Tennensi Reformatory

31 Eu estou no comando


Notas iniciais
Hey galera como vai? Eu sei que to super atrasada com os comentários e ainda não sei quando vai sobrar um tempo pra pô-los em dia, mais eu juro que se tiver algo importante para falar ou perguntar mandem por MP e eu prometo que respondo certo?

Quero agradecer do fundo do meu coração a linda da Mihh Mellark, pela linda recomendação que essa gata mandou. Vlw amore.

O capitulo como sempre betado divamente pela GabsBooBearJujubaVerde. Então deixo aqui um salve pra ela =)

Espero que gostem, até as notas finais :*

– Tem feito bom uso da minha moto Adam? – Esse foi meu inútil padrasto atrapalhando o silencioso café da manhã. Sim, eu sou aquele tipo de pessoa que daria os dedos para não precisar abrir a boca de manhã cedo.

– Depende do que você considera bom uso. De qualquer forma, ela tem me sido muito útil. – Disse com um ar indiferente enquanto olhava as imagens do jornal do dia, e mesmo assim pude sentir o peso dos olhos da minha mãe sobre mim.

Obviamente aquela mulher que me recebeu como um filho descente ontem durante a noite, hoje de manhã já estava morta. Claro, com as palavras do Owens — Meu padrasto. – Qualquer um desejaria falecer a ter um filho como eu. Um marginalzinho ridículo.

Aquele cara se superava a cada dia.

– Quanto tempo você pretende ficar? – Ele perguntou e eu dei de ombros.

– O suficiente pra não precisar ver aquela coisa ridícula de casamento. – Respondi ainda sem tirar os olhos do jornal.

Hunther Macchine preso por porte ilegal de armas. Cidade elege novo prefeito.”

– Adam! – Minha mãe me repreendeu desviando minha atenção do jornal, revirei os olhos.

– Aliás, minha querida mãe, foi muito tocante de sua parte dizer que não tem nada a declarar sobre a presença dos filhos na cerimônia. – Me virei para meu padrasto. – Uma desculpa bem formal para dizer que não quer convidá-los, não acha Owens? – Pisquei pra ele. – Tão formal que até diria que foi feita por você. – Dei um sorriso irônico e ele me fitou por segundos. Essas horas eu deveria agradecer por não ser enteado do prefeito Macchine, no mínimo eu teria levado um tiro no meio do peito.

– Calliel! – Minha mãe vociferou batendo os punhos na mesa e eu me levantei com o sorriso mais fiel que eu pude dar.

– Sem problemas mãezinha. Estou de saída. Volto no fim da tarde. – Tiro a chave do Honda preto de meu padrasto e balanço-a em sua frente. Eu sabia que aquele era seu carro favorito e fiz o favor de pegar as chaves emprestadas assim que tive a oportunidade. – Aliás, Owens, muito obrigado pelo carro, sabe como é... mau jeito nas costelas e moto não combinam, seu carro me pareceu bem confortável. – Ele suspirou abrindo e fechando os olhos. Deixei a cozinha ainda com o mesmo sorriso, mas mesmo assim parte de mim queria voltar lá e dar um soco naquele destruidor de vidas.

Mesmo que lá no fundo eu soubesse que na verdade ele não era culpado, e sim eu mesmo. Mas na maioria das vezes, é muito mais fácil jogar a culpa em outro á ter que assumi-la sozinho.

Fui até a garagem e conclui que teria sido bem mais emocionante ter pegado a chave da BMW vermelha que apareceu de forma misteriosa ao lado do Honda, de qualquer forma o carro preto bem polido era o que tinha para hoje. Sentei no banco de couro que Owens mandava a cada quinzena para tratar, liguei o som e dei partida no carro.

Pouco mais de cinco minutos eu estacionava na frente dos portões com o sobrenome McSider entre suas grades. Pra falar a verdade eu ainda não sabia o que eu estava fazendo ali. Mas começava a cogitar a possibilidade de estar viciado no hobby de incomodar aquela coisa de cabelos vermelhos. Ou talvez eu só não tenha aceitado muito bem o fato de ela ter sido a pessoa a agir indiferente depois da noite em que tivemos, e não eu.

