Temptation.
10 Surpresas.
Notas iniciais
Camus havia chegado há quase 40 minutos e esperava o indiano no sofá do apartamento do mesmo.
Camus: o que ele tanto faz na cozinha??
Passou a mão no cabelo suspirando pesadamente. Cecil havia pedido que ele sentasse ali e não se levantasse e muito menos fosse a cozinha antes que o chamasse.
Camus: eu espero que ele não demore tanto... Eu to morrendo de fome.
Soltou um muxoxo e desligou a TV entediado. O loiro ouviu um barulho forte e um grito do Aijima que o fez correr até a cozinha.
Camus: Cecil, você ta bem??
Ele arregalou os olhos vendo uma panela de molho no chão e o menor sujo um pouco e com cara de poucos amigos. O delegado não aguentou e começou a rir. Cecil fitou o mais alto corado de vergonha e raiva.
Cecil: Não ria Camus! Eu estava tentando cozinhar pra você, imbecil!
Fez um bico. O loiro parou de rir, mas não conseguiu tirar o sorriso do rosto.
Cecil: E agora eu estraguei tudo. Sou um inútil!
Disse choroso, sentando na cadeira.
Cecil: Pior que você deve tá morrendo de fome e só tem o resto da comida de ontem na geladeira.
O moreno suspirou triste e fitou o delegado sem graça. O maior sorriu.
Camus: eu agradeço o jantar... Mesmo que ele tenha sido um desastre.
Falou olhando para a comida no chão e reprimindo um riso. Cecil bufou.
Camus: e pra tudo existe uma solução.
Piscou para o mais novo que o fitou de forma curiosa. Camus pegou o celular e ligou para o restaurante da sua preferência. Depois de uns minutos ele já tinha feito o pedido e dado o endereço de entrega.
Cecil: não é justo! Eu te convidei pra jantar e você ainda vai pagar ele.
Disse frustrado. Camus riu.
Camus: eu não to afim de morrer de fome.
Sorriu se aproximando do moreno.
Camus: por que não vai tomar um banho? Eu limpo tudo.
O menor corou e sorriu sem graça concordando.
Cecil: gomen por isso.
O mais novo beijou os lábios do delegado rapidamente.
Cecil: agora... Como sabia a minha comida preferida delegado?
Perguntou irônico vendo o loiro arregalar os olhos de leve.
Camus: Bom, nós já saímos há dois anos. Eu devo ter descoberto durante esse tempo...
Respondeu, e Aijima podia jurar que ele estava um pouco sem graça. Cecil sorriu carinhosamente. Não diria em voz alta, mas achara aquilo extremamente fofo por parte do maior. O moreno aproximou novamente seus lábios ao de Camus e deu um selinho demorado no mesmo.
Cecil: Eu já volto.
Sussurrou. O idol foi para o banheiro com um sorriso no rosto.
Cecil: Pelo menos a sobremesa deu certo e eu sei que ele vai adorar.
Disse para si mesmo, mordendo os lábios de leve ao imaginar a cara do loiro quando visse a torta doce que estava no frezzer, a favorita do delegado.
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Ai entrou em seu quarto com uma caneca de café na mão. Já estava de manhã, e ele nem ao menos conseguiu dormir direito. Pelo menos toda aquela confusão não afetou o seu reencontro com Syo. Estaria, ainda, com mais raiva de Aine se por causa dele o mesmo não conseguisse ficar com o chibi. Afinal a saudade que sentiu dele naqueles meses foi insuportável. Fora o namorado que o Kurusu tinha, o que já era um grande empecilho no seu caminho. Ele só não matava Koji, porque o chibi desconfiaria que depois de estar tendo um caso com um yakuza, seu namorado aparecesse coincidentemente morto em algum rio por aí.
Ai: “além disso, não sei o que o Syo sente por ele. Muitos casais se amam, mas não se entendem. O que gera as traições… ah sei lá.”
Ele suspirou. Amor nunca foi sua matéria predileta. Já teve exemplos reais que o sentimento só ferra a vida de todos. Ranmaru e Camus eram o exemplo vivo. Claro que no caso do Kurosaki a situação era pior… porque além de amar alguém, ele ainda amava um verdadeiro filho da puta galinha. Mas Camus não escapava das consequências do amor. O loiro se fingia de durão e que não se importava, mas o Mikaze sabia que ele sofria e odiava a distancia que Cecil sempre colocava entre eles. Ai foi despertado dos seus pensamentos vendo Syo se remexer e procurar por si, apalpando o local onde deitara, ainda sonolento e de olhos fechados.
Ai: bom dia, chibi.
Sorriu o fitando. O Mikaze estava sentado na cama de frente para o loiro. Syo abriu os olhos aos poucos, colocando a mão em frente ao rosto para diminuir a luminosidade, o que fez o bluenette rir.
Syo: Bom dia.
Respondeu preguiçoso, se espreguiçando na cama. O loiro afundou o rosto novamente no travesseiro e fechou os olhos, o que fez Ai arquear a sobrancelha.
Syo: Deita de novo, Ai. Ainda tá cedo.
Falou manhoso. O Kurusu sentiu a mão direita de Ai afagar seu cabelo e suspirou satisfeito. O loiro relaxou ainda mais e quase adormeceu de novo.
Syo: "Eu queria que fosse assim todos os dias..."
Pensou, sentindo seu coração acelerar. O loiro abriu um olho e fitou o Mikaze, sentindo seu coração acelerar ainda mais.
Syo: Ai...
Mordeu os lábios.
Ai: O que foi, chibi?
Perguntou sem parar de acariciar o cabelo do loiro.
Syo: Deita aqui comigo.
Pediu levemente corado. Ai ficou o olhando um pouco surpreso pelo pedido do menor. Ele sorriu e pôs a caneca em cima do criado-mudo, levantou o edredom e se deitou, puxando o idol para si. Syo deitou sua cabeça no peito de Ai e suspirou satisfeito.
Ai: você é sempre manhoso assim quando acorda?
Perguntou cinicamente. O chibi o fitou.
Syo: você já me viu acordando muitas vezes. Por que está perguntando isso agora?
O Mikaze prendeu seu olhar no do mais novo.
Ai: é, mas… você sempre acordava primeiro com a intenção de fugir de mim.
O Kurusu riu.
Syo: ok, é verdade. Mas em minha defesa eu sempre estava atrasado.
O bluenette o fitou desconfiado.
Ai: sei.
Syo: é verdade, baka.
Ai: ocupado com a banda ou com o namorado?
Ele acabou não resistindo em fazer essa pergunta misturada com indireta.
Syo: Com a banda, você sabe disso...
Falou sincero, olhando para o bluenette por um momento.
Syo: Ai, eu...
Começou a falar, mas acabou travando. O loiro ia dizer que desde que ficara com Ai pela primeira vez naquela festa, nunca mais fora a mesma coisa com Koji. O Kurusu sempre fugia dele e inventava alguma desculpa quando o mesmo queria tocá-lo. Mas o loiro controlou a tempo o impulso de falar aquilo para o maior. Tinha medo do que Ai iria pensar. Talvez o bluenette achasse que ele estava envolvido demais com ele e ia querer um relacionamento sério, o que seria prejudicial para a yakuza, como o próprio oyabun do Mikaze dissera. Afinal, Syo era um idol famoso e Ai um criminoso, como isso poderia dar certo?
Syo: Não é nada...
Falou simplesmente, abraçando o maior com um pouco mais de força. Ai sentiu que o chibi queria falar algo sério a ele, mas desistiu na hora. O Mikaze ficou ainda o observando enquanto este fechava os olhos e relaxava nos braços do yakuza.
Ai: “eu me pergunto se esse imbecil já tocou nele depois de…”
Ele arregalou seus olhos ao ver onde estava sua linha de pensamento. Não tinha ciúmes de Syo. Alias, por que ele teria?! Os dois não tinham nada além de sexo sem compromisso. O Kurusu ouviu o maior suspirar pesadamente e o fitou.
