Tentativas !
17 Entrega
Com todos reunidos, Grissom teve que dar atenção a eles sobre as provas e as conclusões que já estavam sendo finalizadas.
Tinha que participar.
Sara o encarou, ele parecia tão diferente.
Ele também a encarou, depois desviou seus olhos, querendo apagar aquela sensação de torpor que tomava conta dele, muito mais intensa ultimamente.
Mesmo com uma notícia espetacular que ela vivera na tarde anterior, aquela coisa toda acabou por lhe tirar a alegria.
Vê – lo tão calado e sério havia plantado uma pequena dúvida em sua cabeça. Ela quase não o via mais com Sofia, era muito raro. Será que ela tinha lhe dado um fora ? Mas ao mesmo tempo em que se entregava às dúvidas, outra coisa a intrigava.
Por que ele parecia tão arredio, bravo e estranho quando olhava para ela. Parecia uma outra pessoa. Não conversavam mais, quase não tinham mais contato, ela percebera que ele fazia questão de se distanciar dela.
Mas, o que estava acontecendo ?
Qual era o problema ?
Quem tinha motivos para se afastar dele, era ela.
Ela estava sentada no banco do vestiário deles. Todos já haviam saído, estivera o tempo todo pensando em falar com ele. Tinham que ter uma boa convivência ali dentro, ia chegar um momento em que ficaria insuportável.
Fazer o que ! Se não era para ser, que ela se conformasse, oras.
Queria de verdade descobrir por que ele estava tão disperso e distante
….......
Grissom queria fechar os olhos e se teletransportar para outra galáxia, outra dimensão !
E agora tinha aquela maldita festa.
Estava indo em direção ao vestiário, pegar algumas coisas em seu armário quando encontrou novamente com Sofia.
_Você vai à festa, Grissom ?
_Acho que sim.
_Poderia ser minha companhia ?
Ele olhou para ela, talvez fosse melhor.
_Tudo bem.
_Pode me pegar então ? Às oito ?
_Sim.
Ela saiu sorridente.
E ele parecia apenas impassível. Nenhum sentimento em relação aquilo.
Somente que ele estaria lá, com alguém que não queria estar. E veria Sara com o miserável do namorado dela … ou noivo.
….......
Assim que chegou à porta, viu ela sentada ali … o que faria ? Daria meia volta ? Entraria ? A tomaria em seus braços e diria a verdade ? Não ! Talvez pudesse cumprimentá – la. Ficou paralisado.
Ela se virou devagar, sentindo a presença dele.
_Oi Grissom !
_Olá.
Ele abriu a porta de seu armário fingindo interesse em seu conteúdo. Nem sabia mais o que estava procurando.
_Posso falar com você ?
Seus olhos se arregalaram.
_S... sim … claro ! — Ela ia dizer a ele sobre o casamento ?
Ela olhou para ele, estava com o rosto escondido dentro do armário. Teve o ímpeto de rir. Mas não o fez.
_Grissom !
_Sim … o que foi ? Algum problema ?
_Pode olhar para mim,quando falo com você ?
De onde estava tirando coragem, ela não sabia. Talvez fosse sua necessidade de uma convivência mais amena entre eles. Estava apenas sendo prática. Mesmo com o coração na mão ela tinha que fazer aquilo.
Ele fechou a porta lentamente. Precisa tirar forças de dentro, e esperar que suas pernas parassem de tremer.
_Diga …
A cara dele não era das melhores, mas pelo menos ele olhava para ela agora.
Ela se levantou e chegou mais perto dele.
Viu ele arregalar os olhos.
_O que está acontecendo com você ?
_Como assim ?
_Nós trabalhamos juntos, Grissom. Você é meu supervisor e parece que nem nos conhecemos.
_Não sei do que está falando.
_Qual foi a última vez que nos falamos ? Hum … pelo menos sobre trabalho ?
Ele apenas entortou os lábios para o lado e balançou a cabeça.
_ Olha … — ela respirou fundo, ele estava tão bonito com aquela barba ..._O que aconteceu entre … ou melhor … o que “não” aconteceu entre nós dois não deve atrapalhar nosso relacionamento profissional. Achei que essa fosse uma regra … básica.
Ele não disse nada, apenas a olhava, muito sério. A testa enrugada. Isso a incentivou a continuar.
_Confesso que no começo … quando … quando te chamei para sair … talvez tenha me chateado .. um pouco – Ai como era difícil ! _Mas agora, acho que temos … que … ser … amigáveis pelo menos. Somos … profissionais.
_Somos profissionais . — ele repetiu.
_Isso.
De repente ele deu mais passo, ficando bem mais perto dela. As olheiras estavam horríveis, seus olhos pareciam pesados.
_Você está feliz, Sara ?
Ela deu um passo para trás.
_Hã ? O que … isso tem a ver com essa conversa ?
_Está ?
Mais um passo.
As mãos dele estavam fechadas com força, ela pode ver que ele as apertava.
