Textos Antigos

4 O Tempo Tortura


É torturante. As horas parecem não passar, a mente vaga pelas lembranças ainda frescas. O quarto já não é o mesmo, tudo lembra ela, as lembranças ainda impregnadas que me vêm à memória. A sala também é desagradável, não pelas lembranças, mas sinto falta da voz que se sobrepunha ao som da televisão... Tic-tac tic-tac, faz o relégio marcando as horas impassáveis. O tempo tortura, as lembranças doem, as coisas me fazem relembrar.
Uma leve música de piano toca ao fundo enquanto deita-se na cama ainda desarrumada, o cheiro ainda está nos lençóis. Olha o celular na cabeceira da cama; não adianta esperar, ele não vai tocar. O tempo tortura. Escuta novamente o tictaquear das horas, olha no relógio, marcam 4:28. O tempo tortura. Respira um pouco ofegante, precisa de um banho. Caem as gotas gélidas para saber que está vivo, o som do chuveiro acalma. Volta ao quarto, tic-tac, marcam 4:55. O tempo não passa, o tempo tortura.

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