Terra Das Sombras
5 Sabaku no Gaara, o antigo imperador
Notas iniciais
Esse foi feito poor -thais-estrela- mas teve algumas melhoras feitas por mim : AkireBell xD
Espero que gostem...
- Como vós consegues permanecer de tal forma? – me veio de forma inesperada. Virei-me para ver quem se pronunciava e para minha surpresa...
... O brilho que me acordara mais cedo naquela noite havia voltado. Desta vez pude ver o que trazia, ou melhor: quem.
Apesar na lâmpada apagada, podia ver perfeitamente seus firmes traços faciais. Seus olhos eram claros, ficava difícil distinguir qual a cor pela iluminação, mas eram lindas orbes. Lábios pequenos e um tanto pálidos. As sobrancelhas de rara pelugem lhe davam um ar mais imponente e ao mesmo tempo, contrastavam com suas mechas cor de fogo. Tudo isso e um nariz bem afinado faziam com que aquele homem fosse a mais perfeita personificação de um deus.
- Desculpe-me pelo susto! – ele dizia.
- Não, tudo bem. – respondi recompondo-me do breve devaneio.
- Tens certeza? – ele se abaixou para olhar-me bem dentro dos olhos – Se eu ainda estivesse vivo, estaria encharcado nesse momento.
- Ahm? Se estivesse vivo? Encharcado? – eu repetia tentando absorver tudo aquilo.
- Achei que vós fosses experiente o bastante ao menos para reconhecer um fantasma quando lhe fosse apresentado! – “fantasma”? Eu me perguntava com uma expressão bem interrogativa.
- Sim, claro! Que burrice a minha! Desculpe-me.
- Tudo bem, estou ileso – ele sorria pela primeira vez, bem discretamente, talvez tentando me confortar já que estava meio atrapalhada.
- E o que faz aq... – fui interrompida.
- Quero que seja minha mediadora – aquelas palavras ecoavam dentro de mim. Havia algo nele, me sentia estranha ao seu lado. Então não hesitei:
- Com prazer – e abri o meu melhor sorriso sendo o mais simpática possível. Meio atrapalhada, me levantei e estendi a mão direita. Ele também levantou, mas ignorou o meu gesto – Sou Yam... – mas interrompeu-me de novo.
- Yamanaka Ino, sim eu sei. Tenho lhe observado já faz algum tempo. Dez luas para ser exato.
- Dez luas? – eu sabia que significava dez dias, mas não acreditava – Quer dizer que voe me viu com Sai?
- Aquela garota de cabelos curtos, que anda com vestes inadequadas deixando parte de seu abdômen a mostra? Sim. Ela é albina? – ele perguntou inocentemente.
- Sai é homem! – (mesmo que não pareça muito) eu pensei.
- Ah! Isso explica muita coisa. Pensei que ela... Quero dizer, que ele, fosse uma espécie de hermafrodita.
Segurei-me para não rir, e o pior era que ele falava sério.
- Não, não. Ele é só meio fresquinho às vezes, mas é boa pessoa.
- Hm, bom saber.
- Então... Seu nome é?
- Sabaku no Gaara – ele disse orgulhoso.
- Sabaku no Gaara? – repeti me lembrando de algo – Esse nome não me é estranho... Eu te conheço?
- Talvez. Já deve ter ouvido falar de mim, o imperador mais bonito de Suna.
- Você é um imperador? – perguntei de olhos arregalados. Foi aí que me toquei de que a luz que lhe rodeava, características de almas que esperam pelo seu julgamento, era muito forte, a ponto de iluminar parcialmente o cômodo inteiro, sinal de que já estava morto há muito tempo.
- Tsc, tsc. Vós devias saber disto. Sou conteúdo da sua prova no final do semestre.
Corri para a bolsa que continha o livro de história e realmente estava lá: “Sabaku no Gaara, (1504 D.C – 1526 D.C) imperador mais novo que teve domínio do antigo império de Suna” e ao lado, um retrato de um homem ruivo de olhos verdes, porém, talvez trinta anos mais velho do que aquele que estava ao meu lado.
- Esse é você? – eu perguntei abismada, me perguntando se meus olhos estavam me enganando, ou se já existia o reniew naquela época.
