Tentativas !
4 Se sentindo muito bem
Ás oito em ponto, a pesada porta de madeira se abria, em um bairro nobre de Vegas, com seus moradores a recebendo com muito entusiasmo.
Amy usava um vestido leve e florido, com sandálias baixas, os cabelo presos em um rabo de cavalo, seu pai usava uma camisa azul clara, calça jeans e um sapato marrom.
Sara conseguiu um ar bem simples mas com muito estilo, com sua calça social clara, uma camisa branca comprada em uma das lojas mais famosas de Vegas e um scarpin muito alto. Estava linda.
O perfume suave dela invadiu a sala e notou que Simon aspirou profundamente, lhe enviando um sorriso encorajador.
Eles se sentaram na enorme sala.
A casa parecia muito grande para apenas duas pessoas.
_Quer tomar alguma coisa, Sara ? Água, suco ?
_Sim … gostaria, um suco cairia bem, se não se importar.
_Claro que não.
Ela se levantou, parecia muito feliz.
_Ela adora receber visitas, isso não é muito comum aqui, a não ser seus amigos, na maioria da sua idade, todos bons garotos.
_Ela parece ter uma alegria contagiante.
_E tem … é uma sorte ser pai dela. Sou muito orgulhoso disso.
Ela olhou em volta, estava meio sem jeito.
_Sara, quero que se sinta à vontade, somos pessoas simples, e procuro criar a Amy da mesma maneira. Esta casa parece pomposa demais, mas foi ideia de minha mãe para que Amy se sentisse confortável. Ela adora aqui.
_Que bom. Você dois são muito gentis, vou procurar retribuir tanta atenção.
_Eu aceito sua proposta.
_Pronto !
Amy depositou uma jarra com suco de maçã e três copos com gelo, se ajeitou de novo no sofá macio e se virou para ela.
_Me fala de você, Sara.
_Não tenho muito o que dizer. … bom … como já sabe tenho um trabalho noturno, onde meus amigos e companheiros são a minha família. Sou de São Francisco e há alguns anos recebi uma oferta tentadora e aqui estou eu.
_Mora sozinha ?
_Sim.
_Você não tem mesmo uma família ? — Simon segurava seu copo e olhava profundamente para ela.
_Não – ela respondeu simplesmente.
_Costuma sair muito ?
_Infelizmente não, quase não tenho tempo.
_Pai … parece que já vi esse filme.
Ela sorriu, apertando as mãos.
_São apenas vocês dois ?
_Não, meus pais moram conosco.Eles estão viajando em um cruzeiro com sua “gangue”. Um grupo de pessoas que resolveram aproveitar a vida na terceira idade.
_Vovó é totalmente irreverente. Faz academia, está aprendendo japonês, e ainda tem tempo para me mimar. Ela é adorável. Quanto ao vovô adora ler, fumar cachimbo e jogar golfe
_Verdade, minha mãe é mesmo uma figura. Devo muito a ela, me ajudou muito no momento em que mais precisei. Ela é forte e muito especial.
_Que bom, Simon. E então moram vocês quatro aqui ?
Na verdade ela queria saber sobre a mãe de Amy, mas não tinha intimidade suficiente para perguntar, e se sentiu incomodada em abordar o assunto na frente da garota. Foi com muita surpresa que ela própria resolver satisfazer sua curiosidade.
_Minha mãe morreu há cinco anos, morava com ela quando … aconteceu, não é pai ?
_Sim …
_Eu sinto muito.
Amy se levantou e foi em direção ás escadas. Vou pegar umas fotos para você conhecer nossa família.
Sara se voltou para Simon repetindo.
_Sinto muito mesmo.
_Não se preocupe, Amy quase não a via, eu era mais presente, mesmo com toda essa minha correria.
_Como ?
_Nos separamos quando Amy tinha dois anos, e resolvi morar ao lado, para acompanhar o crescimento dela, e não deixá – la sentir tanto a separação. Chandra era um pouco festiva demais … gostava muito de beber e consequentemente houve um acidente ao sair de uma festa e ela não resistiu. Agradeci a Deus por Amy estar dormindo em casa, naquela noite.
_Amy parece reagir bem a isso.
_Como eu disse, ela conviveu mais com a babá do que com a presença da mãe. Até hoje ainda temos contato com ela. Mora no bairro próximo e nos visita sempre que pode. Vive levando Amy para passear, ás vezes vem buscá – la para dormir em sua casa. Ela tem filhos adoráveis, são gêmeos e hoje já não precisa mais trabalhar. Casou – se com um grande amigo meu. Também médico.
_Você é médico ?
_Sim, trabalho no Saint Germain e tenho um consultório ali perto, há duas quadras.
_Qual a sua especialidade ?
_Sou cirurgião.
_Interessante.
Eles se voltaram para o lado com Amy descendo os degraus apressadamente e trazendo alguma coisa debaixo do braço.
Se sentou no chão e abriu a caixa escura expondo seu conteúdo.
Várias fotos surgiram.
Os avós, muito simpáticos, Gerard era um homem bonito e forte, Allana igualmente bela e muito bem cuidada.
Havia uma foto da mãe de Amy, sentada em uma poltrona colorida, as pernas cruzadas, e um copo na mão. Trazia um sorriso bonito, os cabelos muito arrumados, caindo em cachos loiros. Era uma mulher interessante.
Muitas fotos de Amy quando bebê, sempre junto à Tania. Uma morena muito alta, não muito bonita, mas extremante simpática.
Outras tantas fotos de Simon, vestido com roupas profissionais, algumas outras esportivas, em cima do que parecia um iate, ou um veleiro. Não conseguiu precisar o que era na verdade.
Uma foto lhe chamou muito a tenção, parecia recente e ele estava abraçado à uma mulher baixa, de corpo perfeito, cintura muito fina e seios fartos. Amy estava agarrada a ela também e seus avós mais ao fundo, na varanda de uma casa, talvez de campo, com montanhas ao redor.
Talvez ele tivesse alguém.
_Está é a minha irmã Selena.
_Selena ? — Não era um nome muito comum.
_Somos espanhóis. Na verdade era para me chamar Juan Carlos, mas minha mãe estava lendo um romance de uma autora norte americana, o personagem era médico ...- ele riu – logo, realizou dois sonhos de uma vez. Ela me deu o nome do “herói” e de quebra ainda me tornei médico também !
Quanta coisa interessante estava conhecendo em apenas poucas horas.
_Olha, estou encantada com sua família Simon, Amy é uma garota de sorte mesmo.
_Obrigado Sara.
Amy se levantou e lhe beijou o rosto tão naturalmente que ela nem teve tempo de se sentir constrangida. O efeito foi o contrário, se sentiu muito bem.
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