Apertei o interfone e esperei até que uma voz rouca apresentou-se como governanta da mansão McSider. – Humildade definitivamente não conhecia esse endereço. – Disse que era um amigo da ruiva e ela destravou o portão para que eu entrasse. Encontrei com a mesma governanta me esperando na porta.

– Oh, eu me lembro de você. – Disse com um sorriso simpático, tentei retribuí-lo. – Entre e fique a vontade, já conhece a casa, não? — Balancei a cabeça positivamente, mais tive quase certeza que mandar um convidado entrar e ficar a vontade antes de ser apresentado aos residentes ia totalmente contra as regras da grande casa. – Precisa de alguma coisa? Natascha e o pai estão no escritório do senhor McSider... – Uma pausa. – Eles tiveram uma pequena discussão hoje cedo e estão se... resolvendo. – Dei de ombros.

– Eu espero aqui, sem problemas. – Ela fez sinal negativo com a cabeça.

– Espere-a no quarto. Será mais confortável. – Ela fez sinal para mim em direção ao corredor e eu fiz que sim com a cabeça.

Não pude deixar de notar que faltava um dos quadros vazios na parede dos McSider, a qual Natascha havia me mostrado. Talvez isso devesse ser obra de suas afrontas com o pai. Segui pela escada e assim que cheguei ao segundo andar pude ouvir gritos, engoli em seco. Eles estavam discutindo.

– Ontem, eu vi você tocando com o Connor. Aquilo foi maravilhoso, eu cheguei a acreditar por segundos que eu poderia ter uma filha. Eu ofereci a você essa casa de volta em troca daquela garota que estava tocando com o irmão. – Era a voz grossa do Sr. McSider. – Você disse que estava disposta a pensar no caso, você havia me dado a sua palavra de que pensaria em largar tudo e voltar a ser uma McSider. – Algo se revirou dentro de mim, então a ruiva havia cogitado a possibilidade de deixar o reformatório, de deixar de ser quem ela era. – Mais olhe só o que você fez! – Ele gritou. – Você acha que é agradável ser acordado às cinco horas da manhã por um policial, porque você foi pega bêbada pichando barbaridades em muros de vias públicas, sujando o seu próprio sobrenome e expondo a nossa família, com aqueles seus amigos perturbados?

– Eu não estava bêbada! – Ela gritou. – Costumam dizer que os bêbados são tão sinceros quanto crianças. E se eu tivesse sido sincera não teria escrito que os McSider eram uma droga de família, não teria escrito que você era um péssimo pai. Sabe por quê? Porque na verdade você nunca nem se quer soube o que é ser pai. E olhe bem nos meus olhos e me diga que família é a McSider? Você nem se quer sabe qual o esporte preferido do Connor. E olhe só pra mamãe, ela sabe tanto quanto você, sabe apenas o que a mídia diz. Nunca existiu uma família de verdade.

-É isso que você pensa? – Ele gritou. – Então agora me diga o que você, a garotinha vitima de tudo isso, fez para ser diferente de nós. Foi presa algumas vezes? Influenciou seu irmão a ser um idiota como você? Já sei... pichou alguns muros para tentar melhorar algumas coisas. – Ela disse alguma coisa baixo demais para eu poder escutar, então eu ouvi uma gargalhada irônica da parte dele. – Você tenta negar Natascha. Mas a verdade é que todos somos McSider e você não vai fugir disso, garota hipócrita.

Nesse momento eu escutei passos e me adiantei para o quarto da ruiva. Eu tinha certeza que nenhum dos dois gostaria de saber de um enxerido no meio a eles. Alguns dos passos se silenciaram ao fundo do corredor, outros chegaram a porta e então a mesma foi aberta.

Ela estava chorando.

Natascha bateu a porta tão forte que algumas coisas na sua escrivaninha balançaram. Ela me olhou sentado em uma poltrona pequena no quarto e desviou o olhar. Mesmo assim não se importou com as lágrimas. Encostou a cabeça na porta e encarou o teto. Achei que o mais esperto naquele momento seria apenas ficar em silêncio e vê-la desabar em minha frente.

