Notas iniciais
Voltei :)

Sai do banheiro ainda com a toalha enrolada no corpo, estava fazendo um calor digno do inferno e eu tinha que estar em trinta minutos na cafeteria que trabalho. Gustavo não ajudava muito a situação, depois do almoço viemos para o meu quarto no campus e descansamos durante uma hora, hora essa que deveria estar me arrumando.

Meu cabelo estava todo emaranhado, arrumar aquilo levaria pelo menos dez minutos. Ter cabelos cacheados requeria cuidados especias, coisa que não tinha.

Abri o guarda-roupa e peguei uma calcinha e um sutiã, a pois vesti a peça de baixo joguei a toalha em cima da cama e arrumei o sutiã. Eu e Gustavo estávamos juntos a tempo suficiente para não ter mais vergonha de me trocar na sua frente.

Na verdade estamos juntos desde o último ano do colegial, não posso dizer que era uma pessoa antissocial, também não era a mais popular. Estava no meio, nem um nem outro, fazia parte do grupo que falava com todo mundo, que era amigo de todo mundo. Já Gustavo, estava no time de futebol da escola quando comecei a reparar nele.

Depois de algum tempo passando o intervalo lendo nas arquibancadas junto com Brenda e Júlio, comecei a reparar no meninos do time e o Gustavo me chamou atenção por estar sempre sorrindo ou brincando com alguém, gostava daquilo nas pessoas, parecer feliz, mesmo, tento alguma coisa em comandando.

Então em algum momento no meio disso tudo ele também olhou para mim, depois de alguns dias apenas trocando olhares tivemos nosso primeiro encontro, apenas saímos para tomar um milk shake, ele era simpático e brincalhão, ou seja, mais um ponto para o garoto. Depois disso ele conseguiu todos os pontos necessário comigo.

— Bem que você poderia ficar mais um pouco. — Dizia enquanto coçava o olho.

— Seria ótimo. Uma pena que não posso. — Respondi-lhe tentando passar a camiseta branca pelo pescoço. — Me passa essa calça da cabeceira. — Pedi.

Apenas senti suas mãos ao redor do meu corpo segundos depois, mesmo querendo ficar ali com ele não poderia. Tomei a calça de sua e o empurrei de volta para cama, vendo cair de costas e fechar os olhos.

— Não tenho tempo para isso agora, Gus.

— Tudo bem, me avise quando tiver tempo para mim, senhorita não-tenho-tempo-para-namorado-gostosão. — Ele levantou pegando sua blusa do chão do quarto.

Gustavo as vezes tinha seus momentos de drama queen mas logo depois voltava a ser o cara legal de sempre.

— Vai sair hoje, durante à noite? — Perguntei enquanto escovava os dentes.

— Vai rolar uma festa com a galera de engenharia, acho que por volta das dez passo aqui. — Ele informou.

— Não posso. — Cuspi a espuma da boca. — Amanhã tenho trabalho de campo, cedo. Preciso estar acordada antes das sete. — Revirei os olhos.

O nosso professor de trabalho em campo estava planejando esse trabalho durante algumas semanas e certamente valeria alguma nota não dita para quem fosse, segundo ele não seria obrigatório, mas muito bom para experiencia. Ou seja, poderia ter chances de alguns pontinhos na matéria dele.

— Sério? Toda galera vai. — Ele pareceu cabisbaixo com minha resposta.

— Sinto muito, mas deixa para uma próxima. E outra, saímos de uma festa faz algumas horas. Como você aguenta? — Perguntei.

Peguei a chave do quarto, esperei ele terminar de calçar o tênis e se juntar a mim. Fechei a porta conferindo a maçaneta.

— Eu tenho pique, gatinha. — Deixou um beijo estalado na minha bochecha e logo depois segurando minha mão para sairmos do prédio.

O cheiro de café queimando era relaxante, eu poderia dormir o resto dia somente cheirando aquilo, porém o ar-condicionado não estava funcionando a todo vapor, o número de clientes estava moderado para a hora do dia, normalmente esse lugar estaria formigando de pessoas. Já sabíamos o motivo da falta de clientela. Nosso concorrente, o Coffes Brazil, estava abrindo mais uma de suas franquias a duas quadra da nossa loja, isso era praticamente um aviso de guerra.

Meu patrão, o respeitoso senhor Carlos, era arqui-inimigo do dono do Coffes Brazil, alguma coisa relacionada ao fato de um ter sido amigo do outro durante o período da faculdade e a ideia ter sido dos dois...qualquer coisa do tipo.

Brenda me encarava durante alguns minutos, normalmente, ela só fazia aquilo quando estava querendo falar sobre alguma coisa. Quase sempre, sobre a vida de nossos clientes. Após entregar mais um refil para o adolescente na minha frente me virei para também encará-la.

— Desembucha!

Ela arrastou seu corpo magro e amarelo para o meu lado toda saltitante.

— O que você achou do cara novo?

— Que cara novo? — Alguém ali precisava de remédios.

— Victor? Alô? Em que planeta você vive, Diana? — Ela parecia querer me dar uns tapas, mas estamos no trabalho então sorte minha.

— O do sorriso simpático? — Perguntei, lembrando da hora do almoço.

— Esse mesmo, um gato. — Ela sorriu para mim com seus dentes amostra.

Brenda e Júlio tinham um relacionamento aberto, o que queria dizer que eles pegavam quem quisesse na hora que quisesse mas depois voltavam um para o outro com os rabinhos entre as pernas. Estão juntos a mais de três anos, então acho que esse lance de relacionamento aberto pode dar bem certo.

— Simpático. — Respondi novamente, utilizando a mesma palavra.

O cara era gato, mas falar isso na cara da Brenda era o mesmo que assinar sua morte. Seu único defeito era contar tudo para seu primo, quando digo tudo, é tudo, literalmente. Depois que eu e Gustavo trasamos pela primeira vez, contei a ela tudo, depois, o Gustavo veio me perguntar várias coisas sobre, como: Se foi bom, ou se ele tinha me machucado. Cogitei a possibilidade de fugir o mais rápido possível daqueles dois mas no fim, tudo foi para o seu devido lugar.

— Então... vai para festa hoje? — Bê perguntou enquanto fazia mais um café.

— Tenho trabalho de campo, amanhã cedo, mas estou começando a cogitar essa possibilidade. Aparentemente vai ser boa essa festa né? — Perguntei, virada vendo-a colocar a tampa no copo de café.

— Acho que sim.

Uma voz masculina respondeu minha pergunta, atrás do balcão me fazendo virar para ver quem era. Do outro lado Victor sorria com uma nota de dez reais na mão.

Notas finais
Até o próximo capítulo.