Tennensi Reformatory

30 Cartas Erradas.


Notas iniciais
Nem demorei lá lá lá. Mais ainda não respondi os Reviews, eu sei.

Para o pessoal que esperava aqui mais um "casos de família" Filha X Pai só lamento.

Um Pov. Adam um pouco maior que os últimos capítulos, os bons entendedores já vão "pescar" alguns Spoliers perdidos pelas linhas. Repito só os bons entendedores. E claro a linda da Gabs que beto tudo e que automaticamente já sabe o rumo da historia, porque é ela quem esta me ajudando a encaixar tudo da melhor maneira. Não me canso de elogiar essa menina...

- Ótimo treino pessoal. – Disse quando finalmente dei fim a série de exercícios e passes ensaiados do time de basquete da Tennensi. — Continuem assim e entramos para a temporada sem esforços. — Falei e ouve um burburinho de empolgação. — Estão dispensados.

- Adam! — A voz de um dos jogadores fez com que outros parassem para prestar atenção, me virei para encará-lo já prevendo a confusão.

- Brandon... — Disse, incentivando-o a continuar e ele fez sinal para que eu me aproximasse evitando os curiosos. Suspirei e fui para sua frente.

- Então? — Perguntei.

- Só quero avisar que você deu o início ao jogo e começou com as cartas erradas, capitão. — Ele disse em tom irônico a palavra capitão, todos sabiam que ele adoraria estar com o título.

- Oi? Do que você está falando, isso é só um treino Brandon, não pira. — Ele riu. Quer dizer, mais cuspiu na minha cara do que riu, porém certos fatos eu prefiro relevar a ter que compartilhar.

- Não seja idiota Adam, tivemos uma conversa ontem. Eu deixei as regras claras e falei que queria você longe da ruiva. Acho que você não escutou direito, certo? — Ah com certeza escutei, devo metade do impulso de tê-la beijado ao fato de saber que Brandon quebraria pratos por causa disso. Bom, a outra metade digamos que tenha sido uma coisa... hm, pessoal.

- A com certeza eu escutei. Mas, eu não estou a fim de entrar nas regras dos seus joguinhos. — Alguns que já esperavam a confusão começaram a se aproximar. Santo deus, Adam Calliel brigando por causa de uma garota, onde o mundo foi parar? — Se serve de consolo pra você Brandon, posso dizer que eu não testei todas as posições, então vai em frente, pode testar... — Fiz cara de pensativo. — Ah é, me esqueci, ela sente nojo de você!

Um golpe baixo, me condene. Mas, o que você quer ouvir de mim? Eu posso brigar por causa da sinaleira, mas só cuido do quesito segurança, ela que venha defender sua própria honra.

Um punho voou tão rápido na minha direção que não tive tempo de desviar, quando dei por mim estava deitado no chão. Meus sentidos se confundiram no momento em que minha cabeça bateu contra o chão, vi Brandon se aproximar e forçar a mão em meu peito para que eu não me levantasse.

- Não diga que eu não avisei, Calliel. Você deu início ao jogo e começou com as cartas erradas. — Houve uma pausa. — Ela vai ser minha e eu vou esfregá-la na sua cara. Quer dizer... Se você conseguir ficar aqui nesse inferno por mais algum tempo. — Ele se levantou, e mesmo com os sentidos confusos ri. Droga tinha gosto de sangue na minha boca e meu nariz escorria o mesmo líquido vermelho.

- É tem razão. Isso pode demorar tanto que os riscos de eu não estar por aqui são realmente enormes. — Depois disso a única coisa que consegui falar foi um enorme palavrão ao ter o pé dele se direcionando a minha costela.

- Ou talvez você simplesmente não consiga voltar a tempo para isso. — Eu não tinha certeza se era realmente isso que eu havia escutado, na verdade já me contorcia ao ver o pé dele vindo de novo rumo a mim quando mais um grito rompeu os murmúrios curiosos daquela merda de time que não se mexiam para me ajudar.

- Chega. — Era o Ethan. — Brandon dá um tempo. Você conseguiu quebrar ele, agora já pode ir. — Eles se encaravam tão próximos um do outro que eu tive, por alguns segundos, orgulho de ser meio irmão do Ethan, o garoto que não temia Brandon Stuart. — Ou será que você quer responder a uma denuncia de assassinato, também? — Minha visão já se embaçava, não tinha certeza se era pela dor, ou pelo impacto que minha cabeça teve contra o chão.

A última coisa que vi antes de acordar na enfermaria era Brandon dando as costas a Ethan enquanto murmurava algo.

*

A droga tá doendo.

Meu corpo se torce automaticamente quando tento apenas me mover, parece que meus rins e meus pulmões resolveram se fundir em um só. Solto o ar preso nos pulmões acompanhado de um pequeno gemido de dor.

