Tesouro de Amor
21 Descoberta
Notas iniciais
- Thaís, você precisa ser forte. Você vai sair dessa. – pensava a jovem para si mesmo, enquanto estava algemada no interior de um veículo policial, que possuía um terrível odor, insuportável até pros próprios policiais, que o usavam diariamente.
- Vocês aguentam essa porcaria o tempo todo mesmo? Quanta coragem, hein. – resmungava, encostando a cabeça no vidro escuro do carro, tristonha.
- Fique calada. Não queremos papo com pessoas como você.
Algumas horas depois, o carro havia estacionado e Thaís, algemada, pulou para fora do carro. Chegando à delegacia, os homens rudemente puxaram Thaís pelo braço, arremessando-a no interior da cela.
- Eu acho que sei andar sozinha, covardes.
Alguns dias se passaram e Thaís havia sido levada para um presídio, sendo julgada e condenada a vinte anos de prisão pela tentativa de morte de Clarice e assassinato de Martha. Seu belíssimo visual de roupas extravagantes e uma maquiagem que a rejuvenescia cada vez mais deu lugar à uma face suja, com os cabelos desgrenhados presos em uma trança e roupas também sujas brancas e amarelas, que eram o uniforme do presídio.
A polícia estava à procura de Ivan, mas o homem sabia disso e se preveniu, se escondendo em uma cabana na mesma cidade onde estavam, sendo que todos o procuravam na outra cidade.
Thaís estava em sua cela quando, frustrada, uma carcereira se aproximava do local, comunicando:
- Você acaba de receber uma visita. Venha comigo.
Thaís seguiu a carcereira e surpreendeu-se ao ver que Ivan estava no local.
- Pelo visto você foi o único que se importou comigo...
- Sim, dona Thaís. Eu sempre te amei e sempre vou te amar. Sou capaz de fazer tudo que a senhora pedir para conseguir o seu amor ou apenas a sua gratidão.
...
Ana, em seu quarto com Patrícia, Olívia e Lúcia, enquanto Gabriel e Henrique trabalhavam, debatiam sobre a vida de cada uma e como estavam sendo felizes naquela nova etapa, foi atender à campainha interfone que havia acabado de tocar.
- Boa tarde! Quem é você? – perguntava, estranhando o portador da voz misteriosa, que jamais havia escutado em sua vida.
- Você é a Ana? – perguntava gentilmente a figura, extremamente curioso.
- Sim, sou eu. Gostaria de falar comigo? Vou abrir para você. Um instantinho.
E seguiu pela pequena trilha de pedras, abrindo o portão que dava acesso à entrada da grande mansão.
O jovem a fitou encantado por alguns instantes, pois a beleza de Ana era tanta que vários homens a admiravam e se apaixonavam por ela apenas em fitá-la. Repentinamente despertou.
- Gostaria de falar com você seriamente. Posso entrar?
Ana o convidou para entrar e os dois sentaram-se à uma pequena mesa de vidro em uma grande varanda próxima dali.
- Para começar, gostaria de agradecer pelo apoio que você deu para minha mãe quando ela era apenas uma sem-teto e necessitava de alguém para ajuda-la com a leptospirose. Graças a Deus ela se curou daquela maldita doença. Ana, me chamo Ryan. Não sei como te agradecer com tamanha generosidade.
- Que isso, Ryan. Não precisa agradecer. Eu faria isso por qualquer pessoa que precisasse do meu amparo.
- Consequentemente, sou o irmão do Thomas, aquele que foi seu namorado há muito tempo. E preciso te contar uma coisa sobre ele.
- Ryan, seu irmão não me interessa mais...
- Por favor, me ouça! Isso vai mudar a vida de vocês para sempre. Tudo não passou de uma armação minha, da Clarice e da Thaís para separar você do Thomas. Eu sempre tive inveja dele, de como ele era amado por todos, tirava notas boas, era o favorito de todo mundo. Já eu sempre fui o irmão jogado pra escanteio, a ovelha negra da família. Assim que te viu naquele dia, a Thaís beijou o Thomas de um modo que parecesse que ele tava fazendo tudo por vontade própria. Quando você foi embora decepcionada, ele, coincidentemente, a empurrou e brigou com ela. E nunca mais te viu, assim achando que você tinha abandonado ele. Foi tudo culpa minha e eu, assim como mamãe, me arrependo profundamente desse cruel ato cometido no passado.
Ana, em estado de choque, parecia que ia desmaiar, porém, conseguiu despertar mas ainda aflita, comentou:
- Vocês dois foram realmente capazes de fazer aquilo com uma garota pobre, ingênua, que não tinha culpa de nada?
- Sim, fomos. – concordava Ryan, tristemente, abaixando a cabeça. – Mas por favor, não posso continuar com essa culpa para sempre e tô te contando tudo o que aconteceu. Me perdoa, por favor. Precisamos do seu perdão. Eu e mamãe.
Os dois foram interrompidos pela chegada de Lúcia, que vinha correndo ao encontro da mãe, pois havia perdido um dos brinquedos e queria a ajuda de Ana para encontrá-lo.
- Mamãe eu... Eu perdi a minha boneca. Me ajuda a procurar? – pedia gentilmente. Ryan se encantou com a doce voz da pequena menina.
- Depois a mamãe ajuda, filha. Tô conversando sério agora. Tá bom?
A menininha assentiu e, pulando alegremente, adentrou novamente a mansão.
- Ana, essa menina é o que eu to pensando que é? – perguntava Ryan, suspeitando de algo que havia passado repentinamente pela sua cabeça.
- E o que você pensa?
- Nada não, bobeira minha... – fugia do assunto, fitando o relógio. – Cinco horas. Preciso ir agora. Amanhã nos falamos de novo. Pode ser?
- Tá.
...
Clarice o aguardava na mansão, curiosa.
- E aí, o que ela falou? Ela perdoou a gente? Como foi lá, meu filho? ME FALA!
- Calma mãe, uma pergunta de cada vez. Não perdoou mas agiu com naturalidade, pois a vida a ensinou a ser dura e controlar as emoções e os sentimentos. E tem mais uma coisa. Sabe aquela filhinha dela?
- Ah, claro que sei. A Lúcia. Que menina adorável! Quisera eu ter uma netinha como aquela.
- Pois é, mamãe. Você atirou no alvo. Uma coisa me passou pela cabeça aqui...
- Ãh? Como assim? O que passou pela sua cabeça.
- É simples. A LÚCIA É FILHA DO THOMAS.
Fale com o autor