Notas iniciais
Oi galera, duas semanas sem dar as caras né? Eu não tenho muitas coisas pra falar aqui ou pra me justificar. Já estou providenciando o extra e logo ele estará dando o ar da graça por aqui, tudo bem? Os detalhes não esclarecidos nesse capitulo, serão esclarecidos no extra, tudo bem? Valeu pelo pessoal que veio pedir o capitulo na ask, no twitter, nas MPs e no facebook. Capitulo betado e nomeado pela minha Jujuba linda Gabs, e dedicado para as meninas da recomendação Cher (u/392402/) and Chelly (u/376163/). Amei as duas

–E isso é por todo o resto.

Seus lábios eram mais frios do que eu estava acostumado. Pelo menos pareciam diferentes dos lábios que haviam me tocado a pouco mais de um mês. Talvez fosse a temperatura elevada da minha pele depois de dois intensos tapas, ou quem sabe Natascha estava apenas sendo ela mesmo. Fria.

Nos separamos aos poucos e eu me sentia devastado. Como se não tivesse ganhado um beijo e sim um soco na boca do estômago. Não estou reclamando, ah... com certeza não estou, mas veja pelo meu ponto de vista, ela é a Natascha. A droga da sinaleira, você nunca sabe o que ou quando esperar algo bom vindo dela.

– Isso é o que eu ganho por salvar sua vida? – Encontrei minha voz em alguma parte esquecida do meu corpo, e para o mesmo lugar joguei a passageira sensação de êxtase que estava sentindo. Claro que a sobrancelha arqueada e meu costumeiro sorriso foram o suficiente para desviar a atenção da ruiva. Aquilo a provocava e eu tinha plena consciência desse fato. – Talvez eu tivesse me esforçado menos se soubesse que ganharia só isso. – Ela riu, e então ficou na ponta dos pés de modo que se esticasse o pescoço sua boca alcançava a ponta da minha orelha.

– Não me faça te dar outro tapa Calliel. – Eu gargalhei.

A ruiva fez questão de bater em meu braço – já que sua altura não permitia que nossos ombros se encontrassem. – antes de seguir para a mesa que pouco antes eu estava sentado. Um por um ela cumprimentou a todos – menos o time. Não seria a sinaleira se ela os cumprimentasse decentemente, e logo após sentou na cadeira que era minha por direito. Ignorando a provocação escondida nas entrelinhas para dar início a uma briga, puxei a cadeira na mesa ao lado e me sentei.

Não demorou muito para a ruiva virar o centro das atenções na mesa, enquanto toda a confusão no refeitório se dispersava aos poucos. Eu ria internamente a cada segundo que ouvia algum murmúrio feminino relacionado à Natascha ser uma vadia esnobe e Calliel um grande idiota. Malucas. Sinceramente o que há na cabeça de cada uma dessas meninas?

– Você já conheceu irmãs do Adam? – Ouvi de repente e virei minha atenção para Ethan. – Elas querem muito te conhecer. Estão na cabine fazendo coisas que pirralhas da idade delas fazem, por que não vai lá? – Natascha me lançou um olhar curioso e eu dei de ombros.

– Você sabe o caminho. – Proclamei e ela revirou os olhos.

– Quero falar com você Calliel. – Ela disse rabugenta. – Se importa? – Perguntou e eu ri dando de ombros e me levantando.

– Espero que seja o resto do meu agradecimento. – Ela me encarou séria por dois longos segundos como se sua cabeça martelasse para saber do que eu estava falando. Seus olhos brilharam e um tom de compreensão e sua mão se ergueu a altura do peito com um belíssimo dedo médio apontado para mim.

Saímos do refeitório e a brisa fria nos atingiu nos primeiros segundos. Não que já não tivéssemos acostumados com todo aquele ar úmido, mas algo naquele momento parecia tornar as coisas ainda mais frias. Como se eu estivesse prevendo que mais cedo ou mais tarde a sinaleira tocaria em um assunto delicado no qual vim evitando com todos durante um mês.

Por algum motivo não tinha tanta certeza se era capaz de evitá-lo diante da ruiva.

– Adam? – A voz dela entrecortou o silêncio do ambiente, fazendo o som dos nossos passos se tornarem mais baixos, ao invés da incomoda impressão de que eles estavam ecoando por todo o reformatório.

– Sim. – Respondi.

–Porque você não apareceu...? Sabe, nesse um mês em que estive fora...Você não apareceu nem uma vez sequer. – Olhei para ela, para ter certeza se aquele tom de mágoa era real. Para ter certeza de que por um mês eu fui tão esperado por ela, quanto ela havia sido esperada por mim.

Eu abaixei os olhos e sorri, balancei a cabeça negativamente de forma discreta e me aproximei passando meu braço esquerdo sobre seus ombros puxando ela e sua cabeleira ruiva para mais perto. Perto o suficiente para eu poder sussurra em sua orelha.