Syo: você tá tenso… é sobre a confusão de ontem?
Perguntou o olhando gentilmente. Ai cerrou os olhos lembrando do seu oyabun e da cara de pau deste.
Ai: eu ainda não consigo acreditar que o Aine fez aquilo. Aliás, eu não consigo acreditar que ele chegou aquele ponto com seu irmão. Pra ele a yakuza sempre fora acima de todas as coisas que podem existir no mundo.
Disse irritado. O mais novo bufou.
Syo: Também não acredito que o Kaoru fez aquilo comigo, ele era a pessoa que eu mais confiava nesse mundo.
Falou triste.
Syo: Eu não sei o que aqueles dois tinham na cabeça, mas por Kami, como tudo chegou aquele ponto? Como eles começaram a ficar?
Indagou, caindo a ficha de que o irmão estava dando para um yakuza. Syo acabou se sentando um pouco agitado, assustando Ai.
Syo: Ai, você percebeu a loucura disso? Meu irmão tá dando pro seu oyabun!
Olhou para o Mikaze com os olhos arregalados.
Syo: O Aine é perigoso e o Kaoru gritou com ele e o xingou.
Preocupou-se, fitando o bluenette nitidamente nervoso.
Syo: Ele não vai fazer nada de mal com ele, né?? Eu to com muita raiva do Kaoru, mas não vou deixar que ninguém toque num fio de cabelo dele!
Ai estava surpreso o fitando e riu.
Syo: não ria! A coisa tá seria e…
Seu corpo foi puxado com força e trazido de volta para o bluenette. Ai afagou os cabelos do chibi carinhosamente.
Ai: Aine não fará nada com ele. Eu garanto.
Syo o olhou desconfiado.
Syo: tem certeza? E como sabe disso?? Pelo pouco que já soube do seu oyabun, ele é completamente desequilibrado.
O Mikaze riu mais ainda.
Ai: isso ele é, sem duvidas.
Piscou para o loiro.
Ai: mas eu sempre sei quando o Aine quer matar alguém, ou quando ele é capaz disso. E o Kaoru não pareceu ser do tipo que ele mataria… eu sei que seu irmão tem um gênio difícil.
Syo: impossível!
Ai riu.
Ai: impossível… e se ele é assim, com certeza já deve ter explodido com o Aine em algum momento. O meu oyabun é controlador, autoritário e se acha o todo poderoso. E se ele impôs essa personalidade no seu irmão, o mesmo com certeza deve ter o repelido.
Syo ficou refletindo por uns segundos.
Syo: com certeza. Kaoru não obedece ninguém. Ele é completamente indomável. O papai é super atencioso com a gente, mas também muito assustador quando quer… eu só vejo Kaoru o obedecer. Mas por respeito e não por medo. Alias… é a única pessoa no mundo que o Kaoru obedece, ele e a mamãe. Mas a nossa mãe nos convence através dos sorrisos e subornos…
Suspirou fazendo o maior rir outra vez.
Syo: o Kaoru não funciona por medo. Ele nem deve saber o que é isso, eu acho. E não é todos que tem o respeito dele. Um dia o mesmo mandou o professor dele para aquele lugar...
Se lembrou com pesar.
Syo: ficou uma semana em casa de suspensão. Só não foi expulso porque meu pai convenceu, sabe-se lá como, o dono do colégio.
O Mikaze observava o idol relatar tudo.
Ai: por isso eu digo… se o Aine quisesse mata-lo, teria feito isso muito antes.
Syo respirou aliviado.
Syo: Ainda bem, eu não quero que o Kaoru corra nenhum risco.
Disse sincero.
Syo: Eu to com raiva dele, mas eu sei que uma hora ou outra eu não vou aguentar e voltarei a falar com ele. Eu amo o meu irmão. Mas estou decidido a dar um gelo nele máximo de tempo possível.
Falou determinado. O loiro entrelaçou a mão a do Mikaze.
Syo: E você e o Aine? Não pode simplesmente fingir que ele não existe... Ele é seu superior e vocês se veem quase todo dia... Como você vai lidar com isso, Ai?
Perguntou curioso. O Mikaze ficou uns segundos em silencio.
Ai: eu não odeio o Aine… mas também não sei se vou conseguir perdoa-lo. Pelo menos não tão cedo.
Syo: mas de qualquer forma ele estava pensando na yakuza e…
Ai: exatamente isso. Pra ele só existe duas coisas no mundo, ou melhor, três. Ele, a yakuza e o melhor amigo estupido dele, o Reiji.
O Kurusu o fitou confuso.
Syo: por que odeia tanto esse tal de Reiji?
O Mikaze ficou entre contar e o não contar a real história para o menor.
Ai: é uma historia muito longa. Mas tentando resumir… eu tenho dois melhores amigos. Camus, que você já conhece e o Ranmaru. Crescemos juntos, desde os 7 anos andando de lá pra cá. Quando tínhamos 12 anos, Camus e eu fomos expulsos por termos colado na prova final. E o pior de tudo… é que era o Ranmaru que estava nos passando cola. O colégio era super idiota e exigente e expulsou nós três. Graças a influencia do pai do Ranmaru, nós conseguimos entrar em outro colégio que era excelente, um dos melhores da cidade.
Ele suspirou.
Ai: foi a pior coisa que já aconteceu.
Syo: eh?
Ai: lá… o Ranmaru conheceu o Reiji e se apaixonou por ele. Mas esse idiota era duas séries a frente do meu amigo e três anos mais velho que ele. O Reiji é o tipo perfeito de canalha, cafajeste, dissimulado e galinha.
O Kurusu arregalou os olhos.
Ai: ele tinha todos os caras daquele estupido colégio aos pés dele. Tinha um namorado idiota e mesmo assim o traia com o colégio e a cidade toda. Porque eu cansei de ouvir boatos dele se agarrando com garotos que não eram da escola. Mas mesmo tendo tantos ficantes e um namorado… ele ainda teve que dar em cima do Ranmaru. Acho que ele descobriu que o mesmo o amava e quis se aproveitar disso. Camus e eu avisamos incontáveis vezes pra ele se afastar, que só ia sofrer… mas o baka estava iludido e apaixonado. Só caiu a ficha dele quando ouviu da boca do próprio Reiji que ele era uma criança e que jamais seria capaz de sair com uma, que não era babá pra trocar frauda e que seu gosto era muito melhor que esse. Detalhe: ele disse tudo isso na frente do namorado dele. Ou seja, Ranmaru foi humilhado duplamente.
Syo estava chocado.
Ai: ele fugiu de lá e nunca mais foi a escola. Uns dias depois, Camus e eu fomos ao colégio pra pegar nossos livros que haviam ficado no armário. Iriamos nos mudar pra outra cidade com o Ranmaru. Mas fomos surpreendidos pela turma do desgraçado que queria saber onde o Ranmaru estava, Camus e eu não falamos nada e por isso levamos uma surra que nos fez parar no hospital.
Syo: o que?!
Ele fechou os punhos fitando o bluenette.
Ai: sim… e ontem descubro que o Aine é o melhor amigo do Reiji. E que ele sempre soube desse caso dos dois e pior… ficava rindo com ele pelas costas do meu amigo. Porque pela forma como ele falou do Ranmaru, ele com certeza deveria tirar sarro dele quando se juntava com o desgraçado do Kotobuki!
O Mikaze estreitou o cenho.
Ai: o que mais me revolta é não ter reconhecido no dia que o vi junto com o Aine e o Ranmaru! Naquela mesma noite que nos conhecemos…
Ele suspirou.
Ai: eu seria capaz de mata-lo ali mesmo.
Falou de forma assustadora e depois fitou o idol.
