Tennensi Reformatory
40 Por todo o resto
Notas iniciais
Cinco tortuosos dias haviam se passado. As lembranças ainda me perturbavam até na hora de dormir. Os policiais entrando e saindo do hospital para me interrogar também não ajudava em nada. Era como se estivessem gostando de me fazer reviver cada momento. Cada dor física e emocional que aquele cara havia me feito sentir.
Claro, como meu pai disse: poderia ter sido pior. Pelo menos eu tive a oportunidade de passar boa parte do tempo desacordada. Seja pela dor ou simplesmente a exaustão de tentar reunir forças para lutar contra Brandon que parecia adorar usar força bruta contra mim.
As últimas lembranças que tenho de tudo o que aconteceu no reformatório são as mais perturbadoras, aquela que insistia em se reprisar em meus sonhos. Brandon me ameaçando e falando como destruiria Adam, de alguma forma ele tinha certeza que Calliel apareceria lá naquele dia. E ele estava certo. Eu estava simplesmente fraca demais, e era Brandon quem me arrastava pelos cantos. Eu não comia e não bebia a mais horas do que podia me lembrar. Não me restava forças, voz nem motivação. Não até ouvir Adam gritar meu nome junto à voz que reconheci como sendo de meu pai.
Eu tentei gritar, denunciar meu paradeiro. Mas tudo o que fiz foi um sussurro rouco de socorro que fez Brandon me arremessar contra uma parede e tudo começar a girar. Eu lembro bem das palavras dele, e na verdade essa é sempre a hora em que me acordo no meio dos pesadelos, quando em alto e bom som Brandon repete: “Aproveite o show, anjo”.
– Natascha? – A voz me puxou pra longe das lembranças, era minha mãe. – Acho melhor se trocar, seu pai esta assinando os papéis da sua ficha médica e logo darão alta a você. – Sua voz era um misto de piedade e empolgação. Minha mãe estava feliz com a recente trégua que meu pai havia aberto para nós dois. Pela primeira vez ele me tratava como uma filha, e eu o tinha como meu pai. – Vamos para casa Zoe. – Sorri um tanto forçada e peguei as roupas que minha mãe havia me entregado caminhando em direção ao pequeno banheiro do quarto.
No período em que estive isolada aqui, foram poucas as informações que recebi. Rebecca veio me ver, Mason também. Connor vinha quase diariamente depois da escola e meu pai e minha mãe revezavam os períodos noturnos.
Brandon? Bom, eu sabia que ele estava em algum lugar desse mesmo hospital com um quadro clínico pior que o meu. O que ele tinha? Não faço ideia, mas o simples fato de estarmos sob o mesmo teto, me fazia tremer com minha própria sombra.
Adam? Bom, eu estava admirando e odiando ele mil vezes mais do que de costume. Cinco dias haviam se passado e ele não havia dado as caras. Eu não sabia nada sobre ele a não ser o fato de ele ter passado uma noite no hospital para avaliação médica, devido a uma drástica queda de pressão que teve logo após me salvar. Depois disso? Bom, isso é um mistério. Meu pai continua mantendo contato com ele por algum motivo. Mas ele não me diz como Adam está, ou porque ele não aparece. Ninguém me conta sobre Brandon também, pois é contra o procedimento hospitalar.
Pros diabos com procedimento hospitalar. Eu desligaria todos os malditos aparelhos dele se fosse uma dessas enfermeiras, e queria ver quem me diria que é “contra os procedimentos”.
Saí do banheiro vestida com o jeans e a jaqueta de couro que minha mãe havia feito o favor de trazer, e dei de cara com a loira de algumas poucas feições semelhantes a mim conversando com uma senhora vestida de branco.
– Bom querida, eu acabei de dar a lista de medicamentos para a sua mãe, e expliquei o que pode ou não fazer no período de um mês. – Disse a enfermeira com uma voz cansada, porém o típico sorriso que sua profissão lhe obrigava a ter. – Você está livre.
