Teste para o Paraíso
1 Capítulo 1
Estava atrasado, muito atrasado. João levantou-se num salto e vestiu desesperadamente seu uniforme, colocou a mochila nas costas e correu o mais rápido que pôde, ainda sonolento. Havia uma prova muito importante naquele dia e João passou a noite estudando, talvez ainda conseguisse chegar a tempo. Seu colégio não era muito distante, sempre ia caminhando. Correu por alguns minutos, já respirava ofegante, mas estava quase lá, conseguia ver o portão de entrada, faltava só atravessar a rua e...
João ouviu o som de um carro freando bruscamente e tudo se tornou escuro. Recobrou a consciência e percebeu que foi atropelado por uma caminhonete, porém não sentia nenhuma dor, por sorte não se machucou e ficara só alguns segundos desacordado, pois o motorista ainda estava saindo do veiculo. Isso significava que ainda havia tempo de fazer a prova. Se levantou e falou para o motorista que estava bem, o qual nem ao menos olhou para João, provavelmente mais preocupado com seus danos materiais.Entrou no colégio e correu até sua sala. A professora ainda estava entregando as provas!--- Com licença. --- Passou pela porta e caminhou calmamente para se sentar em seu lugar.Para piorar o dia, a professora esqueceu-se de entregar a prova para ele. Estendeu a mão e relembrou-a de sua existência, mas a maldita pareceu ignorá-lo. Tudo isso porque cheguei atrasado? Pensou João ao se levantar e ir à mesa da professora para pegar a prova, ela nem menos o reparou, fingiu estar concentrada em analisar alguns papeis quaisquer.Não conseguiu pegar a prova. O papel simplesmente passava pelo seus dedos, sem se mover, o ignorando tanto quanto a professora. Escutou alguém bater no vidro de uma das janelas da sala. João virou o rosto e viu a criatura, que ninguém mais pareceu notar. Aproximadamente com o tamanho de uma coruja, um par de asas multicoloridas de borboleta, corpo humanoide, com grandes olhos com íris cor-de-rosa, estava nu e não possuía sexo. Uma fadinha! Pensou João, admirado. Ela voltou a bater no vidro, o chamando. Ele se aproximou cauteloso da criatura, olhando-a brilhar através do vidro. Ela parecia impaciente, fazia sinais para que ele fosse lá fora. --- Hei! Não precisa dar a volta! --- Falou a criatura com uma voz muito aguda quando João começava a se virar para sair da sala.João estendeu um dos braços e percebeu que poderia atravessar a parede. Se perguntava se ainda estava dormindo na sua cama, tendo um sonho maluco por ter comido demais na noite passada. Em um instante chegou do outro lado e pôde admirar de perto a criatura cintilante que batia as suas asinhas no ar.--- Olá! Você acabou de morrer, eu sou um anjo e vim lhe auxiliar. Alguma dúvida?João tinha muitas perguntas, mas a mais importante era:--- Por que você parece uma fada?Os grandes olhos cor-de-rosa o encararam.--- A experiência pós-morte é algo confuso e assustador para a maioria dos humanos, então nós anjos tomamos a forma de algo que agrade o humano, que o deixe confortável e não o assuste. Se eu pareço uma fada, a culpa é sua.--- Ah tá. --- Falou decepcionado. --- Então eu morri atropelado? --- As coisas começavam a fazer um pouco de sentido para João.--- Sim. --- O anjo abriu um sorriso --- E você vai para o Paraíso! Parabéns! Mas acalme-se, antes de ir você precisa passar por um teste.--- Teste?--- Foi o que eu disse. Se não quiser fazer, pode ficar alguns anos no purgatório que dá no mesmo. --- Quantos anos?--- Deixa-me ver aqui. --- Um tablet apareceu na mão do anjo, que fez uma rápida pesquisa. --- Vejamos... Ah! Você é um cara bonsinho. Apenas 23 anos.--- Tudo isso?! --- Ainda não conseguia acreditar no que estava acontecendo.--- A média é 90 anos, porque depois de 100 não tem direito ao teste.João refletiu um pouco.--- Parece justo. Qual é o teste?
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