Ai: ele me decepcionou duas vezes. Kaoru fez o que fez pra te proteger. Ele te ama… agiu errado, mas ainda te ama. O Aine fez tudo pela yakuza, nunca pensou em mim… e ainda teve a cara de pau de cometer o mesmo “erro”, como ele adora julgar, e ainda queria fingir que com ele era diferente. Que o lance dele com o Kaoru não tinha problema. Só o meu e o seu que faz a yakuza correr o risco de ser exposta.
Sorriu irônico.
Ai: ele só pensa nele mesmo… eu demorei pra ver isso. Acho que nunca quis aceitar. Mas que o Aine mudou muito, isso ele mudou. Embora ele já tivesse esse lado no passado, só não mostrava pra mim.
Syo o fitou com os olhos arregalados.
Syo: Mas o seu amigo e esse tal Reiji voltaram a se encontrar e a sair agora mesmo depois do que aconteceu?
Perguntou surpreso.
Ai: Ranmaru saiu com esse imbecil novamente durante esse ano e escondeu isso de mim e do Camus.
Falou frustrado.
Syo: Você realmente se importa com os seus amigos, né?
Perguntou de forma carinhosa.
Ai: Eles são como irmãos pra mim. O Aine também era, até eu perceber que ele só se importa com ele mesmo.
Disse, suspirando em seguida. O loiro fez um carinho no rosto do Mikaze e deu um selinho no mesmo.
Syo: Vamos mudar de assunto, o que acha?
Indagou sorrindo.
Syo: Chega de falar de problemas.
O bluenette sorriu.
Ai: concordo.
O sorriso se transformou num malicioso.
Ai: eu tenho uma ideia bem interessante de assunto que podemos ter.
Ele beijou o mais novo com desejo e se colocou por cima dele na cama. Syo suspirou e desceu com sua mão vagarosamente, pressionando as unhas, pela costa de Ai. O Mikaze mordeu o lábio inferior sensualmente e desceu para o pescoço, lambendo-o pelo caminho e chegando a clavícula, onde o mesmo mordeu um pouco forte.
Syo: i-isso não é um tipo de assunto… sabia?
Perguntou rindo e gemeu de leve pelos chupões.
Ai: e quem disse que precisamos falar? Nossas bocas podem se movimentar para coisas bem mais interessantes.
Sorriu cínico.
Ai: por que não vamos tomar um banho e depois eu preparo um café da manhã bem gostoso pra você? Aproveita que eu to bom hoje.
O fitou dentro dos olhos e roçou o nariz no do idol de leve. Syo ficou todo derretido com o convite do mais velho.
Syo: Hai!
Concordou, sorrindo abertamente. O bluenette deu um meio sorriso e carregou o menor, que o fitou surpreso, mas riu em seguida. O loiro passou os braços em volta do pescoço do Mikaze e o mesmo os levou em direção ao banheiro.
Syo: "Eu acho que o que eu sinto por ele não tem mais volta..."
Refletiu, fechando os olhos e roçando o nariz de leve na bochecha de Ai, e beijando-a em seguida.
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Era a 18º vez que Kaoru ligava para Syo e o mesmo não atendia.
Kaoru: maldição!!
Ele atirou o celular contra a cama com ódio. Provavelmente nunca ligou tanto para alguém em sua vida. Ele não dormiu direito pensando em como Syo estava com raiva de si.
Kaoru: tudo culpa do infeliz do Aine! Maldito! Inútil!! Ele tinha que ser tão estupidamente impulsivo pra estragar o plano todo!
Ele gritou chutando a primeira coisa que viu.
Kaoru: calma Kaoru… seu irmão deve tá com o yakuza dele. Ele vai voltar pra casa… ele tem que voltar! O apartamento dele tá em obras… não pode ir pra lá. Dormir em hotel? Sem chance! Algum paparazzi iria ver. E quanto ao Mikaze… também não! Alguém poderia descobrir e tem o Koji também.
Ele sentou bufando na poltrona do quarto.
Kaoru: eu me odeio! Por que não fui sincero com ele?? E também por que fui tão fraco pra transar com aquele ser inútil do smurf?!
O loiro fechou os olhos e ouviu três batidas na sua porta.
Kaoru: cai fora!
Gritou, sem nem ao menos perguntar quem era.
Shiryu: nossa, que hospitalidade.
Falou irônico. Kaoru arregalou os olhos e fitou o homem que estava sorrindo.
Kaoru: pai!
O menor sorriu abertamente e correu na direção do mais velho, abraçando-o firme.
Kaoru: não disse que ia voltar de Moscou hoje! Cadê a mamãe??
Shiryu: Emiko está falando com os empregados. Dando ordens básicas de patroa.
Disse entediado. O loiro riu.
Shiryu: cadê o Syo?
Perguntou curioso. Kaoru engoliu em seco.
Kaoru: dormiu fora. Provavelmente com o Koji…
O moreno arqueou a sobrancelha.
Shiryu: e o motivo dessa cara desanimada?
O Kurusu o fitou incrédulo.
Kaoru: como…?
Shiryu: eu conheço meus filhos como a palma da minha mão. Aliás, eu os conheço melhor que ela.
Sorriu de canto.
Shiryu: você tá mal. Algum problema na faculdade? Namorado? Amigos?
Kaoru suspirou.
Kaoru: faculdade, estou ótimo como sempre. Não tenho namorado você sabe, isso dá trabalho demais e quanto aos ficantes… tudo perfeito também. Amigos… nada aconteceu.
Shiryu o examinava enquanto falava.
Shiryu: e quanto a relação de você e do seu irmão?
O loiro reprimiu a vontade que teve de bufar. O pai sempre os conhecia muito bem mesmo.
Kaoru: não é nada pai. É serio.
Foçou um sorriso. O moreno suspirou e acenou com a cabeça.
Shiryu: venha tomar café com a gente.
Sorriu gentil ao menor que concordou. Antes que o Kurusu mais velho saísse pela porta, ele fitou o filho.
Shiryu: quando quiser contar o que houve com você e o Syo, é só chamar. E como sempre…
Kaoru: você surgirá mais rápido que o raio.
Completou a frase que o pai sempre falara pra ele e para Syo desde quando eram crianças.
Shiryu: exatamente.
Piscou ao loiro e saiu do quarto, deixando-o só.
.................................
Aine acordou com uma maldita dor de cabeça. Os acontecimentos da noite anterior voltaram com tudo em sua mente, piorando a dor. Reiji surgiu da cozinha e sorriu de forma carinhosa para o bluenette.
Reiji: Melhor?
Perguntou. Depois de ter sido flagrado com Kaoru pelo irmão do mesmo e por seu kobun, Aine se sentiu perdido e por impulso acabou ligando para o melhor amigo. Mas enquanto dirigia para a casa do mesmo, tentou por os pensamentos em ordem. Por Kami, ele não era nenhum fraco que desmoronava por qualquer coisa.
O bluenette pensou em tudo o que estava acontecendo. Ai deixara claro que o consideraria de agora em diante apenas o seu superior, e Kaoru não queria vê-lo nem pintado de ouro... Mas Aine não iria sentar como um derrotado. Não era a toa que fazia parte da alta cúpula da yakuza, o Kisaragi assumiria novamente o controle da situação. Aine se levantou e passou pelo amigo.
Aine: Estou ótimo.
Disse simplesmente, indo até a cozinha beber água. O Kotobuki arqueou levemente a sobrancelha.
Reiji: Ainyan, o que aconteceu ontem?
Perguntou curioso. No dia anterior, Aine se recusara a falar qualquer coisa e apenas ficou deitado no sofá olhando para cima enquanto Reiji tagarelava qualquer assunto para distraí-lo, quando ambos estavam caindo de sono, o moreno se despediu e foi para o quarto. O bluenette continuou deitado mais um tempo pensando em tudo o que acontecera nesses três meses.