Sorri e minha mãe passou a alça da sua bolsa vermelha, provavelmente a mais chamativa que ela poderia ter, sobre o ombro, e começou a caminhar fazendo um sinal discreto pra que eu lhe acompanhasse.
Meu pai nos esperava na recepção, e para a minha surpresa Antony e Gregori estavam lá.
Antony e Gregori eram seguranças pessoais que prestavam serviços ao meu pai quando ele estava trabalhando. Só para não correr o risco de levar um tiro em quanto cumpre seu ofício de defender assassinos.
Jullian McSider me lançou um sorriso discreto e aos poucos se aproximou da minha mãe com uma carranca simplesmente típica dele.
– O que havíamos combinado sobre repórteres? – Meu pai parecia tentar gritar em um sussurro. – Você havia prometido que não colocaria a mídia toda para cuidar da saúde de Natascha, o que você tem na cabeça? – Minha mãe deu de ombros, daquele jeito que sempre fazia quando estava prestes a enfrentar o meu pai. O que era bastante típico.
– Achei que deveríamos dizer que ela está bem. Há pessoas preocupadas com nossa filha Jullian!
– Lovitcs, eu... – Meu pai tinha os punhos serrados e eu apenas ri roubando a atenção dos dois para mim.
– Esqueçam. – Disse. – Eu acho que sobrevivo a uns caras curiosos querendo saber da vida alheia. Não deve ser tão difícil...
Bom, certas coisas nunca mudam. Como as brigas entre meu pai e minha mãe. Lovitcs McSider ser uma típica mulher de feições descendentes da Russia, completamente viciada em expor sua vida para a mídia. E eu estar completamente errada sobre alguma coisa. Como por exemplo, achar que seria fácil sobreviver a uma dúzia de repórteres com flashs, gravadores e microfones na minha cara.
Tudo o que eu declarei foi “estou bem” e “estou me recuperando”. Os seguranças tentaram afastar todos, o máximo possível de nós, mas não obtiveram muito sucesso. Não quando minha mãe parecia extremamente preparada para uma comitiva com todos aqueles microfones para falar como é emocionante me ver tão bem.
Os seguranças se dividiram em dois carros. Um na dianteira do nosso, outro na retaguarda. O que foi um exagero uma vez que nenhum dos repórteres parecia interessado o suficiente no emprego para nos seguir durante a viagem.
O caminho foi silencioso e curto. Chegamos em casa em menos de vinte minutos, e a única coisa que fiz foi correr para meu quarto junto com Connor enquanto ele me enchia de perguntas. Para o meu desagrado, todas envolviam Adam.
Eu começava a desconfiar que meu irmão estava se tornando um homossexual, e Adam era o culpado por isso. Não que eu tivesse algo contra. Mas meu irmão não se envolveria com alguém do tipo dele. Não seria...produtivo para a família.
De repente aquele pensamento inoportuno de que eu deveria seguir meus próprios conselhos foi interrompido por meu pai escorado sob o batente da porta.
– Connor, me deixe falar com sua irmã a sós um instante? – Permaneci sentada na cadeira da escrivaninha enquanto meus olhos acompanhavam meu irmão deixando o quarto e meu pai entrando e encostando a porta.
Foram longos segundos até ele se sentar na beira da cama de frente para mim e puxar o ar antes de começar a falar. Por algum motivo, eu tinha esperança de que essa conversa não fosse acontecer. É, eu estava errada.
– Natascha, acho que precisamos esclarecer algumas coisas... – Bom pelo tom que ele havia usado e a curta pausa, deduzi que o ‘achar’ dele era a mesma coisa que ter certeza. – Estou arrependido pelo modo que venho tratando você, pelo que fiz com você no dia em que Connor foi raptado, e por todo o resto. – Mas uma vez aquela curta pausa. – Estou disposto a me redimir.
– Redimir? – Perguntei quando notei que ele não faria nada até que eu esboçasse alguma reação.
