Tennensi Reformatory

20 Capítulo Extra.


Notas iniciais
Hey pessoas lindas do meu coração, eu não deveria estar postando esse capítulo porque eu tive 23 dos 25 comentários que eu pedi, e quase 10 leitores novos, que resolveram entrar no mundo obscuro do leitor fantasma e nem se quer me deram um Oi. Mais como eu sou muito bem educada -sqn- eu dou um seja em vindo pra eles ;D
Perceberam que eu troquei a capa da historia? Preferem essa ou a antiga? To em duvida... Eu troquei a da L.V e reescrevi a sinopse das duas... como a Jujuba verde disse eu tomei um engradado de redbull só pode.
Adorei os Mps falando sobre o vídeo e eu vou responder todos os comentários do capitulo passada certo?
Preparem-se para o maior capitulo da historia...

– Michael? — Adam perguntou ao me notar, depois de falar que o motorista da ruiva já estava no reformatório. Falávamos sobre o choque de Lola e o sumiço de Mason. O que era bem comum, nos dois casos, tanto Lola recebendo um TC quanto o Mason sumindo.

Eu estava na piscina, costumava vir aqui com o Mason no início da noite durante as sextas-feiras para treinar. Não é muito fácil se manter no grupo dos mais rápidos sabia? O silêncio que se instalava ali era quase horroroso, mesmo submerso o movimento sincronizado das minhas pernas e meus braços pareciam ecoar por todo o reformatório. Eu me lembro de como achava tudo isso horrível há dois anos. Como achei a ideia de meus avós terem sido levados para longe de mim devido à velhice, e eu ser jogado nesse lugar pelos meus tios a coisa mais insuportável do mundo. Não que eu aceite agora, não, não aceito nem um dos fatos. Eu desde moleque fui criado pelos meus avós, minha mãe era a típica mãe solteira e eu não tenho muita vontade de conhecer o meu pai — já me decepcionei de mais para correr mais esse risco.

Minha mãe engravidou de mim com 15 anos, era nova e ainda tinha muita vida para viver. Me deixou na casa dos meus avós e então sumiu. Não guardo mágoas por isso. Claro que eu passei por todas aquelas fases, a de me sentir rejeitado, a de rejeitá-la e a pior delas quando eu entrei aqui nesse lugar e a tratava como uma vadia, mesmo que ela não estivesse aqui pra se defender.

Então eu conheci a galera. A Lola garotinha revoltada, porém amada pelo pai. Rebecca criada pela tia, já que sua mãe morreu quando ela ainda era muito nova e seu pai devido à profissão — militar — nunca estava em casa, e nem sabia se voltaria. Adam criado por... na verdade eu acho que o Adam não foi realmente “criado” depois que os pais se separaram. Ele era mais uma bola de pingue-pongue entre os pais, padrastos e irmãs do que um integrante da família.

E também conheci o Mason, o desgraçado que virou meu melhor amigo. Esse cara sofreu, pra caralho. Pais separados, um irmão mais velho e um pai bêbado, são mais de 870 km separando ele da mãe. Quando Mason entrou aqui, eu ainda era um novato. Eu tinha um certo, medo em relação a ele. Corria boatos de que era um assassino. Nos aproximamos quando eu e ele entramos para a equipe de natação e eu fui sorteado para ser a dupla dele nos treinos e nas competições. Foi só então que eu descobri o verdadeiro Mason, aquela cara de durão que ele fazia sempre não era ele. Foi o que lhe ensinaram a ser. Descobri que sua namorada foi assassinada em um incêndio, e ele não achava esse lugar tão ruim, não comparada a sua antiga casa em cima de um bar, o único problema dele estar ali é que seu pai estaria sozinho, bebendo e se afogando em suas próprias dívidas. Mason quem sustentava a ele e o pai. Estudava de manhã, trabalhava de garçom em uma lanchonete durante a noite e algumas vezes fazia serviços para o dono do bar tentando redimir as besteiras do pai. Esse cara é guerreiro.

Na mesma época que eu o conheci resolvi perdoar o fato de ter uma mãe ausente. Descobri que muito pior que um presente marcado por uma cicatriz do passado, era reabrir a ferida e fazer com que a cicatriz seja ainda maior no futuro. Eu perdoei minha mãe, do mesmo jeito que eu descobri que cada um deles havia perdoado de alguma forma os erros das pessoas próximas ou até os próprios erros. Vai ver um reformatório tem mesmo o poder de transformar as pessoas em outras. O único que realmente faltava aprender algo em relação a isso era o Adam.

