Tennensi Reformatory
33 Loiro "and" Castanho Claro.
Notas iniciais
O capitulo foi betado pela linda da Gabs, então amem ela â¥
Tem bastante "novidade" por aqui. Para aqueles que andaram pescando os spoilers que eu dei, vão finalmente "juntar as informações" para aqueles que simplesmente não conseguiram identificar nada, tá ai o mistério que vai dar inicio a mais nova confusão da Tennensi.
Espero que gostem ;D
Capitulo dedica a SheWolf, pela maravilhosa recomendação. à serio eu amei ⥠mais do que eu amo Nutella.
Pov. Adam
Era tão obvio. Como eu pude ser tão burro?
Ele estava espreitando, começando pelas beiradas, até ter um conjunto de informações suficiente para atingir o objetivo. Natascha não cederia a nada, ela era forte o suficiente para passar por cima dele, a menos é claro que isso envolvesse seu irmão.
O bilhete da encomenda me veio como um tapa, não pensei em mais nada que não fosse ter a ruiva comigo e impedi-la de ficar só, livre pra que ele pusesse aquelas mãos nela. Eu só não contava, que na verdadenão era ela a vítima principal.
A ruiva escorregou pela minha parede até estar sentada no chão, ela me olhava como se a qualquer momento eu pudesse simplesmente tirar Connor do bolso.
– Natascha, você lembra o dia em que te deixei em casa?Você lembra do cara da moto que você conversou? — Ela pareceu pensar e logo concordou. — Ele tinha a viseira escura abaixada quando você falou com ele. Mas levantou-a para falar comigo. — Ela me olhou querendo saber até onde chegaria com aquela conversa.- Brandon estava vigiando você,ele estava lá, falou com você, com seus empregados e até com sua mãe.
Ela me olhava atentamente.
–É obvio que ele não gostou de descobrir que nós somos quase vizinhos e muito menos saber que você e eu estávamos passeando por aí. — Uma pausa. — Logo depois que você entrou, Brandon voltou como um raio, quase jogando a moto em cima do meu carro, eu fiquei sem reação. Os olhos dele podiam dizer pra mim tudo o que ele estava sentindo. Eu estava proibido de ficar, encostar, olhar pra você. E eu quebrei todas essas regras. Brandon saiu sem dizer nada naquele dia, mas eu juro que o preferia me xingando e usando a força, porque no minuto em que ele se calou eu sabia que algo aconteceria.
– Você está falando que... — Levantei o dedo pedindo para ela ficar quieta e me deixar continuar.
– Eu não imaginava o que ele faria, ou quando, a única coisa que eu tinha certeza é que ele usaria você. Que ele ia querer me atingir. Eu ia falar com você no domingo, mais minha casa estava um inferno com meu padrastoe euaquidentro então eu só sai pra tirar um tempo sozinho, decidi ir hoje de manhã até a sua casa para te contar tudo isso, mas o bilhete na sua escrivaninha me impediu.
Tirei o papel do bolso. Sim eu havia pegado pouco antes de sairmos.
Passo para pegar a encomenda 7hrs35 am.
Sr. Stuart.
– O que a droga de um papel tem a ver com isso? — Ela pareceu um tanto indignada. — Você deveria ter me contado em vez de pensar na sua mala ridícula e suas coisas.... — interrompi novamente a ruiva.
– Eu não estava preocupado com porcaria de mala nenhuma, eu nem se quer preciso de uma. Eu tenho roupas o suficiente para uma vida, na casa do meu pai. — Disse no mesmo tom alto que ela usou para falar comigo. — Eu só queria te tirar da droga da casa Natascha. Eu queria te tirar porque Brandon Stuart e Sr. Stuart são as mesmas pessoas.