– Sim. – Disse com um tom casual enquanto afrouxava a gravata em seu pescoço. – A partir de hoje não vou mais interferir na sua vida nem em suas escolhas. Está livre para andar com as pessoas que quiser, ir para onde desejar e fazer a faculdade que achar melhor, e além disso, estou indo amanhã pedir um acordo com o reformatório para que sua liberação seja entregue ainda esse mês e você esteja livre daquele lugar. – Nesse segundo meu coração falhou. Entrou em êxtase e desespero ao mesmo tempo.
– A minha li.. liberação? – Deixei minha voz falhar e meu pai balançou a cabeça positivamente.
– Te colocar naquele lugar foi estúpido. Você é apenas uma adolescente um pouco...incomum.E não uma maluca com problemas como a maior parte daquelas pessoas. – Eu quase pude ouvir o pedido de desculpas oculto por trás daquela frase.
– Mas nem todos estão lá pelos mesmos motivos. Há pessoas que não estão lá por terem atirado ou assaltado alguém. E tem pessoas que estão arrependidas por isso. Bom, creio que todos nós tenhamos problemas, mas eles não são malucos. – Disse tentando manter a calma para argumentar. – O senhor conheceu meus amigos. Mason foi condenado pelo assassinato da namorada, teve que cumprir a pena no lugar de um cara que tirou a garota da vida dele, e pode ter certeza que eu nunca conheci alguém que tenha a cabeça tão no lugar quanto ele. Ele passou por tudo isso e encarou com um sorriso, até o fim. E bom, tem o Michael que foi abandonado pela mãe, e foi posto naquele lugar porque sua vó não tinha mais condições de criá-lo, e meu Deus, Michael arriscou sua vida por muitas pessoas naquele lugar, ele pode ser um pouco maluco, mas eu acho que é isso que faz com que ele fuja da sua própria realidade. E também tem a Rebeca que perdeu a mãe cedo e seu pai serve no exercito da paz então nunca está em casa, tentou chamar a atenção dele e a única coisa que lhe aconteceu foi ir parar naquele lugar. – Talvez por isso nos entendamos, mesmo sendo completamente diferentes uma da outra. Compartilhamos do mesmo motivo para estar naquele lugar. Mas não tive coragem de dizer isso a ele. – Eles encararam seus problemas.
– E o Adam? – Sua pergunta me pegou completamente desprevenida. Por um minuto achei que nada do que eu disse havia de fato chegado aos ouvidos de meu pai.
– O que tem ele? – Perguntei.
– Você me contou de cada um de seus amigos, mas e ele? – Tinha um sorriso estranho no rosto do meu pai. – Algo me diz que a sua motivação para voltar aquele lugar não tem a ver apenas com seus amigos citados. Adam é o principal. – Engoli em seco.
– Você... não sabe o que está falando. – Meu pai riu abusivamente, como se eu simplesmente tivesse contado uma piada. Então ele se levantou e me lançou um último olhar.
– Eu falo com o garoto quase todos os dias por motivos particulares dele. Eu posso garantir a você que tenho certeza do que falo. – Ele caminhou até a porta. – Fique aqui até decidir se deseja voltar para cá ou continuar naquele lugar. Minhas palavras continuam valendo. É você quem faz suas escolhas a partir de hoje.
Então ele saiu me deixando lá com provavelmente a cara mais surpresa da minha vida. Meu pai realmente havia discutido minha vida não amorosa comigo? Não, não e não... Isso não deveria ter acontecido.
Três semanas e seis dias longe de qualquer sinal humano com QI adequado para que eu pudesse manter uma conversa. Vulgo qualquer pessoa que não fosse meu pai, minha mãe, e Connor com seus malditos jogos de basquete.
Eu estava começando a me sentir entediada. Mais que entediada, e a todo tempo era apenas isso que eu temia. Tudo andava perfeitamente bem, quanto tempo eu levaria para me entediar o suficiente e estragar tudo?
Eu já havia pintado meu cabelo de novo no mesmo tom de vermelho. Eu queria azul, mas meu querido irmão alegou que não queria um smurf como irmã. Então nada pude fazer a não ser voltar para o meu alegre vermelho sinaleira.