– Acredite ruiva, eu tenho meus motivos. – Aleguei e ela ficou em silêncio enquanto continuávamos a caminhar colados um ao outro e a fumaça do ar que saia de nossos pulmões se misturavam diante de nossos olhos.

– Quais? – Ela perguntou de repente.

Eu tive o impulso de parar, e por estar colada a mim Natascha também parou. Nos encaramos por menos que um segundo e então eu desviei o olhar. Respirei fundo antes de dar um passo e retomar a caminhada. Mas quando estava prestes a dar o segundo passo o pulso firme de Natascha me manteve no lugar.

– Você não me respondeu. – Disse séria. De novo desviei os olhos. Mas que droga, Natascha era quem fazia isso, era ela que me irritava todas as vezes que desviava seus olhos dos meus, porque eu estava imitando-a agora?

– Eu não quero falar disso agora sinaleira. – Puxei meu braço. – Não agora.

Prossegui a caminhada e os passos da ruiva demoraram um pouco para retomarem o rumo. Ela não falou mais nada, e eu não fiz a mínima questão disso.

A caminhada até o prédio das cabines de professores foi longa. Mas assim que adentramos na cabine do quarto andar duas vozes finas fizeram-se escutar. Jolie ria de alguma coisa e era Julia que a mandava calar a boca. Eu reconheceria em qualquer lugar aquela gargalhada debochada e aqueles gritos histéricos.

– É bom que o meu quarto ainda esteja inteiro meninas. – Gritei ainda do corredor. – Temos visitas. – As risadas se silenciaram e a porta rangeu ao meu toque.

Jolie estava de cabelo preso – Eu costumava reparar nos pequenos detalhes para não correr o risco de ser morto a facada caso confundisse uma das duas. – e seu rabo de cavalo pendia junto com sua cabeça para fora da lateral da cama enquanto ela desfolhava uma das revistas do Ethan sobre os Jhonsons. Se ela curtia basquete? Não. Ela curtia descaradamente o Ethan.

Júlia por sua vez estava sentada no chão com as costas apoiada sobre a mesma lateral onde a cabeça de sua gêmea pendia. Ela tinha os cabelos loiros e lisos soltos e todos os fios puxados para o lado, enquanto passava uma coisinha estranha e pequena na unha que fazia meus ouvidos vibrarem de agonia com aquele barulho de coisa sendo lixada.

Jolie foi a primeira a se manifestar sentando na cama e largando a revista. Júlia logo em seguida me olhou e depois seus olhos passaram para a ruiva pouco atrás de mim. Ela abriu um sorriso largo se levantando e largando a lixa em um canto.

– Vou adivinhar: você é a Natascha? – Júlia se aproximou de dela e Jolie pulou da cama para o lado da irmã.

– Cabelo maneiro. – Jolie aprovou.

Me senti na obrigação de limpar a garganta para poder mostrar que eu era o irmão delas, e eu quem merecia ser o centro das atenções. Qual é, o meu cabelo nunca havia sido elogiado por elas. E não, eu não sinto a droga do ciúmes.

– Vocês não são exatamente como Adam me contou. – Natascha se manifestou e nós três lhe lançamos olhares curiosos. – Eu meio que fantasiei uma menina com roupas cor de rosa e outra com uma blusa de um serial killer. – Nós três franzimos o cenho, ela olhou para cada um de nós. – É lance de família uma das sobrancelhas se levantarem todas as vezes que franzem o cenho? – Eu ri. – Isso é meio irritante.

– Adam, que tipo de coisas você falou para ela? – Jolie perguntou séria.

– Apenas o básico. – Ri. – Sinaleira, estas são minhas irmãs. Jolie é a de cabelo preso, pode te matar em dois segundos se você não tiver prestando atenção. E Julia é o tipo de pessoa impossível de matar, o grito dela ensurdece qualquer um no raio de quinhentos metros.

– Mentiroso. – Júlia bufou cruzando os braços. Era engraçado como minhas irmãs de dezesseis anos tinham quase o mesmo tamanho da Natascha, dois anos mais velha.

– Exagerado. – Minha outra querida irmã soltou o elogio logo em seguida.

– Idiota. – A sinaleira proclamou fazendo as duas nanicas lhe lançarem um olhar cúmplice enquanto eu lhe dava um olhar reprovador. Por que até elas simpatizavam tão fácil com a Natascha? – Qual é, só entrei no clima. – Natascha explicou dando de ombros e eu revirei os olhos.

Nos encaramos por curtos segundos até Júlia limpar a garganta.

– Eu vou.. hum... falar com a Amber. – Disse caminhando em direção a porta. – Temos assuntos pendentes. – Os olhos de Jolie brilharam e ela deu um sorriso malicioso logo depois que a irmã saiu.