- Claro que não! Este que estais a ver é o velhaco, meu pai. Houve uma confusão na hora de pintar os quadros. Aquele energúmeno do Da Vinci pintou dois retratos, um meu e um de meu pai e na hora de assinar nossos nomes, trocou os quadros. E como o meu querido e amado pai – ele falava com ironia evidente – não fez tanto sucesso quanto eu, seu quadro, que era meu, foi esquecido, e agora aparecem esses inúmeros livros que retratam a mim com essa ridícula imagem – o Sabaku ficou bem estressado, era visível como aquilo o irritava.
- Mas ele é bem parecido com você – falei tentando conformá-lo.
- É, infelizmente – seu olhar estava distante.
- Parece que você e seu pai não eram muito próximos.
- É melhor não mencionar aquele velho aproveitador – fez uma pausa e do nada me fitou, examinou-me minuciosamente e deu um pequeno sorriso com o canto dos lábios – Que tal falarmos de vós?
- Falar de mim? O que quer saber? – foi estranho como me perguntou aquilo, fiquei surpresa.
- Bom, nossa convivência daqui para frente será constante, portanto, quero saber mais sobre vós – e pôs com delicadeza uma mecha, que me cobria um olho, atrás da orelha, ainda com o pequeno sorriso lateral.
- Hm... É difícil descrever-me – ele riu.
- Vós sois bem falante perto dos amigos, mas comigo é deferente. Por quê? – estava sério.
- Não me sinto muito a vontade para falar com vossa senhoria. Não estou acostumada a lhe dar com imperadores. Desculpe.
- Bobagem. Esqueça essa história toda de Suna e imperadores, me chame apenas de Garra e eu a chamarei apenas de Ino. Tudo bem?
- Sim.
- Melhor assim – ele me sorriu e depois me observou dar um bocejo daqueles – Você parece estar cansada. Vá dormir e amanhã nos falamos. – deu um último aceno e me deixou na escuridão daquela cozinha que agora era iluminada apenas pelo fraco brilho da lua.
Não pude recusar a sua ordem e fui dormir, estava exausta. Ele me parecia ser bem gentil até aquele momento.
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No dia seguinte acordei ansiosa para que a conversa com o imperador-deus-grego-do-deserto fosse ainda melhor, porém, minha nova alma não apareceu. Comecei a ficar meio frustrada.
Cansada de esperar, resolvi tomar um banho bem demorado, lavei cada centímetro de meu corpo. Um bom banho sempre me traz um aspecto renovado.
Ao sair do banheiro, vesti a primeira camisa grande e velha que tinha entre minhas roupas, penteei os cabelos ainda molhados em frente ao espelho e fui passar alguns de meus cremes (Sem eles eu não sou nada) quando de repente ele apareceu.
- O que é isto? – disse apontando para a minha cara lambuzada.
- Ah! É você! – disse me recompondo do susto – Isso é um produto para a pele que corrige olheiras – disse apontando na cara dele um de meus inúmeros “bebês” – esse aqui é para espinhas e esse aqui ajuda a manter o colágeno natural do rosto – eu já ia mostrando os meus vidrinhos da alegria.
- Mas esse aqui é indicado para aquelas senhoras que possuem 60 anos! – disse apontando para o vidrinho que estava ao lado do espelho.
- Ah meu querido, é indicado. Quanto antes prevenir, melhor! – sorria-lhe satisfeita.
- Mas isso não irrita vossa pele?
- Isso é Reniew, meu filho! E se fizer mal eu processo! – senti-me vitoriosa.
- Cristo! Consegui uma mediadora louca! – ele falava sozinho.
- Louca é a mãe, okay? E você nem pode falar nada, olha a roupa ultrapassada que está usando – o antigo imperador utilizava uma grande bata marrom com uma fina faixa de tons bege e bordas douradas.
- És uma criança! Que mentalidade infantil! – fiquei meio que boiando – Não vê que este é um legítimo traje feito a mão, com bordas banhadas a ouro? Essa é a roupa mais elegante que um imperador já teve!
- Mas ainda sim, é brega – eu dizia com desdém.
- Brega? O que é isto? – ele perguntava bem confuso e um pouco bravo.
- Cafona, fora de moda, feio, inadequado... Troca essa roupa, pelamordedeus.
- Eu não! Estou bem assim como estou – ele passava as mãos alisando a roupa.
- hahahaha – eu ria sarcasticamente enquanto ele me fuzilava com os olhos – faz-me rir! Essa roupa é tão cafona que ficaria melhor até de tutu de bailarina!