Eu mato aquele desgraçado.

- Tudo bem por aí? — Uma voz feminina. Rebecca.

- Por acaso parece que algo esta bem por aqui? — Pergunto e ouço uma risada, ao mesmo tempo em que passos se aproximam da minha cama e uma mão fina toca em meu braço. Me arrumo com mais cuidado na cama e dessa vez posso ver Rebecca com seus cachos largos soltos e um sorriso branco a mostra.

- Educação mandou lembranças. — Disse ainda rindo, talvez testando meu nível de mau humor, não era uma boa hora.

- E eu a mandei pra pu... — Rebeca pôs a minha boca antes que eu terminasse.

- Se continuar assim a próxima a te chutar é a enfermeira. — Reviro os olhos.

- O que você está fazendo aqui? — Perguntei. Ela deu de ombros.

- Seu tio, Ethan e Brandon se enfiaram naquele gabinete há mais o menos uns quarenta minutos. Michael está sentado ali — apontou para um canto da sala — e Amber com as líderes de torcida.

- E isso não responde a pergunta. — De novo ela deu de ombros.

- Eu estava entediada e queria dar a minha opinião sobre como você fica com um olho roxo. — Não pude deixar de abrir um sorriso fraco. Ergui uma das sobrancelhas esperando a resposta. — Digamos que roxo definitivamente não é sua cor, e com todo esse inchaço está bem semelhante a uma beterraba. — Fiz cara feia o que não deve ter ajudado muito, levando em conta os últimos fatos sobre a minha aparência. — Mas... Eu diria que a Natascha achará extremamente sexy. — Mais uma vez ri.

- Lembrando dos últimos acontecimentos, acho que quero distância dessa ruiva. — Rebecca gargalhou se aproximando do meu ouvido.

- Vou contar pra você um segredo Adam. Você ficou pelo menos cinco minutos delirando com a ruiva enquanto estava apagado. Então, por favor, não venha com essa. — Se afastou rindo e eu pisquei algumas vezes.

Essa era uma boa hora para fazer as malas e sumir do mapa.

*

Eu definitivamente não sei o que é mais humilhante.

Ganhar uma surra do Brandon, não estar em condições de pilotar a própria moto, depender do tio — que de uma maneira educada me expulsou do reformatório por duas semanas — para poder chegar em casa ou estar sentado no banco do passageiro ouvindo uma música brega enquanto meu tio tenta cantarolar e me dar mais um dos seus malditos sermões carregados de filosofias ridículas sobre meus atos inapropriados.

- Você só está sustentando as teorias do seu padrasto sobre ter um garoto delinquente na família, e o pior de tudo é que você sabe disso e não faz nada pra mudar, Adam. — Eu já estava cansado de discutir.

- Droga! — Gritei e meu tio pareceu não se importar, mesmo que tenha tirado os olhos da estrada e me encarado por segundos. Na verdade, era isso que ele me pedia o tempo todo. Ele sempre falou que eu deveria extravasar em vez de agir indiferente, assim eu evitaria confusões quando simplesmente parasse de suportar tudo. Eu deveria começar a ouvir meu tio qualquer dia desses. — Vocês sempre dizem isso. Você, minha mãe, Ethan meu pai. Todos vocês.

- E o que você sugere? Que passemos a ignorar o fato de você não saber lidar com os próprios problemas?

- Eu sugiro que parem de se iludir. Eu sugiro que você pare de falar para o meu pai como eu sou um bom garoto, e sugiro que minha mãe para de acreditar que em algum momento eu e ela vamos ser o tipo de família perfeita, eu sugiro que as pessoas parem de procurar em mim alguém que nunca vai existir.

- E por que você quer tudo isso Adam? Por que simplesmente não sai e vai embora daquele lugar? Pelo que eu me lembre você está livre pra correr o mundo, mas olha só, você se nega a sair de lá... Me diz por quê! — Ele aumentou o tom de voz. — Será que é porque você se identifica com aquelas pessoas, ou é porque na verdade você só precisa delas pra se esconder de si mesmo?

-Você não sabe o que está falando. — Rebati na defensiva. Nem tudo aquilo era verdade. Não deveria de ser.

- Eu acho que é você quem não está sabendo escutar. Olhe pra mim e me diga que tem orgulho da sua vida. Me diz que você tem orgulho de ser um garoto rejeitado pela mãe, de morar em um reformatório, de ter seu tio como seu tutor mesmo com seus pais vivos. Me diz que você tem orgulho dessas coisas Adam! Ou será que apesar de tudo você não tem coragem de contar uma mentira desse tipo?

