Teste
1 A Névoa
Notas iniciais
Ignorem os erros ortográficos, conferirei-os em breve e deixarei o primeiro capítulo impecável.
Sou iniciante com fanfic, então me deem uma chance. ;)
A neve caía lentamente sobre Drohat, uma das principais cidades da região. O inverno chegara e consigo trazia a fome e o frio, que julgado pelos moradores, são os piores males que se pode enfrentar. O vento uivava quando a manhã chegou, os pássaros soltavam seus pio altos e os cães de caça começavam a latir no canil. Turbulenta, assim seria plausível qualificar aquele começo de dia.
Os mercados começavam a abrir e eu donos arrumavam o mais rápido possível o interior dos estabelecimentos. A multidão de trabalhadores passava pela neve e deixavam nela o formato da sola de seus sapatos, vestiam os melhores agasalhos que tinham em casa e fartaram de comida pouco antes. Seria estranha uma Drohat calma, desde a Batalha de Icy ela abrigava muito mais seres do que tempos antes.
A neve nas ruas começava a ser afastadas pelas pessoas, que com auxílio de instrumentos certos “varriam” a substância esbranquiçada. As árvores eram dominadas por esquilos e pássaros que cavavam na neve a fundo para chegar a seus abrigos e se fartarem de nozes, semente e quaisquer outras comidas achadas por aí.
Em uma rua curta e muito bem perfumada de margarida, haviam erguido oito casebres ao total, de madeira e muito bem confortáveis. Em uma delas, a mais próxima do fim da rua, morava Sanza e seus dois filhos, Anorle e Anchel. O primeiro tinha seus belos dezoito anos enquanto o outro apenas treze, um muito semelhante ao outro que, se não fosse pelo tamanho de cada um, poderiam ser julgados gêmeos. A mãe se acomodava numa cadeira rente à mesa que sustentava um prato com biscoitos de chocolate, uma jarra de leite morno e uma cesta de maçãs e pêssegos. Seu olhar para a janela, vendo a neve cair, a deixava com um ar de preocupação.
No segundo piso do casebre Anorle abria seus olhos, ainda estava com o corpo gélido devido ao frio do inverno e então se enroscou mais ainda no cobertor de pele de veado. Tinha cabelos longos, assim como todos os elfos, era loiro e carregava consigo uma cicatriz entre o nariz e o olho esquerdo. Ali, aquele ser que parecia ter uma vida normal, não era assim. Perdera o pai na Batalha de Icy, quando ele tinha apenas doze anos, e desde então sustentava Sanza e Anchel.
Esperou ser tomado pela coragem de se levantar, finalmente isso aconteceu depois de dez minutos e ele ficou parado olhando as ruas pela janela do quarto. Ouvia a respiração profunda do irmão, no outro pólo do quarto, e percebera que sua mãe também acordara. Retirou a roupas de dormir, ficou nu frente a um espelho grande pendurado na parede, olhou seus olhos castanhos e sem cerimônia abriu o armário ao lado e vestiu uma túnica que um dia fora do pai. Penteou os louros cabelos com a mão mesmo e apanhou seu arco negro e aljava com flechas que estavam atrás da porta.
Sanza assustou-se ao perceber o filho na cozinha, estava faminto.
— Esse treinamento... até quando vai? – Quis saber a mãe.
— Finaliza daqui algumas semanas, acho que até o fim do inverno já serei um bom arqueiro. – Anorle pegara um biscoito e mastigava com o leite morno.
— E será verdade o que dizem? Voltarão com as caçadas?
— Provavelmente. O povo de Drohat está faminto com esse frio, os mercados estão quase sem nada e é um milagre que algumas plantações sobreviveram com as tempestades anteriores. – Disse Anorle.
— Será bom... digo... você poderá caçar, sim? – Sanza bebericava lentamente uma xícara de chá verde.
— No treinamento de arquearia dizem que teremos, no fim, uma missão prática muralhas a fora. – Anorle não deixou de notar aqueles olhares tão familiares da mãe.
Desde a perda do marido ela sofria, era como se parte da casa se esvaiu pelo mundo, como se parte da vida dela estivesse morta, Sanza achava que deveria fazer de tudo para seus filhos.
— Hoje sou grata a seu pai por ter te instruído rumo a arquearia. – Ela fechou os olhos, pensativa e depositou a xícara de chá na mesa.
— E Anchel deve aprender o mais rápido possível. – Alertou Anorle que sem cerimônia levantou-se da mesa arrumando o arco nas costas.
— Sim, sim. Bom treinamento então... – Ela retomou seu olhar para a janela, vendo aquela tão esbranquiçada neve cair.
— Já vou indo.
A túnica que Anorle usava não o protegia muito do frio, era feita de couro fraco e várias vezes em que ele passava pelas ruas e a neve o tocara ele sentia calafrios. Chegou ao centro da cidade, onde havia os mais variados mercados e as seis grandes torres erguidas de pedra. Cinco delas serviam para moradia dos espíritos governantes de Drohat, e a outra, a mais alta e larga com o topo arredondado era a de eventos. Ali são organizadas as festas, bailes, anúncios que precisam ser ditos a todos, entre outros.