Ela ficou em silêncio, pela primeira vez estava com os olhos fixos o suficiente nos meus para ter o poder de me intimidar. Eu queria que ela gritasse, risse, chorasse. Pela primeira vez eu não desejava que Natascha me encarasse nos olhos, e mesmo assim lá estava ela, com a expressão incrédula, devastada, como se cada informação estivesse sendo absorvida aos poucos.
E mesmo assim eu a admirava.
Ela havia acabado de ser expulsa não só da sua casa como da sua família. Seu pai abriu mão dela, não deixou dinheiro, uma casa para morar, não deixou nem se quer um telefone para continuarem a manter o contato. E mesmo assim ela estava ali, chorando pelo irmão e relevando todo o resto do dia.
Tão diferente de mim. -Pensei. Natascha conseguia ser impulsiva e controlada ao mesmo tempo. Eu não tinha controle nenhum. A ruiva simplesmente parece ter aceitado o fato de não ter mais uma casa, uma família. Enquanto eu no dia em que fui expulso desse lugar deixei Owens apagado no sofá com um sangramento no nariz, um olho roxo e outros ferimentos que eu não tive tempo para observar. Minha mãe chorava sentada nos degraus da escada enquanto via o meu patético show de despedida. Fui embora batendo portas e jurando pra mim que não voltaria. Hoje estou aqui, embaixo do mesmo teto novamente.
– Você está dizendo que Brandon está com meu irmão? — Ela aumentou o volume. — Que Brandon raptou o meu irmão?! — Ela se levantou da parede de súbito e eu também, com medo que ela pudesse sair correndo pela porta, atrás de Brandon.
– Olha eu posso estar errado, mas é quase como se isso estivesse escrito em letras vermelhas no muro branco. É obvio e é assim que ele quer que seja. É assim que ele faz. — Fui me aproximando dela. — Pressão psicológica é um ponto forte de Brandon. Quando ele faz isso às pessoas não param pra pensar em um plano, porque simplesmente não há como fazer um, Brandon está esperando você provavelmente no reformatório, vai querer negociar seu irmão com você. — Tremi, eu já imaginava como seria essa troca.
– Então vamos. — Ela disse baixo, apenas com um fio de voz. Tinha a cabeça levemente inclinada para me encarar nos olhos, e seu rosto ainda era marcado por espessos fios de lágrimas. Por algum motivo todo o meu eu fraquejou naquele momento.
Eu queria tê-la. Eu a queria pra mim, e talvez isso fosse apenas o desejo não saciado se mostrando presente em mim. Por outro lado poderia não ser, poderia não serapenasdesejo. E caso não fosse, eu lutaria contra mim mesmo para deixar a ruiva com sua própria vida.
Levantei minhas mãos na altura de seu rosto e sequei suas bochechas, não adiantou. No momento em que meu toque se concretizou em sua bochecha mais lágrimas saíram de seus olhos, e de novo ela não se importou em pará-las.
Juntei minha testa a sua e ela abriu seus olhos, seus olhos castanhos estavam claros e seus cílios podiam ser contados nos dedos. Eu podiadesejar alguém nessa situação? Porque ao mesmo tempo em que meu corpo sussurrava um fraco sim e quase falho, meu consciente dizia que não.Não era desejo.
– Sinaleira presta atenção em mim. — Ela já tinha seus olhos voltados para mim, mas mesmo assim eu fui pego de surpresa quando ela o desviou e contornou seus braços pelo meu corpo ao mesmo tempo que afundava a sua cabeça na curva do meu pescoço, e eu sabia que para ela chegar lá teria que estar nas pontas dos pés.
Retribui o abraço, sentindo as lágrimas dela molharem a minha camiseta e por sua vez chegarem em minha pele. Junto com as lágrimas eu sabia que não era apenas a dor de ter o Connor desaparecido que estavam sendo liberadas, mas sim das diversas vezes que ela agia de modo indiferente e deixava as cargas negativas se acumularem-se sobre ela. Natascha McSider havia rompido a barreira de sentimento.