Ouvi o irritante barulho da porta de ferro e logo levantei os óculos embaçados pelo vapor da água. Logo vi a garota sorridente e de roupas curtas, andando por lá com um sorriso perturbadoramente sexy. Me perguntei se ela já tinha passado no quarto de todos os outros caras e lembrou de mim. Existem poucos caras que ainda não pegaram a Rebecca por aqui, eu felizmente não sou um deles, e já tive minha vez de conhecer cada canto de seu desenhado corpo.

– Vai continuar me devorando com os olhos? Porque se for isso eu posso voltar pra lá e... — Revirei os olhos abaixei os óculos e completei a volta que havia deixado pela metade devido à visita inesperada da morena.

– A que devo a honra? — Perguntei me sentando na borda da piscina e vendo ela se aproximar. Vestia uma calça jeans e uma sapatilha preta, uma blusa larga e que tava apenas metade da sua barriga e tinha a cava dos ombros largos.

–Nada. — Ela disse dando de ombro e sentando ao meu lado. Levantou a barra da calça tirou os sapatos e colocou os pés na piscina. — Isso aqui fica um inferno sem eles. — Ri. Concordava. Sem Adam para fazer confusão com alguém, sem a Natascha pra dar ataques histéricos por todos os cantos e sem Mason para ficar me humilhando e mostrando como ele é mais rápido na piscina, mesmo que a nossa diferença seja de 88 décimos.

– Podíamos dar uma animada. — Olhei pra ela de forma sugestiva, e ela revirou os olhos rindo.

– Já te disseram que você é tarado Michael? Ao extremo? — Dei de ombros e ela riu. — Eu já tenho como dar uma animada, se você quiser pode ir junto. — Ri.

– Becca não me leve a mal, mais eu não curto quando é grupal... — Faço cara de pensativo. — A não ser claro que eu seja o único homem da parada. — Ela me olhou quase incrédula.

– Não era disso que eu estava falando seu idiota. — Ela falou batendo em meu braço e com a outra mão puxou alguma coisa do bolso. Um papel. Depois me entregou.

Tarde do desafio.

Uma animada em seu final de semana.

Jogo não oficial — desafios leves*

– Jogo de amadores. — Disse rindo e Rebecca concorda dando de ombros. — Eles tão entregando um desse pra quase todo mundo, Ethan vai criar novas regras para os... Amadores. — Ri. — Acho que uma delas será algo sobre a proibição de sair da escola, e desafios que ponham em risco a segurança do outro.

– Qual será a graça então? Deveriam ter colocado Verdade ou Consequência do colegial.

Falamos por mais um tempo e eu passei a tremer de frio devido a água que esfriava em meu corpo, tirei a toca de borracha que apertava minha cabeça e pendurei os óculos no pescoço, tinha que pedir uma sunga nova pra mim, uma que não esteja tão desbotada. O tecido azul-marinho já não era mais tão vibrante e o número 11 ao lado esquerdo da minha perna também não era mais tão branco. Senti os olhos de Rebecca me acompanhando e avaliando por algum tempo. Eu ri.

– Quem está devorando quem agora? — Ela deu de ombros e não parou de me “comer” com os olhos. — Eu preciso de um banho. Pode me esperar lá dentro se quiser. Juro ser um garoto comportado.

Rimos e eu tomei meu banho, coloquei uma roupa quente e ainda tive que ceder a minha jaqueta da equipe para a Rebecca que tremia de frio. Talvez se ela parasse de economizar tecidos na sua blusa, não teria uma hipotermia. Fiz o ato de cavalheirismo de deixá-la na porta do quarto e depois eu fui para o meu, que por sinal era na frente do dela. Como é fácil ser cavalheiro hoje em dia.

A noite passou rápido, porém o outro dia foi agonizante. O pior sábado nesse lugar com certeza. Eu, Lola e Rebecca ficamos no refeitório rindo de coisas que não tinham a menor graça, apenas para matar o tédio.