- Eu nunca disse que me orgulhava. — Novamente gritei. — Eu não me orgulho de ter sido expulso da minha casa por causa de uma merda de um orgulho besta. Eu não me orgulho de não estar com meu pai só por medo de estragar tudo na família perfeita que ele construiu longe de mim. Eu não me orgulho de ser o encosto que sou pra você, mas droga, pelo menos uma vez será que alguém pode olhar o meu ponto de vista. — Nesse momento ele estacionou o carro em frente à casa da minha mãe. — Você é única coisa que eu posso chamar de família há malditos quatro anos... — Eu olhava para o vidro do carro, mas sabia que os olhos de meu tio estavam presos em mim. — Eu só não sei se estou pronto pra largar de vez as poucas coisas que restaram.

- Adam... — Ele demorou mais do que eu esperava para falar. — Eu só... eu acho que também não estou preparado para perder você. — Ele pôs a mão em meu ombro me fazendo olhar em sua direção. — E mesmo que eu pareça um tio mala, um padrinho péssimo você acabou sendo o garoto que eu sempre sonhei em ter, não que eu esteja rejeitando minha esposa e minha filha. Mas eu vi você crescer Adam, eu mais que ninguém odiei sua mãe, seu padrasto e por alguns meses seu pai. Mas droga, você não se esforça para mudar nada disso. — Uma pausa. — E às vezes eu sinto que é exatamente assim o jeito que você achou para se obrigar a soltar o resto das coisas que ainda lhe restam, mesmo que não esteja preparado. Mas saiba Adam que eu estou firme nessa com unhas e dentes, então não vai ser tão fácil, não vai ser roubando uma moto e socando alguns caras que você vai cortar tudo isso de uma vez... Nós não estamos prontos para isso.

Eu poderia jurar que essas haviam sido as palavras mais sentimentais que meu padrinho já havia me dito em todos esses anos de vida. E o que mais me deixava constrangido é que eu não tinha nada a altura para responder. Então da forma mais impulsiva eu fiz as mesmas merdas que sempre faço, eu fui indiferente com a única pessoa que parecia realmente se importar com a minha existência.

- Eu sugiro que não espere pela minha mudança.

Abri a porta e sai do carro sem me importar com a escuridão, e com os pesados pingos de chuva que em instantes molharam minha jaqueta de couro. Abri o grande portão e entrei ainda tendo consciência que meu tio estava lá iluminando meu caminho com os faróis do carro. Ouvi uma buzina quando apertei a campainha e o ronco do carro se foi no mesmo instante que minha mãe abriu a porta

Talvez eu devesse sugerir coisas a mim mesmo. Coisas do tipo sumir do mapa.

*

Claro que pra eu conseguir chegar até meu quarto foi toda aquela série se cerimônias de “estava com saudades”, “como você está lindo”, “por que demorou tanto?” e blá blá blá. Sempre me pergunto se só minha mãe faz esse tipo de coisa ou na verdade são todas.

Esquivei-me da maior parte das perguntas – Inclusive a que se referia sobre o meu olho roxo — e minha mãe notou ficando um tanto decepcionada. Aleguei estar cansado por causa do dia longo, e sem fome. O que na verdade não eram mentiras.

Entrei no meu quarto e no guarda-roupa peguei qualquer coisa e me enfiei no banheiro. O que me deixou com mais raiva foi passar em frente ao espelho e concluir que em menos de quarenta e oito horas a mesma ruiva conseguiu me deixar com duas marcas roxas nada agradáveis, mesmo que uma delas tenha sido deixada por seus intermediários, a maldita sinaleira tinha culpa no cartório.

Amanhã com certeza haveríamos de ter uma conversa séria.

Notas finais
Posso esperar comentários? E recomendações? To super feliz com o numero de leitores saído das sombras para comentar. E para os que ainda não se rebelaram, eu quero dizer que conversar comigo é muito mais legal do que ficar ai no mundo obscuro e frio dos fantasmas, sabia?

A ultima pergunta que eu fiz pra vocês foi sobre filmes. Descobri que a maior parte dos meus leitores não curtem esse lance de ficar sentado na frente da TV, mais ok.

A pergunta do capitulo é:

- Qual escritor você mais admira?

E essa, só pra quem já leu Vampire Academy ( no caso eu õ/)

- Com quem vocês acham que a Rose deveria ter ficado? (conta todos os personagens da historia)

- E qual o momento mais triste da historia?
Que eu acho sinceramente, que foi a morte do Mason no livro dois.

*** Quem vai ser o leitor divo que vai me dar uma recomendação?***
Sério to querendo uma. Juro que até mando uma MP bonitinha de agradecimento (suborno não vai contra nem uma regra né?)

Logo temos o próximo que eu já to terminando de escrever, ok?