Apertei a ruiva o suficiente para ela tirar os pés do chão, não tendo certeza se ela percebeu. Caminhei de costas e a passos lentos em direção a cama, e só parei quando estava bem próximo a ela, devolvendo a ruiva ao chão.
– Descanse um pouco ruiva. Você não precisa encarar todos os problemas de uma só vez, e foram coisas demais para menos de vinte e quatro horas. — Ela afrouxou os braços em minha volta e me olhou. — Vamos, deita. Eu estarei aqui quando você acordar, então vamos decidir o que fazer. — Ela engoliu em seco como se deitar naquela cama fosse ainda mais perigoso do que negociar com Brandon. — Se precisar eu vou até o quinto dos infernos pra achar esse cara e trazer o seu irmão, mais só... descansa. Você vai precisar disso em algum momento quando precisar dar um soco ou chute em mim. — Ela deu um sorriso fraco e sentou-se na cama. Contornei a mesma e me deitei do outro lado. Estiquei o braço em um ato involuntário, e ainda mais involuntário foi o ato da ruiva de se deitar sobre ele. Dei um discreto sorriso, mas Natascha parecia absorta demais para notá-lo.
– O que você acha que ele vai querer em troca do meu irmão? — Ela mesmo pareceu pensar. — Eu não queria dizer para o meu pai como mesmo negando tudo ele tem razão, eu estou envolvida nisso. Mas se Brandon precisar de dinheiro, eu vou ter que falar com ele. Eu tenho a minha própria conta, mas eu duvido que vinte mil resolvam o problema. — Suspirei.
– Eu não sei o que ele vai querer ruiva. Mas você não precisa colocar o seu pai nisso tudo. Seja lá o que Brandon quiser vamos dar um jeito. — Ela deu de novo aquele sorriso de canto, que apesar de tudo eu sabia que não era verdadeiro.
Doía dizer, e isso era estranho porque eu não deveria sentir isso, mas mesmo assim doía saber e ter que esconder da ruiva que na verdade eu sabia exatamente o que Brandon lhe exigiria. E que eu tinha certeza que ela lhe entregaria de mãos beijadas. Eu não podia culpa lá, talvez eu fizesse o mesmo por Julia, Jolie e até mesmo Ethan.
Mas droga. Eu tinha certeza que Brandon afastaria a ruiva de mim, eu tinha certeza que não custaria nem um centavo adevoluçãode Connor. Desde que a ruiva sejadelee se afaste de mim. Era isso que ele me dizia todas as horas, que a ruiva seria dele e eu estaria longe.
Ele conseguiria tudo o que desejava, e a única coisa que eu podia fazer eraoferecê-lauma carona até o reformatório.
Eu havia pedido para ela não me deixarir longe demaiscaso o que fizemos hoje a tarde voltasse a se repetir. Como se isso pudesse ajudar em algo, como se assim eu estivesse fazendo a vontade de Brandon e mantendo tudo sobre o controle. Mas existiam dois problemas, nenhum de nós dois somos controlados o suficiente para além de parar o outro, parar a si e o próprio desejo, e mesmo que fossemos, era tarde demais e eu já sabia disso.
Esperei até que a respiração da ruiva se tornasse uniforme e pesada, para com calma tirar meu braço debaixo do seu pescoço e me levantar. Caminhei até a escrivaninha de onde tirei o aparelho celular e fui para a sacada tentando evitar que a conversa acordasse a ruiva.
Procurei na agenda o número de Jolie e liguei, no terceiro toque ela já me atendera.
– Adam? — A voz dela parecia camuflar um pequeno sorriso, olhando pelo relógio do celular ela deveria esperar um carro sendo dirigido por mim estacionar na frente da sua casa em mais ou menos meia hora.
– E aí maninha? — Disse. — Morrendo de saudades?
– Não. — Disse rindo, não se esforçando para esconder a mentira. — Mais e ai? Tá ligando pra dizer que vai se atrasar ou quer cancelar?