Ele caminhou bastante, atravessara toda a Drohat para chegar aos portões do Norte. Perto destes havia o local arranjado pela treinadora Varghata para os treinos de arco e flecha. Não passava de um lugar improvisado, com duas tendas erguidas e dentro delas todos os tipos de arcos, aljavas e flechas. Madeiras tinham praticamente em todo lugar, pintadas de vermelho e branco, servidas como alvo aos praticantes.
Naquele dia o elfo chegara cedo demais, tanto que só depois de vinte minutos Varghata chegara. Anorle não agüentaria passar nem mais dez minutos ao lado de Sanza, vendo-a se lastimar do atentado ocorrido ao marido, não queria relembrar os bons momentos com o pai, pois cairia em choro brevemente. Então ele preferiu chegar adiantado para apagar os pensamentos melancólicos do pai e ter suas únicas companhias ali na sede de treinamento: os esquilos e as crianças.
O elfo adorava crianças, tanto que o amor dele pelo irmão é imenso, principalmente quando este era menor e Anorle deveria cuidar dele com unhas e dentes. Ficava feliz quando via os menores da cidade curtindo a infância, brincando com os cães e coelhos de estimação, quando lançavam pedras nos oficiais por pura diversão, então Anorle recordava da sua e tudo voltava a focar no pai.
Assustou-se quando diante de si Varghata apareceu e trazia consigo o mais belo arco de toda a Drohat. Era de ferro ordenado com ouro puro, havia traços prateados e pequeninas esmeraldas que enfeitavam a parte de lançamento da flecha, o limbo superior e inferior ora era ouro outrora ferro. Anorle era encantado por aquele instrumento, mas pensava que nunca conseguiria fabricar um, nem tanto por não conseguir, mas por não ter ferro nem ouro.
Varghata o fitou e sussurrou um simples “bom dia”, depois se encostou-se a uma das tendas. Ela era um espírito e possuía o corpo de sua irmã, Vanála. Bela era, pois tinha os cabelos arroxeados e a pele clara, os olhos eram puramente da mesma cor que os cabelos.
— Muito bem, hoje é nosso penúltimo treinamento depois de três longos anos de aprendizagem. Pois saibam que será inválido você deixar de praticar arquearia depois de todo esse árduo treinamento, e se isso acontecer... – Varghata sorriu desleixada. – Que sejam amaldiçoados, seus bandos de insolentes. – E deu uma última gargalhada.
— E o próximo treinamento... será quando exatamente? – Quis saber um duende que acabara de chegar.
— Amanhã é claro, se tudo correr bem. – E posicionou-se com o belo arco. – Agora vamos reforçar o treinamento que tivemos semana passada, com alvos em movimento.
Aquele momento foi surpreendente, pois Varghata soltara um bando de coelhos que estavam presos numa gaiola na tenda, todos brancos como a neve. A perfeita camuflagem dos animais confundiria a maioria dos participantes.
— Mate-os sem dó nem piedade. – Ordenou.
Anorle realmente não esperava aquele tipo de tarefa, e nem os demais alunos, já que na semana passada eles deveriam acertar discos lançados por Varghata. O elfo não demorou, armou o arco e colocou a flecha entre os dois limbos e simultaneamente a fincou e a próxima em dois jovens coelhos que saltitavam.
Ninguém repara naquilo, a neve começava a ficar densa e ninguém mais sabia para onde suas flechas voavam, nem os coelhos conseguiam ver, tudo começava a ficar esbranquiçado demais. O tempo fechou e puderam perceber, apenas cinco minutos depois, que uma grande tempestade de neve chegava lentamente, como neblina.
Agora os coelhos já estavam longe, muito longe, o suficiente para nem mesmo Varghata conseguir acertá-los com seu poderoso arco. Todos ficaram preocupados e sem perceberem juntavam-se à tenda mais próxima. A preocupação os abalou, nunca viram uma tempestade daquelas em Drohat, o tempo nunca ficara tão branco como estava naquele momento. E então Anorle percebeu, quando um dos duendes arqueiros gritou, os coelhos estavam sendo engolidos pela névoa. Seria normal, mas não até ao ponto de verem a carne deles começarem a fumegar e avermelhar, estava pegando fogo.
— A NÉVOA É AMALDIÇOADA. – Gritou Varghata e todos estremeceram, tropeçavam ao tentar andar, a camada de neve no chão se tornara alta e difícil a locomoção
— FUJAM! – Gritou outro elfo participante.
E em uma fração de segundo a tenda se esvaziou e todos corriam com seus arcos buscando um abrigo. Anorle não chegaria a tempo na sua casa, já que ele estava ao Norte e Sanza e Anchel ao Sul. Ele só esperava que o maldito azar não levasse sua mãe para fazer compras pela manhã e Anchel a experimentar uma nova aventura fora de casa, não queria perde-los.