Com o tempo Brandon deixou de ser uma perturbação. Eu não acordava no meio da noite com pesadelos, e não passava horas do dia relembrando cada chute que eu havia recebido daquele maldito. Claro que também tinha horas que tudo o que eu mais desejava era saber o que havia acontecido a ele. Onde ele estava, se estava preso ou ainda no hospital.
Mas ninguém me informava. Nem meu pai que ainda continuava cuidando do caso.
Adam também era um mistério. Nada de visitas nem ligações, nenhum recado de “eu odeio você” mandado por meu pai. Ele simplesmente parecia ter esquecido da minha existência, ou talvez da sua.
Meu garfo fez o tintilar irritante sobre o prato de porcelana novamente deixando que o som preenchesse o sagrado silêncio na mesa de jantar. Connor e minha mãe eram os únicos que ainda comiam, enquanto meu pai educadamente esperava que eles acabassem para poder se retirar da mesa, e eu me divertia com a ervilha em meu prato, esperando a mesma coisa que meu pai, mas apenas porque aquela era uma regra da casa. — É impressionante como é tedioso quebrar regras quando você já não é mais obrigada a segui-las.
– Eu estive pensando... – Me pronunciei e todos os olhos se voltaram para mim.
– Você pensa? – Meu irmão me interrompeu debochado com uma cara de espanto. – Achei que só eu podia fazer isso. – Riu assim como todos os outros. Menos eu claro.
– Cala a boca, pirralho. – Disse dando um tapa leve na cabeça dele. – Eu acho que estou pronta.
– Pronta? – Minha mãe franziu o cenho e meu pai permaneceu impassível.
– Pronta para voltar pra Tennensi. – Disse. – Esse ano esta acabando e ainda me restam outros longos dois anos. – Dei um sorriso de canto e meu pai foi o único a retribuir. Eu ainda não estava acostumada com isso. – Não pretendo desistir. – Dei de ombros. – É coisa para fracos.
– Mas... – Minha mãe ia protestar, mas foi interrompida por meu pai.
– Fale com o motorista quando achar que é o momento. Seus amigos ficarão felizes em tê-la de volta. – Por algum motivo seus olhos se estreitaram da mesma forma que sempre estreitavam quando Adam era citado. Meus amigos para ele deveria ser resumido apenas no loiro.
– Certo. – Sorri.
Tudo estava pronto para minha ida. Pela primeira vez em um mês eu estava de fato me sentindo livre.
Meu pai ligou para o reformatório autorizando minhas dispensas nos finais de semana e me liberando da tornozeleira. O motorista levou menos de cinquenta minutos com a viagem e pela primeira vez eu estava feliz em sentir aquele clima úmido e a rala neblina branca cobrindo o local. Um dos seguranças pediu minhas identificações e dois minutos depois permitiu minha passagem.
Deus, eu estava com um sorriso tão grande que as pessoas deveriam achar que eu havia entrado por engano naquele local.
Passei pela secretaria e o tio de Adam me abordou, pedindo desculpas por todo o ocorrido, e que faria de tudo para compensar. Por alguns minutos passou por minha cabeça as melhores formas de me aproveitar das condolências do velho. Apenas disse um obrigada e então ele me informou que a maior parte do pessoal se encontrava no refeitório, incluindo meus amigos que ainda não sabiam sobre meu retorno.
Concordei e então saí do prédio sem saber exatamente o que fazer primeiro. Na duvida, segui para o refeitório.
Havia como sempre aquele burburinho de pessoas falando, e se eu me concentrasse o suficiente podia ouvir cada uma delas, uns falavam sobre futebol, outros sobre a festa que foi cancelada, alguns reclamavam da comida e... De repente, como se alguém simplesmente abaixasse o volume do ambiente, as pessoas foram se calando uma a uma e alguns olhos se voltando para mim, então aos poucos uma série de novos burburinhos recomeçaram, uns falavam sobre a garota de Brandon, outros sobre a garota de Adam, e tinha aqueles que preferiam falar apenas sobre a McSider, mas de todos os modos todos falavam de mim. Como se quatro semanas fora fizessem de mim uma celebridade.
