele pirata maluco conseguira se desviar de tantos tiros. – Comodoro, deixe seus oficiais alertas aqui no cais – Thalia quase deu pulinhos de alegria. Isso significava que teria menos guardas em sua casa à noite. Perfeito. – Eu vou levar minha filha para casa. Fiquem alertas.
– Sim, senhor – responderam em coro.
– Vamos, filha – disse Zeus.
Thalia segurou seu sorriso e seguiu seu pai até o palácio com certa alegria. Ela sabia que estava traindo ele. E pela primeira vez não se arrependia disso.
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