Tesouro de Amor
22 O Baile
Clarice o aguardava na mansão, curiosa.
- E aí, o que ela falou? Ela perdoou a gente? Como foi lá, meu filho? ME FALA!
- Calma mãe, uma pergunta de cada vez. Não perdoou mas agiu com naturalidade, pois a vida a ensinou a ser dura e controlar as emoções e os sentimentos. E tem mais uma coisa. Sabe aquela filhinha dela?
- Ah, claro que sei. A Lúcia. Que menina adorável! Quisera eu ter uma netinha como aquela.
- Pois é, mamãe. Você atirou no alvo. Uma coisa me passou pela cabeça aqui...
- Ãh? Como assim? O que passou pela sua cabeça.
- É simples. A LÚCIA É FILHA DO THOMAS.
- CARAMBA. COMO EU NÃO TINHA PENSADO NISSO ANTES? – Clarice vibrou e levantou rapidamente do assento onde se encontrava, andando para lá e para cá. – O que faremos agora?
- Acho que o certo é contar pro Thomas a verdade. Ela é a cara dele! De qualquer jeito eu vou esperar um tempo pra tudo isso... Ele já anda com a cabeça quente demais ultimamente.
...
Alguns dias se passaram e o assunto foi abafado, pois Ryan preferiu esperar um tempo para ver como Thomas se portaria ao cuidar do filho pequeno, que naquele momento necessitava cada vez mais do carinho e da atenção do pai.
Um grande baile de máscaras iria ocorrer naquela semana e todas as lojas de fantasia da cidade abarrotaram-se de compradores, pois praticamente toda a população de lá iria comparecer à festa, que abalaria a todos. A festa ocorreria em comemoração ao aniversário de Flora Machado, uma famosa atriz e apresentadora.
Ryan havia chamado Clarice para uma conversa a sós, pois havia pensado em algo que poderia dar certo.
- Eu vou armar pra conseguir juntar os dois. – garantia Ryan, causando uma tremenda curiosidade na mãe.
- Diga logo. Desembucha. Também quero saber como vai fazer isso.
- Simples. Vai ser nesse baile aí. Comprei escondido a mesma máscara e a mesma roupa do Thomas, que eu enchi o saco pra ir ao baile, porque ele não tava com a mínima vontade. E eu, como um amigo, irei pedir para dançar com a Ana, mas na verdade quem vai dançar vai ser ele. Genial, não? Ainda mais agora que nós temos o cabelo parecido um com o outro.
- Gostaria de saber aonde meu filhinho obteve tanta inteligência assim...
- Sempre tive, mamãe. Só que não tava nem um pouco a fim de mostrar ela pra vocês. Haha. – e, rindo, se retirou do cômodo e se preparou para vestir a roupa que usaria no baile.
...
Em questão de algumas horas, todos estavam arrumados para a grande celebração que abalaria a cidade de Ouro Branco.
As mulheres eram as mais bem vestidas, cada uma melhor do que a outra. Na família de Ana, a própria utilizava um vestido azul turquesa, enquanto os da sogra e da filhinha eram, respectivamente, vermelho e rosa. Ambos eram tomara que caia e desciam até a canela.
Na família de Thomas, Clarice trajava um vestido preto até a cintura. Camila, um de coloração vermelha e Bianca, um branco. Todas as mulheres que frequentariam a festa estavam perfeitamente lindas e bem vestidas.
Os homens utilizavam ternos simples com máscaras simples, como era de comum entre estes, porém, o terno e a máscara de Thomas e Ryan eram idênticos.
- Olha, vejam só, Thomas, meu irmão, nós estamos idênticos! O cabelo penteado, as roupas, a máscara, tudo! Até nossa voz é um pouco parecida. Quem nos ver separados vai achar que somos a mesma pessoas.
...
O grande momento havia chegado! Todos os convidados chegaram ao local da festa e cumprimentaram-se uns aos outros. Muitos se reconheceram por lá, porém, Ana e Thomas não haviam se encontrado ainda.