Agora ele ria, bem disfarçadamente, mas ria. Mesmo assim, ainda se mantinha enraivecido e continuei com minha teoria.
- Não, melhor: se quiser bancar o fantasma, coloque um lençol branco em cima da cabeça com dois furos para os olhos. Com certeza fica beeem melhor que esse seu modelito ultrapassado – falei de nariz empinado.
- Bem, prefiro trajar isto a me vestir assim como vós! – dizia com desdém.
- Assim como eu? – perguntei olhando para a minha roupa – Como me visto? – dessa vez o olhava mais confusa que louco na solitária.
- Como uma promiscua adultera – ele dizia vitorioso, mas não pude entender o que o ruivo dizia. Saí procurando por todos os cantos o pequeno dicionário, e ele imóvel, parado, apenas me observava com um leve sorriso nos lábios. Quando eu finalmente achei o meu pequeno “pai dos burros”, folheei as páginas um tanto apressada. Precisava saber se ele zombava de mim ou se era um elogio.
- Ta aqui! – fiz uma pausa para ler o que havia ali e quando descobri... – Seu Gay! – falei com a cara mais intimidadora que pude encontrar, mas invés de assustá-lo eu consegui deixá-lo é confuso.
- Hã? – ele fazia cara de interrogação – O que é isso? – Era a minha chance de vingança. Folheei novamente as páginas e mostrei-lhe o significado – Homossexual? O que significa? – esqueci que naquela época isso era considerado o maior dos pecados ou algo desse gênero.
- Sabe quando dois homens... – juntei os dedos de cada mão e fui aproximando uma da outra, simulando um beijo, girando as mão e fazendo biquinho.
- Oh! Que audácia! Como podes falardes assim de mim? – ele estava realmente bravo. Me senti muito encabulada. Muito mesmo. E assim, uma pausa se deu por um bom período de tempo, até ele me olhar com um sorriso provocador nos lábios e finalmente quebrar o silêncio – Mas sabe, ouvi falar uma vez que quem desdenha quer comprar – agora aquele safado me fitava com os olhos mais safados ainda. Como ele viu que não ia responder, continuou – E que quem cala consente — Senti minhas maçãs corarem e mantive-me em silêncio, pois eu realmente queria ele pra mim, ou melhor, o CORPO dele, pois aquele indivíduo era realmente chato.
- Sabe, pensando bem, você fala comigo com tanta intimidade, como se já tivesse tido um mediador antes, afinal, você é bem antigo. Já teve um mediador antes? – indaguei com a curiosidade explícita em minha voz.
- Vinte e sete – Sabaku dizia indiferente. Eu, mais uma vez, estava confusa com o que aquele ruivo dizia, e ele parecia estar gostando disso.
- Vinte e sete o que? Os anos que ficou com ele ou ela? – perguntei.
- Não – dizia ainda indiferente – 26 mediadores. Você é a vigésima sétima.
- O QUE? COMO? REPETE! – e o que eu pensava naquele momento era : “Como? O que? Repete”, ou seja, nada (maldito cérebro medíocre).
- É sim. O último morreu há dois meses – aquele olhar gélido que me lançara foi o pior de tudo. E a indiferença de sua parte me fazia, pela primeira vez, sentir medo de um fantasma.
- Vinte e sete? – eu ainda me mantinha estagnada e surpresa. Ele assentiu.
- Todos eles morreram quando estávamos quase descobrindo. Tadinhos.
- Vinte e sete? – ele me olhava agora de um modo meio estranho, como se estivesse se divertindo à custa de minha surpresa e de meu embaraço.
- Sim, sim, Vinte e sete – já podia ver a impaciência em sua face.
- Tem certeza que não eram dezessete? – perguntei esperançosa.
- Tenho, pois eu me lembro, com exatidão, de cada um deles – ele sorria vitorioso. Eu ainda não acreditava.
- E por que você me escolheu? – perguntei fazendo biquinho tentando me conformar com tal situação a que fui submetida.
- Sei lá... Você me lembra de alguém.
- Quem? – a pergunta foi feita em vão e minhas palavras ficaram no ar. Minha sorte é que não gastei tanta saliva, o antigo imperador de Suna havia partido – Vinte e sete?
Notas finais
E please, deixem reviews ok ?
Kissus ;*
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