– Eu posso explicar... — Ouvi a loira bufar do outro lado da linha e dei uma risada. — Eu to com problemas.
– Não me diga Adam, que grande novidade. Qual é dessa vez? Virou um foragido da polícia? — Temperamento, minha família precisava urgentemente de uma aula para aprender a controlá-lo
– Uma garota. — Fez-se silêncio e então uma gargalhada.
– Eu vou ser tia? Como você me diz isso por telefone Adam? Como é a garota? É legal e... — A cortei.
– Não. Não tem tia nenhuma, nem bebe, nem nada. É outrotipo de problema. — Ela ficou em silêncio e eu pude ouvir sua respiração. — Mas não vem ao caso, avise para todos que minha viagem foi cancelada por alguns dias.
– Adam... — Ela resmungaria alguma coisa então desliguei.
A ruiva continuava em um sono profundo quando voltei ao quarto. De novo me deitei ao seu lado, dessa vez sem nenhuma aproximação involuntária.
*
Acordei assustado, e atordoado por não saber quanto tempo estive ali jogado em minha cama. Demorei para conseguir estabelecer uma linha de pensamentos coerentes, mas usei os olhos arregalados e castanhos em minha frente, como base.
– Acordada há muito tempo? — Perguntei me espreguiçando, ela balançou a cabeça negativamente. — Que horas são?
– Cinco e quinze. — Para minha surpresa estávamos dormindo á quatro horas.
– Tá melhor? — Perguntei e a ruiva sorriu olhando para mim.
– Ainda não achamos meu irmão, mas acho que consigo acertar um soco, caso você precise de um.
– Então talvez tenha sido uma má ideia emprestar minha cama. — Rimos, e então o silêncio. — Vamos agora? — Perguntei. Ela concordou.
Levantei-me suspirando e espreguiçando-me, fui até o banheiro lavar meu rosto e trocar a camiseta amarrotada pela cama, peguei duas das malas dela jogadas no chão, ela então pegou sua mochila. Saímos do quarto deixando a porta encostada e descemos a escada.
– Estamos indo. — Disse simplesmente ao passar pela sala onde meu padrasto e minha mãe assistiam televisão.
– Mande lembranças a sua madrasta, pai e irmãs. — Minha mãe falou tentando se mostrar indiferente, mas todos sabiam como ela odiava a nova família do meu pai. Simplesmente por ele não precisar seguir ordens de ninguém para subir na vida como ela.
– Estou indo para o reformatório. — Disse parando, a ruiva parou ao meu lado. — Aliás Owens, boa tentativa de esconder a chave da BMW embaixo do seu travesseiro. — Larguei uma das malas no chão e peguei a chave do automóvel no bolso. — Me agradeça por devolver o seu Honda inteiro mais tarde. E não se esqueça, abri uma exceção para a BMW, mas eu não curto carros vermelhos. Então na próxima escolha o preto. — Debochei e pude ver a sombra de um riso nos olhos da Natascha, Owens murmurou algo como desgraçadoe eu dei as costas voltando a pegar a mala.
De fato eu não gostava de carros vermelhos, mas não tinha como não gostar daquele carro. Primeiro porque ele era espaçoso o suficiente para umas sete pessoas, segundo porque ele tinha um designe de dar inveja, terceiro porque limites de velocidade não existiam quando se está pilotando um desses.
Em menos de vinte minutos eu estacionei o carro ao lado da moto no estacionamento do lado de fora do reformatório Tennensi. Eu tinha certeza que Brandon nos esperava ali.
Natascha estava tensa quando saímos do carro e ficou ainda mais tensa quando fomos até o prédio principal dar a entrada no lugar.
– Janine. — A secretária do meu tio me olhou de forma estranha. — Queremos dar entrada no reformatório, e... a tornozeleira dela.