Aine: Nada demais.
Falou friamente. O Kotobuki suspirou.
Reiji: Você não vai mesmo me contar, né? Você é sempre tão cheio de segredos, Ainyan.
Disse cansado. O Kisaragi o fitou e relaxou um pouco a expressão.
Aine: Tá tudo bem, Reiji. Não se preocupe comigo, ontem eu... Eu apenas perdi a cabeça por um momento, isso não se repetirá. Se preocupe apenas em resolver o seu problema, ok?
Falou fitando-o nos olhos. O menor sentiu um aperto no peito.
Reiji: Ran-Ran...
Murmurou triste. Aine deu um suspiro cansado. O Kotobuki ficou olhando para a pia com o olhar perdido.
Reiji: "Se ao menos houvesse alguma forma de ficar perto dele..."
Pensou, arregalando os olhos quando uma ideia passou por sua mente.
Reiji: É isso!
Disse empolgado pela primeira vez desde o encontro na ponte. Aine franziu o cenho.
Aine: Isso o que, Reiji?
Indagou sem entender o porquê da animação repentina. O moreno mordeu os lábios e sorriu.
Reiji: Nada. Preciso ir correndo para o trabalho. Fique a vontade, Ainyan.
O Kotobuki correu para o quarto. O bluenette o fitou sem entender, mas logo deu de ombros.
Aine: Eu preciso esclarecer umas coisas.
Disse para si mesmo determinado.
Aine: Eu já vou Reiji. Tenho uns assuntos pendentes.
Gritou para o moreno ouvir. O Kisaragi pegou a chave do carro e foi em direção à porta. Passaria em sua casa primeiro para tomar um banho e trocar de roupa e logo depois voltaria para a mansão Kurusu.
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Aine saiu de casa decidido. Falaria com o Kurusu mais novo e colocaria tudo em pratos limpos.
Aine: Você vai me ouvir, Kaoru. E não adianta ele tentar jogar outro vaso em mim que isso não vai me fazer sair de lá.
Falou determinado enquanto ligava o motor do carro e saia em disparada. Poucos minutos depois chegou a mansão e foi direto para a entrada principal. Um porteiro veio atendê-lo.
Aine: Vim falar com o Kaoru. Abre essa porta.
Ordenou de forma ameaçadora. O homem arregalou os olhos surpreso pelo tom.
Porteiro: Quem é o senhor?
Indagou.
Aine: Não interessa. Mandei abrir essa maldita porta.
Falou raivoso. O homem sentiu um arrepio percorrer a espinha e pegou o comunicador e murmurou alguma coisa que o bluenette não pode ouvir.
Aine: Melhor abrir essa grade ou vou invadir com o meu carro.
Disse com o tom ameaçador perigosamente baixo. O homem olhou para trás apreensivo e viu dois seguranças da mansão chegando, o que o fez respirar visivelmente aliviado. O porteiro deu passagem para os homens, que eram dois brutamontes e voltou para a sua guarita. O Kisaragi deu um meio sorriso perverso.
Aine: Chamaram só dois pra me enfrentar?
Disse em tom de deboche. O yakuza entrou no carro, vendo os dois homens fitá-lo de forma estranha. Aine ligou o carro e acelerou em direção ao portão de ferro, derrubando parte do mesmo. O Kisaragi pegou sua pistola.
Aine: Já que ninguém vai chamar o Kaoru, eu mesmo irei.
Disse determinado. Aine desceu do carro fitando os seguranças de forma arrogante.
Segurança 1: o que o senhor deseja?
Indagou visivelmente irritado pela forma como o Kisaragi invadiu o portão principal da mansão, dando acesso ao jardim.
Aine: eu disse que era para o inútil do porteiro abrir, ele não quis. Provavelmente deveria estar se tremendo de medo e não conseguiu apertar o botão necessário.
Falou com escarnio.
Segurança 2: o senhor está sendo esperado pelo jovem Kaoru-sama? Porque ele não avisou nada que alguém viria.
O bluenette estreitou os olhos.
Aine: eu não preciso de autorização pra vir visita-lo seu imbecil!
Shiryu: eu sinto dizer, mas precisa sim jovem.
Aine fitou o homem que caminhava calmamente em direção deles. O cara tinha os cabelos pretos, olhos muito azuis, era mais alto que ele… provavelmente tinha uns 1.83 por aí, era forte, não mais que os seguranças brutamontes, mas tinha um nível considerável de músculos. O homem fitava o yakuza de forma analítica e imponente.
Shiryu: os jovens de hoje tão impacientes.
Sorriu com ironia. O yakuza o analisou dos pés a cabeça. Aquele desconhecido não parecia ser um simples segurança... Mas então, o que ele era? O bluenette estreitou os olhos.
Aine: Preciso falar com o Kaoru e não tenho o dia inteiro livre para esperar a boa vontade desses inúteis. Então, se não vai chamá-lo, sugiro que saia da minha frente e não me atrapalhe.
O encarou em desafio. Os seguranças arregalaram minimamente os olhos surpresos pelo tom e pelas palavras de Aine. Ou ele era muito corajoso ou muito idiota — e suicida. Shiryu estreitou os olhos e encarou Aine de uma forma tão direta que fez o bluenette quase dar um passo para trás.
Aine: “quem é esse cara?!”
Shiryu voltou a sorrir de forma mais irônica.
Shiryu: bom, eu não sei quem você é. Mas se deseja tanto assim falar com o Kaoru, existe uma criação esplêndida da humanidade chamada celular.
O bluenette o fitou irritado.
Shiryu: eu vou lhe informar para que eles são feitos.
O homem pôs as mãos no bolso e fitou Aine de forma superior.
Shiryu: são pequenos e médios aparelhos que servem para a comunicação. Por exemplo, quer falar desesperadamente com alguém, como se sua vida fosse acabar em cinco segundos que é como estar agindo agora. É muito mais inteligente pegar essa criação geniosa e ligar para a pessoa que deseja falar, do que sair por aí entrando com seu carro em residências familiares, levando o portão junto.
Apontou para a metade do portão que estava caído no chão. O Kisaragi bufou. Estava perdendo a paciência com o cinismo e calmaria daquele homem.
Aine: eu não vim aqui para ter aulas de tecnologia! E para sua informação eu já liguei! Ele não me atend…
Shiryu: ah… aí está outro ponto. Se ele não te atendeu, obviamente não quer falar com você.
Abaixou o tom de voz e se aproximou do bluenette a passos lentos. Shiryu iria tirar a mão do bolso, mas Aine por instinto puxou sua arma e a mirou na direção do mais alto. Os seguranças se alarmaram e pegaram as suas mirando na direção do yakuza. Shiryu não se intimidou e continuou encarando o menor.
Shiryu: abaixem as armas.
Falou só uma vez e todos os seguranças o obedeceram. Aine os fitou com a sobrancelha arqueada, mas continuou com a arma na direção do mais velho.
Shiryu: garotos deveriam saber com quem estão lidando. Sair por aí com uma arma e mirar na direção de qualquer um…
Ele balançou a cabeça negativamente.
Shiryu: péssimo comportamento, criança.
Falou em tom de deboche. Aine somente sentiu seu pulso ser agarrado numa velocidade que ele se surpreendeu e depois o mesmo braço ser virado com força para trás, obrigando-o a gemer de dor e ficar de costas para o moreno. Shiryu tirou a arma dele. O Kisaragi se virou bruscamente para o homem e o fitou surpreso e com mais ódio.
Shiryu: não ouse entrar na minha casa, destruir o portão da mesma e vir com essa arrogância querer falar com meu filho.
Disse de forma calma, mas sua voz tinha algo que deixava todos sobressaltados.
Shiryu: e ainda apontar essa arma na minha direção.
Ele sorriu e tirou todas as balas da pistola, que caíram no chão. O yakuza o fitava incrédulo. Nunca fora desarmado desta forma.