Como eu gostaria de ter esperado na sala.

Levei um susto quando ela chutou sua mesinha de cabeceira e várias coisas caíram no chão, algumas se dividindo em diversos pedaços. O único objeto de porcelana que permaneceu inteiro era um abajur bem refinado.

Ao notar o fim que a ruiva daria ele me levantei e caminhei a passos rápidos na sua direção. Ela não se importou, mudou o rumo de seu corpo e logo o abajur era apenas cacos no chão do quarto.

– Natascha. – Disse quando já estava próximo o suficiente dela, ela me ignorou e continuou a procurar coisas para quebrar. – Natascha para. – Ela havia achado um porta-retratos. – Sinaleira me escuta. – Disse segurando firme o braço dela antes que ela arremessasse o porta-retratos em direção a outra parede. Ela me olhou nos olhos e abriu a mão deixando o porta-retratos cair. Continuamos a nos encarar e eu afrouxei minha mão de seu pulso. Ela escorregou na parede até chegar ao chão.

Droga o que eu fazia agora?

– Ele está certo. No fim somos todos iguais. – Ela disse baixo e eu me abaixei em sua frente.

– Por que você acha isso? Por acaso você é o tipo de pessoa que sai distribuindo tapas na cara dos outros, e os obriga a fazerem o que você quer. – Ela não me olhou.

– Ele é meu pai, Adam. No fundo somos iguais, não tem como negar. – Eu ri.

– Natascha olha pra mim. – Segurei seu rosto para que ela me olhasse nos olhos. – Ignora meu olho roxo, ok? – Ela deu um sorriso fraco. — Eu tenho um pai que todos desejariam ter, o tipo de pai presente no dia a dia dos filhos, gentil e carinhoso com todos a sua volta. Ele é tipo o cara mais honesto e calmo que eu conheço, já a minha mãe... bom ela é movida pelo dinheiro. Aceita as ordens do meu padrasto, e ela vai casar com ele sem nem se quer amá-lo. Tudo por causa do maldito dinheiro. Agora pense em mim. Acho que esse olho roxo pode mostrar o quão calmo eu sou, e pra falar a verdade eu não sei como anda a vida de ninguém na minha família porque eu definitivamente não sei ser um cara presente, e o jeito que eu te empurrei no chão a primeira vez que a gente se viu ou o jeito que eu expulso as garotas do meu quarto mostra que eu sou o ser mais meigo do mundo, não negue. – Disse e de novo ela riu. – E sabe, se eu ligasse para o dinheiro tanto quanto minha mãe eu estaria lá, bancando o filho prodígio, agradando a ela e o maldito do Owens só para ter a grana. Mas não, eu preferi ir para uma cabine de reformatório minúscula onde eu tenho que dividir até a minha própria cama, mesmo que por livre e espontânea vontade. – De novo ela deu risinho. – Agora me diz, eu sou semelhante a algum desses dois? Fisicamente talvez eu seja a cópia deles, mas são apenas semelhanças físicas. Como as suas semelhanças com todos os McSiders, são só físicas Natascha.

Ela continuou calada, mas dessa vez não havia tantas lágrimas e sua respiração estava bem mais controlada.

– Anda ruiva, para com o drama e me dá um tapa na cara por ter invadido o seu quarto. Grita comigo por ter ouvido sua briga ou me expulsa daqui pelo simples fato de eu ser lindo até com um olho roxo a ponto de deixar você sem falas. – Usei todo um ar convencido e me levantei esticando a mão para ajudá-la a se levantar, e pra a minha surpresa a ruiva aceitou.

– Você é idiota Adam. – Ela disse já de pé, com um sorriso.

Não mais que você ruiva. Não mais que você.

Respondi em pensamentos, ao mesmo tempo que seu sorriso me atraia para centímetros mais próximos. Só me dei conta disso quando ela largou a minha mão e se afastou abruptamente do meu corpo. De inicio desconfiei que fosse apenas o lado auto defensivo do seu orgulho reerguendo suas defesas, logo vi que estava errado. Connor estava parado na soleira da porta nos observando sabe-se lá por quanto tempo.

