Thalico: Inseparable
19 Death
Leiam as notas finais.
Josh havia subornado os funcionários do hopital para que nada chegasse aos ouvidos do meu pai, não sei o quão horrivel seria se ele descobrisse do meu caso com Josh, do meu retorno ao mundo das drogas e do aborto.
Eu me sentia extremamente mal em mentir para ele e omitir varias coisas para Jason, mas era preciso, eles me mandariam para a reabilitação e eu perderia o Prom e a chance de morar com Jason. Além disso a reabilitação é um lugar horrivel, 1 visita por dia, — eu sabia que nem Jason e nem meu pai teriam condiçoes de me visitar todos os dias— trabalho comunitario, a dor que a abstinência me causaria, e, para fechar com chave de ouro, um belo selo de reabilitação no seu histórico, ou seja, minha vida profissional estava totalmente fodida.
Aparentemente, a escola foi avisada que eu me senti mal e fui liberada, e que Nico havia me acompanhado ate o hospital mais próximo, depois disso não sabiam o que tinha ocorrido comigo, isso não era mais problema da escola e Zeus certamente estaria ocupado demais para se preocupar comigo.
Bem, quanto ao feto — preferi chamá-lo assim pois era menos doloroso— foi descartado junto com o lixo hospitalar, o médico disse que isso é comum acontecer
isso nas primeiras semanas de gravidez.
— Quer que eu te deixe em casa? — Josh me perguntou.
— Preciso passar na farmácia pegar os remédios que o médico recomendou. E não quero ir pra casa, Gratel tirou o dia de folga.
— OK.
Entreguei a receita medica a um farmaceutico com uma aparência cançada que pegou todos os medicamentos e colocou em um cesta. Na hora de pagar peguei alguns pacotes de chicletes para fumantes, a única coisa que me salvou nesses dias sem fumar. Josh pegou dois pacotes de camisinhas sabor morango e entregou para uma moça que parecia ser mais nova do que eu e que ficou muito constrangida.
— Chicletes antinicotina?— Josh zombou ao entrar no carro.
— Camisinha?
— Ora, não queremos outra situação dessas.
Ele tinha razão, meu olhos se encheram de lágrimas, mas resolvi seguir em frente, não podia deixar isso atrapalhar a minha vida.
— Foi melhor assim.—falei para mim mesma.
Quando cheguei no aparamento de Josh, passei direto por Megan que pintava as unhas de vermelho sangue e assitia um filme, e fui colocar uma roupa menos apertada. Me sentei ao lado de Megan e peguei a garrafa de cerveja que ela bebia, dando um gole para ajudar a descer.
— O remédio não funciona com cerveja— ela disse.
— Ótimo.
— Perdi alguma coisa?— ela me perguntou dando pausa do filme e retirando a garrafa das minhas mãos
— Um sobrinho. — Josh respondeu por mim.
—Você está grávida?
—Estava.— respondi seca. Megan me abraçou.
—Lia, eu não sei o que dizer. O que aconteceu?
— Não diga nada, Meg. Não quero falar sobre isso agora, depois eu te conto tudo, OK?
— Ta bom, você precisa de alguma coisa forte. Qual o seu veneno?— olhei para ela com um sorriso fraco.
— Me surpreenda.
Josh se sentou ao meu lado e continuou o filme, não prestei atençao. Pensei em Nico, em tudo que ele me disse, eu não poderia estar mais confusa, me sentia no meio de um clichê, percebendo que o clichê tem um motivo para ser clichê.
(...)
Josh tinha saído com seus amigos, eu mesma sugeri, queria ficar um tempo sozinha.
Estava vendo uma série idiota na TV quando meu celular apita. O número não estava salvo, o que me deixou assustada ao ler as seguintes palavras:
"Abre essa porta agora ou eu arrombo."
Peguei uma arma na gaveta, e abri a porta rapidamente apontando a arma para quem quer que seja que estivesse ali. Não havia ninguém, apenas uma rosa negra no chão. Bufei, era apenas mais uma brincadeirinha que os amigos de Josh costumava fazer eu ignorei e fechei a porta, deitando-me na cama e dormindo quase que instantaneamente.
(...)
Me parecia um dia comum, parecia que tudo no mundo estava na mais perfeita harmonia, tirando o cheiro horrível que vinha de alguma parte da casa.
— Josh?— resmunguei, ele não respondeu.— Josh...
Me virei e vi que um líquido saía de seu corpo, o cheiro também vinha dele. Abri os olhos assustada e não consegui sufocar o grito. Josh estava morto.
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