Aine: "Esse cara não é qualquer um..."
Pensou irritado, arregalando os olhos em seguida.
Aine: O Kaoru é seu filho?
Indagou sem acreditar. O maior sorriu. O bluenette suspirou.
Aine: "Nada está tão ruim que não possa piorar..."
Pensou, se afastando ainda mais do outro e sentindo seu sangue ferver quando o mesmo devolveu sua arma sem munição com um sorriso cínico. O Kisaragi olhou para o sorriso do mais velho e cerrou os punhos.
Aine: "Claro que é o pai dele, o mesmo sorriso cínico!"
Refletiu, notando a semelhança do outro homem com o Kurusu mais novo.
Aine: Eu tenho que falar com o Kaoru.
Insistiu, encarando-o.
Shiryu: ok. Como sou um homem benevolente… vou pedir para chamarem meu filho aqui.
Disse em tom de deboche. Uma mulher muito bela, com longos cabelos loiros até a cintura e olhos cor de mel chegou perto do Kurusu.
Emiko: Shiryu! Você não vai acreditar… tem um bicho estupido rondando minhas orquídeas!
Falou irritada e bateu o pé com força no chão. O homem sorriu.
Shiryu: vamos lá… deixe o animal pra lá.
Piscou para a loira que corou de leve, mas sorriu para o marido.
Emiko: você sabe que eu não deixo nada que atravesse meu caminho… de lado.
Sorriu doce para o marido. A mulher fitou o Kisaragi.
Emiko: quem é?
Shiryu: apenas uma criança impaciente, que destruiu nosso portão e aparentemente é conhecido do nosso filho.
Aine o fitou com os olhos estreitos.
Shiryu: de nome… Aine Kisaragi.
Falou olhando a carteira de motorista do bluenette. O yakuza arregalou os olhos incrédulo e meteu a mão no bolso do casaco e viu que não estava mais lá.
Aine: como…??
Shiryu: oh desculpe… péssima mania a minha.
Sorriu falsamente inocente e jogou a carteira para Aine que pegou irritado. A loira sorriu abertamente.
Emiko: Kaoru estava comigo no outro jardim, perto da piscina.
Ela viu o animal exótico que voava, o mesmo que estava a irritando quando olhava suas flores.
Emiko: você… me dê.
Ela apontou para um segurança e pediu a arma. O mesmo a obedeceu automaticamente. Aine fitou a mulher destravar e levantar a pistola, mirando na direção do animal. Bastou um disparo e o bicho caiu no chão, morto.
Shiryu: boa no gatilho, literalmente.
Sorriu cínico para a esposa que o devolveu o mesmo sorriso. Aine arregalou minimamente os olhos.
Aine: "Quem são eles??"
Indagou a si mesmo em pensamento. O bluenette olhou para Shiryu.
Aine: Chame o Kaoru.
Falou para o mais velho. A mulher começou a rir.
Emiko: Realmente você é um jovem muito impaciente.
Disse sorrindo para o Kisaragi, girando a pistola na mão e a entregando novamente para o segurança. A loira trocou um olhar com o marido em uma rápida conversa muda. O bluenette estava ansioso e irritado.
Emiko: como eu disse antes, ele está no jardim perto da piscina.
Sorriu para o bluenette.
Emiko: e como você não deve saber onde é, meu marido o leva até lá.
Aine olhou para os dois desconfiado.
Shiryu: será um prazer leva-lo até lá, criança. Vamos.
Ele pôs as mãos no bolso novamente e começou a caminhar, mas percebeu que o Kisaragi não o seguia. O moreno o fitou por sobre o ombro.
Shiryu: não queria falar com meu filho tão desesperadamente ao ponto de quebrar o portão?
Sorriu irônico.
Shiryu: o que está esperando?
O yakuza ficou um tempo pensativo. Emiko se aproximou um pouco dele.
Emiko: está com medo do meu marido, Aine?
Sorriu de forma meio sinistra.
Emiko: não fique. Não é como se fossemos mata-lo.
Ela riu em seguida e se virou para um dos seguranças.
Emiko: chame alguém para dar um jeito no portão. Quero ele belo até amanhã.
Segurança 2: sim senhora.
Emiko: e quando meu Syo chegar mande-o ir ate meu quarto.
Os homens assentiram e a mulher piscou para o marido e se despediu do bluenette, caminhando calmamente em direção da mansão. Aine seguiu o moreno cautelosamente, não podia de modo algum abaixar a guarda novamente do lado daquele homem.
Aine: "Estou completamente vulnerável aqui."
Constatou friamente, sabendo que uma arma sem munições contra aquele cara e os seguranças dele seria completamente inútil. O bluenette voltou a analisar Shiryu, tentando especular como um estilista poderia desarmar um yakuza tão rápido e de forma tão tranquila? O Kisaragi viu a borda da piscina, e assim que sua visão a alcançou por inteira, viu algo que mexeu consigo. Kaoru estava com uma pequena sunga preta, mergulhando de um lado para outro, completamente alheio ao que acontecia ao seu redor. O bluenette desceu o olhar pelo corpo do Kurusu mais novo, fixando-o na bunda e nas pernas no menor. Kaoru tirou a cabeça de dentro d’agua e seus olhos alargaram ao ver o pai e pior… ver Aine atrás dele.
Kaoru: o que você tá fazendo aqui?!
Falou alto e extremamente irritado. Shiryu reprimiu uma risada da cara do filho para o bluenette.
Shiryu: seu namorado está querendo falar com você, Kaoru. Até quebrou o portão da mansão.
Falou, apenas para ver o jeito dos dois. O Kurusu mais novo fuzilou o yakuza.
Kaoru: eu não acredito que você ta destruindo minha propriedade!
Ele nadou ate a borda da piscina e saiu da mesma se enrolando numa toalha.
Kaoru: e ele não é meu namorado, pai!
Disse irritado. Aine não desgrudou os olhos do menor, o que não passou despercebido pelo mais velho.
Shiryu: Tem certeza?
Indagou irônico. O bluenette ignorou o comentário sarcástico do moreno, assim como o olhar assassino que Kaoru lhe lançara.
Aine: Precisamos conversar.
Falou sério e determinado. Shiryu deu um meio sorriso enigmático com a troca de olhares intensa entre o Kisaragi e seu filho.
Kaoru: pai...
O chamou. Shiryu sorriu.
Shiryu: o que quer?
Perguntou atencioso. Kaoru suspirou.
Kaoru: eu vou falar com ele. Mas... Fique por perto.
Aine franziu o cenho. O moreno riu de leve.
Shiryu: eu já planejava ficar mesmo.
Ele virou de costas para os dois jovens.
Shiryu: alguém que invade nossa casa, visivelmente descontrolado e aponta uma arma na minha cabeça... Merece ser completamente vigiado.
Fitou o yakuza cinicamente e andou em direção do jardim a passos lentos.
Shiryu: se precisar de mim, é só chamar meu filho.
Kaoru lançou um olhar mortal ao maior quando o pai saiu.
Kaoru: quem você pensa que é pra invadir minha casa??! E como se atreve ameaçar meu pai idiota??!!
Ele bufou
Aine: Eu pago o estrago no portão.
Falou dando de ombros, o que irritou ainda mais o Kurusu.
Aine: Eu não sabia que era seu pai. Pensei que era outro dos inúteis que trabalham pra você, embora ele não pareça um daqueles brutamontes idiotas que queriam me impedir de entrar.
Disse mal humorado.
Kaoru: É claro que ele não parece, seu imbecil.
Disse ríspido. Aine deu um passo à frente, invadindo um pouco do espaço pessoal do menor.
Aine: Não vim aqui pra falar sobre o portão ou seu pai... preciso falar sobre ontem.
O bluenette viu o Kurusu cerrar os punhos.
Aine: Eu...