Ana, Gabriel, Patrícia e Henrique foram bem recebidos pelo casal que estava organizando a grande celebração e sentaram-se a uma grande mesa circular, suficiente para os quatro.
Pouco tempo depois, a família de Thomas chegava ao salão. Thomas, Camila, Bianca, Ryan e Clarice também foram bem recebidos pelo mesmo casal, que tinha como grandes amigos Gabriel e Camila, que moravam na cidade há mais tempo do que todos os outros.
O salão era decorado com várias máscaras em todas as paredes e muitas luzes azuis e amarelas o iluminavam. Várias mesas se situavam em volta do grande centro, onde as pessoas certamente iriam dançar em breve.
Aos poucos todas as mesas se enchiam, abarrotando todo o local. Os vestidos das mulheres que chegavam eram um mais bonito do que o outro, chamando principalmente a atenção dos homens solteiros, que vinham ao baile justamente para tentar encontrar sua alma gêmea.
Um garçom se aproximava da mesa de Ana, com um caderninho nas mãos.
- Gostariam de alguma bebida?
- Não, obrigada. Algum de vocês querem?
As outras três figuras que se encontravam à mesa balançaram negativamente a cabeça, dispensando o garçom.
Uma solene melodia tocava. Ana, após esboçar um belo sorriso ao ver de longe o primeiro casal a dançar na pista, girou a cabeça para o marido.
- Vamos dançar?
- Agora não, meu amor. Daqui há pouco nós vamos.
- Tudo bem...
Ana no fundo se chateou pelo fato de seu marido não querer dançar naquele momento, porém não podia obriga-lo a nada, portanto nem criticou e se chateou ao ver que vários casais agora também se dirigiam ao centro do salão, para darem início à dança.
Foi surpreendida quando um homem alto, com um terno preto simples e uma máscara branca, se aproximou de sua mesa e estendeu-lhe a mão.
- Gostaria de dançar comigo, nobre dama? – era a voz de Ryan, que se assemelhava muito com a de Thomas.
- Eu... Posso? – perguntava Ana, com os olhos brilhando, para o marido, que balançou a cabeça positivamente.
- Claro, querida. – afirmava Gabriel, sorrindo para a amada. – Eu confio em você.
Patrícia olhou para o filho e piscou para o mesmo, enquanto Henrique balançava a cabeça negativamente para o filho, em uma expressão de decepção.
- Então eu topo.
- Me aguarde um instantinho que já retornarei.
...
Ryan e Thomas, com a mesma máscara e roupa, se encontravam no centro do salão após iniciar a solene melodia, que chamava a atenção de vários convidados, que aos poucos iam chegando. Bianca e Camila se aproximaram dos dois.
- Vamos dançar, amor? – pedia Bianca, gentilmente. Ryan assentiu.
- Sim, mas antes vou falar uma coisinha com o Thomas. A sós. – e puxou o irmão para um canto distante de todos. – Olhe bem para aquela moça ali. Ela me convidou pra dançar, mas a Bianca, que é minha namorada, vai dançar comigo. Não ia ficar um clima muito legal, então, já que você está sozinho, sem par, sem ninguém... Nós somos parecidos, ela nem viu minha cara. Nossos cabelos, nossa roupa, nossa voz, tudo é igual. Vai lá, cara. Ela é tua.
- Mas, Ryan...
- Sem mas, vai, corre! – e empurrou o irmão na direção da garota. Thomas, sem ter escolha, pois sabia que quando o irmão insistia, ele iria insistir até o fim, acabou aceitando e foi ao encontro da moça. Enquanto isso, Ryan correu ao encontro de Bianca para dançar com a amada. Camila, impaciente por não ter com quem dançar, sentou-se sozinha à mesa, observando todos dançarem.
...
Thomas, sem escolha, estendeu a mão para a moça, que se levantou, sorridente.
- Daqui a pouco estarei de volta e nós dançaremos, tudo bem?
- Claro, estarei à sua espera. – respondia apaixonadamente Gabriel, piscando para a amada.
E Ana e Thomas, sem saber que estavam um acompanhado do outro, caminharam de mãos dadas até o centro, se juntando aos outros que dançavam.
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