– Certo. — Ela deu um sorriso forçado. — Esperem os dois... eu vou... vou fazer uma ligação. — Ela parecia nervosa. Iria me arriscar a perguntar se estava tudo bem, mas alguém limpou a garganta atrás de mim e Natascha fazendo todos os olhos se voltarem para si.
– Tio. — Cumprimentei com um sorriso educado. A secretária devolveu o telefone ao gancho.
– Adam. — Retribuiu o sorriso. — Senhorita McSider. — Ela acenou e ele novamente se virou para mim. — Podemos ter uma palavrinha a sós Adam? É importante. — Disse com um tom natural e eu olhei atento para Natascha como se estivesse mandando ela ficar ali até minha voltar. — Janine, ainda não libere a Senhorita McSider, também tenho assuntos a tratar com ela. — Falou em tom autoritário e se retirou, fui atrás.
Lá estávamos nós de novo, ele em seu cadeirão e eu a sua frente.
– O que aconteceu com a sua viagem, Adam? — Ele perguntou indiferente.
– Eu cancelei.
– Mas se eu me lembro bem você estava afastado por duas semanas. E a McSider também. Todos precisavam acalmar os ânimos.
– Brandon não nos deixou em paz... — Natascha pouco antes havia pedido para não falarmos nada a ninguém, por segurança de Connor. — E preciso de uma semana, depois eu viajo, o tempo que o senhor achar melhor.
– Bom Natascha foi liberada pelos problemas familiares e sua mãe autorizou então ela tem liberdade de voltar para cá. Agora você...
– Tio eu estou te pedindo uma semana. Não vou me meter em confusões, é importante. — Ele suspirou.
– Eu recebi onze denúncias sobre você Adam. Onze pessoas vieram até mim no último mês, para denunciarem você. — Pisquei algumas vezes.
– O que? Que tipo de denúncias?
– Do tipo que você está se drogando, e repassando esse tipo de alucinógeno para os outros. – Tirou um saco transparente e me mostrou o pó branco. — Me falaram que você se aproveita da sua liberdade para comprar e trazer isso para cá. — Pisquei, meu tio estava me acusando de tráfico.
– Não! Reviste-me se desejar. Vire a cabine de cabeça pra baixo, eu não mexo com esse tipo de coisa! — Me defendi e meu tio se abaixou pegando uma caixa de papelão e colocando-a sobre a mesa.
– Já fizemos isso Adam. — Ele suspirou. — E por mais que eu odeie dizer isso, você está banido do reformatório. — Meu corpo se enrijeceu, ele não podia fazer isso. — Eu não me responsabilizo mais por você Adam.
– Não! Você não pode fazer isso. — Ele virou a caixa de papelão e mais diversos sacos com o pó caíram. Eu fiquei sem reação.
– Encontramos isso no seu quarto sábado. Falei com Ethan e ele disse que nunca viu você com nenhuma dessas coisas, assim como os outros. Mas foram onze Adam, onze denúncias em um mês. Eu não posso ignorá-las.
– Eu preciso de uma semana. — Falei baixo.
– Você terá o tempo que precisar quando eles retirarem as denúncias, e por Deus Calliel, eu estou torcendo para que isso aconteça. Eu não quero perder você, eu não quero descobrir que perdi você Adam. — Meus olhos se estreitaram, ele podia ser sincero, mas eu sabia que não acreditava em mim.
– Eu só precisava de uma semana, droga! — Gritei me levantando e empurrando a mesa que nos separava. O barulho provocado deve ter sido escutado por todos no prédio, sai da sala sem olhar para meu tio, assim como sai do prédio sem olhar para os outros.
Tráfico. Adam Calliel tachado como traficante. Santo Deus, eu poderia ser acusado de agressão, tentativa de assassinato, escravidão de ruiva, mas tráfico? Isso era sério? Onze pessoas haviam se juntado para me acusar de drogado traficante?
Instantaneamente uma voz soprou em minha mente.