– Ouviram os boatos? — Lola perguntou e Rebecca olhou pra ela curiosa. Lola sempre sabia de tudo, mesmo que passasse um mês dentro do dormitório eu tenho certeza que ela continuaria sabendo de tudo que acontece nesse lugar. Ela nunca nos revela esse truque. — O pessoal tá comentando que o Adam e a Nath estão juntos.

– O pessoal sempre comenta o que não sabe. — Becca disse de forma tediosa.

– Talvez eles não estejam tão errados. — Eu disse e as duas me olharam de forma curiosa. — Quer dizer, nós sabemos que eles não estão apenas porque vivemos com eles. Mas os outros apenas veem o Loiro que manda olhares sugestivos pra ruiva, tentando fazer ela pemassar vergonha, e vamos combinar que com esse desafio fica meio difícil de fazer eles acreditar em outras coisas. O Adam a transformou na sua sombra. — Elas riram.

– Eles seriam um casal estranho. — Revirei os olhos.

– Qualquer casal que envolva o Adam seria estranho. Ele não é o tipo de cara que… — A Lola arregalou os olhos para algo além de mim, apontou sem dizer nada e eu me virei na direção indicada junto com Rebecca, dando com o nariz no vidro gelado da grande janela e vendo do outro lado uma figura alta, de ombros largos, cabelos escuros, e olhos azuis. Mason ia em direção ao prédio dos dormitórios mais alguma coisa parecia errada. Não que não seja normal, algo sempre está errado quando ele some. Me levantei.

– Eu vou lá ver. — Disse.

– Eu vou junto. — Rebecca disse quase pulando da mesa e arrastando a Lola junto. Eu sabia que elas não ajudariam. Mason tinha certa dificuldade em relação a dividir os problemas.

– Acho melhor não Becca. Eu vou, falo com ele e depois falo com vocês certo? — Rebecca bufou e se jogou de volta em uma cadeira de braços cruzados como uma criança mimada. Ri, revirei os olhos e sai revirando os cabelos da Lola. Adorava fazer isso. Principalmente depois que ela trocou a cor de roxo quase vermelho para verde-alface.

Corri para fora do refeitório que tinha apenas eu, Lola e Becca em uma mesa e outros dois grupinhos de quatro ou cinco pessoas, e fui em direção a Mason que ainda estava indo em direção aos dormitórios. Percebi o olhar de Lola e Rebecca ainda pelo vidro e dei um sorrisinho discreto. Mesmo com alguns metros de distância percebi que Mason mancava, realmente algo estava errado.

– Você deixou uma ruiva de coração partido por não ter se despedido. — Falei me aproximando dele com um sorriso. — Cara o que é isso? — Disse com os olhos arregalados parando de frente pra ele. Ele tava com um corte perto na sobrancelha e com a parte inferior do olho direito completamente roxa e inchada. Ele deu um sorriso sem graça e eu percebi que sua boca também estava inchada. Uma briga. Mason se meteu em uma briga.

– Você ainda não viu como eu estou em baixo dessa camiseta. — E só então eu percebi que ele vestia apenas uma t-shirt de mangas cumpridas. E uma coisa que eu sabia sobre Mason é que um de seus maiores inimigos era o frio. Por isso ele vivia preso a jaquetas, moletons, luvas e cachecóis. Ele levantou uma parte da blusa virou de costas pra mim. Jurei ter visto mais cores nos hematomas dele, do que em uma caixa de lápis da faber-castell.

– Mason, você tá maluco? Onde você tava? Porque tá todo quebrado? Foi pra guerra e esqueceu os amigos? — Ele riu e continuou caminhando em direção ao dormitório. — Você tá manco.

– Bela observação. — Ele disse irônico e continuamos andando. Chegamos ao dormitório e eu notei a careta que ele fazia para subir os degraus. Usava o corrimão ao seu favor e eu não joguei fora o meu tempo oferecendo ajuda. Um de seus defeitos era ser orgulhoso demais para aceitar a ajuda de alguém. Chegamos ao quarto andar e para chegar ao próximo lance de escadas tivemos que atravessar o corredor. Percebi que ele parou encarando a porta do quarto da Natascha.

– Ela foi pra casa esse final de semana. — Ele desviou o olhar.