– Interrompendo? – Ele perguntou um pouco corado e eu vi o rosto da ruiva assumir um tom quase tão vermelho quanto seus cabelos. Eu ri e resolvi assumir o controle.

– Nada disso baixinho. – Falei descontraído e ele me olhou. – Eu ia mandar sua irmã ir te chamar agora mesmo. – Ele deu um sorriso debochado.

– Pra ser sincero, me parecia que “agora mesmo” você iria beijar minha irmã. – Ri, Natascha poderia não ter nada a ver com os pais, porém me parecia que Connor e ela haviam herdado o mesmo gênio digamos, sem vergonha... No bom sentido claro.

– Connor! – Natascha repreendeu e eu ri junto com o moleque.

– Provavelmente, baixinho. – Suspirei e dei de ombros olhando de canto pra ruiva. – Mas de qualquer forma sua irmã não resiste aos meus encantos então existirão outras oportunidades. – Ele riu e a ruiva me lançou um olhar ameaçador abriu a boca para me interromper, mas eu balancei a cabeça negativamente impedindo-a de falar. – Nada de perder tempo. Os dois vão se arrumar. Temos um passeio marcado para daqui a quinze minutos.

O Mcsider mais novo sorriu empolgado e foi pro quarto, a ruiva continuou me encarando.

– Qual a parte dos quinze minutos você não entendeu? – Perguntei mandão e um sorriso estranho se abriu nos lábios dela.

Notei quando a ruiva acelerou os passos na minha direção, quase correndo. E assim que se aproximou levou a mão na minha nuca puxando para si com força o suficiente para não me deixar hesitar.

Não que eu fosse fazer isso claro.

Era um beijo controlado, quase como se ela estivesse medindo cada movimento nosso. Não chegava a ter tanta fúria como na vez em que nos beijamos depois da briga com o Brandon, mais com certeza esse não era o tipo de beijo que transmitia paz de espírito. Isso sem duvidas era o que fazia de uma ruiva sexy, duas vezes mais sexy.

Ela nos separou e me olhou. Riu ao notar o ponto de interrogação que estava muito provavelmente pairando sobre a minha cabeça, se aproximou do meu ouvido e sussurrou:

– Isso foi por ter usado sua filosofia idiota comigo e por ter me ajudado duas vezes com aquela droga de pai. – Se afastou e continuou a me olhar nos olhos. Eu juro que teria tentado um novo beijo se não fosse por seu joelho chutando aquilo que havia entre minhas pernas. Gritei o primeiro palavrão que veio a minha cabeça, mesmo que ele fosse mais uma tipo de ofensa a mãe da ruiva, enquanto me contorcia de dor ajoelhado no chão. Ela se abaixou na minha frente e levantou o meu rosto do mesmo jeito que eu tinha feito, minutos antes com ela. – E isso é pra você aprender a não invadir o quarto dos outros, e muito menos achar que pode se aproveitar de mim como faz com as garotas do reformatório. – Ela deu um risinho e de novo se aproximou do meu ouvido. – Eu estou no comando, Calliel.

A ruiva se levantou e me deu as costas sem se importar em retribuir o esforço da mão estendida para oferecer ajuda, apenas cantarolou da porta do banheiro.

– Ainda me restam onze minutos. Não me apresse. – Fechou a porta.

Droga, existem mais de três bilhões de mulheres no mundo e eu simplesmente resolvi desejar a ruiva.

*

Saímos da casa quase as escondidas. Não que alguém fosse ligar por eu sair com a filha do Grã McSider, mas o verdadeiro problema era levar o pequeno Connor para a viagem. Precisamos da ajuda da governanta para nos acobertar dizendo que ele havia ido para a casa de algum amigo fazer um trabalho escolar.

O nosso segundo problema foi decidir onde iríamos. Eu votei em um jogo de basquete dos Woonks que começaria em vinte minutos, Connor adorou a ideia, Natascha acabou tendo o voto de me levar até o inferno anulado.