–Não diga que eu não avisei, Calliel. Você deu início ao jogo e começou com as cartas erradas. Ela vai ser minha e eu vou esfregá-la na sua cara. Quer dizer... Se você conseguir ficar aqui nesse inferno por mais algum tempo.
–É tem razão. Isso pode demorar tanto que os riscos de eu não estar por aqui são realmente enormes.
–Ou talvez você simplesmente não consiga voltar a tempopara isso.
Era isso.Não consiga voltar.
Ele já sabia que aconteceria alguma coisa. Ele deveria ter armado, tudo e...
– Adam? — Senti uma mão em minhas costas e só então me dei conta de que estava em frente ao carro com os braços apoiado no mesmo e a cabeça entre eles. Me virei.
A ruiva parecia um pouco atônita, como se tivesse assustada ou com medo de algo em mim.
– O que aconteceu? Você saiu como um raio, você... você está voltando?
– Eu sugeriria que voltasse comigo. Mas acho que sua resposta seria não. — Dei um sorriso fraco e ela continuou me encarando séria querendo saber o motivo da minhafuga.Suspirei. — Acho que agora somos duas pessoas sem um teto. — Ela franziu o cenho. — Meu tio acabou de me expulsar desse lugar.
A expressão de Natascha entregou sua surpresa. Suas sobrancelhas se levantaram assim que os olhos se abriram ao extremo.
– Como assim expulsou?
– Ele recebeu onze denúncias de outros internos, me acusando de tráfico de drogas dentro do reformatório. Então foram revistar a cabine, e acharam diversospacotinhosde êxtase no quarto.
– Adam você...
– Não! É claro que não. — Gritei e ela deu um passo para trás, dei as costas para a ruiva e meu punho voou em direção a lataria vermelha do carro.
Eu não sabia qual fato me abalava mais.
O barulho da respiração da ruiva entregava o fato de ela ainda estar ali, eu desejava que ela se afastasse.
– Quem denunciou? — Ele perguntou baixo, voltei para a posição que estava antes, com a cabeça entre os braços e respondi com a voz abafada.
– Onze pessoas, meu tio não disse quem. Deve estar arquivado no computador da secretaria, ou em uma folha impressa na sua gaveta. Não tenho certeza, mas antes de eu sair na sexta, Brandon ameaçou algo sobre eu não voltar. — Ela me encarou por segundos. Tive o pressentimento de que ela estava em busca do que fazer ou falar. — Ruiva... tome cuidado com ele, eu... vou dar um jeito. — Era a forma menos complicada de dar um tchau e mandá-la voltar.
Natascha balançou a cabeça positivamente e deu três passos de costas antes de se virar em direção ao prédio. Droga, eu sabia que a partir daquele momento eu estava entregando a ruiva mais desejável para o cara que me odeia, e talvez por um milagre eu ainda encontraria com ela por aí atravessando uma rua e teria o direito de acenar com a cabeça sem ganhar um olho roxo. Por esse e outros motivos, eu não podia simplesmente deixá-la ir assim.
– Sinaleira. — Chameialto e ela se virou parando. Já estava bem perto do prédio, mas mesmo assim esperou para que eu me aproximasse. — Pode me castrar pelo que eu vou te dizer, mas eu realmente me arrependo de ter deixado você sair da minha cama hoje cedo. — Eu havia empurrado-a para uma das paredes de concretoe a prendia entre meus braços. — Então eu não vou correr o risco de nunca mais voltar pra essa merda de lugar, e me despedir de você com um aceno de cabeça. Dane-se se o Brandon me quer longe de você, dane-se o que ele quer ou não fazer, porque eu quero você ruiva, mais do que eu deveria.
Falei e a beijei, beijei descontando toda a fúria que eu estava sentindo. A raiva que havia se acumulado por Brandon, meu tio, a raiva por onze pessoas que fizeram uma falsa acusação contra mim. Tudo estava sendo descontando ali, em meio ao desejo pela garota dos fios vermelhos.
