Tentativas !
3 Reencontro
Alguns dias depois, sentada em sua cadeira aguardando novas instruções, e alheia às conversas à sua volta, ela pensava em seu misterioso amigo e sua adorável filha.
Com certeza ele era médico, ou algo parecido, havia comentado sobre plantões e isso havia lhe dado uma vaga ideia.
Era uma possibilidade interessante tentar conhecer novas pessoas, abrir mais o leque de sua vida e se dar uma chance. Chance de viver e tentar esquecer quem amava.
Que missão ela tinha se imposto, não estava totalmente confiante em conseguir.
Assim que todos resolveram tomar um café na lanchonete da esquina ela viu o quanto as coisas poderiam ser difíceis, contrariando sua convicção de se afastar dele.
Bastava olhar um pouco mais para ele para sentir o coração bater bem mais forte, era uma chuva de emoções cada busca por ele no mesmo espaço. Seu coração não queria entender a mensagem que sua cabeça ordenava.
Notando em seu rosto bonito uma barba por fazer, seu estômago lhe enviou um alerta. Cuidado !
Ele estava bonito e ela tinha certeza que ficaria ainda mais se fosse seguir em frente com a quela ideia. Sentiu um arrepio percorrer sua espinha, seus dedos coçavam de vontade de tocar sua face. Queria sumir, desaparecer, gritar. Sua camisa preta e as calças claras emprestavam a ele um ar charmoso e irresistível. Por que tinha que ser assim ?
Sua voz , muito calma e compassada invadia seus sentidos lhe dando uma ideia de como seria ouvi – la pela manhã, bem junto ao seu ouvido. Seu braço se arrepiou e instintivamente ela levou os dedos até ele, esfregando – o .
_Está com frio, Sara ?
_Não, Nick ! — Ela disse, querendo parecer calma.
Grissom olhou para ela, imaginado como seria aquecê – la em seus braços.
Sua cirurgia tinha sido um sucesso, estava bem, a não ser por aquela frase que se repetia dezenas, talvez centenas de vezes em sua cabeça confusa.
“...Quando você se der conta, vai ser tarde demais !”
Porque era exatamente o que estava acontecendo. Não parava de pensar, descobrir que ela tinha vontade de sair com ele, tinha lhe despertado algumas vontades veladas, que até então, fingia não perceber.
Não era certo e ele tinha que parar de pensar nela.
Sara percebia alguns olhares dele em sua direção. Mas seu coração se aquietou, já tinha se enganado uma vez, e não havia mais espaço para um segundo erro. Talvez fosse apenas seu jeito e nada mais, ela tinha que se condicionar a esquecê -lo e pronto.
Se tivesse que dar um conselho a alguém que estava tentando esquecer um amor, seria muito fácil.
“Não conviva com ele.”
Estar perto, a maior parte das horas do dia, sentir o perfume, o cruzamento de olhares, tudo contribuía ao desespero e ao fracasso em todas as tentativas.
Mas tinha que ser firme. Tentaria passar por cima de qualquer obstáculo, para um bom relacionamento profissional com ele.
Afinal, ele era seu chefe, e faria qualquer coisa para conviver em harmonia.
Sara foi a primeira a sair, seguida por Warrick e Greg.
A passos largos alcançou a porta de seu carro, no momento em que Grissom passava também apressadamente por ela, lhe acenando a cabeça.
Queria se evaporar dali, longe de sua companhia, e na segurança de seu apartamento.
Implorou em silêncio para que seus pensamentos se aquietassem e lhe desse o conforto da segurança de seu lar solitário.
….......
Havia se passado uma semana quando ela encontrou Simon novamente no supermercado.
Desta vez estava acompanhado por Amy e os dois riam de alguma coisa que ela havia dito.
_Sara !
A garota correu para seus braços, desajeitada com o peso do gesso.
_Pedi tanto para meu pai ligar para você … mas eu acho que ele não me obedeceu. Ele é um mau menino !
Simon lhe deu um beijo na face, a fazendo corar. Era obvio que sua filha percebera, pelo seu sorrisinho maroto.
_Acabei de saber que terei uma cozinheira para esta noite.
_Não quer jantar com a gente, Sara … por favor … eu adoraria ! E meu pai também !
_Eu não sei … talvez seja chamada para alguma ocorrência. Na verdade estou de folga “vigiada”.
_Eu também, estarei de plantão, sem longas distância e sem uma gota de álcool.
_Ossos do ofício.
_Não quer considerar ?
Ela ponderou, na verdade adoraria, passar, ou pelo menos tentar, uma noite diferente.
_Tudo bem … mas existe um porém ..
_Qualquer coisa que quiser.
_Não perguntou ao seu pai se ele realmente aceita minha companhia.
_Eu sei o que é melhor para ele !
Simon sorriu abertamente esfregando a cabecinha clara dela.
_Desista, você não ganha uma dela. Nunca consegui. E eu aceito com prazer sua companhia.
A garota sorriu e se virou para ela, feliz.
_Bom … sou uma cozinheira em ascensão, faço alguns pratos muito simples mas altamente saborosos.
_Isto inclui algumas tortas e lanches frios ! Uma verdadeira chef !
_Papai !
Ele esticou o canto da boca, indicando que levara uma bronca.
_Ela só me chama assim, quando está brava.
_O que gostaria de comer, Sara ?
_Eu … — estava sem graça de dizer que era vegetariana. — Na verdade …
Simon percebeu seu desconforto a acudindo.
_Não se preocupe em pedir, ela vai se desdobrar para agradá — la, isso faz parte de sua natureza inquieta.
_E meu pai sempre me dá uma mãozinha … se é que me entende …
_Eu sou vegetariana ! — Ela esticou seus lábios esperando expressões de surpresa.
_Uau … não somos vegetarianos mas posso garantir que adoramos comida saudável. Além de conhecer algumas receitas.
_Fico tranquila em saber disso.
_Ás oito então ?
_Combinado.
_Precisa que vá buscá – la ?
_Não, apenas me passe o endereço que estarei lá, as oito em ponto.
Ela anotou mentalmente e logo depois se despedia deles.
Ia lhe fazer bem conviver com alguém tão diferente de seu círculo de amizades.
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