Eu tive que pagar as entradas porque a ruiva maldita se negou a gastar o dinheiro dela com uma coisa que ela não queria ver. E assim se foram setenta e cinco dólares da minha carteira, ah claro sem contar o dinheiro das três latas vermelhas de refrigerantes e a pipoca amanteigada com um maldito cheiro de chulé.

Connor havia acabado de virar o mais novo substituto do Ethan para ser meu parceiro de jogos de basquete. O moleque era Woonkerjocks fanático. Eu comentei com ele que era capitão de um time onde eu estudava e ele pediu para a ruiva levá-lo em um dos jogos quando a nova temporada começasse, a resposta dela foi um curto e rabugento não.

O jogo acabou em mais o menos duas horas, pelo menos esse foi o tempo que levamos para deixar a arquibancadas lotadas de pessoas resmungando a perda do seu time e encarando feio a sinaleira que ria alto da cara de todos eles.

– Eu falei que isso é jogar dinheiro fora. Eu poderia ver um jogo de basquete na minha casa, sentada de frente pra TV sem gastar nada além da conta de luz. E também não ia precisar aturar aquele monte de gente se empurrando de um lado pro outro.

– Os Woonks teriam ganhado se o Chedy não tivesse sido substituído pelo Travix – Connor protestou.

– Ou se o Aeron não tivesse errado aquele último arremesso. Sempre soube que era um mau negócio contratar aquele cara para jogar no time do Woonks.

Falamos sobre o jogo até que a ruiva nos mandou calar a boca, maldita sinaleira estressada. Estávamos na rota 15 indo de volta para a casa da ruiva quando Connor resmungou algo sobre não querer voltar tão cedo. Sorri e acelerei passando direto pela casa da ruiva. Ela me olhou com um ponto de interrogação nítido na cara e eu apenas dei de ombros estacionando oito quadras depois.

– Aonde vamos? – Connor perguntou do banco de trás. Abri a porta e saí do carro, os outros dois fizeram o mesmo. Travei o alarme e fui para frente dos enormes portões brancos e os abri.

– Sejam bem-vindos a minha casa. – Eles olharam toda a grande casa, sem se surpreenderem, como havia citado antes a minha casa e a da ruiva eram realmente muito parecidas, na verdade parecia que todas a casas do bairro exerciam o mesmo padrão. – Tem uma mine quadra de basquete ali nos fundos pirralho. – Ele sorriu e olhou para a irmã como se pedisse autorização ela me olhou e eu concordei, a ruiva deu de ombros e pequeno McSider atravessou o terreno contornando a enorme casa.

Fomos em silêncio e a passos lentos até ele, quando o alcançamos ele já havia encontrado a bola e havia recém-lançado a bola para a sexta em um arremesso desajeitado, ri com a cena e fui até o seu lado, Natascha permaneceu parada nos olhando.

Quando deduzi que ele já tivesse entendido os melhores jeitos de se arremessar uma bola, deixei-o sozinho e avaliei meu trabalho muito bem-sucedido, ele havia conseguido uma sexta de três pontos.

– Espero que não cobre pelos serviços de treinador. – Natascha falou e eu ri.

– Vamos dizer que foi cortesia da casa. – Ela riu. – Quer entrar? – Ela deu de ombros. – Já adianto a você que meu padrasto e minha mãe estão tirando umas férias, então eles bombardearão você de perguntas e quando descobrirem que você é uma herdeira McSider vão acabar te convidando para todos os chás de domingo. – Uma pausa. – E talvez para o casamento. – Com certeza para o casamento. Era muito mais fácil ver minha mãe convidando um rico e estranho para ir à cerimônia do seu segundo casamento do que seu próprio filho.

– Bom, se for assim prefiro ficar aqui. – Disse sentando na grama. Me sentei ao seu lado e ela me fitou por algum tempo antes de voltar a falar. – Você ainda não contou sobre como uma mancha apareceu misteriosamente de um dia pro outro no seu rosto. – Ri imaginando a marca que deveria ainda existir sobre meu olho.

– Brandon, Briga, Você. – Resumi e ela me olhou confusa. – Ele meio que não aprovou a cena de me ver beijando a garota dele embaixo da árvore, minutos depois de ter me mandado ficar bem longe de você. Mas como eu sou um cara teimoso e você uma ruiva sexy eu meio que não dei ouvidos a ele...