– Adam. — Ela arfou, eu sabia que era para ter saído em tom de reprovação por eu ter colocado uma das minhas mãos por dentro de sua blusa, mas o desejo não deixou que o tom aflorasse em sua voz.
Eu sentia sua mão no colarinho da minha camisa me prendendo ali, e a outra entre meus cabelos. Eu brigava comigo mesmo para não arrastar a ruiva pro banco de trás da BMW, onde seria possível aprofundar o que começamos. A mão da ruiva desceu do meu colarinho passando por meu peito e abdome até encontrarem a barra da minha camiseta, tentando levantá-la, mas eu ri afastando sua mão de lá, eu sabia que não pararíamos depois que as coisas esquentassem e eu não estava afim de ser preso por atentado ao pudor. Ouvi-a resmungar algo por causa da mão desviada e desci ao seu pescoço.
– Você podia ter escolhido um lugar melhor para sedespedir,Adam. — Ela disse baixo enquanto eu traçava com a boca uma linha em seu pescoço. Queria respondê-la mais tinha uma coisa mais importante para fazer, como por exemplo, vingar a mancha avermelhada que ela havia deixado em meu pescoço hoje mais cedo.Justo quando a outra havia desaparecido.
Depois de ter certeza que a marca estaria bem visível para aqueles que se aproximassem para ver, me separei da ruiva que me olhava em um misto de desejo e graça.
– Jure que vai esfregar essa maldita marca na cara de Brandon quando for falar com ele. — Falei passando a mão por seu pescoço e ela deu uma gargalhada.
– Essa era uma ótima hora para eu me sentir usada como alvo de sua provocação ao Brandon. — Ainda estava rindo. — Mas, talvez você seja um daqueles caras no qual vale à pena ceder uma vez ou outra. — Brincou e nós rimos.
Me afastei um pouco e tirei o celular do bolso entregando para a ruiva.
– Fica com ele. Eu vou arranjar outro e ligo pra você salvar o número, não importa o que esse canalha fizer ligue pra mim, quer dizer, primeiro fale com Ethan ele está mais perto e vai poder ajudar, mas qualquer coisa que Brandon faça me avise. Eu estou precisando de um motivo para matar esse cara. — Falei e ela revirou os olhos colocando o celular no bolso.
– E o que leva você a pensar que eu ligaria pra você caso algo aconteça? — Ri e dei de ombros.
– Talvez você precise de um cara pra levar uma surra por você. — Debochei. — Ou talvez você precise de um loiro sexy para se distrair. — Ela fez uma cara pensativa e abriu um sorriso.
– Levando em conta que Michael é o único loiro com algo aproveitávelque eu conheço, acho que vou recusar. — Provocou me empurrando e fazendo-me sair da sua frente.
Acompanhei-a com os olhos até a entrada do prédio e esperei que ela já estivesse na porta para gritar.
– Natascha? — Ela se virou já com um sorriso e me encarou. — O cabelo do Michael é castanho claro. — Corrigi e ela riu me lançando o dedo do meio enquanto sumia por dentro do grande prédio.
Admito que doeu, que me sufocou. Admito que eu não sabia para onde correr, a não ser para dentro daquele maldito prédio. Admito que me sentia idiota por admitir cada uma dessas coisas, mas também admito que tudo parecia confuso demais para se prender dentro de mim.
Por fim dei partida no carro. Algumas pessoas me aguardavam em Boston.
Notas finais
E ai o que acharam? Alguém ai tá muita puta (o) com o Brandon? Porque se tiverem, bem vinda ao clube.
A e pro team Mason só tenho uma coisa a dizer, preparem o coração galera ;D
E ai qual foi a parte do capitulo que mais prendeu vocês, dessa vez? E quais são os palpites para os próximos capÃtulos?
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