Hesitou por um momento.
Aine: Eu vou resolver tudo e assumir o controle da situação.
Disse para o menor. Kaoru o fitou com os olhos estreitos e riu amargamente.
Kaoru: é mesmo, Aine?
Ele se afastou do maior, queria o máximo de distância possível do mesmo.
Kaoru: e como fará isso oyabun-sama?
Perguntou com ironia.
Aine: Kaoru...
Kaoru: eu liguei quase 20 vezes para o meu irmão! Ele não atendeu, não retornou, e nem ao menos mandou alguma mensagem!!
Falou frustrado e tentando não explodir de novo.
Kaoru: e o seu kobun em?? Pelo que vi ontem ele ta com ódio da sua cara! Me responde como vai reverter isso?? Como vai devolver o Syo, o meu nii-san voltando a ser como era antes comigo, como fará isso??
Ele o fitou esperando uma resposta.
Aine: Eu ainda não sei, mas...
Foi interrompido pelo Kurusu.
Kaoru: Se não sabe o que vai fazer, não se comprometa com algo.
Falou friamente. O bluenette cerrou os punhos.
Aine: Escuta aqui, pirralho. Eu fiz merda ontem? Fiz! Mas a porra toda já ta feita e eu não posso voltar no tempo e mudar, mas se eu disse que eu vou resolver é porque eu irei.
Falou irritado, com o rosto próximo ao do Kurusu. Aine olhou para uma gota de água que escorreu do cabelo do menor e caiu nos lábios do mesmo. O bluenette aproximou a boca da do loiro, mas o mesmo desviou a tempo. O Kisaragi respirou fundo, cerrando os punhos para recuperar o controle.
Aine: Eu vou resolver isso.
Repetiu determinado. O loiro suspirou.
Kaoru: tudo bem.
Falou baixo e virou o rosto para o yakuza, o olhando sério.
Kaoru: eu não vou discutir. E tudo que eu tinha pra falar eu já disse.
O menor recuou um passo para se afastar do outro novamente.
Kaoru: eu não quero mais falar com você. Ai e Syo já descobriram sobre o plano... Então não tem lógica alguma continuarmos com isso. E mesmo que ainda quisesse, eu não voltaria a trair meu irmão.
Aine fitou o menor com a respiração levemente alterada. O bluenette deu um passo a diante e juntou os lábios em um beijo intenso. Kaoru arregalou os olhos e tentou se desvencilhar, mas não conseguiu, e acabou correspondendo quando sentiu a mão do bluenette apertar a sua cintura. O Kisaragi explorou o máximo que pôde da boca do menor, e separou os lábios lentamente, prendendo o lábio inferior do Kurusu com os dentes. O bluenette o fitou intensamente.
Aine: Não duvide quando eu disser que farei algo. Vou resolver as coisas, Kaoru.
Disse determinado. O Kisaragi se afastou do loiro. Aine virou de costas e foi embora, cruzando com Shiryu no caminho e o fitando com a cabeça erguida e um olhar superior.
Aine: Até logo, Sr. Kurusu.
Se despediu, sem conseguir conter o tom irônico no final da frase. O moreno franziu um pouco o cenho.
Shiryu: espere criança.
Sorriu ao ver o menor parar e fita-lo.
Aine: eu agradeceria se não me chamasse de criança.
O Kurusu se virou para o yakuza.
Shiryu: desculpe por isso, meu jovem. Mas você pra mim é uma criança. Não estou falando das atitudes, não me leve a mal.
O bluenette entendeu a indireta e suspirou internamente.
Shiryu: eu não sei qual é o seu lance com meu filho, mas eu só lhe darei um aviso.
O maior se aproximou do yakuza a passos lentos.
Shiryu: não venha a minha casa sem ser chamado. Como eu disse antes, ligue para o Kaoru quando quiser vê-lo. Mas não chegue aqui como se a casa fosse sua, muito menos gerando toda essa confusão.
Falou aquilo sério e depois sorriu pacificamente.
Shiryu: desculpe por tê-las tirado.
Ele deu ao menor um saco com as munições. Aine o fitou desconfiado.
Shiryu: agora pode ir. Espero que nosso próximo encontro seja mais agradável, criança.
Acenou, caminhando em direção do filho.
......................
Kaoru estava bufando de tanta raiva.
Kaoru: eu odeio esse cara!!
Resmungou olhando seu próprio reflexo na água.
Shiryu: algum problema?
Kaoru se assustou e sorriu.
Kaoru: nenhum.
O mais velho o fitou por uns segundos.
Shiryu: aquele garoto é muito mais que um amigo não é?
O loiro desviou o olhar.
Kaoru: ficante. Ex ficante na verdade...
Passou a não no cabelo. O menor tirou a toalha ao redor da cintura e vestiu sua bermuda, jogando a peça sobre o ombro.
Shiryu: ele gosta de você. Seja lá o que for que tiveram... Você deve ter sido mais que um ficante.
Kaoru arregalou os olhos e encarou o pai incrédulo.
Kaoru: claro que não pai! Não viaja! Impossível!
Ele riu. O Kurusu sorriu.
Shiryu: você que sabe. Mas... O que o garoto faz?
Kaoru engoliu em seco.
Kaoru: hmm... Ele é empresário. Toma conta dos negócios da família.
Respondeu e rapidamente começou a andar.
Kaoru: eu quero jogar tênis! Encara uma partida?
Sorriu irônico. O outro revirou os olhos.
Shiryu: você gosta de perde pra mim não é?
Os dois riram.
Shiryu: tem uma surpresa no seu quarto. Um cartão de crédito novo, aquele você estourou.
O loiro vibrou de emoção e abraçou o mais velho.
Kaoru: eu já disse que eu te amo?
Shiryu: interesseiro.
Kaoru mostrou a língua pra ele.
......................
Aine suspirou e seguiu pelo mesmo caminho que pegara para chegar até a piscina. O bluenette passou próximo da roseira e viu Emiko cuidando delas pessoalmente.
Aine: Eu vou pagar o conserto no portão, pode mandar a nota pra mim.
Falou para a mulher, que o fitou com um sorriso doce e enigmático.
Emiko: Você parece menos impaciente agora.
Comentou. Quando Aine ia falar alguma coisa, ouviu a voz de Syo um pouco alterada.
Syo: O que aconteceu com o portão da minha casa?!
Aine arregalou os olhos minimamente. A loira sorriu satisfeita.
Emiko: Meu Syo chegou!
Disse empolgada. Nesse momento, Kaoru e Shiryu vinham em direção a roseira, mas o loiro paralisou quando ouviu a voz do irmão novamente.
Syo: Quem foi o imbecil quem fez isso?!
Indagou irritado.
Aine: Tsc.
Olhou de relance para Kaoru, que desviou o olhar irritado.
Ai: passou um furacão aqui e esqueceram de avisar nos noticiários?
Indagou incrédulo fitando o portão no chão.
Emiko: meu amor!
Os dois ouviram a voz de uma mulher. Syo arregalou os olhos reconhecendo.
Syo: não pode ser...
Ela correu na direção do chibi que petrificou completamente vendo a mãe.
Syo: mãe!
Sorriu sem graça. A loira o abraçou apertado.
Emiko: eu tava morrendo de saudade de você, meu Syo!
O chibi sorriu e retribuiu o abraço apertado.
Syo: eu senti muita sua falta. Cadê o papai??
Perguntou animado. Ai observava a Kurusu que era muito bonita e lembrava um pouco o idol.
Emiko: ele está com seu irmão e o amigo dele. Foi esse menino que derrubou nosso portão.
Syo: em??
Shiryu: como vai meu filho?
Syo e Ai olharam na direção do mais velho e viram Aine e Kaoru perto do mesmo. Syo olhou feio para o bluenette mais velho, que o encarou de volta com o mesmo olhar.
Syo: Baka.