–Adam está com ela? — Balancei a cabeça positivamente e ele olhou mais uma vez pra porta e trincou o maxilar. Mason tendo problemas com Adam em relação à Nath? Isso era novidade. Ele voltou a caminhar e chegamos ao quinto andar onde era o seu quarto. Por coincidência o meu e de Rebecca também. Ele abriu a porta do quarto e entramos. Ele respirou fundo e se sentou na cama. Notei que ele não conseguira deitar-se a menos que fosse de bruços, devidos aos machucados em suas costas.

Sentei na mesa da escrivaninha e o encarei. Ele não olhava pra mim, olhava para um espelho grande que o refletia por inteiro. Notei que seu maxilar continuava tenso e que algo parecia o incomodar. Respirou fundo.

– Vai me dizer? Onde estava? — Ele deu de ombros.

– Sai. — Falou se levantando.

– Acho que isso todo mundo percebeu Mason. — Digo.

– Vi meu pai. — Ele disse com um pouco mais de mágoa na voz. Tirando a camiseta e a jogando na cama. Arregalei ainda mais os olhos. Não eram apenas hematomas, tinha um corte no seu braço e uma faixa o enrolava desde centímetros antes da sua costela até um pouco mais abaixo dos braços, havia uma mancha vermelha na faixa.

– Seu pai fez isso? — Ele deu de ombro. — Mason me responde droga. Você tem noção do que tá acontecendo? Eles não sabem o que acontece quando você sai, mas eu sei, Adam sabe, Ethan sabe. As garotas ficam perguntando sobre você e nós não temos o que dizer. Você não viu a cara da Rebecca e da Lola quando viram você. Você não viu como a Natascha ficou apenas pelo fato de você ter desaparecido. — Ele me encarou, e de novo voltou os olhos para o espelho. — Será que você não percebe que tem amigos, droga? Você vai ferrar com a sua vida Mason, e a gente não pode fazer nada.

– Eu não quero que façam. — Ele diz seco. Rio irônico.

– Ah é? Me esqueci que o senhor todo poderoso é burro o suficiente pra negar ajuda de um amigo, porem não pensa duas vezes antes de se meter em uma porcaria de briga por causa do pai.

– Ele é meu pai. — Mason gritou com os olhos marejados.

– Me diz que tipo de pai é esse que deixa o filho nesse estado Mason? Me diz que pai é esse que acredita que o filho é um assassino? — De novo aquele riso irônico.

– Você não estava lá, ele não estava lá. Nenhum de vocês viu. Cada um acredita no que é mais fácil pra si. Já passou pela sua cabeça que eu possa mentir pra você? — Suspirei.

– Quer que eu seja sincero? Antes, não havia um dia que eu acordava e cogitava a hipótese de ter transformado um assassino no meu melhor amigo. Não havia um dia que eu temia ficar sozinho com você e ser morto queimado por ai. Mas depois de um tempo que eu convivi com você, descobri que você não é assim Mason. Você apenas se acostumou a viver com isso, e eu não o culpo. Mas talvez você devesse deixar que seu pai se acostume a viver com os problemas dele. Para de fazer isso cara.

– Ele vai morrer se eu não fizer isso.

– E você vai morrer se fizer por ele.

– Ele não tem dinheiro pra pagar o que usa Michael. Ele está se drogando.

– Que ótimo. — Digo irônico. — Então além dele bater no filho, fazer você trabalhar em um bar imundo pra cobrir as dívidas dele e ainda te fazer descolar grana pra ele, agora ele resolveu virar um drogado? Quem vai pagar as dívidas dele? Porque pelo que eu me lembre você não tem dinheiro, ou será que você resolveu assaltar alguém? — Notei quando ele abaixou a cabeça e lágrimas começaram a cair.

– Você não... não está entendo Mitch. Ele nem se quer tem forças pra me bater. E mesmo que eu descolasse grana e assaltasse alguém eu também não ia ter grana pra pagar os caras que ele se meteu.

– Mason você tá dizendo que...

– Eu não tô dizendo nada... — Gritou e as lágrimas voltaram a escorrer — Eles iam matar meu pai se fizessem nele metade do que fizeram comigo. Eu só... só... me entreguei em seu lugar. — Dessa vez meus olhos se marejaram.

– Você tá dizendo que ia deixar eles te matarem no lugar do seu pai.

– Eles não iriam me matar. E meu pai disse que não vai fazer de novo. Michael, ele jurou.

– Me diz quantas vezes seu pai jurou algo pra você e cumpriu Mason? E... como você pode ter tanta certeza que eles não te matariam Mason? E se eles te matassem? — Vociferei.