Refugiou-se com Rasdro, outro elfo, nas ruas mais próximas, corriam contra o tempo na esperança de ver um mercado ainda aberto ou então uma casa de portas abertas, qualquer coisa que os protegeria da amaldiçoada névoa. Foi quando, após cinco minutos correndo, que ele encontrou um velho amigo se abrigando dentro de um mercado de peixes. Não hesitou e se juntaram a ele, Anorle deu uma última olhada na névoa e entrou de repente tudo ficou escuro.
Não enxergava, foi atingido pela névoa e ficara cego? Mas ele ouvia, eram sussurros e profundas respirações. Foi quando ele sentiu um calor vir de sua nuca e a vela atrás iluminara parte do interior do estabelecimento. Ao lado dele estavam Rasdro, Limo e Gidas. Este último o proprietário que um dia fora amigo do pai, antes mesmo da Batalha de Icy. O outro, Limo, Anorle o vira crescer perto de sua casa, tinha dezessete anos, quase sua idade. Todos os três mal sabiam o que ocorria lá fora, se estaria causando os mais terríveis desastres ou simplesmente uma névoa bastante densa. Mas não, Anorle e Rasdro conseguiram ver o que ocorrera com os coelhos, e se acontece somente com animais? Pouco era provável.
— Ora, ora, quem temos aqui! – Limo ficou surpreso, assim como Gidas que, reconhecendo Anorle deu palmada leve em suas costas.
— Como vai, Limo? Senhor Gidas? — Cumprimentou o elfo.
— Então? O que essa maldita névoa está fazendo por aqui? – Limo fez uma pergunta que talvez ninguém de Drohat conseguiria responder.
— Isso não importa, só quero que vá embora ou meus peixes estragarão com esse clima insuportável. – Gidas fez um comentário que ninguém percebera, o frio aumentara bastante.
Talvez o esforço de correr pelas ruas não fizesse com que Rasdro, Limo e Anorle percebessem. O cheiro de peixes era horrível, parecia que estavam ali cerca de mil anos.
— Pois já não estão? – Disse Limo, soltando um leve risinho pelo canto da boca.
— Você é que não estará se continuar com essa brincadeira, olha que te jogo porta à fora. – Rosnou Gidas.
Este era um homem de pavio curto, poderia ser percebível ao ver sua cabeleira grisalha e as rugas cobrindo a face. Tinha nas mãos uma faca afiadíssima e na outra a vela que iluminara parte do mercado. Limo se recolheu para perto a porta, a fim de escutar algo. Algumas raças de elfos têm o dom da audição aguçada, mas nem Anorle e seus antepassados conseguiram tal habilidade, muito menos Rasdro e a família.
O elfo sabia da habilidade do velho amigo pelo simples de fato de que, quando ele tinha treze e Limo doze, conseguiu este ouvir um feroz lobo que, depois de dez minutos viriam a atacá-los, quando estavam de excursão para lá das muralhas.
As muralhas eram o limite do povoamento, protegiam todo de perigos mortais além delas, mas na verdade, o limite de toda a Drohat é o rio Icy, onde ocorreu a grande batalha que teve seu nome. Icy contorna toda a cidade.
— Acho que acabou... – Disse Limo duas horas depois e quase no mesmo instante um barulho os pegou de surpresa.
Sinos soavam na torre de topo arredondado, o qual servia para reuniões, festas e bailes. Talvez fosse apenas um aviso de que a névoa esvaiu-e, mas não. Os sinos não eram tocados desde a Batalha de Icy, quando marcaram na torre a o horário para enterrar os corpos dos mortos. Aquele som definitivamente contrariava Anorle, lembrava-se do pai no mesmo instante.
-Não creio! – Disse Gidas, exasperado. – Depois de tantos anos...
Ele apagou a vela, o mercado ficou escuro e depois se iluminou quando Limo abriu a porta. Vira então a neve mais alta, parte dela caíra para dentro do estabelecimento quando a porta foi aberta, fitava o alto da Torre Choro, os sinos realmente soavam de lá.
Anorle tentou avistar o local de treinamento dali mesmo, mas nada havia lá, nem tendas e muito menos os alvos, os coelhos sumiram. Tentou andar alguns metros na neve e percebeu que os moradores também saíam de suas casas para ouvirem os belos sons produzidos pelos sinos. Limo se despediu de todos e acabou por levar cinco grandes peixes de Gidas, este deu uma última palmada nas costas de Anorle e entrou para o mercado. Rasdro, no entanto, desaparecera.
A caminhada para sua casa fora difícil devido à dimensão da neve, o arco ficara no espaço de treinamento e provavelmente estava destroçado. Via pessoas feridas, com graves queimaduras pelo corpo, eram tratados com os remédios que tinham em casa. Não via sinal algum dos oficiais, todos desaparecerão. Olhou rumo às muralhas e também não haviam, outras pessoas foram trocados por eles.
Chegou a casa depois de uma hora, abriu a porta e neve caiu para dentro e então percebeu que a porta ainda não fora aberta depois da névoa. Primeiro foi à cozinha, chamou Sanza, depois Anchel e ficou durante dez minutos mergulhado no silêncio e em um sofrimento que ele temia que chegaria em breve.
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