Disse sem som, apenas mexendo a boca, mas o Kisaragi pôde fazer a leitura labial. Aine cerrou os punhos irritado e se controlou para não piorar a situação. Syo olhou para o pai e sorriu. O idol andou em direção ao mesmo e o abraçou apertado.
Shiryu: Senti sua falta, Syo.
O loiro mais velho ignorou o irmão e o bluenette, retornando para onde Ai e Emiko estavam. Aine fitava Ai, mas o mesmo mantinha a expressão fria.
Emiko: Quem é seu amigo, Syo?
Indagou simpática. O loiro mordeu os lábios nervoso.
Syo: É o Ai.
Respondeu simplesmente. Aine olhou aquela cena sem acreditar. Aquilo era surreal. Sério mesmo que ele e Ai estavam sendo apresentados aos pais dos gêmeos?!
Emiko: Ai!
Exclamou fascinada.
Emiko: é um nome lindo!
Elogiou sincera e sorriu vendo o bluenette beijar sua mão.
Ai: é um prazer conhecê-la. Muito mais bela pessoalmente.
Emiko: já me viu no palco??
O olhou empolgada. Ai riu.
Ai: sim. Sua voz é linda e a música Love Heaven é minha preferida.
Syo o olhou incrédulo.
Emiko: eu amo essa música!
Disse mais empolgada ainda.
Emiko: seu amigo, meu filho, é tão apaixonante como o significado do nome dele.
O bluenette sorriu e piscou para o chibi que corou de leve.
Shiryu: você acertou o ponto fraco dela, Ai. Ama ser elogiada.
Disse cinicamente. A loira virou a cara.
Emiko: sou linda, tenho mais que ser valorizada.
Ai e Syo riram.
Shiryu: nisso eu concordo.
Beijou a mulher carinhosamente.
Shiryu: se fosse namorado do meu filho, já teria ganho o coração da sogra. Mas e o sogro?
Sorriu irônico vendo como o filho reagiu ao comentário. Ai sorriu e entrou na brincadeira.
Ai: vamos ver... O que gosta?
Shiryu: tênis. Kaoru, Syo, Emiko e eu jogamos muito. Tiro ao alvo também.
Sorriu mais irônico. O Mikaze retribuiu mais o sorriso.
Ai: sou fascinado e um ótimo jogador de tênis desde criança. E quanto a tiro ao alvo... Minha pontaria é excelente.
Falou sarcástico. O Kurusu mais velho riu.
Shiryu: ótimo! Já podem casar. Está aceito pelos pais.
Aine olhou para Kaoru, que o fitou de volta por um momento. A loira percebeu a rápida troca de olhares.
Emiko: Você não teve um bom começo, querido. Mas vim se redimir e a assumir o conserto do portão já é alguma coisa, continue assim.
Falou para Aine, piscando para o mesmo. O bluenette arregalou um pouco os olhos, e fitou Kaoru, que o olhava incrédulo. Syo olhou desconfiado para os dois.
Aine: Desculpe pelo transtorno que causei hoje. Antes de anoitecer seu portão estará em perfeito estado.
Kaoru, Ai e Syo fitaram o Kisaragi com o queixo caído.
Aine: E suas roseiras são lindas. Muitos valorizam apenas as rosas vermelhas e esquecem que as brancas são de uma beleza única.
Disse para a loira. Emiko sorriu encantada.
Emiko: Rosas brancas são as minhas favoritas!
Disse empolgada, sorrindo para o Kisaragi. Aine deu um meio sorriso. O yakuza mais velho olhou para Shiryu.
Aine: Ai é excelente no tênis, mas não ganha de mim. O mesmo vale para o tiro ao alvo.
O moreno estreitou os olhos e os fitou desconfiado.
Shiryu: Vocês se conhecem?
Indagou curioso.
Aine: Sim, o Ai é como um irmão mais novo pra mim. E eu ensinei tiro ao alvo e tênis pra ele.
Fitou o outro bluenette.
Ai: na verdade somos primos. Isso de irmãos sem ser de sangue não combina muito com a gente.
Falou sorrindo ao casal. Syo fitou o Mikaze e queria falar algo, mas não sabia o que. Tudo aquilo, aquelas coincidências estavam muito estranhas.
Ai: mas é verdade que ele me ensinou o Tênis e o tiro ao alvo.
Shiryu: e quem se conheceu primeiro de vocês?
Perguntou com um sorriso na face. Syo corou.
Syo: o Ai e eu. Ele também é o patrocinador daquela grife de chapéus que eu amo.
Disse tentando esconder a vergonha dos pais.
Ai: Kaoru e Aine se conheceram através da gente.
Sorriu irônico fitando os dois.
Ai: amizade linda não? Nós quatro.
Syo riu um pouco do cinismo do bluenette.
Shiryu: bom, Ai se considere convidado a voltar aqui quantas vezes quiser. Temos que jogar tênis juntos. Aliás... Todos nós.
Olhou para os filhos e para os yakuzas.
Aine: eu aceito o convite com o maior prazer.
Kaoru bufou e olhou para o bluenette ao seu lado.
Ai: também aceito.
Emiko: qual será de vocês dois que ganha??
Perguntou animada. Aine e Ai se encararam.
Ai: quem sabe... Embora digam: o pupilo supera seu mestre.
Shiryu sorriu.
Shiryu: você é confiante.
Ai: uma das coisas que aprendi com o Aine também. Aliás... Vários anos juntos. Teriam que ser úteis de alguma forma.
Falou seco, mas logo voltou a sorrir.
Ai: agora se me deem licença, eu preciso ir. Tenho um compromisso.
O casal concordou e se despediu do bluenette. Ai nem ao menos olhou para Aine e Kaoru.
Syo: eu te levo até a saída.
Sorriu para o Mikaze que retribuiu.
Syo: já volto.
Falou para os pais.
............................
Reiji sorria animado.
Reiji: Sim, tudo bem. Eu pago a multa rescisão contratual.
Rodou os olhos falando no celular.
Reiji: Depositarei na sua conta amanhã, mas lembre de que faltava apenas dois meses para terminar a vigência, e se eu levar em consideração a multa de atraso na ultima entrega de equipamento, e o desconto de pagamento antecipado dos últimos três meses...
O moreno rabiscava no papel um calculo e sorriu ao chegar no resultado.
Reiji: Você tá me devendo R$ 10.000 dólares.
O Kotobuki segurou a risada da explosão do homem no outro lado da linha.
Reiji: Espero que o dinheiro esteja na minha conta amanhã. Foi ótimo fazer negócio com você.
O moreno desligou o telefone e sorriu satisfeito. Reiji abriu o notebook e foi na pasta de contratos, abrindo o atual modelo utilizado pela empresa. O Kotobuki leu atentamente e sorriu quando chegou a ultima linha.
Reiji: Hora de fazer algumas alterações.
Falou para si mesmo, começando a digitar algumas novas cláusulas.
...........................
No dia anterior, Ranmaru não foi trabalhar. Não tinha cabeça para se concentrar no trabalho, estava péssimo. Mas notou que ficar em casa só pioraria mais sua situação.
Ranmaru: hoje é outro dia. Eu vou me jogar no trabalho e esquecer a existência daquele idiota.
Falou determinado. Sua secretaria sorriu ao ver o Kurosaki.
Secretaria: Kurosaki-sama, bom dia.
Sorriu educada, mas com uma dose de sedução. Ranmaru sorriu.
Ranmaru: como vai Masami? Alguma reunião hoje ou recado?
A loira olhou no seu computador.
Masami: o senhor Ichigo está na empresa hoje. Ele deseja falar com o senhor mais tarde. Falou que era sobre um novo contrato com um produtor musical.
Ranmaru ficou um tempo desconfiado.
Ranmaru: produtor?
Ele achou estranho. O presidente da empresa era ele, então por que seu primo que estava vendo isso?