– E ele veio tirar satisfação com você por causa disso? – Balancei a cabeça positivamente.

– Na verdade eu meio que provoquei-o para levar o soco. – Ela arqueou uma das sobrancelhas. – E não, você não vai gostar de saber quais foram meus argumentos para isso. – Os olhos dela se estreitaram.

– Adam Calliel, o que exatamente você disse para aquele maldito? – Ela usou um tom ameaçador.

– Ok eu conto, mais não diga que eu não avisei. – Suspirei me preparando para a briga. – Eu meio que falei... Hm... que eu ainda não havia te testado em todas as posições. Então se ele quisesse poderia tentar. Mas que provavelmente não conseguiria porque você sente nojo dele.

Eu diria que o olhar da ruiva se fez a -50Cº sobre mim. Desconfiei que muito provavelmente essa seria a hora que meu olho esquerdo passaria a combinar com o direito, recebendo uma idêntica marca roxa. Que com certeza combinaria com a do meu pescoço que começara a desaparecer.

– Você ainda não testou e nem vai testar Calliel. Aliás, o que você acha que eu sou hein? Algum tipo de máquina ou carro para ficar testando? Porque se for isso lamento informar, mas seu test drive acabou. – Ela ficou em silêncio, mas logo voltou a falar eu podia ver a raiva em seus olhos. – Aliás, eu nem sei de que diabos adiantou eu ir pra cama com você. Achei que talvez se eu fizesse isso o seu foco mudaria pra qualquer outra garota que estivesse a fim de dar os rins para transar com você, mais pelo que eu vejo foi inútil, não? Porque eu ainda não me livrei de você e só pra constar sinto tanto nojo de você quando do maldito do Brandon.

– Disse a garota que sai de fininho após acordar na cama do cara. – Retruquei com o máximo de ironia.

– E o que você estava esperando? Um beijo de bom dia? – Me calei. – Cedo ou tarde você ia me expulsar daquele quarto. Apenas adiantei as coisas para você. – Ficamos em silêncio enquanto eu avaliava cada palavra dela.

Eu sinto tanto nojo de você quanto do maldito do Brandon.

Ela havia acabado de me comparar com um psicopata maluco que há poucos dias estava pronto para estuprá-la, e mesmo assim disse que sente tanto nojo de mim quanto dele.

Acabei soltando uma risada irônica pelo nariz enquanto pensava nisso, ela sentia tanto nojo do cara que desmaiou apanhando por ela quanto do maldito que ia estuprá-la.

- Sabe Natascha, talvez não sejamos tão diferentes assim. Usar, testar, jogar fora e depois fazer com que a pessoa te odeie. Aliás, será que você nunca se perguntou por que eu expulso as garotas do meu quarto? – Olhei pra ela que fez um gesto quase imperceptível de negação com a cabeça. – Porque eu prefiro que elas me odeiem desde o início, do que deixá-las pra se decepcionarem mais tarde quando notarem que o cara que elas querem na verdade nunca vai existir. – Uma pausa. – Eu não ia te expulsar do quarto naquele dia por dois motivos. Eu não queria que você me odiasse mais do que já odiava e também sabia que você não esperaria alguém diferente de mim quando acordasse. No fim eu estava certo, parece que eu e você preferimos simplesmente evitar os laços, usar, testar e jogar fora. – Ela ia falar alguma coisa. – Não negue, nós dois sabemos que a primeira coisa que te veio a cabeça quando acordou naquele dia foram os prós e os contras de estar na cama comigo. – Me aproximei dela. – Você sabe o que isso significa? – Eu me segurava para não rir do modo como ela tentava desviar seus olhos do meu e mesmo assim acabávamos nos encarando. Eu tinha certeza que em algum lugar do corpo dela, ela queria se afastar de mim o máximo que pudesse, mas em outra parte também de seu corpo, o desejo de permanecer ali parecia maior. Era como se além de sentir a respiração dela em meu rosto, também pudesse sentir seus pensamentos. – Significa que você me testou tanto quanto eu. A única diferença é que enquanto você usa os meus contras para me manter longe, eu uso os seus prós para te provocar.

