Tesouro de Amor
14 O Urso e o Castelo
Notas iniciais
Depois do choque causado pela morte de Clarice, Camila, a filha mais velha da matriarca, convidou Ana, Thomas, Ryan e Pedro para que pudessem habitar em seu grande sítio, que se situava em um dos bairros mais nobres da cidade, porém, Ryan relutou e permaneceu na mansão, onde constantemente realizava festas e fazia a casa elegante e formal se tornar um lugar de completa baixaria. Camila, após a morte da mãe, a quem via muito pouco, começou a se sentir sozinha e decidiu que sua casa deveria ser um pouco mais cheia, com mais emoção, mais pessoas.
Camila morava juntamente com uma amiga cujo nome era Bianca. Camila possuía longos cabelos lisos e loiros que desciam até as costas e olhos verdes brilhantes como esmeralda. Já Bianca tinha longos cabelos castanhos também lisos e escorridos, com brilhantes olhos azuis brilhantes como uma rara safira.
A casa do sítio era grande o suficiente para todos. Além do quarto de Camila e de Bianca, havia outros três vazios. Thaís e Thomas se hospedaram em um enquanto o pequeno Pedrinho usava outro. Inicialmente os pais do menino, para não causarem incômodo à anfitriã, queriam dividir o quarto com o garotinho, porém, a irmã de Thomas fez questão de oferecer o quarto ao sobrinho, que passou a ser paparicado pela tia, que sonhava em ter seu próprio filho.
O vício de bebidas de Thomas permanecia, porém, Camila chamou um dos especialistas da cidade que, em pouco tempo, conseguiu curá-lo do maldito vício, assim fazendo com que Thomas voltasse a ser como antes.
...
Thaís, Camila e Bianca se situavam na sala de estar da mansão, que era decorada com vários quadros moderno, uma pintura branca e uma escadaria com degraus e corrimão da mesma cor. Seus sofás também eram brancos, com um enorme tapete marrom no centro. Sobre ele havia uma mesinha de vidro, com alguns vasos de plantas. Uma televisão de plasma era pendurada na parede, em frente ao maior sofá. Várias cortinas também brancas tampavam a visão para o jardim do sítio.
- Thaís, como vai o seu casamento com meu querido irmão? – perguntava Camila, sorrindo para a cunhada. Seus olhos verdes brilhavam enquanto fitava Thaís, que alegremente respondia:
- Melhor não poderia ser. Depois que a madrinha, que Deus a tenha, faleceu, ele amadureceu mais, parou de beber graças à sua ajuda. Enfim, não tenho como agradecer. Você tem sido uma grande amiga, Camila.
- Não há de que. Sempre que precisar pode contar comigo. – garantia, esboçando um pequeno sorriso. O silêncio ecoou pela sala.
- Mas e vocês? Nenhuma das duas tem algum pretendente? Um relacionamento? Nada? – Thaís interrompia o silêncio, para o alívio das duas.
- Ah, bem. Eu pretendo me casar em breve. Sou do tipo que prefere os homens mais velhos, mas nenhum deles me interessou até agora. Não seriamente. – respondia Camila, tristemente.
- Já eu pretendo curtir bastante a vida ainda antes de ter alguma coisa séria. Me sinto muito jovem para ficar pensando em casamento e compromissos.
- Por um lado até concordo com você, querida. Mas não há nada melhor do que se casar com o grande amor de sua vida. Eu não me arrependo de ter me casado com o Thomas quando ainda era muito nova, nos tempos da faculdade.
- Falando nisso, onde que ele tá agora?
- Ah, foi com o Pedrinho no shopping aqui perto comprar alguns brinquedos novos.
...
Naquela tarde, no quarto de Lúcia, Ana penteava os cabelos da filha e as duas se arrumaram para irem ao shopping que não era tão longe dali para comprar roupas novas. Ana prendeu os cabelos agora castanhos em um rabo de cavalo, pondo seus óculos escuros, enquanto Lúcia tinha os cabelos castanho claros soltos e descidos como cascata.
Chegando ao local, imediatamente se dirigiram à tal loja de roupas, pois nem Ana nem Lúcia eram do tipo que ficavam o dia inteiro paparicando vitrines de roupas, bolsas, sapatos ou coisas do gênero. Saíram da loja com sacolas cheias.
- Mamãe, vamos passar na loja de brinquedos? Tem uma ali mesmo. – implorava Lúcia, que não ganhava brinquedos há tempos, pois desde pequena era uma menina extremamente dedicada aos estudos e à leitura de livros, que passaram a ser seu hobby.
A loja era extremamente grande, provavelmente uma das maiores do shopping. Lúcia se sentiu a dona dos brinquedos dentro daquele enorme lugar. A cada hora um brinquedo diferente chamava sua atenção.
Thomas chegava à mesma loja com o pequeno filho. Acabaram de chegar à cidade, portanto, era a primeira vez que estavam naquele local. Pedro também se sentiu o rei da cocada preta, a cada hora pedindo para o pai um brinquedo diferente.
- Hey, papai, olha aquele castelo! Eu quero. Compra, por favor? – empolgava-se cada vez mais, apontando para uma enorme caixa no topo de uma estante, que possuía um grande castelo de brinquedo em seu interior.
- Tá bom, calma filho. Tem muitos deles aqui. Não precisa esse desespero todo. – advertia o pai, rindo.
No mesmo corredor onde se situava o castelo, bem mais à frente, Ana, que estava irreconhecível devido ao chapéu e aos óculos escuros, estava com a filha Lúcia, comprando um grande urso de pelúcia amarronzado. Ambos foram para a fila do caixa, cada um trazendo consigo um único brinquedo, o que mais havia chamado a atenção.
Thomas fitou Ana curioso, pensando coisas como “Eu acho que conheço essa moça de algum lugar, mas quem será ela?” já a jovem o olhou indiferente, tornando a por o urso no caixa e pagar a quantia necessária, retirando-se das lojas de mãos dadas com a filha, que segurava emocionada o ursinho que havia ganho.
Thomas se apressou a pagar o castelo, colocando a caixa em uma grande sacola e correu de mãos dadas com o filho até Ana, que havia se sentado em um dos bancos próximos dali com a filha.
- Ei, moça, eu te vi na loja e... Eu acho que eu te conheço de algum lugar. – dizia Thomas, sem reconhecer Ana, devido ao fato de esta ter modificado completamente seu modo de andar, de se locomover, de falar, e também havia modificado seu visual, de modo que ninguém a reconhecesse.
- Não, acho que foi engano seu. – respondia Ana, secamente. – Agora vamos, Lúcia. Temos muita coisa para fazer. – e lançou um último olhar para Pedrinho, que fitava toda a situação sem entender absolutamente nada.
Chegou à mansão e foi direto para sua suíte.
- Então o Thomas está por aqui?
Fale com o autor