Tesouro de Amor
15 O Vestido Lilás
Ana, Gabriel, Patrícia, Henrique, Olívia e Lúcia iriam jantar no melhor restaurante da cidade durante aquele dia, pois era o aniversário da grande matriarca da família, que havia sido a melhor mãe do mundo para Gabriel, a melhor sogra para Ana e a melhor avó para Lúcia. Um jantar extremamente simples, em que só os seis estariam presentes em uma grande mesa, que havia sido reservada especialmente para a ocasião.
Ana utilizava um vestido vermelho vivo e os cabelos lisos castanhos escorridos até a cintura eram decorados com laços da mesma cor da vestimenta. Lúcia era a miniatura da mãe, porém, em azul. Olívia usava um simples vestido preto e os cabelos presos em um rabo de cavalo.
Gabriel e Henrique utilizavam ternos comuns, porém bonitos e perfeitos para a ocasião. Os dois tinham coloração bege.
Já a aniversariante era a mais bonita: os cabelos presos com uma fita, um vestido lilás e sapatos da mesma cor era o que a generosa mulher trajava.
...
Por apenas diversão, Camila convidou os hóspedes para conhecerem o melhor restaurante da cidade onde agora residia. Sendo assim, ela, Thomas, Thaís, Pedro e Bianca foram para o mesmo lugar onde a família de Ana se situava.
Sentaram-se a uma mesa que não era tão longe dos outros, o suficiente para que os olhares de Ana e Thomas se encontrassem. Thomas arregalou os olhos, enquanto Ana, ignorando a presença do rapaz, virava o olhar, tentando puxar assunto com alguns dos presentes à mesa. Thomas, por estar casado com Thaís e não querer evitar escândalos, preferiu ficar de bico calado e ir falar com Ana após a reunião.
– Ér, Camila, você conhece aquela família? – sussurrava discretamente para a irmã, que estava ao seu lado, apontando para a mesa onde comemoravam o aniversário de Patrícia. A jovem assentiu e respondeu:
– São os Trajano Queiroz, provavelmente os mais ricos daqui. Uma família unida, feliz e de tradição. Pena que eu não me casei com aquele garoto. Já até fomos amigos, mas que pena que não houve nada além disso. – lamentava Camila, indicando Gabriel com o olhar. Thomas assentiu, continuando a conversa.
– Aquela moça é muito linda, não acha? – perguntava disfarçadamente, indicando Ana com o olhar.
– Sim, é ela que é a noiva do Gabriel. Uma bela jovem. Veio de outra cidade. Aquela é a filhinha deles, linda não? Não tem quase nada do pai. Parece mesmo com a mãe. – e virou o olhar para o sobrinho, que observava quietamente a conversa dos dois irmãos.
– Realmente, também não os acho tão parecidos assim. Duvido que a Ana tenha engravidado de mim naquele tão pouco tempo. – pensava Thomas, despertando ao reparar inúmeros olhares ao seu redor.
– Thomas, o garçom está esperando. O que você vai querer?
– Ah, desculpem.
...
Finalmente havia chegado a hora do parabéns e o grande bolo havia chegado. Tinha três camadas de coloração lilás, exatamente iguais à cor do vestido que a aniversariante utilizava, por ser a sua cor favorita.
O parabéns era cantado, chamando atenção de todos os presentes naquele grande restaurante, que, divertidamente, também começaram a cantar, inclusive Camila, chamando a atenção de todos em sua mesa, que, forçadamente, também cantaram. Pouco depois, todo o restaurante cantava os parabéns para Patrícia, que não conteve a emoção e abraçou fortemente o marido, beijando seu rosto.
Thaís, só naquele momento, fitou a jovem que estava ao lado de Gabriel, que era Ana.
– Eu conheço essa menina de algum lugar... Ah, devo estar me confundindo com alguém. Ou então é uma pessoa famosa que provavelmente é amiga da aniversariante.
...
Após o jantar, aproximadamente às onze da noite, Ana foi ao toalete e Thomas, ao vê-la saindo da mesa, disse que iria ao mesmo local para os presentes à mesa. Seguiu a jovem e segurou seu braço.
– Ana, por que vive me evitando? E por que me abandonou naquele dia há anos atrás?
– Acho que o motivo é meio óbvio. Depois de sete anos você tem a cara de pau de vir aqui e me dizer uma coisa dessas? Você me traiu e me fez de idiota. E, se você me dá licença, eu tenho uma filha pra cuidar e um travesseiro pra agarrar. Tô com muito sono pra aturar gente irritante.
– C-Como assim eu te traí? Ana, eu não fiz absolutamente nada. Você que simplesmente sumiu, desapareceu, evaporou. E agora eu te encontro aqui, casada, com filhos. O que realmente houve? Eu ainda... – o jovem iria se confessar, porém foi interrompido pela jovem que ainda o amava.
– Thomas, eu estava grávida de você. Quando eu ia te contar a história, você beijando aquela sua amiga, a tal de Thaís, que tava do seu lado hoje com um filhinho de vocês dois. Não tente me enganar, por favor.
– Grávida de mim? Essa é boa! Agora sou eu quem não acredito em você. Prove que o que você está falando é verdade. – gritava Thomas, quando Ana se aproximava deste delicadamente e, repentinamente, para a surpresa do jovem, lançou a mão em sua cara, esbofeteando o pai biológico de Lúcia, se retirando do local. Em pequenos passos, chegou ao carro, onde todos estavam à sua espera.
– Desculpem a demora, fui retocar a maquiagem, me borrei sem querer.
...
Thomas retornou para a mesa com o rosto vermelho. Todas as quatro figuras o fitavam surpresas. O silêncio foi interrompido pelo pequeno Pedro.
– Papai, o senhor tá machucado. O que aconteceu?
– Eu levei um escorregão e bati de cara na pia. Difícil acreditar, mas ainda bem que ninguém viu. Seria o mico do ano. – respondia Thomas secamente, ainda pensando no tapa que a jovem lhe dera. Thaís, Bianca e Camila não engoliram a história por completo.
...
Depois de porem a pequena Lúcia para dormir, Ana e Gabriel se preparavam para ir se deitar. Ana abraçou fortemente Gabriel, que se sentia cada vez mais feliz no casamento que havia mudado completamente sua vida, com o crescimento da filhinha adotiva que o amava como pai, com tudo.
– Sabe, Gabriel, eu estive pensando numa coisa...
– Sim?
– Lembra que você me disse que gostaria de dar um irmãozinho pra Lúcia? – o tom na voz de Ana era irreconhecível. Gabriel não sabia dizer se era sério, feliz ou nervoso.
– Lembro. – respondia, já nervoso, pois estava louco para saber aonde a esposa queria chegar com aquela conversa.
– Eu pensei bem... E acho que você tem razão.
E beijou o marido carinhosamente. Tiveram uma linda noite de amor.
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