– Eu estou aqui não estou? Eu estou vivo. — Ele respirava de forma cortada, notei que cada vez que seu peito subia com o ar, a dor fazia sua respiração travar.

– Sua vida não é menos importante que a do seu pai Mason, você tem que entender isso. — Ele ficou em silêncio e só então eu notei que estava chorando tanto quanto ele. Ele se levantou e foi para o banheiro.

Droga, eu pareço um gay. Mas quer saber eu não ligo. Você acredita nessa coisa de homem não chora? Assista seu melhor amigo se matando no lugar do pai e me diz isso. Você acha gay um homem cuidando do outro? Vai olhar o cara que tá contigo em todas as merdas e vê como é horrível quando ele não quer te escutar. Passa por isso e me diz se você realmente se importa com o que as pessoas pensam de você. Fui até a porta do banheiro, fechada e encostei apenas a testa nela. Não havia barulho de choro, mais eu sabia que ele chorava, eu sabia que o barulho que eu ouvi era o punho dele socando a parede, e logo depois os soluços.

– Mason. — Chamei. Droga eu tinha que parar de chorar. Isso não estava ajudando. — Deixa eu te levar na enfermaria, você tá estourado. Aposto que têm uns cinco ossos quebrados aí. — Falei em uma tentativa de piada, mais só então notei que eu estava com medo de estar certo.

– Eu tô legal, o tornozelo tá torcido, tirei o ombro do lugar e meu dedo não tá dobrando. Não vou morrer por isso. — Eu ri.

– Você é tão sínico que eu daria um soco na sua cara se seu rosto não tivesse com machucados o suficiente.

– Sempre cabe mais um. — Ele diz e eu posso ouvir um tom de humor na sua voz.

– Precisa de ajuda? — Perguntei. — Não que eu queira te dar banho é obvio, mais se quiser eu posso passar álcool no arco-íris das suas costas. Ou se preferir eu chamo a Becca. Ela vai ser mais amorosa. — Eu pude ouvir uma risada fraca.

– Você é tão gay Michael. — Ele disse rindo. — Só quero... ficar sozinho. Mando um beijo pra Becca e se eu precisar de uma enfermeira eu chamo ela. — Ri fraco e dei duas batidinhas na porta.

– Se cuida cara. Vê se não some. — Falei e saí.

Eu tinha noção do meu olho vermelho. Sabia que se aparecesse assim na frente das garotas elas me encheriam de perguntas e depois iriam encher o saco dele. Resolvi ir para o meu quarto e levei um susto ao ver a figura deitada na minha cama. Ri, eu deveria ter pensado nisso. Rebecca estava ali e depois de me olhar bem parecia um pouco preocupada.

– Mitch, me diz que você não tava chorando, por favor. O que aconteceu? Ele tá bem? — Balancei a cabeça de forma negativa e senti uma lágrima escorrer ela me abraçou.

– Ele precisa de ajuda Rebeca, alguém precisa falar com ele. Ele precisa escutar alguém. — Ela me puxou pra cama.

– O que ele tem? O que aconteceu?

– Ele... e-eu não posso contar. — Ela me olhou como se entendesse. Passou o polegar pelo meu rosto.

– Mitch, ele é grande sabe o que fazer, não podemos interferir nas escolhas dele. Você é o melhor amigo dele, se ele não te escutar não vai nos escutar. — Arregalei os olhos quando ela me deu selinho. Rebecca se entregando pra mim sem esforços? Isso era novidade.

– Talvez ele escute a Nath. — Ela sorriu.

– Talvez. — Ela disse e me beijou. Juro que se fosse qualquer outra teria protestado, mas era ela. Não que eu fosse apaixonado por ela. Becca não era uma garota “apaixonável”, mas ninguém se importa se eu desfrutar da oportunidade, certo?

Depois de ter me aproveitado da oportunidade, eu e Rebecca fomos para a tal tarde do desafio, ela passou no quarto para convidar o Mason, mas disse que ele estava dormindo, e pareceu meio apavorada com a cena que viu. Provavelmente viu ele sem a camiseta e com os hematomas.