_Estou tentando …
_Sim … ou não !
_O que está tentando fazer ?
_Saber a verdade .
_Pra quê ? Que diferença faz ?
_Muita … como pode se casar com um homem que não sabe se isso a faz feliz ?
_Casar ? ? ? De onde tirou isso ?
_É o que um anel significa, não é ?
Ela olhou para o próprio dedo.
_Este anel ?
Ele abriu os braços, sendo óbvio.
Ela pensou … depois olhou de novo para aquele rosto que lhe tirava a paz, o sono, o juízo …
_E se for … um anel de noivado ? Pelo menos eu soube o que fazer da minha vida !
_Você o ama ?
_O que isso te …..
Mais um passo. Ele segurou a sua mão. Ela ficou alarmada.
_Uma joia pode substituir um … sentimento ?
_Onde …. quer chegar ?
_Não consegue responder as minhas perguntas, Sara ? — Ele estava fora de si, fixando os olhos na boca dela e avançando, enquanto ela dava passos desconexos para trás, até que a parede foi o limite e ela não teve mais para onde ir.
Ele a prendeu bem no canto, os armários escondiam a visão de quem passasse pelo corredor. Estavam praticamente seguros !
As mãos dele subiram pelos seus braços e pararam em seus ombros. Ela estava hipnotizada por ele. Sua frágil segurança caiu por terra.
Ele precisava beijá – la, tinha que fazê – lo, tinha que experimentar o que perdera todo esse tempo., Ela tinha outro e … ia se casar ? … E daí ? Agora ela era dele, só aquele momento, talvez não tivesse outra oportunidade, talvez ele pudesse provar a ele mesmo que ela não tinha tanta importância assim !
_Sara …. — sua voz saiu estrangulada, estava no limite de suas emoções …
Ele a puxou para junto de seu corpo, deixando que ela sentisse o calor que emanava dele.
Ela tinha que saber, ela o deixava louco, sua boca tocou a dela, e esperou segundos que pareceram horas. Ela abriu devagar seus lábios, e ele perdeu a cabeça de vez, introduzindo sua língua sensualmente para dentro de sua boca macia e saborosa. Assim que suas línguas se tocaram ele gemeu em êxtase. Os minutos que duraram aquele beijo, traduziram com perfeição … desejo, desespero, amor !
A exploração íntima de sua boca na dela entorpeceu sua mente, suas mãos tomaram vontade própria e agarraram suas costas, aquele cheiro era um poderoso veneno, cegando seus olhos, bloqueando seus ouvidos e rasgando em mil pedaços sua razão.
Uma voz dentro dele gritava a plenos pulmões que ela tinha que ser dele, que ela tinha que amá – lo como antes, como sempre !
Sua boca se separou dela para distribuir pequenos beijos em seus olhos, seu nariz, as faces afogueadas e depois voltar com propriedade para sua boca, alcançando todos os cantos possíveis de sua cavidade tentadora.
_Eu preciso de você ….
A voz dele a tirou de seu encantamento e ela o empurrou.
A respiração dele estava alterada, todo seu corpo estava pedindo por ela, ele agarrou sua mão outra vez ...
_Não vá …
Ela a puxou com força e saiu quase correndo.
Tinha que sair dali. Tinha que recobrar a consciência. Simon não merecia !
Ele ficou ali paralisado sentindo que seu coração fosse explodir de tanto bater.
O gosto dela em sua boca, o cheiro dela, a pele macia queimando seus dedos. Como ele poderia ter achado que ela talvez não tivesse tanta importância em sua vida ? Ficara maluco ?
O que ia fazer agora ? Ele se sentou pesadamente no banco à sua frente. Escondeu o rosto em suas mãos e respirou com dificuldade. Estava se sentindo tão impotente, tão fraco, diminuído e sem ação.
Ele sabia o que tinha feito a ela.
Tinha feito seu coração chorar, não dera valor ao que ela sentia. Tinha sido um cretino !
Nem em mil anos talvez se perdoasse. Ele a magoara, com seu medo estúpido. E agora ele a perdera.
Mas talvez … ele tivesse uma chance … ela correspondera a ele com tanta … emoção !
E agora ?
Talvez ela o odiasse por aquilo ? Ou ela … talvez … pudesse pensar melhor ?
Não seja idiota Grissom !
Você a perdeu, talvez ela apenas precisasse daquilo para saber que nunca mais vai querer vê – lo.
Ele olhou para o lado e viu seu celular. Ela havia esquecido.
Suas mãos seguraram com cuidado o aparelho, ele podia sentir o perfume dela no metal gelado.
Passou os dedos pelas teclas imaginado que sua digitais estavam impressas nelas. Apertou uma delas.
“Menu”
“Fotos”
Havia uma única foto. Ela estava sorrindo com todos os seus companheiros de trabalho.
Cath ... Greg … Nick … Warrick .. Jim … Dr. Robbins ..Dave ... Hodges ... Wendy !
Todos !
Menos ele !
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