Então juntei nossos lábios e ela não hesitou. Talvez não tivesse passado pela sua cabeça que seu irmão poderia ver tudo de onde estava, ou ela simplesmente não se importou. Era engraçado como o beijo da ruiva podia variar. Horas antes no quarto dela eu estava simplesmente rendido ao total controle que ela obtinha sobre minha boca, agora, estávamos em papeis invertidos, e isso era bom. Significava que nenhum dos meus futuros filhos seriam assassinados.

Nos separamos devagar e só então eu tive noção das minhas mãos sua cintura, e do toque da ruiva em minha nuca. Ainda estávamos próximos o suficiente para o eu sentir as cócegas de seu nariz roçando com o meu. Seus olhos escuros agora se encontravam firmes olhando para o fundo das minhas órbitas verdes. Era como se ela usasse os olhos para falar aquilo que seu consciente impedia a boca de dizer. Mais.

Por fim dei um beijo curto e sonoro em sua bochecha e me levantei. Definitivamente provocá-la virou um hobby.

– Connor vamos, a chata da sua irmã quer ir embora. — Disse sem olhar para a ruiva sentada na grama verde. Connor olhou para mim e para irmã desconfiado, prova de que havia visto muito bem a cena do ocorrido e lançou a bola uma última vez fazendo outra sexta e vindo na nossa direção.

Virei-me de costas e encarei a ruiva ainda sentada. Estendi a mão para que ela se levantasse, mas a mesma fingiu não me ver, como se eu não passasse de um fantasma transparente a sua frente. Olá orgulho. Seja bem-vindo novamente.

*

Passavam das seis horas quando eu estacionei na frente da casa da ruiva, mantendo o Honda preto pouco atrás de uma moto também parada na frente da grande mansão. O motoqueiro tinha o alerta da moto ligado e olhava pela grade da grande mansão. O capacete tinha a viseira escura abaixada e eu olhei de canto para a Natascha que o observava com curiosidade.

- Conhece? — Perguntei e ela deu de ombros saindo do carro. Connor a seguiu e eu continuei lá olhando os dois, antes de novamente sair com o carro.

Natascha foi até o cara da moto e falou alguma coisa, ele pareceu responder e ela negou com a cabeça por fim o cara pareceu agradecer e deu a partida. A ruiva foi até o portão e os herdeiros McSider entraram. Connor acenou um tchau com a mão e sua irmã fez um discreto aceno com a cabeça.

Voltei a dar a partida no carro e manobrá-lo para fazer a volta, novamente aqueles mesmos faróis de alerta vieram acompanhando a moto a toda velocidade. Eu tive certeza que o motoqueiro acertaria a lateral do Honda que estava atravessado na rua. Então a moto freou poucos centímetros da minha porta. Abri o vidro pronto para começar uma briga, mas algo me fez parar.

A viseira da moto agora estava levantada deixando os traços do rosto do motoqueiro desimpedidos para que eu pudesse vê-lo. Seu sorriso enjoativo e irônico e seus olhos escuros me deram a certeza de conhecê-lo.

Droga, eu reconheceria aquele cara até nas profundezas do inferno.

Notas finais
E ai o que acharam? Curtiram? Querem mais?

Eu aumentei o tamanho do capitulo a pedido de muitos, mais prestem atenção, assim a historia acaba tendo um ritmo mais acelerado. Não me culpem.

O que mais gostaram nesse capitulo? Que tal se a maioria escolher uma partezinha para me dizer ou comentar sobre ela?

E... quem vai ser o divo lindo que vai me dar uma recomendação nova que nem a Mihh Mellark, em? em?

Comentários e MPS assim como as recomendações são super bem vindas. Leitores novos que estão dispostos a sair do mundo frio e obscuro das sobras, apenas nesse capitulo sintam-se a vontade, eu prometo não incomodar vocês para aparecerem sempre. Só quero dar um salve pra minha galera leitora que eu ainda desconheço ok?

Fics para serem recomendadas é só deixar no Review ok?

XxXx