– Ethan estará sozinho. Passe livre para mim. – Disse a loira. Santo Deus, que mundo é esse? Eles são irmãos. Ou pelo menos meio irmãos. – comportem-se crianças. – Abusada.

O quarto foi tomado pelo silêncio logo após e eu e Natascha nos encaramos sem saber exatamente o que falar. Dei um suspiro desviando a minha atenção dela e fechei a porta em minhas costas.

Me deitei e comecei a encarar o teto, imaginando se a ruiva estava ou não em estado petrificado em frente a minha porta. Tive minha resposta quando ela caminhou para o outro lado da cama.

– Suas irmãs transformaram o quarto em uma zona de guerra. – Disse rindo e se deitando ao meu lado. – Finalmente isso parecesse um habitat masculino. – Eu ri.

– Não foram elas. – Natascha virou apenas a cabeça em minha direção enquanto seu corpo permanecia esticado e com as pernas para fora da cama se recusando a colocar os pés por cima do edredom. – Fui eu. – Assumi.

– Um jeito novo de me torturar? – Perguntou. – Me forçar a arrumar seu quarto. – Ri ainda encarando o teto.

– Não acho que você arrumaria. – Disse.

– Eu cumpro com minhas apostas. – Meu sorriso diminuiu.

– Não estamos mais em uma aposta, ruiva. – Falei ainda sem coragem o suficiente para olhá-la. – Considere-se livre das minhas ordens. Você fez sua parte, perdeu nossa aposta com dignidade. – Ela gargalhou.

– Nunca estaríamos nos falando se não fosse por essa maldita aposta. – Ela riu e nós dois nos olhamos no mesmo instante. Nenhum de nós dois desviamos. – Maldito seja o dia que Mason me arrastou para aquele lugar. – Ri.

– Você não me odeia tanto assim. – Disse. – Mason quem deveria de me odiar mais. – Ela franziu o cenho. – Todos sabem que você prefere a mim do que ele. – Natascha revirou os olhos.

– Mason me traz pizza, Mason não me dá ordens e eu não conheci o Brandon por culpa do Mason. – Revirei os olhos.

– Mason não é loiro. Mason não arrisca a vida por você. Mason não divide a cama com você e é espetado pelas suas pernas todos os dias. – Fiz uma pausa. – E fala sério, a culpa é minha por você ter se enfiado na ala sete aquele dia e ter dado um soco na cara de Brandon?

– Talvez não tenha sido sua culpa. Mas você estava lá. – Ela disse. – Sentado, junto com todos os outros seguidores manipulados dele. Me encarava como qualquer um deles. Nunca te odiei tanto quanto naquele momento. – Eu ri, por mais que internamente a culpa estivesse me consumindo aos poucos.

– Nem quando eu joguei você no chão duas vezes na primeira vez que nos vimos? – Ela riu.

– Isso colaborou um pouco. – Disse rindo. – Eu posso sair então? Dormir no quarto que eu achar melhor agora que estou livre? – Meus órgãos paralisaram, principalmente aquele do lado esquerdo do peito. Era exatamente isso que eu temia.

– Eu acho que sim. – Disse voltando a encarar o teto.

– Só pra saber, você está me expulsando indiretamente? – Eu ri. – Porque se for isso, fale de uma vez. Eu supero. – Olhei para ela.

– Não. – Disse simples. – Na verdade esse foi um mês tedioso. Não tinha ninguém rabugento tropeçando nos móveis depois de apagar a luz. E eu gostava de sair do banho e ver você resmungar sobre minhas falhas tentativas de te cegar. – Ela gargalhou e eu apenas a observei. Eu também gostava daquilo, mas ela com certeza não precisava saber.

– Eu também senti sua falta Adam. – Disse com os olhos castanhos focados no teto.

Droga. Por que parecia cada dia mais difícil resistir aos meus próprios impulsos? E por que a droga da sinaleira parecia adorar testar meus limites em todos os sentidos?

– Dane-se – Eu disse me virando de bruços e mantendo o apoio no joelho, Natascha me olhou sem expressão alguma o que me fazia hesitar um pouquinho. – Me bata mais uma vez se desejar. – Disse aproximando nossos rostos o suficiente até sua respiração fazer cócegas em meus lábios. Pude notar quando ela sorriu e sua mão me puxou pelo pescoço.

– Você é idiota, Adam. – Disse.

Dessa vez o beijo era quente. Era rápido. Era urgente.

Eu a queria, e estava nítido para quem quisesse ver. Não que eu gostasse de admitir isso, mas eu sentia que se não assumisse a droga do sentimento logo ele me consumiria, e eu perderia o controle. Como agora.