Meus olhos circundaram todo o local a procura de alguém conhecido, eu estava começando a ficar constrangida com todas aquelas pessoas quando finalmente encontrei. Lá, na mesa do centro, estavam eles. O time de basquete todo reunido com Rebecca sentada no colo de um dos jogadores sussurrando algo no ouvido dele enquanto me encarava, Amber me olhando de forma sorridente e Ethan com aquele mesmo jeito simpático que fazia as pessoas sorrirem. Os outros caras me olhavam ao mesmo tempo em que comentavam sobre mim e soltavam risadinhas idiotas. Então e o notei.
Adam estava em uma das cabeceiras da mesa sentado da mesma forma que sempre fazia quando terminava a refeição, a cadeira estava do lado ao contrário e suas pernas uma para cada lado enquanto usava o encosto como apoio para seu peito e braços. Ele não fazia ideia de quantas garotas perdiam o folego quando ele fazia isso.
O loiro me encarava com uma expressão na qual não tenho certeza se posso definir. Seus olhos estavam arregalados como se eu fosse algum tipo de ser esquisito ou talvez uma miragem. Sua boca estava entreaberta e suas sobrancelhas arqueadas. Eu até podia ver o movimento de seu peito a cada respiração.
Tudo se calou novamente como se de repente todo o refeitório tivesse notado nossa troca de olhares, até mesmo os jogadores de basquete pararam de rir. Eu permaneci encarando Adam sem me mover. Não sabia se me aproximava para agradecê-lo ou começava a enchê-lo de adjetivos não muito agradáveis, devido ao fato de não ter me dado noticia alguma durante um mês inteiro.
Para meu alívio foi ele quem entrou em ação.
Adam se levantou fazendo os pés da cadeira se arrastarem pelo chão fazendo um barulho alto pelo refeitório. Eu me perguntei quando as pessoas deixariam de me olhar, e quem foi o idiota que contou de mim para a escola inteira. Eu não tive tempo de me auto responder. Adam caminhava em minha direção tão rápido que fez minha linha de raciocínio se dissolver por completo.
Será que era apenas eu que notava como ele ficava abusivamente sexy com o seu jeans surrado justo nas pernas e o moletom no mesmo tom de verde que seus olhos?
– Natascha. – Ele abriu um sorriso curto enquanto sussurrava próximo demais de mim. Antes que eu tivesse tempo de responder, fui pega completamente desprevenida em um abraço.
Foram sete segundos. Sim eu havia contado. Sete segundos entre os braços de Adam e tenha certeza que eu não estava nenhum pouco confortável com isso. Ele se separou de mim e só então eu notei que havia permanecido sete segundos com meus braços rente ao meu corpo sem retribuir Calliel. Ele me fitou mais alguns segundos ainda com a sombra do sorriso como se não estivesse esperando a minha demonstração de afeto. Ele puxou o ar para falar alguma coisa e pelo olhar maroto que me lançava tenho certeza que falaria algo do qual faria o refeitório inteiro se desmanchar em risos as minhas custas.
Dei-lhe um tapa no lado direito do rosto antes que qualquer vogal saísse de sua boca. Quase pude ouvir a pausa que todos os pulmões fizeram ao mesmo tempo. Adam levou a mão ao lado do rosto e me encarou perplexo.
– Isso, – Apontei para ele gritando. – Foi por ter prometido que viria logo para me ajudar, e aparecer quase três semanas depois quando Brandon estava pronto para me matar naquele lugar! – Adam tirou a mão do rosto pronto para se justificar, mas novamente lhe acertei outro tapa. Dessa vez pude ouvir algumas risadinhas da minha nobre plateia. – Isso, foi por ter ficado um mês sem me dar uma notícia sua! – Novamente ele falaria algo, mas dessa vez o impedi apenas com meu dedo indicador na frente de seus lábios e um olhar completamente revoltado. – E isso, é por todo o resto!– Antes que eu me movesse ele segurou meus dois punhos e a única coisa que eu fiz foi rir e me aproximar mais. Não era das minhas mãos que eu precisaria.
Adam pela primeira vez parecia completamente sem reação ao receber um beijo.
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