A tal tarde do desafio foi o maior fiasco que eu já vi. Nem três minutos no paraíso é tão ridículo. Mas os amadores pareciam se divertir. Idiotas. Com o tempo o pessoal foi cansando. Rebecca, Lola, Amber, Ethan e eu fomos os primeiros a sair.

Caminhávamos lentamente rindo e fazendo comentários idiotas sobre desafios de algumas pessoas, quando notamos uma movimentação estranha de alguns alunos e professores. Sem querer ouvi a conversa de um professor ao celular falado sobre fogo. Fogo no dormitório. Não que isso não fosse algo comum era típico das marotagens dos alunos mas nosso dormitório não era o local mais esperto para se dar início a um incêndio.

Eu e o pessoal corremos em direção ao prédio e um aglomerado de pessoas já estava lá. Os poucos alunos que estavam no reformatório pareciam desesperados. Eu só procurava um.

– O Mason! O Mason estava lá. Mitch cadê ele? — Rebecca parecia tão nervos quanto eu. Não demorei a perceber que dos poucos alunos ali dentro nenhum deles era o Mason.

– Meu amigo tá lá dentro. Precisamos tirar ele de lá! — Gritei na frente do diretor que olhava o prédio em chamas junto com um aglomerado de professores tendo uma expressão horrorizada.

– Quem está lá Michael? — O treinador do time de basquete me perguntou um pouco preocupado.

– Mason esta lá dentro, temos que fazer alguma coisa. — Dessa vez Rebecca quem gritou e eu notei que todos os outros estavam atrás de mim.

– Os bombeiros já estão a caminho. Não podemos entrar lá agora.

– Estamos em um fim de mundo, se esperamos por bombeiros eles vão ter que varrer os restos do Mason. – Lola interferiu, os professores falaram qualquer outra coisa e minha paciência acabou dei as costas e corri em direção à porta.

– Mitch! — Ouvir Rebecca gritar, mas não me importei. Sabia que alguém a impediria e se eu não fosse rápido me impediriam também.


Corri pelos degraus, e até o terceiro andar não tive nada que dificultasse. No quarto a fumaça cinza e grossa parecia pesada em meus pulmões. Levei o punho da jaqueta ao meu nariz e boca para tentar filtrar o ar da fumaça, mais era involuntária a queimação no pulmão e o embaço nos olhos. Com certa dificuldade subi as escadas desviando de pequenos focos que se iniciavam. Algo me dizia que se eu quisesse voltar a descê-las eu teria que ser rápido. Cheguei ao meu andar, e obviamente ao de Mason também, girei a maçaneta e para meu desespero estava trancada. O fogo já se alastrava por vários cômodos e eu notei que a porta do meu quarto já era lambida pelas chamas. Meu desespero aumentou. Eu sabia que não resistiria muito tempo a fumaça.

Ouvi tosses do outro lado da porta e imaginei que a fumaça já invadia o quarto pelas brechas que existiam, eu sabia que toda a decoração de madeira e o piso de tacos acabariam sendo um alvo fácil para o fogo. Dei dois chutes na porta e apenas no terceiro já não tão forte consegui fazer com que ela se abrisse. Tentei não ofegar, sabia que quanto menos fumaça entrasse em meus pulmões, melhor seria. Mason parecia procurar por alguma coisa em um a gaveta e tossia com a fumaça que agora entrava com força no quarto.

– Mason você é louco?! Precisamos sair daqui. — Ele me olhou e se voltou para a gaveta. — Por Deus Mason, vamos morrer se você ficar organizando a gaveta no meio de um incêndio. — Ele pareceu achar o que queria e enfiou no bolso eu não fazia ideia do que era. Mason era visto apenas como um borrão nos meus olhos. Ele mancou em minha direção.

– Você precisa sair Mitch, eu não vou ser rápido o suficiente, pode ir eu estou atrás. — Ele falou parado em minha frente, pus minhas mãos em seus ombros de leve para evitar os hematomas que estavam sem nem se quer uma camiseta para cobri-los.

– Eu já falei que a sua vida tem o mesmo valor que as outras. Se for pra virar churrasco, faremos a carne render pra todos cara. — E ri descontraído. — Aliás me diz quem quereria um churrasco como você? Eu sou o mais gostoso esqueceu? — Ele riu e eu fiz com que um de seus braços passasse por meus ombros tentando fazer o apoio que sua perna machucada não faria.