Ranmaru: eu vou pra minha sala. Só me chame quando for ele ou algo importante.
Masami sorriu concordando.
Masami: deseja algum café, suco ou água?
O Kurosaki se aproximou da loira.
Ranmaru: um suco. Do jeito que você sabe que eu gosto.
A moça corou um pouco e concordou. Ranmaru sorriu e entrou em sua sala.
........................
O moreno estendeu a mão e sorriu simpático.
Reiji: É um prazer conhecê-lo, Ichigo-san.
Ichigo: O prazer é meu, Kotobuki-san. Sua proposta é excelente. O que o levou a procurar nossa empresa?
Indagou curioso.
Reiji: Recebi ótimas recomendações das empresas da Família Kurosaki, e como eu vinha tendo problemas com meu antigo fornecedor, rescindi o contrato e vim oferecer essa proposta para vocês. Está de acordo, então?
Perguntou sorrindo. O Kurosaki leu a minuta e sorriu com o valor do contrato.
Ichigo: Sim. Vou dizer para o meu primo vim aqui agora mesmo.
Puxou o telefone e ligou para a secretária de Ranmaru.
Ichigo: Bom dia, Masami. Diga para o Ranmaru vim aqui na minha sala, por favor.
Reiji se arrepiou ao ouvir o nome do albino e sentiu um frio na barriga.
Reiji: "Calma Reiji, vai dar tudo certo. Você planejou tudo."
Falou para si mesmo.
Ichigo: Logo ele estará aqui.
Falou simpático. O moreno sorriu nervoso, e se sentou no sofá preto que ficava no canto da sala.
........................
Ranmaru recebeu o telefone da sua secretaria, informando que o seu primo havia pedido que ele fosse até a sala dele.
Ranmaru: por que ele não vem na minha? Folgado!
Falou suspirando e saindo da sua sala. Ranmaru caminhou a passos normais até a sala do Ichigo e bateu duas vezes, antes de entrar.
Ranmaru: por que não foi na minha sala? Eu tava ocupado sabia, baka??
Disse mal humorado. O primo riu.
Ichigo: Olha a impressão ruim que vai passar para o nosso novo cliente, Ranmaru.
Falou cínico. O albino olhou ao redor da sala e seus olhos se arregalaram ao dar de cara com Reiji sentado no sofá.
Ranmaru: "Não pode ser... O que esse imbecil está fazendo aqui??"
Pensou sentindo o sangue ferver. O Kotobuki engoliu em seco e se levantou do sofá, indo em direção ao Kurosaki que acabara de entrar na sala.
Reiji: Bom dia. Você deve ser Ranmaru Kurosaki, presidente da empresa, certo?
Indagou sorrindo, estendendo a mão para o mais alto.
Reiji: Sou Reiji Kotobuki, é um imenso prazer conhecê-lo.
Se os olhos do Kurosaki pudessem matar alguém. Reiji cairia morto na frente dele. O maior fitou o primo que o olhava em expectativa. Ele precisava disfarçar, Ichigo nunca soube de nada. Nem do passado e pior ainda do presente. O albino respirou fundo e forçou um sorriso.
Ranmaru: Sr. Kotobuki...
Ele apertou a mão do moreno. Com mais força do que o necessário vendo Reiji fazer uma careta de dor.
Ranmaru: é um prazer conhecê-lo.
Falou com certa ironia e frieza na voz. Apertando com mais força a mão do Kotobuki. Reiji manteve o aperto de volta com força, surpreendendo o albino. Assim que percebeu o olhar do maior, aumentou o sorriso. Ichigo estranhou o tempo que estava durando aquele aperto de mão e pigarreou, fazendo os dois separarem as mãos.
Reiji: Leia a proposta que eu fiz para vocês, Ran-R... Ranmaru.
Disfarçou na ultima hora. Ichigo entregou a cópia do contrato para o albino, que começou a ler.
"CLÁUSULA TERCEIRA:
Todas as transações, negociações e reuniões deverão ser feitas entre os presidentes das empresas, exclusivamente."
Ranmaru apertou o papel com força e sua vontade de estrangular Reiji estava mais forte ainda. Ele forçou um sorriso.
Ranmaru: Ichigo... Você poderia, por favor, me deixar um pouco a sós com o Sr. Kotobuki?
O outro Kurosaki fitou o albino meio desconfiado, mas aceitou. Reiji engoliu em seco e quase saiu junto com Ichigo quando o maior o fitou de forma assassina.
Ranmaru: eu posso saber que palhaçada é essa?!!
Ele jogou o contrato na cara do moreno.
Ranmaru: essa cláusula ridícula! E pior ainda esse contrato ridículo!! Eu não quero associar minha empresa com seu nome!
Reiji hesitou por um instante. Ranmaru realmente estava irritado, mas ele não poderia voltar atrás. Era tudo ou nada, agora seu emprego e sua vida amorosa dependiam daquele contrato.
Reiji: Eu não vou desistir de você.
Falou determinado, fitando o maior intensamente.
Reiji: Nós vamos firmar esse contrato. Que desculpa vai dar para o seu primo para recusar um contrato milionário?
Falou confiante, olhando de forma desafiadora para o mais novo. Os olhos do albino se estreitaram. Ele caminhou até o menor e o puxou pelo braço.
Ranmaru: você é um idiota!!
Ele fitou irritado apertando o braço do moreno com mais força.
Ranmaru: você quer o que com isso??! Me irritar?? Me obrigar a ter que olhar pra sua cara?!
Eles se encararam por uns segundos.
Ranmaru: você só consegue com isso que eu te odeie mais ainda!
O moreno sentiu um aperto no peito, mas não deixou isso afetar a sua determinação.
Reiji: Eu te amo, Ran-Ran. E se o amor que tinha por mim virou ódio, eu o transformarei novamente em amor.
Disse com a voz carregada de sinceridade. Reiji se aproximou de Ranmaru e juntou os lábios em um beijo que transmitia toda a falta que sentia do albino.
O Kurosaki fechou os olhos ao sentir sua boca ser tocada pela do moreno. Reiji aprofundou o beijo quando Ranmaru entreabriu um pouco os lábios. Eles iniciaram um beijo profundo, mas o maior o afastou antes que perdesse o controle da situação. Ranmaru fitou o mais velho e suspirou.
Ranmaru: quer essa maldita sociedade? Tudo bem! Eu assino a droga desse papel, mas é bom você saber que isso não vai mudar o que eu penso de você.
O Kurosaki se afastou do moreno e foi pra perto da mesa do primo.
Ranmaru: o amor que eu sentia por você... Ele morreu junto com aquele moleque estúpido que você conheceu.
Os olhos dele se estreitaram.
Ranmaru: seremos apenas sócios, Sr. Kotobuki.
Falou com frieza e pegando o contrato. Reiji sentiu seus olhos encherem de água, mas não choraria. Não mais, chorar não traria o albino de volta. Conseguira o que queria por hora, Ranmaru aceitara assinar o contrato, esse era o primeiro passo. O Kotobuki não falou nada e apenas pegou o contrato que estava levemente amassado depois que Ranmaru o jogou na mesa com a sua assinatura e o assinou.
Reiji: Você...
Hesitou por um momento, mas sem desviar o olhar do maior.
Reiji: Você sabe que eu não vou desistir de você, não sabe? Não importa o quanto você me mande sumir e te esquecer, eu não vou cometer mesmo erro duas vezes. Eu consertarei cada besteira que eu fiz e vou te reconquistar, isso é uma promessa, Ran-Ran. Eu te amo e farei você me amar de novo.
O Kotobuki foi em direção à saída da sala, mas antes de abrir a porta, fitou o albino.
Reiji: Virei aqui amanhã para escolher os modelos dos instrumentos. Até logo, Ran-Ran.
O moreno abriu a porta e saiu.
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