Aos poucos eu abaixei meu corpo até estarmos encostados um no outro. A sensação era de alívio e conforto, como se fosse uma necessidade estar ali, ou melhor ter a certeza de que ela estava ali. Que ela havia voltado.

Meus lábios se adequavam exatamente a curvatura do seu pescoço quando senti suas mãos erguerem a barra do meu moletom. Eu ri, me sentando em sua cintura e terminando seu serviço. Deixei o moletom verde de lado e ri com a expressão da Natascha, ela parecia extremamente confortável e deslumbrada.

– Poupe-me o serviço Calliel. A droga da camiseta também. – Disse me fazendo rir insinuando o tecido branco que ainda cobria meu tronco.

– Faça por merecer ruiva. – Ela riu se sentando e ameaçando juntar nossos lábios ao mesmo tempo em que a ponta de seus dedos encontrava a barra da camiseta. Eu ri e ela me livrou do tecido.

Com as minhas próprias mãos fiz com que a jaqueta deslizasse de seus braços e com pouco esforço fiz a ruiva deitar novamente.

Tudo estava indo bem, bem demais para ser verdade. Até eu me lembrar. Lembrar da incomoda sensação do peso em meu tornozelo.

Nós não podíamos.

Com o susto da lembrança e o momentâneo desespero de que a ruiva descobrisse sozinha em vez de ouvir dos meus próprios lábios eu afastei nossos lábios e repousei minha cabeça em seu ombro.

No primeiro instante ela parecia chocada. Logo em seguida confusa.

– O que aconteceu? – Ela perguntou baixo tirando a mão da minha cintura e passando ela para meus ombros de forma que com um pequeno esforço conseguia levantar minha cabeça. – Adam, o que houve? – Encostei a ponta dos nossos narizes e fechei os olhos.

– Não me odeie mais. Por favor. – Ela riu e com um mínimo movimento repousou um beijo em meus lábios.

– Certo. – Ela riu. – Não vou odiar você pela sua...impotência.– Não pude evitar gargalhar.

– Impotência? – Disse saindo de cima dela e me deitando ao seu lado. – Ruiva, precisaria de um reservatório inteiro de água gelada para acalmar meus ânimos agora. Eu nunca quis tanto uma pessoa como estou querendo você agora. – Ela me olhou curiosa. – Mas precisamos conversar...

– Eu sei. – Ela disse. – E eu diria que não são poucos os assuntos que temos pendentes. – Eu ri.

– Você me bateria se eu dissesse que só quero dormir? – Ela riu e então se aproximou mais de mim. Até estar aninhada em meu braço.

– Você não vai conseguir evitar por toda a vida Adam. – Sorri.

– Conversamos quando eu acordar.

Então fechei os olhos. Eu sentia o dedo dela roçar pelo meu peito e acredite, aquele toque não era saudável. Não para mim.

Eu sabia que estava apagado. Sabia disso porque o susto ao abrir meus olhos foi demasiadamente grande. Como se eu tivesse sido flagrado fazendo algo errado. Não demorei a entender o que estava acontecendo. Porque Natascha havia me acordado e porque seus olhos refletiam aquela mistura de culpa e magoa. Era bastante nítido.

Em algum momento enquanto dormia a barra da minha caça na perna esquerda havia se levantado até o meio de minha canela. E o objeto preto com a luz piscante na cor vermelha estava visível para quem quisesse ver.

Sim, Adam Calliel estava limitado a uma tornozeleira.

– Diga que não é o que eu estou pensando, Adam. – Ela sussurrou e eu me mantive imóvel sem saber o que dizer. Eu tinha certeza que não deveria ser o que ela estava pensando. Na verdade era pior.

Segurei seu pulso de leve a puxei devagar para mim. Ela se deitou ainda com aquela mistura de expressões cravada em seu rosto. Droga, ela tinha razão. Seria inevitável.

– Não me odeie ainda mais por isso ruiva. – Disse – E também não se ache culpada. Mas é esse tipo de coisa que acontece com os caras que tentam homicídio com as pessoas. – Ela franziu o cenho. – Não ache que eu não quis ir até sua casa, ou até a droga daquele hospital. Mas eu fui condenado, ruiva. E se eu estou aqui em vez de mofar em uma prisão, agradeça ao seu pai. Reformatório é coisa de amadores. – Disse em uma tentativa totalmente falha de mudar o clima. – Deixar as pessoas em estado vegetativo é lance de profissionais.

Notas finais
E ai o que acharam? Não foi a coisa mais esclarecedora do mundo, mais eu juro compensar ok? Vou responder os reviews agora, e tirar o atraso de uma fics. P.S.: Se eu leio alguma fanfiction sua e não apareci nos últimos dias, acredite, não estou sendo um fantasma, é só o timing que está corrido, certo? Continuem aparecendo lá na ask e no twitter, e podem jogar tempo fora falando comigo nas Mps, certo? XxXx