Quando saímos o fogo estava muito mais alastrado e não demorou até as chamas fecharem a passagem do quarto do Mason. O fogo consumia mais da metade da escada. Larguei o Mason em um canto e arranquei o extintor de uma das paredes. Eu não tinha tempo para ler o manual apenas fiz o que achei que devia ser o certo. O fogo diminuiu, eu não tinha tempo para apagá-lo completamente. Voltei a pegar o Mason e ainda com mais dificuldade chegamos ao corredor do quarto andar que começava a ser consumido. Eu já não conseguia raciocinar tão bem, e corpo do Mason era cada vez mais pesado. Nossas tosses mais constantes e meus olhos lacrimejavam e ardiam ao mesmo tempo. A cada tosse de Mason era acompanha por um gemido de dor, devido aos músculos machucados que se contraiam.

– Mitch eu não consigo... — Ele falou rouco, quase inaudível diante dos estalos que o fogo fazia. Ele ofegava por um ar que quase não existia mais. — Me deixa cara. Diz pra eles que você tentou. Obrigado. — Dessa vez as lágrimas não eram devido ao fogo, eram também pelo medo. Foram poucas as vezes que eu senti medo e esse era uma delas. Eu estava com medo da morte. Não apenas a minha, mas eu não aguentaria saber que eu cheguei tão perto de salvá-lo e desisti.

– Eu não vou te deixar. — Só então notei que doía para falar e que minha boca estava completamente áspera. — Eu vim até esse maldito incêndio pra te tirar vivo daqui de dentro, e nesse momento tem pessoas lá me xingando por ser incompetente, o Ethan tá segurando a Rebecca que por sinal está chorando por medo de nos perder. E se quer saber de uma coisa, se for para sair daqui de dentro como um fracassado, eu prefiro não sair. — Tentei olhar em seus olhos mais notei que ele já não os mantinha aberto.

– Vai. — Foi a única coisa que ele disse antes de cair. Junto com eles um pedaço da madeira que escondia os tijolos da construção despencou do teto ao nosso lado. Puxei Mason com força mais ele era pesado demais até mesmo para mim. Com dificuldade o arrastei até as escadas. Eu caminhava de costas e o arrastava pelos braços, mais tinha medo que minhas forças se esgotassem antes da porta. Para o meu alívio o fogo ainda não havia chegado ao segundo andar e a fumaça era mais fraca, eu não tinha fôlego para caminhar, e quase arrastava meus pés pelo corredor, as escadas foram descidas com dificuldade tropeçando em meus próprios pés. Cheguei ao primeiro andar e a luz da porta aberta me fez renovar décimos da minha força. Apertei mais forte os braços de Mason que escorregava de mim devido ao suor em minhas mãos. Então finalmente encontrei ar puro.

Me afastei o quanto foi possível do prédio e cai de joelho ainda segurando o braço de Mason, notei várias pessoas ao nosso redor, mas o que elas falavam era impossível de se entender, não sei se isso se devia ao cansaço extremo do meu corpo ou a todo aquele formigamento e queimação sentia em meu pulmão.

– Eles estão bem. — Foi o grito que eu ouvi antes de lagar o braço do Mason e deixar meu corpo cair inconsciente no chão.

Notas finais
Então? O que acharam? Gostaram? O que acharam dos pensamentos do Don Michael? E da amizade dele com o Mason? Eu não tenho certeza se eu tenho um (a) amigo (a) assim e vocês? Eu sei que junto com o capitulo extra tinha que ter vindo também o próximo capitulo da historia mais ta acontecendo umas coisas ai e eu não tive tempo de escrever, mais eu prometo terminar ele entrear pra minha jujuba e depois dar ele divastico pra vocês certo?

Faz tempo que eu não ganho uma recomendação - não que eu esteja pedindo é claro, minha mãe disse que é feio u.u

Mereço comentários? 20 talvez? Mais 15 já tá bom, os 15 são dos fieis a historia u.u mais mesmo assim eu to aceitando comentário dos seres místicos fantasmagóricos que se propõe a sair das profundezas obscuras
do anonimato ok?

Eu queria divulgar essa historia http://fanfiction.com.br/historia/397125/Mae/ a escritora ta começando e pediu ajuda pra divulgar, então eu queria que vocês dessem uma chance pra fic e os interessados enseivem com comentário ok?

Beijinhos da Boow ♥