Textos Antigos

3 Miss him, man, miss him...


Notas iniciais

Hoje me bateu uma enorme nostalgia, saudade de você, dos nossos momentos, de todas as coisas que fazíamos juntos e até mesmo das coisas que, por vezes, deixamos de fazer. Lembro de ter dito que joguei tudo o que era seu fora, que te esqueci por completo. Eu menti. Menti em partes, pois realmente joguei muito de suas coisas fora; desde suas roupas até aquele seu pendrive, o qual pensou ter perdido nas nossas últimas férias juntos. Mas ainda assim guardei aquele velho LP que você me deu do CCR, o qual tinha aquela música. Guardei o seu cigarro favorito, o aroma do seu perfume, a carta que me enviou quando teve que viajar — aquela que dizia "Te quero" ao fim — e o nome daquele vinho que tomamos na nossa primeira noite juntos.

Nesta manhã decidi fazer tudo diferente, não o passei tentando esquecê-lo como sempre faço. Hoje eu decidi realmente matar minha saudade de você. Me sentei em seu lugar favorito e acendi o último cigarro seu que me restara, fiquei pensando em tudo o que aconteceu entre nós em nossos últimos meses juntos. As memórias ainda me doem. Talvez eu seja algum tipo masoquista que se tortura com memórias, memórias que não voltam mais. Coloquei para tocar "Have You Ever Seen The Rain?", nunca vou me esquecer desta música. Você se lembra? Eu me lembro. Na melhor parte do disco eu decidi abrir o uísque que havia comprado antes da nossa última briga. Eu planejava tomá-lo com você naquela noite, na última noite.

Nosso amor era verdadeiro, alegre, era puro e, talvez, desorgulhoso; já nos dias de hoje tudo não passa de uma grande mentira. Tudo o que eu penso é em reencontrá-lo, mas não tenho coragem para um telefonema, uma carta, nem mesmo de perguntar sobre você sequer tenho coragem. Então eu passo os dias fingindo que estou bem, fingindo que saio com outras pessoas, fingindo que não o amo mais, fingindo que estou melhor, fingindo que o esqueci. Porque às vezes é mais fácil fingir do que encarar a realidade: eu sinto a sua falta.