Notas iniciais
Oláa, voltei, espero que gostem.

Brenda encarava Victor durante alguns segundos, o que estava começando a ficar constrangedor para quem observava a cena. Um senhor que aguardava na fila atrás do rapaz pigarreou chamando minha atenção.

Victor deu sua vez ao senhor que aparentava estar bastante apressado.

— Café preto, para viagem. — Disse. — Sem açúcar. — Completou impaciente examinando o relógio de pulso.

Como estava no caixa naquele momento apenas repassei o pedido para o nosso outro funcionário.

Victor e Brenda conversavam bastante sobre algum assunto, aparentemente muito interessante.

No primeiro ano do ensino médio, durante a apresentação da turma, uma garota destacou-se por ser bastante falante e bem alegre. Brenda na época tinha cabelos vermelho fogo, e mesmo com a sobrancelha não combinando de forma nenhuma com seu cabelo, parecia ser uma garota legal.

Tinha um visual completamente roqueira, e mesmo passando um visual intimidante ela conquistou toda a sala, inclusive eu, que virei sua melhor amiga.

No começo foi bem difícil acompanhar seu ritmo de vida, quase sempre estávamos em festas de adolescentes riquinhos.

Brenda conhecia gente, que conhecia gente.

Durante um ano minha vida se resumia em acompanhar ela para suas ficadas loucas, ou encontros com estranhos da internet.

No segundo ano, Júlio apareceu na sua frente, literalmente. Os dois trombaram um no outro no corredor durante um dos intervalos das aulas.
Brenda insistia em dizer que foi como amor a primeira vista, e me obrigava a sondar o rapaz, até então desconhecido, para saber um pouco mais.

Até o dia que estava muito, mais muito irritada com ela a ponto de não estar a fim de seus joguinhos e gritei para Júlio que Brenda queria sair com ele. Diz ela que me odiou profundamente naquela hora, mas se não fosse por mim, Brenda e Júlio não seriam Brenda e Júlio.

Mesmo, não sendo.

— Ele é um puta gato. — Brenda comentava, depois do expediente para a amiga distraída, caminhando ao seu lado examinando as unhas por fazer.

— Claro, claro. — Respondeu vagamente.

Estava prevendo os futuros capítulos dessa novela, já aconteceu várias vezes, Gustavo fica amigo de alguém. Brenda gosta desse alguém. Fica com esse alguém... e ai ela lembra novamente do Júlio.

E o alguém, como sempre, com o coração quebrado deixava de falar com o grupo de amigos e o amigo.

Tirando esse fato ela estava com a sensação de estar esquecendo alguma coisa.

Foi só durante o banho pós trabalho que lembrou abrindo os olhos com shampoo, que ela tinha um trabalho valendo quase metade de sua nota em entrevista, e que precisaria de pessoas comentando sobre algo, para o seu trabalho.

— Merda!

O shampoo começava a irritar seus olhos, tirando o fato de ter que ir para uma festa entrevistar pessoas aleatórias sobre como estava sendo essa tal festa, ela teria que acordar cedo no dia seguinte.

Bufando e tentando enxerga o registro do chuveiro, deixou com que a água gelada levasse toda a espuma de seu cabelo.

Às vinte e duas horas estava pronta, apenas ajeitando o colar de prata dado pelo namorado no primeiro ano de namoro.

— Por que decidiu ir agora, gatinha? — Gustavo perguntou.

Ele estava no seu quarto desde da hora que ela saiu do banho, aparentemente já pronto para festa, ela apenas precisou comunicar que também iria para festa.

— Trabalho de entrevista, preciso de pelo menos da opinião de quinze pessoas sobre algum evento. — Virei para encará-lo. — Esqueci completamente que o prazo estava acabando.

Ela detestava por completo quando os professores passavam trabalhos com muito tempo, porque sempre esquecia de fazê-los e quando ia ver estava à um dia de distância do prazo final.

— Brenda vai com a gente? — Perguntou, pegando o chaveiro com suas chaves, a bolsa com o bloquinho de notas e uma caneta, juntamente com resto dos seus pertences.

— Disse que iria com o Victor. — O namorado respondeu.

E Diana soltou um riso fraco já sabendo o que viria pela frente.

Era necessário muito esforço para conseguir ouvir o que as pessoas lhe respondiam, Diana não tinha conseguido entrevistar nem metade das pessoas e estava começando a ficar com dor de cabeça por conta da música estridente que fazia os jovens ali balançarem.

Quando chegou a festa, tinha certeza de que a noite seria longa. Não que não curtisse festa e coisas do tipo, mas estava realmente cansada no dia.

O rapaz que estava entrevistando no momento estava mais interessado em olhar para os seus seios do que responder as perguntas ditas.

— Certo, muito obrigada pela entrevista. — Disse cortando a fala do rapaz.

— Que isso gata, precisando... — Ele deixou a fala morrer e foi dançando no ritmo da música para longe dela.

Enquanto isso Gustavo e Júlio enchiam mais um copo de cerveja, com toda certeza sobraria para alguém levar aqueles dois para casa e mesmo sendo a namorada de um deles Diana estava torcendo para não ser ela.

Seu cabelo solto estava começando a incomodar, grudando na nuca, e o calor na pista de dança só aumentava com todo aquele movimento.

Decidiu então procurar a cozinha para beber alguma coisa, não poderia de forma nenhuma beber álcool caso quisesse parecer um pouco menos acabada na manhã seguinte.

Copos e mais copos estavam dispostos em cima da bancada da cozinha da casa, aquelas pessoas teriam trabalho para arrumar tudo aquilo. Era por esse e outros motivos que ela e os amigos nunca davam festas, era bem mais fácil e ir a algumas.

Abrindo a geladeira deu de cara algumas garrafas de vodca e outras bebidas coloridas. Apenas pegou uma garrafa d'água escondida no fundo da geladeira.

Virou um gole sentindo a água gelada resfriar sua garganta.

— Isso que você está tomando deve ser muito bom, pela sua cara. — Victor observava sua expressão com um copo vermelho disposto na sua mão direita.

Diana tirou a garrafa da frente do rosto, observando o rapaz a sua frente.

Ele tinha uma mania estranha de brotar em muitos lugares.

Notas finais
Até a próxima. ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.